segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Amar; Deixar Ir.

Temos nos afastado, sinto, tornado os planos de eternidade mais flexíveis. Temos acrescentado umas interrogações, umas talvez férias. Talvez, talvez só planos. Planos servem para termos o que desfazer e refazer depois. Não é? Algo para ocupar a mente e o tempo...você disse que sim. Não era tão tarde, você entrou pelo apartamento, sentou no sofá, escolheu uma almofada e disse que seria sua. Não tinha pretensão alguma. Nem de tomar algo para si, nem de atravessar o corredor. Quanto mais de acabar sentado na escada em frente a porta, todo dia, com medo de entrar, de querer rapidamente sair. Você, ainda, não sabe, mas já te espiei através daquilo...como é o nome? Olho mágico? Enfim, eu sei que, antes de girar a maçaneta, você pensa uma, duas, três vezes, sobre o quanto isso ainda vale à pena. Você se pergunta pelo que há lá fora. Pelo tempo que perdeu. Sim, você já chama o tempo que passou comigo de tempo-perdido. Mas a verdade é que eu te amo tanto. Eu te amo até mais por saber que seu amor escapa, rotineiramente, de mim. Eu te amo achando que só o meu já bastaria para nós dois. Eu te amo porque não sei mais o que seriam dos meus dias sem este apreço que nutro por ti. Esta dependência. Não sei viver fora dos seus braços. Mesmo quando eles se esticam para alcançar outros - e te perdôo, pois sei que, vezes ou outras, você hesita. Pensa em mim, nos meus cabelos queimados, das vezes que eu te fiz sorrir só por estar sempre rindo da vida. Morro de sede, deixo todas as luzes acesas, eu sei que você está do outro lado da parede, sentado, com os cotovelos apoiados nos joelhos, a cabeça apoiada nas mãos, inclinado para frente, querendo deitar em posição fetal, se enrolar todinho e arrumar alguma forma de me dizer que não sabe se dá mais. Meu estômago embrulha só de te imaginar criando borboletas em algum outro. Dói de um tanto que nem palavras conseguiriam alcançar o estrago. A agonia é tanta que às vezes me pego esperando que seja logo. Que você entre de uma vez, jogue suas chaves na poltrona, e diga que vai embora para nunca mais. Você se martiriza, eu te conheço, e se odeia por achar que antecipou o fim. Mas está tudo bem. Eu ainda rio à toa. Nem tudo perdeu a graça. Eu queria te abraçar, pedir para não se importar tanto comigo. Afinal, o que importa, depois de tudo, é a nossa própria felicidade. Odeio te ver carregando um semblante tão pesado. Como se voltar para casa, no final de um expediente, fosse mais um fardo do que um conforto. Agora você está lá fora, tentando descobrir quando se tornou tão infeliz. E eu estou aqui dentro, pensando em como te devolver sua felicidade.

6 comentários:

Mariana Araújo disse...

Lindo lindo lindo.

Anônimo disse...

chorey :~

Danubya Medeiros. disse...

Fazia um tempinho que não vinha te ler, mas chego aqui e, encontro esse texto lindo e tão tocante.
Uma delícia ler o que escreves.

Luisa L'Abbate disse...

simplesmente lindo! adoro seus textos =D

Anônimo disse...

lindo lindo lindo lindo

Ana disse...

Vou ler todos.
E..comentar em todos?
Cara, eu nao te acredito