"O que não tem medida, nem nunca terá.
O que não tem remédio, nem nunca terá".
Eu não sei o que leva as pessoas a serem como são. Não é isso que eu gostaria de saber. Eu quero entender o que leva uma pessoa a ser algo para outra pessoa - nem sempre o que ela realmente é.
Eu quero entender porque ela foi o que foi para mim. Se quando em lucidez identifico que quem vinha a mim - por meus olhos, tato, enfim: sentidos - não tinha nada a ver com quem ela era em si mesma.
Por viver sozinho, estou acostumado a estar só comigo, mas me assusto quando nos aproximamos demais - o eu-sou e o eu-não-quero-ver. Estou certo de que todos se conhecem, cada um ao nível que se permite, a maioria nos mais rasos - mergulhar exige forças para além do suportável. Uns diriam sorte, mas tive o infortúnio de me conhecer além do que deveria - nunca vá para longe ao ponto de esquecer o caminho. O que constatei, e lhe repasso em forma de aviso, é que é possível guardar em si todos os tipos mais macabros de pensamento.
Pensar nessas coisas - pensar quem sou e pensar esses pensamentos -, principalmente pensar nela, vai me puxando todo o ar - desta forma, se dão as crises de pânico.
Meus pés estão inchados. Tropecei e parei ao chão bem na última curva. Estava correndo, completaria a trigésima volta no quarteirão. Corro quando me sinto em perigo - mesmo que fuja de ameaças imateriais.
Não tomo medicamentos - tenho certeza de que fazem mais mal que bem. Correr foi a maneira que encontrei para não me afundar.
Ela veio até mim de maneira engraçada. Eu sabia que ela tinha que vir - se não tivesse, nunca viria -, mas não consigo me livrar da impressão de que a maneira como essa vinda se deu não passou de um improviso. Algo deu errado no caminho, tenho certeza. Mas minha análise não importa agora.
Eu estava terminando de tomar um segundo café numa padaria perto da ponte. A primeira xícara era realmente minha, a segunda tinha sido recusada por alguém e eu não pude desperdiçar. Alguém que me recusou também, aliás, na mesma hora em que as xícaras pousaram à mesa.
O problema não é você...
Estamos querendo coisas diferentes...
Não me leve a mal, eu só te quero bem...
As falas eu já sabia de cor - o que me fez racionalizar e aceitar que só isso já era motivo suficiente para terminarmos ali, só isso já era motivo para não ser nada demais, ser só mais um. Mas deixou uma marca forte na memória quando, no momento em que apertou a bolsa contra o peito e se levantou para sair - deixando o café em perfeito estado -, fechou os olhos - como se transcendesse - e disse assim:
Que a vida sempre nos presenteie com pessoas doces. Mesmo que seja por alguns minutos.
Entrou no carro e nunca mais tive notícias. No mesmo momento, a frase bateu na cabeça e ficou. Como um mantra ou um pedido.
Ela veio até mim nessa situação engraçada. Onde eu tomava uma segunda xícara de café, ao invés de pedir um duplo. Seus cabelos reluziam ao sol, e achei que ela precisou se explicar demais só para conseguir açúcar.
Desculpa incomodar, mas na minha mesa todos os sachês já estão vazios, adoçante é cancerígena, eu até tomaria puro, mas estou sedenta por um doce e não quero voltar outra vez no balcão, está muito cheio não quero ser mais uma a gritar com o barista, você pode me dar um sachê de açúcar?
Eventualmente descobri que ela expunha explicações - todas elas e suas diversas possibilidades - para tudo. Descobri que era uma característica dela: a de nunca, sob circunstância alguma, deixar as coisas soltas no ar.
É muito perigoso deixar as coisas nebulosas, ela dizia.
Toda vez que eu perguntava como ela havia chegado a essa conclusão, ela desviava de assunto. Creio, portanto, que a nebulosidade deixou nela algumas dores duras lembranças.
Quão doces são as coisas que nos invadem e nos tiram da superfície de repente?
Por bastante tempo eu a via quase levitar pelos lugares. Isso que ela tinha de nada pensado ser indizível, lhe tirava todo o peso da vida. Sua presença por si só era capaz de neutralizar o mais pesado dos ambientes.
Nunca me esquecerei da primeira vez em que me declarei perdido por ela. Perdido nela. Espalhado, derramado, entre seus pêlos, olhos, cicatrizes, frases, desejos. Era madrugada, estávamos desde a tarde na casa de uns amigos - que descobrimos - em comum, abrindo uma garrafa de vinho atrás da outra, ajudando a encaixotar as coisas para a mudança. Ela foi subir num banquinho e, antes que eu visse, deu de cara no chão. Sem nem se levantar, ela disparou a rir. E ria, e ria, e ria e parecia que não ia parar nunca. Sem poder evitar, a embriaguez se somou a imensidão dos risos dela e eu disse:
Não sei como te olhar sem sentir vontade de deixar meus olhos para sempre em você.
