<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108</id><updated>2012-01-17T05:07:23.759-02:00</updated><title type='text'>Concreto.</title><subtitle type='html'>http://twitter.com/ascartasnamesa</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>693</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-8127209272430973068</id><published>2011-12-19T17:02:00.006-02:00</published><updated>2011-12-19T18:08:56.476-02:00</updated><title type='text'>O Amor é Ligeiro.</title><content type='html'>Uma travessia rápida por um corredor pouco iluminado. As imagens trêmulas, causadas pela câmera instável, nas mãos de um indivíduo que corre. Os sons saídos de um piano. Das mãos de alguém que mais acaricia do que aperta as teclas. Alguém que parece ter medo de ferí-las. Para a cena seguinte, imagino nós dois, cabelos molhados em decorrer da chuva. Que logo passará - saber disto é o que, afinal, nos faz permanecer estáticos, apenas olhando um para o outro. Não era imprescindível que usássemos das palavras, mas era preciso que algo ali, pelo menos alguma coisinha que fosse, nos desse algum tipo de suporte. Já que não seríamos capazes de nos abraçar. Nem mesmo para tentar assegurar de que tudo ficaria bem. Você permanecerá firme, para que eu não estremeça. Estremecerei. Precisarei de um cigarro, talvez o maço inteiro, enquanto você não decide se aperta meu ombro ou se entra de uma vez no carro. Não demorará muito, aparecerão uns feixes de luz. Você nunca me deixaria sozinho ali. Mas se questionará se fez o certo quando eu começar a resmungar. Dizendo que é um desperdício, já é quase noite, mas ainda assim, o sol se abre. Como se não tivesse culpa de nada, como se já não fosse tarde. Se ele tivesse aparecido mais cedo...e você me calará, dizendo que já não aguenta mais minha voz. Dirá que, antes, ela era macia, fazia cócegas ao pé da orelha, e que, agora, só serve para noticiar o podre, o absurdo. Você alegará não saber quando foi que me tornei tão triste. Não jogarei minha culpa em você. Haverá um único estabelecimento com varanda aberto. Por sorte, seremos apenas nós dois. O resto das pessoas não suportou o vento frio. Tudo bem, faríamos bom uso de um pouco de privacidade - apesar dos olhares vindos do outro lado do vidro. Ainda assim, não poderíamos levantar o tom da voz. Ia contra as leis de paz que estabelecemos. Somos muito geniosos, temperamentais, donos da verdade, e nunca esqueceremos o episódio em que três dos seus dedos da mão saíram deslocados. Sua mãe quis me processar, junto a sua iniciativa de pedir o divórcio. Ficou tudo só no início da língua mesmo. Você resolverá fumar também, porque, apesar de tudo, meu nervosismo ainda te deixará inquieta. Nenhum de nós se sentirá culpado. É um acordo, silencioso, mas nem por isso deverá ser quebrado. Não sentimos mais nada. É isso. Nem quando nossos corpos se desnudem. Nada além de uns orifícios e umas extremidades. Ficará tudo mais manso quando você melar a boca e, ao limpar, perceber que nós dois ainda temos sim a vontade de rir juntos. De sermos cúmplices de algum crime que existirá, pelo menos, na imaginação. Como atirar o vizinho do 503 pela escada, ou roubar o jornal ao passar pela porta do 301. Vou te amar mesmo se o amor tiver acabado. No fim, certos de que chuva passa e que a gente, há muito tempo, já parou de cair, iremos juntos para casa. Colocaremos um filme para assistir, e dormiremos abraçados. Porque mesmo não sentido mais nada, ainda teremos o sentimento de culpa. Aquela ligeira impressão de pertencermos um ao outro para sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-8127209272430973068?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/8127209272430973068/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=8127209272430973068&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/8127209272430973068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/8127209272430973068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/12/o-amor-e-ligeiro.html' title='O Amor é Ligeiro.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-4121710684067119444</id><published>2011-12-13T09:19:00.003-02:00</published><updated>2011-12-13T13:52:17.967-02:00</updated><title type='text'>Laços são laços por poderem ser rompidos.</title><content type='html'>É uma grande viagem para lugar nenhum. Estar aqui dentro e lembrar que a Terra gira. Estamos todos de mãos atadas. Deixando tudo e qualquer coisa acontecer. Você conhece uma pessoa e em seguida prefere que isto nunca tivesse acontecido. Destrói todas as fotos que já tirou com ela. Resolve escutar músicas novas. Todo sentimento definha. Alguns conseguem se reerguer depois. A maioria não. Você acaba com raiva de tudo, mas tenta poupar quem te quer bem. Quem, ainda, quer bem a alguém? Alguém que não a si mesmo. Os polegares, a capacidade de raciocinar, mas o que melhor se desenvolveu foi a capacidade de sermos egoístas. Fica tudo bem, é só esvaziar uma garrafa, o mundo começa a girar e te chama para ir com ele. Aí então parece que há um destino final. Algum lugar mágico, e secreto, cujo nome não deve ser pronunciado em voz alta. Tem dias em que surge uma vontade visceral de ser feliz. A felicidade extrema. De estourar os tímpanos. E estou ficando cansado de reclamar. De me sentar no ônibus e disparar a reclamar. Parece ser somente isso o que, atualmente, nos conecta uns aos outros. Digo, conexões imediatas. Reclamar do calor, do atraso do motorista, dos gastos indevidos no governo. Cansado de me sentar na poltrona de cinema e reclamar de quem fala alto ao lado. Esgotado de estar sempre sentado reclamando de tudo. De estar sen-ta-do! Ao lado de uma parcela enorme da população, reclamando de tudo, só pela falta do que fazer. De umas mudas de roupa para lavar. Dá uma preguiça de viver e parece que não sabemos fazer mais nada. Estou desgostoso do mundo. Desesperançoso também. Sem luz no fim do túnel, sem vontade de cavar até, quem sabe, encontrá-la. Dei tanto amor e acabei sozinho. Com síndrome do pânico, morando com a saudade em uma quitinete. As portas dos armários precisam ser pintadas novamente. A louça está acumulada há cinco dias. Estou lendo uma monografia sobre o estreitamento dos laços afetivos. Como existe amor verdadeiro em tempos de microondas? Em tempos nos quais as coisas começam e terminam sem nem girarem os ponteiros? Tenho medo de esquecer como se dá um abraço, como se eterniza um beijo. Essas coisas que estão se tornando cada vez mais automáticas. Tenho tentado caminhar com calma. Sem me apressar, nem me perder.