Estou tomando chá de boldo há uma semana.
Quero me convencer de que o amargo
está na língua de quem o sente.
O amargor está na
língua de cada um.
Ao te beijar
- sim, ainda me lembro -,
eu sentia um gosto bom.
Não era doce.
Mas também não era amargo.
Gosto de nuvens.
Dessas coisas que não sabemos, verdadeiramente, como são.
Ao te beijar
- eu lembro -,
bem no começo,
eu ficava rindo como quem
hora ou outra
sofreria uma
síncope.
Capotaria por trás.
Porque me fazia cócegas,
dentro e por fora.
Nos lábios
e no coração.
Parecia que beijávamos
nós dois
línguas
saliva
e uns grãos de areia.
Poeira das estrelas.
Qualquer coisa brega assim.
Mas isso talvez seja mais
uma dessas coisas
que estão
somente
na boca de quem sente.
Eu beijei
por mim
e por você.
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Curto ensaio sobre a saudade
A saudade:
que é de cada um
que é lugar comum...
Quando a senti:
Pouco me resta de ti.
Um par de meias velho.
Uma escova de dentes
sem dentes
para escovar.
Uns vídeos
e fotografias.
Correspondências
e contas a pagar.
Pouco me resta de ti.
Porque se foi.
Se foi de mim.
Depois que foi em mim.
Depois que fomos um no outro.
Um ser sendo,
em partilhas
e parcelas.
Até não ser mais.
Até quando não foi.
Até quando não deu.
Quando olho,
não sei se fora
amor
ou deslumbramento.
Quando olho,
você agora,
já do lado de fora,
não sei quem foi.
Nem sei se fui.
Quando a descobri:
E no final,
nada dito
ou feito
fez ou fará
sentido.
E nem o dirá.
A saudade é um ser
onde não se
parece
estar.
A saudade são
os olhos
que oscilam
entre o aqui
e o acolá.
Como doem as coisas
que a gente finge
não sentir mais.
No dia que eu não tiver mais
medo
de olhar,
nesse mesmo dia,
que eu não tiver mais medo,
saberei
se estamos
onde devemos
estar.
Como doem as coisas
que se perdem
de lugar.
A saudade é a linha
entre
o vamos um pouco mais
para frente
e o já não dá.
Quando a admiti:
Ontem eu te abracei
para dormir
e você nem
imagina.
Acordei
e sua ausência
estava lá.
No calor
deixado pela cama.
No calor
de um corpo
acabado
de se ausentar.
No calor
que eu quis
imaginar.
Depois, fiquei querendo te ver.
Ver se me via em você.
Querendo saber se
ainda estava lá
- eu e você.
Se ainda tinha um lugar.
A saudade é o verbo
que não se pode
conjugar.
A saudade é ponto.
E nunca final.
que é de cada um
que é lugar comum...
Quando a senti:
Pouco me resta de ti.
Um par de meias velho.
Uma escova de dentes
sem dentes
para escovar.
Uns vídeos
e fotografias.
Correspondências
e contas a pagar.
Pouco me resta de ti.
Porque se foi.
Se foi de mim.
Depois que foi em mim.
Depois que fomos um no outro.
Um ser sendo,
em partilhas
e parcelas.
Até não ser mais.
Até quando não foi.
Até quando não deu.
Quando olho,
não sei se fora
amor
ou deslumbramento.
Quando olho,
você agora,
já do lado de fora,
não sei quem foi.
Nem sei se fui.
Quando a descobri:
E no final,
nada dito
ou feito
fez ou fará
sentido.
E nem o dirá.
A saudade é um ser
onde não se
parece
estar.
A saudade são
os olhos
que oscilam
entre o aqui
e o acolá.
Como doem as coisas
que a gente finge
não sentir mais.
No dia que eu não tiver mais
medo
de olhar,
nesse mesmo dia,
que eu não tiver mais medo,
saberei
se estamos
onde devemos
estar.
Como doem as coisas
que se perdem
de lugar.
A saudade é a linha
entre
o vamos um pouco mais
para frente
e o já não dá.
Quando a admiti:
Ontem eu te abracei
para dormir
e você nem
imagina.
Acordei
e sua ausência
estava lá.
No calor
deixado pela cama.