Depois que as palavras saíram, eu pedi para que tivessem sido baixas demais para serem escutadas entre as risadas dela e as músicas vindas das caixas de som.
Não foram, não foram porque nunca ninguém me olhou daquela maneira. Ela se silenciou por mais de dez minutos e ficou me encarando. Tive a sensação de que ela via através de mim - para ter a certeza de que aquilo tinha sido dito com sinceridade. Nunca ninguém me segurou, e se segurou em mim, com tamanha vontade.
Eu queria entrar em você agora só para abraçar seu coração.
Quando ela soltou essas palavras, sem nem explicá-las, eu tive a certeza de que a quereria para sempre, sem me importar quanto tempo esse tempo nosso nos reservaria.
Eu a amei demais. Eu a amei indizivelmente - e sendo dessa maneira, de um jeito que ela jamais aprovaria. Tanta foi a entrega que eu me sentia culpado quando longe - viajávamos muito a trabalho, na época. Eu ficava perdido, sentia vertigem e me limitava as reuniões e os quartos de hotel. A sensação de ter algo precioso demais para desperdiçá-lo por aí. Mas eu a via desfilar, despreocupada. Conhecer pessoas novas, falar mil vezes durante o jantar sobre elas. Trazer coisas novas para casa, presentes. Dormir fora - depois de já ter se mudado para meu apartamento. Sobreposição de perfumes sobre a pele. De homens, mulheres. Sem perguntar, nada mais ela me dizia. Mas a possibilidade de escutar o que eu já sabia me doía tanto. Perto de explodir, um dia eu perguntei os motivos para isso - todos queremos saber quando não bastamos mais, e porque.
Não demorou muito mais para eu estar, outra vez, tomando meu café e um segundo que me foi deixado.
Eu gosto das coisas intensas. Porque elas independem do tempo. Só o fato de acontecerem, já é o suficiente.
Eu quis que sim. Ela não quis mais. Ela que queria sempre tudo e tanto.
Eu quero entender porque ela foi o que foi para mim. Se quando em lucidez identifico que quem vinha a mim - por meus olhos, tato, enfim: sentidos - não tinha nada a ver com quem ela era em si mesma.
Eu gostaria de saber porque ao me doar me doeu tanto.
Eu quero entender porque a leveza dela me foi tão pesada.
E porque seu amor me custa, ainda, tão caro.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
terça-feira, 2 de julho de 2013
Pantomima
Quando conhecer alguém que te dê vontade de ficar: fique.
Quando encontrar alguém que te dê vontade de ficar: fique.
Se encontrar alguém que te dê vontade de ficar: fique.
Se conhecer alguém que te dê vontade de ficar: fique.
Se alguém, um dia, te der vontade de ficar:
não titubeie,
FIQUE.
Começo assim, incerto, um conselho que, há tempos, procuro alguém que mereça escutar.
É que as pessoas são, para mim, essa fusão entre admiração e repúdio.
Andei, fui longe demais, mas sempre que essas palavras se contorciam na cabeça para descer à boca: algo me fazia desistir.
Eu vivo de caçar defeitos.
Foi uma tarefa que alguém um dia me atribuiu, e nunca me esqueci. Alguém a quem eu quis muito. Quis tanto que cheguei aos devaneios que pretendo dividir aqui.
A vida vai se fazendo desfazendo refazendo pelos cantos. No tempo dela. Ou sem tempo. Fora dos relógios e ainda assim:apressada.
A vida passa e antes que perceba: você tinha esquecido seus olhos fechados.
São os lugares a ir, livros, álbuns completos, os prazos e tabelas, as designações para cada coisa, os feriados, festas de aniversário, signos, significados, significantes, alarmes, relatórios, happy hours, museus, galerias de arte, pontos de ônibus, manifestações, livros outra vez - agora com outro foco -, a academia, a poupança a ser preenchida a cada mês
Tanta tanta tanta tanta coisa que no final:
me deu preguiça de escrever.
E um momento de lucidez que me trouxe de volta para a auto-preservação. Ninguém espera ter passado tanto tempo lendo, ouvindo, assistindo, observando para, no final, decretar o maior absoluto da vida:
o vazio.
Foi para isso que acordei cedo - nos anos de escola. Para isso acordei cedo - nos anos de faculdade. E fui dormir tarde, bebendo e querendo demais. Sendo, relativamente, pouco. Por isso acordei cedo - quando formado, para ir todo dia ao escritório, antes e depois da pós-graduação, do mestrado, doutorado. Acordei cedo para todo mês olhar o saldo da poupança e respirar aliviado por vinte segundos - até lembrar do dever de me superar no mês seguinte, e a cada mês que estivesse por vir.
Atropelei o pensamento com as mãos e revelei o que prefiro escondido:
esses vazios.