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-4121710684067119444?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/4121710684067119444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=4121710684067119444&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/4121710684067119444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/4121710684067119444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/12/lacos-sao-lacos-por-poderem-ser.html' title='Laços são laços por poderem ser rompidos.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-6896863081209290764</id><published>2011-12-13T00:11:00.002-02:00</published><updated>2011-12-13T00:12:03.525-02:00</updated><title type='text'>Parece grande...e é.</title><content type='html'>Já iam marcar sete horas no relógio quando, finalmente, resolvi abandonar o ar-condicionado do escritório para pegar o trem. Não era a pior hora mas, também, não era nem de longe uma das melhores. Não era um dia nublado, mas o sol parecia ter acordado um pouco tímido, acanhado. E como estávamos, ainda, em horário de verão, pude sentir um pouco da presença dele pedindo para se ausentar. No caminho entre o edifício e a estação de metrô, há uma cafeteria. Na verdade, consiste em uma porta minúscula, um balcão espremido entre as paredes, e a curiosa mistura de cheiro de água sanitária com os grãos de café recém torrados. Acostumei-me a estar, em todo fim de tarde, debruçado sobre o balcão engordurado. Tomando um expresso duplo, conversando amenidades com os donos do lugar - um casal de velhinhos, fugidos da Segunda Guerra Mundial. Não entendem, até hoje, as conjugações "deste tal português", mas bem gostavam de falar do passado, e falavam, riam, gesticulavam, até perceberem uma movimentação nas glândulas lacrimais. No fundo, acho que ninguém se sente confortável o bastante para desabar em público. Geralmente, quando chega Sexta-feira, enchem um saco de biscoitos amanteigados e insistem para que eu leve comigo para casa. Não sabem que eu precisaria comê-los todos sozinhos. Não imaginam o risco que isso apresenta para a minha barriga, meu colesterol, minhas crises de depressão. Já iam marcar sete horas deste dia em que, infelizmente, senti-me forçado a ficar no escritório por horas além do meu fim de expediente. Juntei todos os papéis e pus na pasta. Não aguentava mais a garganta ressecada pelo ar-condicionado, nem o café de garrafa insosso. O elevador sempre demora mais de vinte minutos para chegar até o décimo quarto andar, então costumo me antecipar e descer logo pelas escadas. Foi o que fiz, mesmo preguiçoso, cheguei ao térreo antes de escutar duas músicas inteiras. Caminhei distraído pela calçada, quase fui atingido por uma moto, mas ainda restava-me um tanto de sorte. Não sabia que precisava disputar por um pedacinho do balcão naquela hora do dia. Não sabia que, em alguma hora do dia, tanta gente se dispunha a espremer-se num lugar daqueles. Fui então saber que serviam a melhor coxinha de frango da região - antes, olhava para eles da forma que fosse, mas nunca imaginaria isto -, e a cerveja, disseram, estava sempre gelada. Meu café não teve muito espaço, e logo não vi solução se não substituí-lo por uma bem gelada. Três ou quatro colegas de trabalho estavam lá, então não fui de todos o mais solitário. Eles eram de outro departamento, mas sabiam meu nome após termos nos apresentado em uma confraternização de fim de ano. Eu confesso, era bem vaga, quase inexistente, a lembrança deles. Mas logo parecíamos amigos de longa data. Uma série de interesses em comum, e coisa e tal. Lembro-me que, na hora, a voz de Caetano procurava espaço para crescer naquele minúsculo espaço tomado por discussões fervorosas e cheiro de suor. Era uma das músicas mais populares, alguma das que findavam os dias de Tropicália.  Ela já havia, por várias vezes, estado no mesmo elevador que eu - espero até duas horas para não ter que subir os vinte e oito lances de escada. E sabe quando acontece aquela coisa que ninguém sabe o nome? Aquilo que fica entre um calafrio e um estalo? Que sobe pela coluna? E trava a mandíbula? Não sou tolo, não vou me antecipar. Tornaria-se sim amor, mas depois, mais para frente. Ela andava com o nariz empinado. Tão empinado que seus olhos pareciam estar grudados ao céu. Tinha os lábios perfeitamente desenhados, daqueles que não poderiam ser se não daquele mesmo jeito. Os cabelos soltos no mundo, raramente contidos num coque. Logo fiquei sabendo que ela gostava daquela música, mas preferia as mais recentes. Fiquei sabendo, também, que ela preferia empada à coxinha. Tinha se proibido de comer fritura, só se não controlava em frente de um doce. Era apaixonada pelo Rio de Janeiro, queria ter nascido lá. Achava que assim seria menos dura, teria o nariz mais voltado para baixo. Tinha lido tudo do Nelson Rodrigues, gostava de escrever nas horas vagas, mas era difícil encontrar inspiração. A casa andava tumultuada, a irmã tinha se separado e precisava ficar uns tempos dormindo no sofá. Não se davam bem, mas ela não se perdoaria se não honrasse os valores familiares. Tinha, recentemente, dado sua cadela para a sobrinha de uma amiga. Não tinha tempo para o carinho que precisava dar, disse. Nem imaginava o tanto que esperei saber seu nome. O tanto da sorte que dei ao ter ficado, um dia, mais tempo no trabalho. Encantamento, foi o que a destacou de todas as outras. Tornou-a objeto de interesse. A gente se fala, com alguma frequência. Ela me recomenda um livro, comenta sobre um artigo que leu. Vê em mim coisas que eu nem sabia que tinha. Um apreço pelas coisas bonitas. Ricas de vida. Nem sabe que durmo pensando nela. E que, quando eu falei de amor, é que meio que foi virando essa coisa. Em que eu amo a forma como ela sobe no palco e desregula a vida. Como ela se sente pequena e mesmo assim não recua.  