terça-feira, 11 de agosto de 2009

À Flor da Pele.

Últimas palavras, ou serão as primeiras? Serão palavras ou murmúrios? Cale-se que eu grito. O que desejas ouvir? Agradam-lhe promessas? Prometer até posso, mas cumprir cabe ao instinto. Aproveito para sentir tudo ao espinho da pele, enquanto privam-me de sentir-te à flor dela. Qual é o lado bom? Pretendo mudar-me para lá. Talvez amanhã, talvez na semana que seguirá, no próximo mês, daqui um ano, na próxima vida. Espero-te lá. Junto ao sol poente, carregando uma dúzia de flores, preservadas em meu peito.

domingo, 9 de agosto de 2009

Coordenadas Geográficas.

O auge de minha poesia foi conseguir encaixar-te em palavras. Ainda que não tenha conseguido fazer-te caber à minha realidade. Recordo-me das noites em claro e também dos dias escuros. Aprendi a decifrar cada linha gerada por seu sorriso, eram como linhas imaginárias divisoras do globo, utilizava-me delas para saber para onde eu estava indo, para não perder-me. Ainda assim perdi-me um pouco. O suficiente para reencontrar-me. Em um outro meridiano.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Lembrei-me.

Escapei de mim. Por menos de um triz, não consegui convencer-me quanto à volta. Ao tentar puxar-me pela mão, fiz vento e empurrei-me para longe. Sinta-me perto, enquanto eu sinto muito. Embora eu tenha deixado-me levar por outras ondas, ainda vejo a areia daqui. Vejo-te debruçada sobre ela, tentando segurá-la com tudo que pode. Segure-a. Com força. Não deixe que ela saia daí. Não deixe que ela venha para cá. Tente evitar e consiga. Não deixe que ela venha trazida pelo vento. Cometa erros, mas não os mesmos. Estou perdendo-te de vista. Estou perdendo-me no mar. Segure-se forte na areia. Não deixe o vento te levar...

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Lei de Quem?

Queria atingir o ponto de congelamento do tempo, agora que seu coração tinha entrado em ebulição. Não foi a pressão, tampouco a temperatura. Sabia do risco de seu coração tornar-se vapor, mas não sairia de lá. Tinha encontrado as condições certas, seu corpo inteiro borbulhava. Queria congelar o tempo, mas só conhecia modos de congelar seu coração. Não tinha matriculado-se no curso, os únicos papéis que assinou foram cartas, mas recebeu aulas teóricas e práticas. Pagou a longo prazo, dividiu-se em parcelas de dor. Isso fora passado. Interessava-se no presente pausado. Queria, não só ter o poder congelá-lo, mas também de protegê-lo do derretimento. Tratava-se de contrariar as leis da Física, Química, da vida. Mas não que isso preocupasse-a. Dipôs-se a contrariar as leis, acabava de começar a acreditar nas exceções.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Organizando Sentimentos.

De madrugada veio a raiva, colocar-me para dormir. Amanheci com o sol invadindo o quarto, e a tristeza invadindo o peito. Não tomei café, tomei coragem. Passei geléia no pão, e parte da manhã inconsolável. Meu corpo pesava, refletindo minha ressaca da vida. Tomei-a, quer dizer, tomaram-na - de mim - rápido demais. Achei que minha sede pudesse ser saciada com água, testei saciá-la com desespero. Acabei por saciar vontades alheias. Acostumada em caminhar nas nuvens, surpreendi-me com o céu limpo de Agosto. Caí, elegante como uma pluma, pesada feito consciência.

Falo?

Coube feito uma chuva de verão no meio da tarde de uma Segunda-feira, como um período de calma depois de uma longa tempestade. Não fui acordada pelo suor frio, mas por um beijo doce, diferente dos que já me despertaram. Foi um beijo com sabor de abraço, com a velocidade do som. Distraiu-me das desgraças. Fez-me rir de tudo que não tivesse graça. Foi um beijo com a mesma eficiência de um curativo bem feito. Socorreu-me. Não teve pressa, não correu para a saída. Ajudou-me com calma. Colocou minha alma em dia. E - ainda? - não marcou a data de partida.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A Bela e a Fera.

Queria ainda acreditar, mas foram-se os tempos de fábulas. Não há príncipe, cavalo branco, só uma dose quente de realidade. Nada amena, nada doce. Empurrada de uma vez garganta abaixo. A pureza das palavras, sujou-se feito calçadas de cidade grande. Não há como limpá-las, apenas como preservá-las. Não saia mais jogando palavras ao vento, elas podem cair no ouvido errado, atingir o coração certo. Suas palavras entraram. Por um ouvido sem sair no outro. Tomaram forma, expessura, conta. Afiadas, abriram caminho, depois cicatrizes. Tomaram conta de mim, depois deixaram-me só. Eram só palavras. Palavras sós. Palavras bem ditas, escondendo mal dizeres. Narrando uma fábula. Uma expressão utópica de uma realidade inventada. As belas palavras, e a fera, você.