Que nos colocam a dormir. Que nos servem à mesa. Que nos enchem os carros. A sala. A cabeça.
Que nos fazem ter pressa para chegar logo a algum lugar.
Que lugar é esse?
De maneira difícil - e não que prefira as coisas entregues em mãos -, descobri que perdi noites de sono, de volúpia, luxúria, excesso: por nada. Noites à deriva. Noites que fossem - e isso de maneira a simplesmente serem. Perdi noites que seriam de muito, ou de coisa alguma, por nada. Cobranças, preocupações, dígitos e prazos.
Perdi a sensibilidade para com a vida.
Como eu ia dizendo: descobri. E é nessa parte que vem o mais difícil.
Ela era o oposto:
vivo de nuvens, dizia assim, as mãos vermelhas de tanto apontar para o céu.
E o que mais? Eu debochava.
de poesia - e arrumava um jeito de rimar dor com alegria.
Mas eu era sério. Eu era tão tão tão sério que mal me distraía. E não sabia sequer o que ela via em mim.
Ficou por um gigante espaço de tempo. Sempre que aniversariávamos, fosse mês ou ano, ela via motivos para comemorar. Eu reclamava de ter que usar gravata todo dia.
você não precisa - e eu zombava dizendo que queria viver no mesmo mundo que ela.
Ela não se irritava. Ela nem por isso parava de sorrir - nem de querer bem à vida. Me abraçava por trás, batendo o coração aveludado dela nas minhas costas duras.
Ela foi assim, ficando. E eu fazendo pouco caso do que ela tentava me dizer a cada vez que sorria. Quando muito irritado, depois de um dia de trabalho eu batia com força a porta e dizia:
você precisa de ajuda.
Numa dessas vezes, ela saiu pela rua.
Insônia - no terceiro dia, ao voltar para casa, encontrei um bilhete na porta. Tinha o nome dela, logo abaixo o meu, os dois ligados formando o símbolo do infinito.
Pensei na infantilidade de traçar algo assim - finitas, sempre tive certeza, são todas as coisas. Ao abrir, nas letras tortas dela, estava escrito assim:
Cheiro teu
na roupa
minha
Gosto teu
na boca
minha
boca minha à gosto
teu
Outros três dias, outro bilhete dela:
Somos todos
um papel
por debaixo
de alguma porta
porta
tanto
portanto
se entregue
a quem te
tirar
da inércia
Aprendi que todo dia é dia de renascer - e combater esses vazios.
Passo noites acordado. Ou durmo sem pretensão de acordar.
Todo tempo do mundo é meu. E mundo meu ninguém me tira.
Todo dia renasço - e morro, mais tarde, de saudades dela.
*Hoje, postei dois textos no meu outro blog:
http://ateoriadonada.blogspot.com.br/
Quando encontrar alguém que te dê vontade de ficar: fique.
Se encontrar alguém que te dê vontade de ficar: fique.
Se conhecer alguém que te dê vontade de ficar: fique.
Se alguém, um dia, te der vontade de ficar:
não titubeie,
FIQUE.
Começo assim, incerto, um conselho que, há tempos, procuro alguém que mereça escutar.
É que as pessoas são, para mim, essa fusão entre admiração e repúdio.
Andei, fui longe demais, mas sempre que essas palavras se contorciam na cabeça para descer à boca: algo me fazia desistir.
Eu vivo de caçar defeitos.
Foi uma tarefa que alguém um dia me atribuiu, e nunca me esqueci. Alguém a quem eu quis muito. Quis tanto que cheguei aos devaneios que pretendo dividir aqui.
A vida vai se fazendo desfazendo refazendo pelos cantos. No tempo dela. Ou sem tempo. Fora dos relógios e ainda assim:apressada.
A vida passa e antes que perceba: você tinha esquecido seus olhos fechados.
São os lugares a ir, livros, álbuns completos, os prazos e tabelas, as designações para cada coisa, os feriados, festas de aniversário, signos, significados, significantes, alarmes, relatórios, happy hours, museus, galerias de arte, pontos de ônibus, manifestações, livros outra vez - agora com outro foco -, a academia, a poupança a ser preenchida a cada mês
Tanta tanta tanta tanta coisa que no final:
me deu preguiça de escrever.
E um momento de lucidez que me trouxe de volta para a auto-preservação. Ninguém espera ter passado tanto tempo lendo, ouvindo, assistindo, observando para, no final, decretar o maior absoluto da vida:
o vazio.
Foi para isso que acordei cedo - nos anos de escola. Para isso acordei cedo - nos anos de faculdade. E fui dormir tarde, bebendo e querendo demais. Sendo, relativamente, pouco. Por isso acordei cedo - quando formado, para ir todo dia ao escritório, antes e depois da pós-graduação, do mestrado, doutorado. Acordei cedo para todo mês olhar o saldo da poupança e respirar aliviado por vinte segundos - até lembrar do dever de me superar no mês seguinte, e a cada mês que estivesse por vir.