Ela nem imagina, mas vou dormir abraçado com a vontade que tenho dela. Ela nunca imaginaria, só me vê caminhar por aí. E só caminhando ninguém alimenta um querer tão grande. Ela acha que, tudo bem, só a conheço, mal sabe o tanto que a desejo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-6896863081209290764?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/6896863081209290764/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=6896863081209290764&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/6896863081209290764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/6896863081209290764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/12/parece-grandee-e.html' title='Parece grande...e é.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-3341191546517523295</id><published>2011-12-05T22:03:00.000-02:00</published><updated>2011-12-05T22:04:13.169-02:00</updated><title type='text'>Amar; Deixar Ir.</title><content type='html'>Temos nos afastado, sinto, tornado os planos de eternidade mais flexíveis. Temos acrescentado umas interrogações, umas talvez férias. Talvez, talvez só planos. Planos servem para termos o que desfazer e refazer depois. Não é? Algo para ocupar a mente e o tempo...você disse que sim. Não era tão tarde, você entrou pelo apartamento, sentou no sofá, escolheu uma almofada e disse que seria sua. Não tinha pretensão alguma. Nem de tomar algo para si, nem de atravessar o corredor. Quanto mais de acabar sentado na escada em frente a porta, todo dia, com medo de entrar, de querer rapidamente sair. Você, ainda, não sabe, mas já te espiei através daquilo...como é o nome? Olho mágico? Enfim, eu sei que, antes de girar a maçaneta, você pensa uma, duas, três vezes, sobre o quanto isso ainda vale à pena. Você se pergunta pelo que há lá fora. Pelo tempo que perdeu. Sim, você já chama o tempo que passou comigo de tempo-perdido. Mas a verdade é que eu te amo tanto. Eu te amo até mais por saber que seu amor escapa, rotineiramente, de mim. Eu te amo achando que só o meu já bastaria para nós dois. Eu te amo porque não sei mais o que seriam dos meus dias sem este apreço que nutro por ti. Esta dependência. Não sei viver fora dos seus braços. Mesmo quando eles se esticam para alcançar outros - e te perdôo, pois sei que, vezes ou outras, você hesita. Pensa em mim, nos meus cabelos queimados, das vezes que eu te fiz sorrir só por estar sempre rindo da vida. Morro de sede, deixo todas as luzes acesas, eu sei que você está do outro lado da parede, sentado, com os cotovelos apoiados nos joelhos, a cabeça apoiada nas mãos, inclinado para frente, querendo deitar em posição fetal, se enrolar todinho e arrumar alguma forma de me dizer que não sabe se dá mais. Meu estômago embrulha só de te imaginar criando borboletas em algum outro. Dói de um tanto que nem palavras conseguiriam alcançar o estrago. A agonia é tanta que às vezes me pego esperando que seja logo. Que você entre de uma vez, jogue suas chaves na poltrona, e diga que vai embora para nunca mais. Você se martiriza, eu te conheço, e se odeia por achar que antecipou o fim. Mas está tudo bem. Eu ainda rio à toa. Nem tudo perdeu a graça. Eu queria te abraçar, pedir para não se importar tanto comigo. Afinal, o que importa, depois de tudo, é a nossa própria felicidade. Odeio te ver carregando um semblante tão pesado. Como se voltar para casa, no final de um expediente, fosse mais um fardo do que um conforto. Agora você está lá fora, tentando descobrir quando se tornou tão infeliz. E eu estou aqui dentro, pensando em como te devolver sua felicidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-3341191546517523295?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/3341191546517523295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=3341191546517523295&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/3341191546517523295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/3341191546517523295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/12/amar-deixar-ir.html' title='Amar; Deixar Ir.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-7159012282909368552</id><published>2011-12-04T14:55:00.001-02:00</published><updated>2011-12-04T14:55:44.396-02:00</updated><title type='text'>Nenhum tapa olho cobre coração.</title><content type='html'>A princípio, eram só olhares. Desejosos, mas "só olhares". Só olhando foi como nossos olhos acabaram se encontrando. "Só encontrando". As pupilas dilataram. Foi quando "só desejo" se tornou pouco. Não foi previsto, tampouco evitado. Talvez tenha sido uma destas coisa já rabiscadas em um caderno milenar que chamamos "destino". Destino ou não, eu era seu. Contrariando-o ou não, você era, a princípio, distante. A princípio, nunca minha. As coisas se desconectam, às vezes, mas no tempo certo vão se ajeitando. A vontade era ver o estrago que sua pele faria na minha. As marcas do atrito. Acho que seria como limpar asfalto com seda. Você tinha lábios famintos, ariscos. Os cabelos caíam nos ombros diariamente despidos. Eu era magro, raquítico, morto de fome. Diziam que eu tinha um coração grande demais para aquele corpo, que talvez eu estivesse todo encolhido, acuado, lá dentro. Esperando algum tipo de conforto para poder, finalmente, sair, me