No calor
de um corpo
acabado
de se ausentar.
No calor
que eu quis
imaginar.
Depois, fiquei querendo te ver.
Ver se me via em você.
Querendo saber se
ainda estava lá
- eu e você.
Se ainda tinha um lugar.
A saudade é o verbo
que não se pode
conjugar.
A saudade é ponto.
E nunca final.
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Três atos inatos
Quando se é e se acontece:
Me apaixono de maneira muito fácil.
Por qualquer coisa - que fique ou passe.
Pulsante ou inanimada.
Existente
palpável
ou não.
É algo necessário.
É como uma condição para sobrevivência:
é respirar
se alimentar
hidratar
assear.
É isso:
apaixonar-se é um tipo de limpeza.
Se solitariamente,
espiritual.
Mas ainda melhor se física.
É deixar de lado o feio
- em nós e que nos achamos no direito de ver em outros.
Para estar mais limpo
puro
livre.
Apaixonar-se é como
aceitar
e constatar
que nada é só isso
e que tudo pode ser - e é - muito mais
que uma coisa só.
Quando se é e se entrega:
Deixe que te beijem o silêncio.
Que te atropelem a calma.
Pois há saudade
tristeza
monotonia.
Uma parte do ser
que é o todo de um
passado.
Deixe-se ser
enquanto
sejam
ao seu lado
ao seu dentro
de uma mesma
maneira,
nada censurável
nem vergonhosa.
Que sejamos todos
quando em nós mesmos
quando em outros
sempre
tão
indizivelmente
humanos.
Quando não mais se é e se acaba:
Estou sentada
num café
em algum lugar
no meio do caminho
de casa.
Você está sentado
em algum lugar
num café
no meio do caminho
de casa.
A gente não sabe disso.
Hoje,
a gente mal se fala.
A gente mal se olha.
Mas ainda se abraça
quando chega
em casa.
Quando chega
a madrugada
e debaixo dos lençóis,
ainda sentimos frio.
A gente ainda se abraça quando
algum de nós se sente perdido.
A gente sempre
se encontrou
no escuro
e no vazio.
Hoje,
a gente senta
no meio do caminho
a gente toma um café
para não ter que chegar,
para não ter que abraçar
e descobrir
que não se aquece
não se encontra
não se está
mais ali.
Me apaixono de maneira muito fácil.
Por qualquer coisa - que fique ou passe.
Pulsante ou inanimada.
Existente
palpável
ou não.
É algo necessário.
É como uma condição para sobrevivência:
é respirar
se alimentar
hidratar
assear.
É isso:
apaixonar-se é um tipo de limpeza.
Se solitariamente,
espiritual.
Mas ainda melhor se física.
É deixar de lado o feio
- em nós e que nos achamos no direito de ver em outros.
Para estar mais limpo
puro
livre.
Apaixonar-se é como
aceitar
e constatar
que nada é só isso
e que tudo pode ser - e é - muito mais
que uma coisa só.
Quando se é e se entrega:
Deixe que te beijem o silêncio.
Que te atropelem a calma.
Pois há saudade
tristeza
monotonia.
Uma parte do ser
que é o todo de um
passado.
Deixe-se ser
enquanto
sejam
ao seu lado
ao seu dentro
de uma mesma
maneira,
nada censurável
nem vergonhosa.
Que sejamos todos
quando em nós mesmos
quando em outros
sempre
tão
indizivelmente
humanos.
Quando não mais se é e se acaba:
Estou sentada
num café
em algum lugar
no meio do caminho
de casa.
Você está sentado
em algum lugar
num café
no meio do caminho
de casa.
A gente não sabe disso.
Hoje,
a gente mal se fala.
A gente mal se olha.
Mas ainda se abraça
quando chega
em casa.
Quando chega
a madrugada
e debaixo dos lençóis,
ainda sentimos frio.
A gente ainda se abraça quando
algum de nós se sente perdido.
A gente sempre
se encontrou
no escuro
e no vazio.
Hoje,
a gente senta
no meio do caminho
a gente toma um café
para não ter que chegar,
para não ter que abraçar
e descobrir
que não se aquece
não se encontra
não se está
mais ali.
Curto ensaio sobre o medo
"Em torno de mim jaziam poltronas tortas, vigas empoeiradas e objetos abandonados: era justamente o lugar comum a todos os meus sonhos".