Atropelei o pensamento com as mãos e revelei o que prefiro escondido:
esses vazios.
Que nos colocam a dormir. Que nos servem à mesa. Que nos enchem os carros. A sala. A cabeça.
Que nos fazem ter pressa para chegar logo a algum lugar.
Que lugar é esse?
De maneira difícil - e não que prefira as coisas entregues em mãos -, descobri que perdi noites de sono, de volúpia, luxúria, excesso: por nada. Noites à deriva. Noites que fossem - e isso de maneira a simplesmente serem. Perdi noites que seriam de muito, ou de coisa alguma, por nada. Cobranças, preocupações, dígitos e prazos.
Perdi a sensibilidade para com a vida.
Como eu ia dizendo: descobri. E é nessa parte que vem o mais difícil.
Ela era o oposto:
vivo de nuvens, dizia assim, as mãos vermelhas de tanto apontar para o céu.
E o que mais? Eu debochava.
de poesia - e arrumava um jeito de rimar dor com alegria.
Mas eu era sério. Eu era tão tão tão sério que mal me distraía. E não sabia sequer o que ela via em mim.
Ficou por um gigante espaço de tempo. Sempre que aniversariávamos, fosse mês ou ano, ela via motivos para comemorar. Eu reclamava de ter que usar gravata todo dia.
você não precisa - e eu zombava dizendo que queria viver no mesmo mundo que ela.
Ela não se irritava. Ela nem por isso parava de sorrir - nem de querer bem à vida. Me abraçava por trás, batendo o coração aveludado dela nas minhas costas duras.
Ela foi assim, ficando. E eu fazendo pouco caso do que ela tentava me dizer a cada vez que sorria. Quando muito irritado, depois de um dia de trabalho eu batia com força a porta e dizia:
você precisa de ajuda.
Numa dessas vezes, ela saiu pela rua.
Insônia - no terceiro dia, ao voltar para casa, encontrei um bilhete na porta. Tinha o nome dela, logo abaixo o meu, os dois ligados formando o símbolo do infinito.
Pensei na infantilidade de traçar algo assim - finitas, sempre tive certeza, são todas as coisas. Ao abrir, nas letras tortas dela, estava escrito assim:
Cheiro teu
na roupa
minha
Gosto teu
na boca
minha
boca minha à gosto
teu
Outros três dias, outro bilhete dela:
Somos todos
um papel
por debaixo
de alguma porta
porta
tanto
portanto
se entregue
a quem te
tirar
da inércia
Aprendi que todo dia é dia de renascer - e combater esses vazios.
Passo noites acordado. Ou durmo sem pretensão de acordar.
Todo tempo do mundo é meu. E mundo meu ninguém me tira.
Todo dia renasço - e morro, mais tarde, de saudades dela.
*Hoje, postei dois textos no meu outro blog:
http://ateoriadonada.blogspot.com.br/
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Efeito Leminski
hai kai,
balão
hai kai,
balão
aqui da minha
m
ã
o
...
-
a anestesia passou.
e agora,
o que sinto?
(vazio)
-
eu amo amar
então,
a todos que amo:
sintam-se
sobre
amados
-
todas sem ponto
hoje luto
pela liberdade
das palavras
pela não-repressão
das mesmas
por eu mesmo
todas minúsculas
hoje luto
pela igualdade
das letrasque as compõem
-
tudo muda
o tempo
odot
balão
hai kai,
balão
aqui da minha
m
ã
o
...
-
a anestesia passou.
e agora,
o que sinto?
(vazio)
-
eu amo amar
então,
a todos que amo:
sintam-se
sobre
amados
-
todas sem ponto
hoje luto
pela liberdade
das palavras
pela não-repressão
das mesmas
por eu mesmo
todas minúsculas
hoje luto
pela igualdade
das letrasque as compõem
-
tudo muda
o tempo
odot
Pseudo poemadópode do anonimato universal
"mas as moitas e as rochas não eram reais e a beleza das coisas deve estar no fato de terminarem".
Eu te procuro, ainda.
Chego em casa, não largo mais a bolsa pela mesa.
Chego em casa, não largo mais a bolsa pela mesa.
Já atravesso o corredor a te
procurar.
Você não está
Você não está
mais
ali.
Já não estava – há tanto tanto tanto tempo, que eu já devia ter me acostumado.
Sua presença ficou gravada, impregnada, pelos espaços.
Seus olhos observando os quadros, as molduras, fotografias.
Suas pernas pesadas repousando sobre o sofá.
Suas mãos abrindo e fechando a geladeira.
Já não estava – há tanto tanto tanto tempo, que eu já devia ter me acostumado.
Sua presença ficou gravada, impregnada, pelos espaços.
Seus olhos observando os quadros, as molduras, fotografias.