mostrar além dos fios ralos de barba. Eu precisava comer e você também. Possivelmente foi isto que nos interligou à primeira vista. Identificamos um semelhante. Através de raríssimos amigos em comum, passamos a nos assustar um com o outro mais vezes. Confesso, quando o buraco no estômago era muito, eu te seguia por aí. Impossível te perder, mesmo naqueles mares de gente na Avenida Paulista, aqueles pares de pernas apressados. Suas panturrilhas eram bem mais firmes, bem mais fortes, e decididas. Sabiam, sempre, muito bem para onde queriam ir. A hora que deveriam chegar - mesmo assim, se atrasava, parando na calçada para acender um cigarro, fumá-lo até o filtro, assistindo o movimento da cidade. Engraçado, mas o tabaco nunca, em meu olfato, conseguiu superar seu perfume - o de grife misturado com o já natural. Ele tinha alguma responsabilidade em tamanho charme. Sua voz rouca intimidava muito mais quando saía junto da fumaça. Seu batom vermelho, num rosto já satisfeito de cor. As sobrancelhas impecáveis. Bem, parecia ter saído direto de um editorial de moda, mas não escondia a simplicidade de um tipo de raro entre os seres: aquele que carece de toques. Dos toques certos. Não tapas ou cutucadas. Afagos, a pele na pele certa, calor...enfim. Depois de certo tempo, não adiantava disfarçar, você já tinha percebido o número de noites em claro que foram gastas para que existissem tantas coincidências, tantos caminhos e destinos semelhantes. Mesmo assim, não recuei. Eu nos imaginava sendo um a comida do outro. Nos lambuzando. Eu devorando a sua presença. E vice-versa. Talvez isso fosse uma forma de contornar as coisas ruins da vida, as angústias, qualquer coisa que já houvesse nos machucado, ou perturbado. Nós dois comendo a presença um do outro. Depois roendo as unhas, até chegar aos ossos, na ausência. Depois de uma série de tentativas sem sucesso, eu tinha conseguido me livrar da dependência à nicotina. Mas a ansiedade em saber que você era totalmente minha e que não conseguia, ainda, enxergar isso, levou-me de volta para aquela espécie de roleta-russa. Por sorte, não sobrevivi, com minha sensatez quase intacta. Adorava quando você caía de sono em minha cama, quando eu ia até a cozinha para buscar a garrafa de vinho. Nada me trazia mais inspiração do que suas bochechas se tornando ainda mais avermelhadas quando saímos de madrugada para caminhar, assistir a cidade. Em um momento desta minha jornada até você, parecia impossível que, um dia, eu faria parte do seu ritual. Caminhar obstinada para, de repente, pausar tudo, acender um cigarro, e sentir a cidade. As luzes, os ruídos, os olhares. A princípio, você era tão distante. Mas com alguma teimosia, eu consegui permissão para tocar seu corpo, para ter certeza de que era mesmo de verdade. De que era completamente feita de seda. Seda, mais um oceano de sentimentos e sensibilidade. Bem mais viva e pulsante do que aquilo que mostrava ser à primeira vista. Devagar, eu fui sim matando sua fome. Fui tentando me tornar mais homem, mais humano, para que te bastasse e não te faltasse mais nada. Quis ser totalmente amor, mas não pude me livrar de alguns espinhos. Nos devorávamos de manhã, de tarde, de noite. Nos machucávamos, mas nos minutos seguintes, éramos a única forma de cura, de apaziguar a dor. Só olhando foi como se deu nosso encontro. Só olhando por aí, sem querer nada. Sem esperar, sem amarras. Descansa, o coração disse, e por isso não esperávamos por nada. Nada que fosse tão definitivo. Não esperando foi a forma como me desesperei na possibilidade de estarmos caminhando numa mesma rua que, sem aviso, bifurcasse. Se eu não estivesse tão acostumado a permanecer calado e não deixar de observar um gesto sequer, talvez algum desses planos que estavam escritos para nós tivesse que ser substituído. Eu me arrependeria amargamente se, por acaso, tivesse te perdido. Se algo eu tivesse feito de errado. Voltei sim a fumar mas, agora, com você ao lado, o ar nunca foi tão puro, sereno, com vontade de viver mais, viver tudo - desde que seja contigo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-7159012282909368552?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/7159012282909368552/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=7159012282909368552&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/7159012282909368552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/7159012282909368552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/12/nenhum-tapa-olho-cobre-coracao.html' title='Nenhum tapa olho cobre coração.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-2094740473957954297</id><published>2011-11-29T23:27:00.004-02:00</published><updated>2011-11-30T00:48:16.009-02:00</updated><title type='text'>Nossas Flores.</title><content type='html'>Estive me lamentando por horas. Tentando entender os motivos que nos levam a esta briga. A este quase rompimento. A este decisivo momento em que não sabemos mais quais as vantagens de termos, um dia, cruzado os dedos. Apertado uns contra os outros. Fechado os olhos. E dito: o sentimento durará até o fim, até depois dele, quando formos somente pó, ele vagará por aí. Ainda não desisti. Procuro rastros de quem você foi. Do tamanho amor que você me despertou - ele ainda, enraizado em mim, mas órfão de mãe. Tento te resgatar quando amanhecem os dias. Quando estamos banhados em luz, e as coisas parecem mais claras - ao contrário do anoitecer, quanto tudo se torna mais melancólico, me tentando a aceitar o estar só. Os ossos, expostos em seu corpo, ainda me perfuram fazendo cócegas ao adormecer. Todo o ato de pensar está ligado a você. Relembrar de quando sua respiração me causava calafrios. Das discussões que, em certos momentos, prefiro esquecer, mas que, agora, revelam um amor pelo qual valeu à pena lutar. Ainda vale. Quando, na correria, restam forças. Pois, mesmo com