Era uma quarta-feira. Acordei quando o ponteiro já alcançava o número doze. Apaguei por quatorze horas. Na noite anterior, decidi me render e, só dessa vez, tomar algo para dormir. Algo que não fosse um chá de camomila ou erva-doce - um ritual diário. Pretendia tomar um quarto do comprimido de Lexotan, mas a necessidade de uma noite dormida era tanta que, ao segurá-lo entre os dedos, tomei inteiro. De uma vez só, sem hesitar. Depois de engolir, pensei em avisar alguém. Não queria ser encontrada morta por overdose dias depois, sem gatos ao meu redor - sem que a história fosse apetitosa aos tablóides. Me ocorreu, de súbito, que eu não teria a quem avisar. Não por não ter amigos, familiares, próximos. Mas não havia ninguém que visse tamanho perigo num comprimido só. Ninguém que visse o perigo que eu via. Ninguém que soubesse o que aquele objeto minúsculo representava para mim. Pois ninguém mais, no mundo, sabia desse meu medo de remédios. Do meu medo anterior e muito maior que esse: o medo de provocar ou antecipar, por desleixo, minha própria morte. Algo como atravessar a rua sem olhar para os lados. Ninguém sabe que checo se fechei o gás toda noite, três vezes, antes de dormir. O medo visceral de morrer. Nunca contei a ninguém dos meus medos. Por ter, até mesmo, o medo de contá-los.
Eu ando sempre com algum bloquinho e uma caneta no bolso, e anoto tudo que me parece fundamental. Se, de repente, o ônibus de sempre atrasa, eu anoto quantos foram os minutos. E ao que esse atraso teria conduzido: os conhecidos que encontrei por acaso durante a espera, o tempo a mais que precisei esperar na fila da fotocopiadora. Também tento fotografar sempre tudo o que posso. Rostos também. De noite, quando chego em casa, separo tudo que capturei - em imagens, rabiscos, palavras - por datas. Tenho uma pasta para cada mês, dentro de cada ano. Faço isso há mais de década. As imagens não todas, as mais antigas precisaria digitalizar, e pouquíssimas estão com a data correta. Faço isso porque tenho medo de esquecer dos meus dias. Eu tenho medo de esquecer como alguma coisa, algo ou alguém, me fez sentir. Medo de que uma coisa, que foi importante, mesmo que por um dado momento, me escape para sempre. Acredito, nunca terei tempo de reler ou rever tudo o que acumulo mas me basta saber que, enquanto eu puder, estarão sempre guardadas e, de alguma maneira, inesquecíveis.
Era uma quarta-feira. Acordei quando o ponteiro já alcançava o número doze. Apaguei por quatorze horas. Na noite anterior, decidi me render e, só dessa vez, tomar algo para dormir. Algo que não fosse um chá de camomila ou erva-doce - um ritual diário. Pretendia tomar um quarto do comprimido de Lexotan, mas a necessidade de uma noite dormida era tanta que, ao segurá-lo entre os dedos, tomei inteiro. De uma vez só, sem hesitar. Depois de engolir, pensei em avisar alguém. Não queria ser encontrada morta por overdose dias depois, sem gatos ao meu redor - sem que a história fosse apetitosa aos tablóides. Me ocorreu, de súbito, que eu não teria a quem avisar. Não por não ter amigos, familiares, próximos. Mas não havia ninguém que visse tamanho perigo num comprimido só. Ninguém que visse o perigo que eu via. Ninguém que soubesse o que aquele objeto minúsculo representava para mim. Pois ninguém mais, no mundo, sabia desse meu medo de remédios. Do meu medo anterior e muito maior que esse: o medo de provocar ou antecipar, por desleixo, minha própria morte. Algo como atravessar a rua sem olhar para os lados. Ninguém sabe que checo se fechei o gás toda noite, três vezes, antes de dormir. O medo visceral de morrer. Nunca contei a ninguém dos meus medos. Por ter, até mesmo, o medo de contá-los.