Suas pernas pesadas repousando sobre o sofá.
Suas mãos abrindo e fechando a geladeira.
Seu corpo pesado fazendo volume sob os lençóis.
O barulho da sua respiração.
Seus pêlos espalhados pela pia.
Sua ausência faz silêncio e me diz:
não estou mais aqui.
Perco a noção do tempo – é quinta-feira e te busco na varanda.
Você só vinha nas sextas.
Você adentrava a sala, tirava os sapatos e a camisa.
Caminhava, arrastava os pés pelo chão.
Eu escutava, atenta, cada um dos seus sons.
Era tão lindo quando a gente despertava e se via.
As pupilas dilatavam.
O mundo que não tinha sentido, de repente o fazia.
Agora, o barulho das persianas, as portas batendo com o vento.
Relógio, Chico ecoando das caixas de som.
Caminhão de gás, anunciando abacaxi.
A água regando as flores.
Vozes.
Tantas vozes.
Por onde você foi?
Procuro seus rastros.
Por que acabou?
Procuro a quem culpar.
Não nego.
Mapeio o fim.
Fomos o início, meio e ponto: final.
Fiquei pensando, sentada na poltrona da sala. Buscando uma palavra que pudesse definir aquele sentimento. Uma palavra só que coubesse tudo aquilo que nos atravessou. Um turbilhão de palavras e cuspes que fez aquilo tudo, tudo tanto, virar uma coisa só: nada.
Lembra quando suas palavras ditavam as minhas?
Vá a merda - digo, agora sem você.
terça-feira, 25 de junho de 2013
O tempo da delicadeza sem fim e em mim
Nostalgia s. f. vontade de voltar a algum lugar do tempo, sem voltar no tempo.
Noventa e seis horas sem dormir. Não consigo me lembrar da última vez que pensei em algo sem sentir a cabeça doer no ritmo do pensamento. Cada parte do meu corpo parece se desintegrar - lentamente. Não tenho sono. Deito, rolo, sinto frio e depois calor, tomo banho, chá, nada me faz parar. Estou cansado - mas não durmo.
Perdi a conta do número de vozes. Cada uma puxando e me arrastando e me esticando para um lado. Estou tonto, nauseado e uma pressão escorre da testa para os olhos.
Quero, preciso, mas não posso dormir. Me empurro para cama, mas não me permito. Tenho muito a pensar. Muito a ler. Assistir. E o tanto de coisas a serem sentidas? Lugares para serem visitados? Fico com minhas listas em mãos, meus blocos de anotação e cadernos, e se não der tempo?
A vida passa num piscar. O presente? Passou...passou...passou. Quanto ao passado, nada posso fazer se não me arrepender por não tê-lo vivido com mais dedicação - um dos motivos pelos quais estou desperto. Passou...passou...passou. Olhar para o lado - o presente já não está mais aqui.
Ele se foi. Ele não existe para mim - e para poupar ilusões, recomendo que não exista para você também. Foi uma criação para nos conectarmos ao agora - que, por conseguinte, também não existe. Passado e futuro - tudo o que temos. E continua passando, tudo.
Eu tenho pressa. Quantos livros consigo ler nas próximas quatro horas? Concentrado, só tendo olhos para as páginas e a garrafa térmica com café quentinho.
Meu estômago vai estourar - a esse ponto, pressão também escorrendo pela coluna.
Eu tento não me atrasar, não desperdiçar os minutos tão raros, mas não consigo escapar de pensar no que já vivi.
Eu penso nela. Nada a ser dito. Ficou um espaço, um vazio. Um final que se deu de repente. Uma imensidão de pontos. Que não se ligam mais - dispersos.
Fico repassando a imagem dela - mesmo da forma como o fim se deu, é ela a quem muitos dos meus pensamentos recorrem. Numa tarde de céu meio cinza e meio azul, sentada no parapeito do prédio, quando fazia um ano desde que havia perdido o pai. Ela ficava procurando pelo horizonte e encarando o chão. Eu conhecia a vontade dela de viver, então não senti medo. Mas ela olhava como se soubesse a exata sensação de pular dali. Como se saltasse os quatorze andares às vezes. O telefone tocou - pela vigésima vez na hora em que estávamos juntos. Ela disse "não vou atender". Eu insisti. Com muita calma, ela pegou o celular e o lançou para que a gravidade fizesse graça com ele.
- Eu não preciso que me liguem todo dia 6.
- As pessoas só se preocupam com você.
- Ele não morre uma vez a cada mês. Ele morreu em um dia e doeu pra sempre.
Quando ao pensar muito, penso em quem se foi. Na morte, e em como ela fica impregnada em tudo.
Meu maior medo é esse - e perco a respiração só em pensá-lo:
medo
de
morrer.
Sem ter feito nada.
Sem ter feito tudo.
Eu não posso dormir porque não amei
todos a quem deveria.