a pressa, sobra tempo. O amor será sempre atemporal, universal. Para o amor, o tempo inexiste. É apenas consequência. Datas que anotaremos em livros, bons motivos para celebrar, dias que sempre serão mais duros. Virá sempre a brisa fresca. O cheio de mar. Seu corpo envolvido por uma daquelas músicas sem ritmo que tocam sozinhas na cabeça. Lembrança e desejo de tempos bons. Momentos de calmaria. Se você precisar mesmo ir, irá. Não adianta remendar tecidos que não os próprios. Mesmo inquieto, meu coração se enche de paz. A ausência só existirá porque, um dia, houve a presença. Não mais te reconheço vista daqui. Há um brilho nos seus olhos que ainda é o mesmo, mas está distante, podendo escapar de um olhar distraído. Tenho te observado tanto. De um tanto que nunca nem imaginaria. Até a forma de cruzar os braços já não é mais a mesma. Soltou-se um pouco do mundo, parece. A gente conhece umas pessoas tão nada a ver. Cultiva por elas uns sentimentos tão pesados. Rói as unhas até arrancar a ponta dos dedos. Fica na expectativa de transformar qualquer formiga em encanto. Se estressa pelo sinal vermelho. Pela fila do banco. Reclamamos de tudo, mas não nos contentamos com nada. Com sorte, as coisas mudam. Tive sorte ao encontrar você. Dei de cara com a sanidade. Coloquei-a em teste. Quase nos perdemos. Das coisas ruins, pode ser que fique o asco. Das coisas boas, algo que sirva de lição. Não sei se sobreviremos a este já-nos-perdemos-de-tudo. Não sei se será, de fato, eterno. Mas de uma coisa eu sei: a consciência e o equilíbrio ficarão em mim. Mesmo falhos, em dias muito nublados. Não queira dar amor só quando há a certeza de que irá recebê-lo de volta. Queira dar amor como um ato involuntário. Tal como respirar. Queira dar amor para manter a si mesmo vivo. Queira dar amor sem importar-se com a pureza do que virá em resposta. Por enquanto, para você, para nós, só alguns simples desejos. Que encontre sua liberdade. Que seus pensamentos voem. Mas que volte para mim, fazendo crescer vontades e flores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-2094740473957954297?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/2094740473957954297/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=2094740473957954297&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/2094740473957954297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/2094740473957954297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/11/nossas-flores.html' title='Nossas Flores.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-3469096682898740475</id><published>2011-11-29T23:23:00.001-02:00</published><updated>2011-11-30T00:54:37.748-02:00</updated><title type='text'>Protesto.</title><content type='html'>Eu tinha mania de repetir meu próprio nome, como se houvesse a necessidade de me convencer de que eu realmente existia. Também gostava de dar nome a coisas que fossem abstratas, a umas sensações que julgava muito particulares. E de identificar graus de entrega em sentimentos e classificá-los através de cores. Nunca, na vida, suportaria um dia sem pisar, primeiro, com o pé direito no chão. Esgotaria, se precisasse, todas as minhas chances de tentar tornar a vida mais leve. Escutava umas mesmas músicas em uma mesma ordem todo dia antes de deitar para dormir. Repetia um mesmo ritual todas as noites. E respeitava meus horários com uma disciplina inquestionável. É para dar sorte, exclamava, embriagado de esperança, toda vez que me perguntavam. E perguntavam com uma grande frequência. Meus tiques despertavam curiosidade. Quando eu nasci, eu era uma tela em branco. Você também. Hoje em dia, detesto burrice. Detesto, desprezo, não tolero. Não consigo achar uma relação entre condição social e inteligência, como muitos que andam cínicos por aí. Às vezes, me ocorre a existência de uma diferença entre inteligência e sagacidade, que é recorrente na gaveta das conclusões. Quando nascemos, acho, somos todos umas telas em branco. Que vão sendo pintadas ao decorrer dos anos, da vivência. Pintadas por si próprias - brotam de partes internas, inperceptíveis -, ou através do contato com outras - como beleza ou na forma de poluentes. O que eu quero dizer é que as cores e os formatos - estrelas ou lanças - vão variando com as circustâncias e as aberturas que temos embutidas em nós. Com as coisas que vão sendo suportadas ou repelidas. Os laços que vão sendo arrebentados. Em suma, somos meio que responsáveis pelo resultado final da equação do que somos. E ainda há quem ache que é possível viver sozinho. Todos precisamos do contato, das rodas fazendo faíscas dos trilhos, do álcool fazendo perfume das flores. Vocês gastam tempo demais planejando salvar o mundo, mas se esquecem que, para isso começar, precisam salvar a si mesmos. Prefiro permanecer calado durante a maior parte do tempo. Não interferir no trajeto de ninguém. Abster-me. Anular-me. Tornar-me maior em mim para ser mais para os outros, depois. É triste. Mas, agora, sinto vontade de falar. Sem realizar sonho, mas aliviar o peito. Assistindo a todas estas revoluções de meia-boca, todas estas badernas disfarçadas, todos estes jovens - digo, em sua maior parte - fingindo ter uma ideologia, com a vontade de fazer barulho, de aparecer na televisão, só deixam que eu conclua uma única coisa: o ser-humano está precisando de doses severas de realidade. Ou de seriedade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-3469096682898740475?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/3469096682898740475/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=3469096682898740475&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/3469096682898740475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/3469096682898740475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/11/protesto.html' title='Protesto.