quarta-feira, 11 de março de 2009

Com seus olhos nos meus.

Precisei que você olhasse somente para saber que de alguma forma, você ainda estava lá. Doía como uma ferida completamente exposta. E era de fato uma ferida, causada por alguma coisa entre não querer e querer demais. Uma ferida causada pela dúvida, pela indecisão. Quis que você olhasse somente para saber que de alguma forma, eu ainda estava lá. Mas você olhou sem que houvesse algum motivo. Os olhos sempre foram a janela para a alma, mas não haviam me avisado que você havia colocado cortinas.

terça-feira, 10 de março de 2009

Eu te seguro.

Eu te dou meu ombro, mas tente não chorar. Não precisa erguer a cabeça, mas mantenha seus olhos nos meus. Se precisar se segurar, não esqueça da minha mão. Não só te dou um abraço, como prometo te guardar em meus braços. Deixe essa lágrima secar. Você é tão mais bonita quando sorri.

Tristeza.

Hoje eu me apaixonei de novo. Por alguém que passava na rua, que vagava sem rumo por aí. Não me importei com a origem, o cep ou o endereço. Meu amor não pede informações. Meu amor só pede calma.

sexta-feira, 6 de março de 2009

O Vento.

Uma a uma as luzes se apagam. Gota a gota a chuva cai. Pedaço por pedaço um grande amor se vai. Cobriu seu corpo com nuvens, mas elas estavam só de passagem. Não estava só nua de corpo, mas nua de alma. O vento a fazia mais gelada do que o coração de quem a deixou assim. Sentiu como se a solidão não fosse apenas um estado, mas uma condição. Passou a não se importar mais com o vento, fez dele companhia.

Posso ouvir o vento passar, assistir à onda bater,mas o estrago que faz, a vida é curta pra ver...
(O Vento - Los Hermanos)

quinta-feira, 5 de março de 2009

O decorar de palmas.

Perguntava-se qual era a sensação de deixar de lado alguém que deixaria a todos menos ela. Perguntava-se como seu coração bateria se escutasse tudo aquilo que sempre quis, mas que nunca saiu das bocas certas. Entretia-se com o vento nos cabelos e o sol de apertar os olhos. Estava tentando decorar a palma de sua própria mão por ter se cansado de decorar a dos outros. Torturava-se lembrando da caixa de recordações que havia atirado no lixo. Feria-se por não ter sido uma pessoa digna de segundas chances. Temia afogar-se em arrependimentos, mas não podia fazer de seu medo um porto seguro. Havia tido suas chances, mas notou-as apenas tarde demais. Arrepender-se valia, só não sabia exatamente o que.

Boca.

Taparam-lhe a boca, mas não evitaram o grito. Quando a poesia se esvai só resta o choro. Do canto escuro à multidão se esvai também o ar. Quando as lágrimas secam restam os lenços. Lenços pretos e amarrotados. Despeça-se rapidamente. O que te comove não vale nada se não te move.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Não é não.

Ele ocupava um grande espaço, um espaço privilegiado e intocável, espaço localizado no coração dela. O coração dela tinha perdido uma parte, uma parte mais doada do que arrancada, apesar de ter doído como um mesmo osso que se fratura pela terceira vez. Ele não sabia de seu espaço, não tinha idéia de seu tamanho. Ela nunca fez questão de contar, preferia mantê-lo ali em segredo. Ela também ocupava um bom lugar, bem ali, no coração dele, entre bons amigos e algumas dores no peito. Ele fez questão de contar, não queria fazer disso segredo. Ela sabia que tinha um lugar, mas não sabia o tamanho dele, não sabia se estava entre hobbies ou nas melhores coisas de sua dele. Não quis contar para ele que o espaço que lhe pertencia era um camarote fechado para tão somente ele, apostando que sua maior chance era de estar nas cadeiras. Ele não sabia nem que tinha um lugar, mas conseguia enxergar que alguns outros tinham. Pensou que tivesse sido bloqueado na entrada. Preferiu ir para casa depois de várias tentativas. Ela não viu que ele tinha trancado a porta e insistiu em tentar abri-la. Pegou todas as palavras que conhecia, mas não pôde fazer nada com elas além de escrever uma triste poesia.