Eu não posso dormir porque não amei
tudo o que deveria.
Eu não posso dormir porque tenho
muitos tios que
morreram
durante o sono.
Eu não posso dormir porque tenho medo.
E nos sonhos posso descobrir
que meu medo não é só esse.
"Fazia de tudo para não pegar no sono, para manter a alma dentro de mim, onde era seu lugar".
Noventa e seis horas sem dormir. Não consigo me lembrar da última vez que pensei em algo sem sentir a cabeça doer no ritmo do pensamento. Cada parte do meu corpo parece se desintegrar - lentamente. Não tenho sono. Deito, rolo, sinto frio e depois calor, tomo banho, chá, nada me faz parar. Estou cansado - mas não durmo.
Perdi a conta do número de vozes. Cada uma puxando e me arrastando e me esticando para um lado. Estou tonto, nauseado e uma pressão escorre da testa para os olhos.
Quero, preciso, mas não posso dormir. Me empurro para cama, mas não me permito. Tenho muito a pensar. Muito a ler. Assistir. E o tanto de coisas a serem sentidas? Lugares para serem visitados? Fico com minhas listas em mãos, meus blocos de anotação e cadernos, e se não der tempo?
A vida passa num piscar. O presente? Passou...passou...passou. Quanto ao passado, nada posso fazer se não me arrepender por não tê-lo vivido com mais dedicação - um dos motivos pelos quais estou desperto. Passou...passou...passou. Olhar para o lado - o presente já não está mais aqui.
Ele se foi. Ele não existe para mim - e para poupar ilusões, recomendo que não exista para você também. Foi uma criação para nos conectarmos ao agora - que, por conseguinte, também não existe. Passado e futuro - tudo o que temos. E continua passando, tudo.
Eu tenho pressa. Quantos livros consigo ler nas próximas quatro horas? Concentrado, só tendo olhos para as páginas e a garrafa térmica com café quentinho.
Meu estômago vai estourar - a esse ponto, pressão também escorrendo pela coluna.
Eu tento não me atrasar, não desperdiçar os minutos tão raros, mas não consigo escapar de pensar no que já vivi.
Eu penso nela. Nada a ser dito. Ficou um espaço, um vazio. Um final que se deu de repente. Uma imensidão de pontos. Que não se ligam mais - dispersos.
Fico repassando a imagem dela - mesmo da forma como o fim se deu, é ela a quem muitos dos meus pensamentos recorrem. Numa tarde de céu meio cinza e meio azul, sentada no parapeito do prédio, quando fazia um ano desde que havia perdido o pai. Ela ficava procurando pelo horizonte e encarando o chão. Eu conhecia a vontade dela de viver, então não senti medo. Mas ela olhava como se soubesse a exata sensação de pular dali. Como se saltasse os quatorze andares às vezes. O telefone tocou - pela vigésima vez na hora em que estávamos juntos. Ela disse "não vou atender". Eu insisti. Com muita calma, ela pegou o celular e o lançou para que a gravidade fizesse graça com ele.
- Eu não preciso que me liguem todo dia 6.
- As pessoas só se preocupam com você.
- Ele não morre uma vez a cada mês. Ele morreu em um dia e doeu pra sempre.
Quando ao pensar muito, penso em quem se foi. Na morte, e em como ela fica impregnada em tudo.
Meu maior medo é esse - e perco a respiração só em pensá-lo:
medo
de
morrer.
Sem ter feito nada.
Sem ter feito tudo.
Eu não posso dormir porque não amei
todos a quem deveria.
Eu não posso dormir porque não amei
tudo o que deveria.
Eu não posso dormir porque tenho
muitos tios que
morreram
durante o sono.
Eu não posso dormir porque tenho medo.
E nos sonhos posso descobrir
que meu medo não é só esse.
"Fazia de tudo para não pegar no sono, para manter a alma dentro de mim, onde era seu lugar".
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Vamos fazer o bem?
A gente mora na gente.
E, fisicamente, a gente mora
em algum lugar.
A gente mora em alguma cidade.
E que nada mais é do que a soma de avenidas, becos, calçadas.
Ela é minha e sua.
A cidade é uma rua - às vezes de uma mão só.
A gente mora nela.
A gente e mais um bando de gente.
“O povo” - povo é o coletivo de um só.
Tem gente que mora na gente.
Mas, independente disso, todo mundo mora em algum lugar.
Eu deito na cama.
Outro no sofá.
Tem gente que dorme na rua.
A cama cheira bem.
O sofá também.
"Mas e a calçada?"
Você já perguntou para alguém?
https://www.facebook.com/Coletivodarua
E, fisicamente, a gente mora
em algum lugar.
A gente mora em alguma cidade.
E que nada mais é do que a soma de avenidas, becos, calçadas.
Ela é minha e sua.
A cidade é uma rua - às vezes de uma mão só.