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-1007811905488248494</id><published>2011-11-28T22:29:00.000-02:00</published><updated>2011-11-28T22:32:44.073-02:00</updated><title type='text'>Verdade Nua, No Entanto...</title><content type='html'>A verdade é que não há porquê decorá-la. Tentar torná-la mais leve, mágica, em tons mais vibrantes. A verdade é que a verdade é bruta, e por isso tem esse nome. Bruta como uma pedra, que encontra formas de ser mais apreciada, bonita. Mas, também, bruta como as coisas que assim são: indelicadas, dilacerantes. As coisas tomam a forma que precisam tomar. Olhou. Apertou os olhos. Enxergou. Sorriu. Recebeu algo semelhante de volta. Resistiu. Tremeu. Soltou as armas. Cedeu. Soltou a armadura. Virou para o lado. Piscou. Perdeu de vista. Reecontrou. Perdeu. Chorou. Endureceu. O processo amoroso pode sim ser sistematizado. Vemos por dores que são, ao menos, em essência, semelhantes. Mesmo quando queremos nos apropriar de sentimentos que, certas horas, parecem tão particulares, tão nossos. Tão visceralmente nossos. Escrever a história dos outros é, ainda, a melhor forma de livrar-se da sua. Falar da dor é a melhor maneira de torná-la aceitável. Fingir aceitá-la. Sentar-se no bar e ver alguém balançar a cabeça positivamente, alguém que ao menos simule entender do que é falado. À primeira vista, não, eu não te quis. Era extrovertida demais, estrábica, falava alto, gesticulava demais. Mas até que era bonita. Sem precisar de muito mais do que já era naturalmente seu. Devagar, você foi entrando em mim. Se adaptando a mim. Quando menos esperávamos, já havia se tornado difícil encontrar a posição certa na cama. Quando estávamos sozinhos, cada um em seu quarto. Um dia, abrindo a porta do carro, descobri que te amava. Ocorreu-me então o, até então, impensável pensamento. E fui te amando mais e mais. Fomos. Foi tudo muito recíproco, suave, gostoso de se contar por aí. Contar que surgimos deveras de repente um na vida do outro. Que fomos abrindo portas até encontramos um ambiente em comum. Onde poderíamos ter permanecido para sempre - acho, até hoje. Tolice, mas eu acreditaria em tudo outra vez. Caso você retorne, ainda, e repita os desejos de eternidade, eu acreditaria outra vez. Diria que, desta vez, menos. Mais pés no chão. Mas bem provavelmente, mergulharia com uma sede ainda maior. Consequências de uma saudade. Uma falta sua em mim. Pois, não sei se sabe, mas me incomoda só sentir seu perfume em outro corpo. Reanimando o cômodo, sem ter partido de você. Derrubando-me outra vez. Incomoda sentir que não está ali comigo. Que não está mais comigo, em lugar algum. Apenas no mundo abstrato. Na memória de um gosto, um gesto. Achei que morreria, disse que sim, mas por enquanto não. Só tenho andado com menos vontade, mais peso. Tenho dito por aí que desenvolvi um medo de te encontrar, por acaso, pela rua. Tenho tentado me convencer de que, talvez, tenha sido melhor assim. Você ter ido assim que teve vontade, ao invés de termos prolongado e manchado algo tão bonito. Ficarão os sorrisos e as flores. Sem mágoas. Sem muitas delas. Ficarão abertas portas para novos amores. Com algum medo. Com algum muito medo que sobe pela coluna em forma de calafrio. Mas vai ficar tudo bem. A verdade é que vai demorar um pouco. Que eu ainda chorarei um bocado. Que eu tentarei te substituir sem sucesso, até perceber que um lugar será sempre seu. A verdade é que essa minha tristeza, embora sinta tão minha, pode ser partilhada com outros tantos...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-1007811905488248494?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/1007811905488248494/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=1007811905488248494&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/1007811905488248494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/1007811905488248494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/11/verdade-nua-no-entanto.html' title='Verdade Nua, No Entanto...'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-3670133070957305305</id><published>2011-11-22T11:29:00.003-02:00</published><updated>2011-11-22T12:08:39.692-02:00</updated><title type='text'>Permaneça Então.</title><content type='html'>O cheiro de canela saindo do forno. Suas pernas atravessando rapidamente pelos cômodos. Ziguezagueando, cheia de pressa. Vivia cada segundo como se fosse o penúltimo. Reservando um sorriso enorme para o ato final. Surgiu de repente, tão de repente que não consigo firmar uma data. Foi se espremendo, até conseguir passagem pelo canto. Estava sentado, subitamente, ela apareceu na tela. E seu corpo foi tomando forma. Sua pele, nem morena, nem pálida, pele viva, destacava-se encoberta por uma bata de dimensões sete vezes maiores do que seu próprio corpo. Mas cabia perfeitamente. O par de olhos arregalados, meticulosamente encaixados na face rosada. Com traços tranquilos. Os lábios untados em manteiga de cacau e paz. Tão bela que chegava a ser quase - ou totalmente - pecado. Ridiculamente simples para um ser tão especial. A escoliose pesava seu corpo para o lado direito, algo que ninguém notaria. Mas meu encanto não deixaria passar. Para mim, aquilo parecia interferir um pouco na rotação da terra. Na velocidade em que passavam os dias. Como se tudo, na vida, tivesse algum dedo seu. Se bebesse, roncava durante o sono. Nos outros dias apenas resmungava, em lapsos de sonambulismo. Tinha a íris escura mas, ainda assim, transparente. Andava desengonçada, sem importa-se em ser assim. Esticava bem o corpo, num ritual de toda manhã. Olhava para o relógio incontáveis vezes durante todo o dia. Sofria de ansiedade. Sem saber muito o motivo. Esperava que algo grande acontecesse. Algo muito, mas muito, grande. Algo que mudasse sua vida de uma hora para a outra - mesmo aquela vida que vivia já sendo, relativamente, boa. Eu a observava por horas, todos os dias. Um ritual que criei