Eu ando sempre com algum bloquinho e uma caneta no bolso, e anoto tudo que me parece fundamental. Se, de repente, o ônibus de sempre atrasa, eu anoto quantos foram os minutos. E ao que esse atraso teria conduzido: os conhecidos que encontrei por acaso durante a espera, o tempo a mais que precisei esperar na fila da fotocopiadora. Também tento fotografar sempre tudo o que posso. Rostos também. De noite, quando chego em casa, separo tudo que capturei - em imagens, rabiscos, palavras - por datas. Tenho uma pasta para cada mês, dentro de cada ano. Faço isso há mais de década. As imagens não todas, as mais antigas precisaria digitalizar, e pouquíssimas estão com a data correta. Faço isso porque tenho medo de esquecer dos meus dias. Eu tenho medo de esquecer como alguma coisa, algo ou alguém, me fez sentir. Medo de que uma coisa, que foi importante, mesmo que por um dado momento, me escape para sempre. Acredito, nunca terei tempo de reler ou rever tudo o que acumulo mas me basta saber que, enquanto eu puder, estarão sempre guardadas e, de alguma maneira, inesquecíveis.
sexta-feira, 19 de julho de 2013
O texto olhar dela que ficou para trás
A gente se conheceu de uma maneira que eu definiria como "quase torta". "Quase" porque se tivesse sido totalmente, não estaríamos aqui até agora. Aconteceu de uma maneira que, hoje, é "quase natural". A gente se viu. Ao menos, ela disse que me viu e que eu a vi de volta. Não sei se ainda diz isso para manter uma mentira que ela criou na intenção de romantizar ou se o impacto em mim foi tanto que perdi a imagem. Meu primeiro registro dela vem um tempo depois dessa que ela chama de "primeiro", ou "quase". Ela dançava e sorria, vestindo uma camiseta preta, balançando para um e para outro lado. Desengonçada, mas nem por isso menos encantadora.
Imanente - desta maneira que se deu nossa "ligação". A partir do momento em que a vi e ela já me observava. A sensação - que se estende até agora - é de que ela está sempre um passo a frente. Não sei se me controla ou se já me prevê. Mas mal acordei, e ela já sabe como está meu humor, como se dará meu dia.
As pessoas se esgotam. É um pensamento recorrente. Uma recordação concedida por alguém qualquer em um qualquer dia. As pessoas se esgotam uma na outra - ninguém é infinito. Ou talvez seja. A verdade é as pessoas se cansam. Se entediam. E se vão.
A gente fica para sempre sendo a gente e mais as partes de outros deixadas em nós.
Por isso não sou o mesmo. Não sou quem foi visto por ela. Nunca mais serei. E nem quem me tornei depois que a vi me vendo. Eu mal sei onde sou eu e onde são os outros em mim. Eu sou um agora, e assim que saio pela rua, sou quem era mais fragmentos de outros que passam por mim. Sou um depois, mais um agora, mais o que está por vir - e eu nem consigo imaginar. Sou pedaços de todos que assisto passar. Que me captam o olhar. Que me cedem, ou pedem, palavras.
Todos, não. Não só todos. Tudo. Tudo o que me atravessa fica impregnado em mim. Tudo o que chega, e fica, e vai se adaptando para caber no meu espaço-ser. E que depois precisa se recolocar, se reencontrar, dentro e fora - de si e dos outros.
Porque se escrevi isso agora, não sou mais o mesmo. E mudarei outra vez, ao ler.
A gente se conheceu de uma maneira que não se encaixou no decorrer do texto. De um jeito que ficou para trás. Porque falar disso já não é mais algo meu. Já não me pertence. O que me pertence agora? Se hoje, ao vê-la me vendo, sinto vontade de ir embora.
De novo, já não sei quem sou. E não me reconheço sendo nela. E nem ela sendo em mim.
A vida escorre
feito suor
pelo corpo
pelo ralo
sem fazer sentido
bem
ou mal
assim.
Imanente - desta maneira que se deu nossa "ligação". A partir do momento em que a vi e ela já me observava. A sensação - que se estende até agora - é de que ela está sempre um passo a frente. Não sei se me controla ou se já me prevê. Mas mal acordei, e ela já sabe como está meu humor, como se dará meu dia.
As pessoas se esgotam. É um pensamento recorrente. Uma recordação concedida por alguém qualquer em um qualquer dia. As pessoas se esgotam uma na outra - ninguém é infinito. Ou talvez seja. A verdade é as pessoas se cansam. Se entediam. E se vão.