A gente mora nela.
A gente e mais um bando de gente.
“O povo” - povo é o coletivo de um só.
Tem gente que mora na gente.
Mas, independente disso, todo mundo mora em algum lugar.
Eu deito na cama.
Outro no sofá.
Tem gente que dorme na rua.
A cama cheira bem.
O sofá também.
"Mas e a calçada?"
Você já perguntou para alguém?
https://www.facebook.com/Coletivodarua
domingo, 2 de junho de 2013
As partes que te compõem
"Porque aquilo cuja existência se nega pode tornar-se perverso".
Era uma flor. Seria planta? Um pouco dos dois? Uma pequena orquídea. Num vaso preto de plástico. Daquelas vendidas em mercado. Comprada na semana que antecedia o dia dos namorados. Durou até meados de junho seguinte. Na beirada da janela. Assistindo, silenciosamente, o movimento da rua. Todo dia, fizesse sol ou chuva, ela estava sentada ali. Quando o sol batia muito forte, se fazia necessário fechar as cortinas, e ela ficava apenas a escutar os ruídos da cidade. Satisfeita, ainda e de qualquer forma. Às dezessete horas e quinze minutos, me sentava ao lado dela. E através das linhas de silêncio compartilhado, dividíamos nossas impressões sobre o dia até então.
"Não precisa regar diariamente, eu acho", disse a moça do caixa. Olhei para ela, depois para a planta, olhei umas três outras vezes, na mesma ordem. O "eu acho" estreitou nossa relação - minha e da orquídea -, dando um peso muito prematuro. A consciência de ter uma vida em minhas mãos veio subitamente. Precisei recorrer a internet. E li, com desconfiança, umas palavras que reunidas diziam algo mais ou menos assim: apalpe o substrato e, se úmido, não é necessário regar - a planta pode morrer por falta, mas também por excesso, de água.
É assim com tudo, pensei - num desses pensamentos bobos, mas que no momento seguinte em que realizados se fazem necessários. Tudo morre - ou acaba - por excesso ou falta. As dosagens e objetos - por assim dizer - é que variam a cada coisa no mundo - material ou não.
Estou num processo ainda - e imagino, este deve ser o real "luto" -, onde constato, progressivamente, a efemeridade e a finitude das coisas. Assim sigo em frente - caminho para a constatação definitiva, por experiência mais que própria.
Me apeguei a presença dela. Da orquídea. Pois uma presença quando somada a outra resulta na fusão que chamamos, costumeiramente, de "companhia". Ela me acompanhou durante meses ao pôr e nascer do sol. Embora calculável, o tempo que dividimos juntas não cabe a exiguidade do tempo.
Vez ou outra olho para a janela à procura dela: que não está mais lá.
E através desse desejo de sua presença, me transporto as lembranças de tantas outras coisas que perdi. À partir delas que, realmente, compreendi o valor da perda. E que sou capaz de notar a importância de uma simples planta.
Não vejo a necessidade de nomeá-las para estabelecer uma conexão entre nós - eu e você. Mas posso, por outro lado, sintetizar e tentar transmitir a intensidade - que necessito para que você compreenda -, dizendo que perdi "tudo".
Sabe quando você perdeu tudo? - e nem Deus sabe como "tudo" pode ser tão relativo...
Se a recíproca for negativa, ao menos, você já perdeu "alguma coisa"? Então eu te explico avisando que nenhuma multiplicação seria eficaz, nem para ilustrar. Já estou exigindo demais de você.
A ausência é um derivado da ruptura de uma companhia. Mas o caminho também pode se fazer meio que ao contrário. Companhia, para mim, também pode ser resultado de uma presença com uma ausência. Desta forma, se tem uma companhia com a ruptura de uma anterior, mais uma presença.
O que importa é: é imprescindível, ao menos, uma presença para que haja companhia. No caso, vale até ela e a ausência de si própria - o "estar sozinho acompanhado" em suas diversas instâncias.
Quando distraído, sou tomado pela saudade. Aquela irremediável, imediata e incontornável saudade.
A saudade é um dia após o outro. Mas isso não quer dizer que ela acabe. Quer dizer, ela só tem fim quando ele chega para quem a sente.
Eu olho para o céu em busca de respostas - quando as necessito mais que tudo e, ainda assim, elas me escapam. E foi assim que me lembrei de algo que, um dia, escrevi na esperança de iluminar o dia de alguém - pois nós somos os únicos responsáveis por pintar perdas e saudades em tons escuros.
Eu disse bem assim:
É muito difícil, né - "difícil" acho que por não existir outra palavra que defina. Não a morte em si - pois é só consequência da vida. Mas a morte e ao que ela nos leva - lembrar que esta aqui, que esta mesma, é a vida. E que a vida nada mais é do que um fim nela mesma. Ou uma série de fins. De coisas que nascem e morrem - em nós, por nós, e a nossa volta. Sorte que esse cenário é todo bem bonito - embora em alguns momentos, e em alguns lugares, sombrio. E a gente tem que aproveitar cada minuto - mesmo sem entender os que já passaram.