para eternizá-la em mim. Por horas, destes dias dias, até tornarem-se anos. Amava suas bochechas constrangidas em público. O avermelhado no tempo frio. A delicadeza que tornava única cada uma de suas partes. Acho que é natural ao homem querer isolar do mundo aquilo que tanto lhe apetece. Mesmo querendo: nada tem dono. Nada, nem ninguém. Resta exotizar o objeto e mantê-lo o mais próximo possível. Mas sem marginalizá-lo ou corrompê-lo. Algo como não alimentar animais silvestres. Ou deixar que a lua permaneça inalcançável. Lindo amar assim. Alimenta a escuridão que resiste do lado de dentro. Amar sem querer manchar seus vestidos. Amá-la querendo-a sempre assim. Da forma que despertou-me. Sem sujá-la de mim. Sem alimentá-la com minha insegurança, com minha incerteza. Não pedir para que fique. Deixá-la seguir os caminhos que quiser. Sem fazê-la escrava de um amor que nunca pediu. Entende? Que corra...que voe...que ame...seja aonde for, quem for e, caso se for, que permaneça assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-3670133070957305305?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/3670133070957305305/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=3670133070957305305&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/3670133070957305305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/3670133070957305305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/11/permaneca-entao.html' title='Permaneça Então.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-2449222587830234504</id><published>2011-11-16T22:26:00.002-02:00</published><updated>2011-11-16T23:27:17.713-02:00</updated><title type='text'>Mais Amor Demais.</title><content type='html'>Por quê você não vai embora? Ainda é cedo e não abriram as cortinas. Ainda não é tarde demais para começar de novo. Para encontrar a si em outro. Encontrar-se na companhia de outro. Já estourei os meus, os seus, os nossos, miolos. Já nos apertamos forte demais. Nos re e de - batemos. Batemos, fomos um contra o outro. Nisso de pensar que pensamos tão diferente. Que somos tão exclusivos. Tão especiais. Quando, na verdade, só somos imensuravelmente egoístas e mesquinhos. Só somos iguais a todo mundo. Lutando por causas sem pé nem cabeça. Falando demais em coração. Nos corações que nós carregamos, tão pulsantes. Nos corações que dizemos estar em falta nos outros. Tentando preencher o vazio que não está nem em mim, nem em você, mas no mundo. Já viu como fotografam a lua? Como a enquadram toda vez que ela se destaca? Como tudo mudou, como antes queriam formas de subir até lá, e agora uma captura basta? Basta olhar a cor da camiseta, a harmonia do corte de cabelo. Basta olhar. Por quê você ainda está aqui? Se onde há caos, ninguém encontra o ângulo certo. Onde há algo atípico. Um volume a mais. Deus queira que eu esteja errado, mas se está explorando ao máximo a superfície. E somente ela. Jurei que mudaria minha vida. Pareci até tolo. Mas jurei, ao te ver. Que mudaria meu modo de vestir. A posição ao sentar. A determinação de querer as coisas: e alcançá-las. Olhei seus olhos e não tive dúvidas. Se não fosse naquele momento, seria daqui a pouco. Existem corpos que se conectam até antes de amadurecerem. E estão predestinados, e logo, condenados ao encontro. Foi tudo muito lindo. Houveram as cartas e as flores. As caixas de chocolate. Os abraços macios. Gosto de coisa rara de se ver. Eu me via escolhendo outro time. Largando o pão pelo cereal. Deixando você me moldar do jeito que melhor te coubesse. Não vi você se mudar de mim. A gente se mudar um do outro. Você, de repente, se tornar uma destas pessoas que parecem ter descolado da televisão. Por quê você ficou depois de tanto ameaçar ir embora? Você existia para mim de um jeito tão sincero. Tão puro. Pisquei os olhos e seu corpo reagiu ao mundo. Concordou com os rumos dele. Seus pedaços mais amáveis sumiram de mim. Não me amavam mais. Por não condizer com o esperado. Nenhuma mudança é eterna. Nenhuma eternidade é permanente. Estão todos se deslocando. Indo e vindo. Quase nunca voltando. Está tudo, incontrolavelmente, se transformando. Estamos transbordando. Nós dois, cada um escapando para um lado. Sem querer deixar isto claro. Na intenção de ser menos doloroso. De ser menos insuportável. De ser menos. Enquanto eu, eu só quero mais. Para você, e para o resto do resto do mundo. Mais carinho, mais cuidado. Menos espera, menos ansiedade. Mais unhas, menos cigarros. Mais amor. De preferência, espontâneo e gratuito. Menos brigas, mais entregas. Menos discursos, mais vontade. Mais amor. Só mais amor demais...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-2449222587830234504?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/2449222587830234504/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=2449222587830234504&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/2449222587830234504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/2449222587830234504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/11/mais-amor-demais.html' title='Mais Amor Demais.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-6184767469388113061</id><published>2011-10-31T23:41:00.001-02:00</published><updated>2011-10-31T23:41:39.393-02:00</updated><title type='text'>Quanto Conto.