A gente fica para sempre sendo a gente e mais as partes de outros deixadas em nós.
Por isso não sou o mesmo. Não sou quem foi visto por ela. Nunca mais serei. E nem quem me tornei depois que a vi me vendo. Eu mal sei onde sou eu e onde são os outros em mim. Eu sou um agora, e assim que saio pela rua, sou quem era mais fragmentos de outros que passam por mim. Sou um depois, mais um agora, mais o que está por vir - e eu nem consigo imaginar. Sou pedaços de todos que assisto passar. Que me captam o olhar. Que me cedem, ou pedem, palavras.
Todos, não. Não só todos. Tudo. Tudo o que me atravessa fica impregnado em mim. Tudo o que chega, e fica, e vai se adaptando para caber no meu espaço-ser. E que depois precisa se recolocar, se reencontrar, dentro e fora - de si e dos outros.
Porque se escrevi isso agora, não sou mais o mesmo. E mudarei outra vez, ao ler.
A gente se conheceu de uma maneira que não se encaixou no decorrer do texto. De um jeito que ficou para trás. Porque falar disso já não é mais algo meu. Já não me pertence. O que me pertence agora? Se hoje, ao vê-la me vendo, sinto vontade de ir embora.
De novo, já não sei quem sou. E não me reconheço sendo nela. E nem ela sendo em mim.
A vida escorre
feito suor
pelo corpo
pelo ralo
sem fazer sentido
bem
ou mal
assim.
quarta-feira, 17 de julho de 2013
Dois dedos de prosa em poesia
"Há gente que é feita para viver e gente que é feita para amar".
O alarme. Até isso. O som irritante que era preciso escutar toda vez que fechávamos o carro.
Bim! Bim! Bim!
Até esse som,
está gravado em mim.
Ainda está tudo gravado em mim.
Não há uma noite que passe silenciosa. Sempre o barulho da porta batendo e o alarme. E o coração acelerando no peito - por mais que o tempo passasse, só a possibilidade de sua presença já me tirava do chão.
É como se eu estivesse sempre, ainda, a te esperar. Como se o dia todo passasse em torno disso:
O alarme. Até isso. O som irritante que era preciso escutar toda vez que fechávamos o carro.
Bim! Bim! Bim!
Até esse som,
está gravado em mim.
Ainda está tudo gravado em mim.
Não há uma noite que passe silenciosa. Sempre o barulho da porta batendo e o alarme. E o coração acelerando no peito - por mais que o tempo passasse, só a possibilidade de sua presença já me tirava do chão.
É como se eu estivesse sempre, ainda, a te esperar. Como se o dia todo passasse em torno disso:
dessa espera
dessa enfim, e tão esperada,
sua - e em parte, minha - chegada.
Você não vem mais. Você nunca mais veio.
E melhor assim, tento e logo me convenço.
E logo depois, me esqueço de que já me convenci.
E então retorno, a essa estaca zero
onde foi o melhor
para nós.
E onde o pior
é que o melhor
também dói.
Bim! Bim! Bim! estranho,
mas esse é, ainda, um dos sons
que você faz em mim...
dessa enfim, e tão esperada,
sua - e em parte, minha - chegada.
Você não vem mais. Você nunca mais veio.
E melhor assim, tento e logo me convenço.
E logo depois, me esqueço de que já me convenci.
E então retorno, a essa estaca zero
onde foi o melhor
para nós.
E onde o pior
é que o melhor
também dói.
Bim! Bim! Bim! estranho,
mas esse é, ainda, um dos sons
que você faz em mim...
terça-feira, 16 de julho de 2013
Denominações
"Estamos diante de um amor que chamaremos de 'fusional"
Estou sem ideias.
Sem ir muito longe.
Com sede, mas sem coragem de me levantar.
É triste, e longo demais, o caminho até a cozinha.
Eu preciso passar por todos os retratos pendurados nas paredes.
Eu preciso olhar para o escritório e percebê-lo vazio.
Inanimado.
Empoeirado.
Preciso olhar para você e perceber que não está aqui.
Não está.
E mesmo,
e ainda,
assim,
consigo te olhar.
Te vejo
exatamente
como me veio
avermelhado de sol
(e timidez),
sereno,
esguio.