Mas nunca mais, nessa vida, comprarei outra orquídea.
Era uma flor. Seria planta? Um pouco dos dois? Uma pequena orquídea. Num vaso preto de plástico. Daquelas vendidas em mercado. Comprada na semana que antecedia o dia dos namorados. Durou até meados de junho seguinte. Na beirada da janela. Assistindo, silenciosamente, o movimento da rua. Todo dia, fizesse sol ou chuva, ela estava sentada ali. Quando o sol batia muito forte, se fazia necessário fechar as cortinas, e ela ficava apenas a escutar os ruídos da cidade. Satisfeita, ainda e de qualquer forma. Às dezessete horas e quinze minutos, me sentava ao lado dela. E através das linhas de silêncio compartilhado, dividíamos nossas impressões sobre o dia até então.
"Não precisa regar diariamente, eu acho", disse a moça do caixa. Olhei para ela, depois para a planta, olhei umas três outras vezes, na mesma ordem. O "eu acho" estreitou nossa relação - minha e da orquídea -, dando um peso muito prematuro. A consciência de ter uma vida em minhas mãos veio subitamente. Precisei recorrer a internet. E li, com desconfiança, umas palavras que reunidas diziam algo mais ou menos assim: apalpe o substrato e, se úmido, não é necessário regar - a planta pode morrer por falta, mas também por excesso, de água.
É assim com tudo, pensei - num desses pensamentos bobos, mas que no momento seguinte em que realizados se fazem necessários. Tudo morre - ou acaba - por excesso ou falta. As dosagens e objetos - por assim dizer - é que variam a cada coisa no mundo - material ou não.
Estou num processo ainda - e imagino, este deve ser o real "luto" -, onde constato, progressivamente, a efemeridade e a finitude das coisas. Assim sigo em frente - caminho para a constatação definitiva, por experiência mais que própria.
Me apeguei a presença dela. Da orquídea. Pois uma presença quando somada a outra resulta na fusão que chamamos, costumeiramente, de "companhia". Ela me acompanhou durante meses ao pôr e nascer do sol. Embora calculável, o tempo que dividimos juntas não cabe a exiguidade do tempo.
Vez ou outra olho para a janela à procura dela: que não está mais lá.
E através desse desejo de sua presença, me transporto as lembranças de tantas outras coisas que perdi. À partir delas que, realmente, compreendi o valor da perda. E que sou capaz de notar a importância de uma simples planta.
Não vejo a necessidade de nomeá-las para estabelecer uma conexão entre nós - eu e você. Mas posso, por outro lado, sintetizar e tentar transmitir a intensidade - que necessito para que você compreenda -, dizendo que perdi "tudo".
Sabe quando você perdeu tudo? - e nem Deus sabe como "tudo" pode ser tão relativo...
Se a recíproca for negativa, ao menos, você já perdeu "alguma coisa"? Então eu te explico avisando que nenhuma multiplicação seria eficaz, nem para ilustrar. Já estou exigindo demais de você.
A ausência é um derivado da ruptura de uma companhia. Mas o caminho também pode se fazer meio que ao contrário. Companhia, para mim, também pode ser resultado de uma presença com uma ausência. Desta forma, se tem uma companhia com a ruptura de uma anterior, mais uma presença.
O que importa é: é imprescindível, ao menos, uma presença para que haja companhia. No caso, vale até ela e a ausência de si própria - o "estar sozinho acompanhado" em suas diversas instâncias.
Quando distraído, sou tomado pela saudade. Aquela irremediável, imediata e incontornável saudade.
A saudade é um dia após o outro. Mas isso não quer dizer que ela acabe. Quer dizer, ela só tem fim quando ele chega para quem a sente.
Eu olho para o céu em busca de respostas - quando as necessito mais que tudo e, ainda assim, elas me escapam. E foi assim que me lembrei de algo que, um dia, escrevi na esperança de iluminar o dia de alguém - pois nós somos os únicos responsáveis por pintar perdas e saudades em tons escuros.
Eu disse bem assim:
É muito difícil, né - "difícil" acho que por não existir outra palavra que defina. Não a morte em si - pois é só consequência da vida. Mas a morte e ao que ela nos leva - lembrar que esta aqui, que esta mesma, é a vida. E que a vida nada mais é do que um fim nela mesma. Ou uma série de fins. De coisas que nascem e morrem - em nós, por nós, e a nossa volta. Sorte que esse cenário é todo bem bonito - embora em alguns momentos, e em alguns lugares, sombrio. E a gente tem que aproveitar cada minuto - mesmo sem entender os que já passaram.
Mas nunca mais, nessa vida, comprarei outra orquídea.
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