Naquele dia,
meus passos me levaram aos seus.
Naquele dia,
seus passos me levaram aos céus.
"As pessoas se encontram porque elas tem que se encontrar"
Você disse como dizia todas as outras coisas
querendo viver a vida como um filme
querendo viver de filme
a vida.
E você me ganhou
no primeiro sorriso
no primeiro silêncio
arrepio
espirro
abraço
grito
carinho
distância.
Foi me ganhando
sem nem perceber
sem nem se importar.
E disse, várias vezes, bem assim:
é o curso das coisas, o fato de elas virem não quer dizer que tenham que ficar.
No dia em que te vi,
em que te vi de verdade,
e me vi bem em você,
em que te olhei nos olhos pela primeira vez
era só você
e eu
- refletida ali.
Querendo entrar
- em ti.
Eu comecei a rir
sem motivos aparentes
e você me olhou
por minutos
sem entender
aqueles risos
inteligíveis.
Até que sem saber
se ria
ou se corria
me perguntou.
E entre respirar
e tentar me conter
- para não assustar.
Pela metade,
mas me sentindo inteira,
eu te disse:
você coisou meu coração.
Se eu não entendi,
imagine você.
Mas foi assim,
um não-entendimento até o fim.
Às vezes
- quase sempre -,
ficava uma lacuna.
Entre o que você falava
e o que eu quase entendia.
Entre o que eu não entendia
e o que você não falava.
Era na falta de um no outro
que a gente se encontrava
e depois se perdia.
As coisas, mesmo quando bem vindas,
findas
não precisam ficar.
O que vezes me prendia,
e vezes te libertava,
um dia acabou.
O que nos preenchia,
mas que,
um dia,
esgotou.
Entre a lacuna e a despedida,
você me perguntou:
Como partir inteiro daqui?
Você coisou meu coração...
Estou sem ideias.
Sem ir muito longe.
Com sede, mas sem coragem de me levantar.
É triste, e longo demais, o caminho até a cozinha.
Eu preciso passar por todos os retratos pendurados nas paredes.
Eu preciso olhar para o escritório e percebê-lo vazio.
Inanimado.
Empoeirado.
Preciso olhar para você e perceber que não está aqui.
Não está.
E mesmo,
e ainda,
assim,
consigo te olhar.
Te vejo
exatamente
como me veio
avermelhado de sol
(e timidez),
sereno,
esguio.
Naquele dia,
meus passos me levaram aos seus.
Naquele dia,
seus passos me levaram aos céus.
"As pessoas se encontram porque elas tem que se encontrar"
Você disse como dizia todas as outras coisas
querendo viver a vida como um filme
querendo viver de filme
a vida.
E você me ganhou
no primeiro sorriso
no primeiro silêncio
arrepio
espirro
abraço
grito
carinho
distância.
Foi me ganhando
sem nem perceber
sem nem se importar.
E disse, várias vezes, bem assim:
é o curso das coisas, o fato de elas virem não quer dizer que tenham que ficar.
No dia em que te vi,
em que te vi de verdade,
e me vi bem em você,
em que te olhei nos olhos pela primeira vez
era só você
e eu
- refletida ali.
Querendo entrar
- em ti.
Eu comecei a rir
sem motivos aparentes
e você me olhou
por minutos
sem entender
aqueles risos
inteligíveis.
Até que sem saber
se ria
ou se corria
me perguntou.
E entre respirar
e tentar me conter
- para não assustar.
Pela metade,
mas me sentindo inteira,
eu te disse:
você coisou meu coração.
Se eu não entendi,
imagine você.
Mas foi assim,
um não-entendimento até o fim.
Às vezes
- quase sempre -,
ficava uma lacuna.
Entre o que você falava
e o que eu quase entendia.
Entre o que eu não entendia
e o que você não falava.
Era na falta de um no outro
que a gente se encontrava
e depois se perdia.
As coisas, mesmo quando bem vindas,
findas
não precisam ficar.
O que vezes me prendia,
e vezes te libertava,
um dia acabou.
O que nos preenchia,
mas que,
um dia,
esgotou.
Entre a lacuna e a despedida,
você me perguntou:
Como partir inteiro daqui?
Você coisou meu coração...
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