</title><content type='html'>Eu queria que você se interessasse. Que você viesse, por vontade própria, e me perguntasse como foi meu dia, o que eu ando lendo, se peguei chuva, se passei frio. Que tivesse curiosidade em saber o porquê de, algumas vezes, eu ser tão pessimista. Porque eu te espero todos os dias. Mas mais no fim deles. Para você colocar a palma quente em minha nuca, dizer que está tudo bem, que o mundo não é assim tão terrível, que são só dias ruins. Para que você me entenda e, de alguma forma, queira dividir os mesmos medos. Medo de que tudo acabe. De que nada, nunca, seja eterno ou verdadeiro. Afinal, estamos nós dois juntos nisso. Na tentativa de sermos um par, de sermos parte um do outro. Podemos acabar os dois sentados no meio-fio, olhando para nossos sapatos, por vergonha de olharmos um nos olhos do outro. Podemos acabar, e é isso que quase sempre acontece, com quase toda a certeza. Mas a possibilidade, não importa o quão grande seja, é só uma probabilidade. E não quero pensar nisso. Não agora. Eu queria que você entendesse. Aparecesse aqui só para checar minha temperatura. Não basta dizer que ama. Nem dizer como é imensurável o amor direcionado a mim. Eu queria que você não se satisfizesse só em abrir os botões e soltar as palavras. Afinal, de que servem? Qual o uso delas? Não vão cobrir meus pés, nem me servir de escudo. Não direi o que me foi dito e me livrarei de qualquer julgamento. De que serve um amor que não se concretiza no tempo-espaço? Amor conjugável, transferível. No fundo, eu sei que ele existe. Mas eu queria que você me colocasse entre seus braços, só para comparar nossos batimentos cardíacos. Só para trocar energia. Queria que você me trouxesse a minha revista favorita. Uma caneca fervente de chá. Essas coisas de menina. Que fica cutucando as unhas para não se render e fazer um telefonema. Que tenta disfaçar o quanto precisa de você perto. De você querendo estar perto. Aquela vontade de se esconder, só para ver se você procura. De fazer bico. Fazer birra. Eu queria que, para você, as coisas tivessem o mesmo peso que têm tido para mim. Essa âncora que me prende aqui contigo. E que eu não tenho forças para levar para nenhum outro lugar. Para mim é tudo tão original. Novidade, cheiro de plástico. Destinos cruzados. Quero morar junto e ter filhos. Só andar de mãos dadas, trocar tudo para estarmos os dois sempre juntos. Para você não é nada de novo. Nada, de novo. E você fala e deixa claro como tudo é tão fácil de esquecer. É tão fácil seguir adiante. Foi assim, sempre será assim. Num ciclo. Vários deles. Eu queria que você me desse esperanças mas, ao mesmo tempo, você me dá e não as quero. Dicotomias do amor romântico. Quem tem tudo a oferecer é, justamente, quem pode levar tudo embora. Se for isso, se for mesmo tudo igual, não se esforce em me enganar. Por favor, apenas não faça isso. Já que tudo acaba de um mesmo jeito. Cada um em seu quarto. Um pote de sorvete ou uma garrafa de vodka. Se para você não for nada de especial, se o ritmo da música for o mesmo...dureza é se permitir à insensatez de acreditar. Frieza é permitir isso a outro que se entrega sem medidas. Eu queria que você me impedisse. Mas já é tarde.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-6184767469388113061?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/6184767469388113061/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=6184767469388113061&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/6184767469388113061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/6184767469388113061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/10/quanto-conto.html' title='Quanto Conto.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-4839974534283014347</id><published>2011-10-31T22:13:00.003-02:00</published><updated>2011-10-31T22:33:43.679-02:00</updated><title type='text'>Liberdade.</title><content type='html'>Não me importo se, um dia, acabarem as primaveras. Eu ainda te colherei flores. Correremos de mãos dadas pelos jardins, nos serviremos de vinho perto do sol se pôr. Eu te amarei para sempre. Criarei este tempo, se for preciso. E se um dia você precisar virar as costas e ir, seu lugar ainda será o mesmo no meu peito. Se um dia não for mais recíproco. Se o amor não for mais o mesmo. Se esgotar o desejo. O que o amor tem de enlouquecedor se harmoniza com os pés no chão, que me foram deixados pela vida. Eu aguentaria as pontas, você sabe. Cuidaria bem da saúde e do resto das minhas coisas. Ficaria tudo bem. Quando se tem as músicas certas, nenhuma dor é insuportável. Os livros e as doses certas. As garrafas e as palavras cheias. Ninguém morre de amor saudoso. Se você sentir vontade de ir, quero que não pense muito em mim. No que restará de mim. Se sucumbirei às tentações. Livrai-me delas. Coisa que cobraria de Deus, se julgasse necessário, mas nunca de você. Isso se você realmente fosse e a dor surpreendesse, sendo pior do que o previsto. Se isso - nós dois - estiver te apertando muito, apenas peço para que me avise. Apenas me diga: não dá mais, estou indo. Para não haver susto - nem surto. Se quiser fazer as malas e sair para conhecer o mundo, eu não vou pedir para que me carregue junto. Muito menos implorar. Eu sei como você voa. Como você simplesmente abre as asas e alça vôo. Vai embora. Foge do alcance. Não olho para trás, você disse. Nunca olhei para trás, frisou. Às vezes eu me pego te olhando. Às vezes seu olhar tão triste nem me percebe ali. As coisas que você vê e guarda para si. As coisas que você vê e só não conta para mim. As inúmeras vidas que cada ser vivo vive. As horas a mais no trabalho.  Um capítulo de um livro. Um pensamento solto no engarrafamento. Coisas que estão sempre nos alterando, nos movimentando. Algo que acabará por te movimentar para longe. Infelizmente, não tenho controle sobre os fatores. Ninguém tem - mas nem por isso deixamos de desejá-lo. O que te corrói por dentro, o que te estremece por fora. Não posso isolar sentimentos. Para que os seus sejam sempre bons, sempre grandes, sempre direcionados para mim. Não posso te forçar a orbitar em minha volta. Se você quiser ir, não hesite: vá. Mas me avise e já vá logo. Não peça nem um minuto para ver a ferida. Para checá-la ou apalpá-la. Também não tente bisbilhotar. Só quero que vivencie tudo aquilo que aguçar seus sentidos. Não quero, nunca, tentar te privar de nada. Amor tem dessa inocência derivada dos burros. Esse infantil aceitar. Se quiser viver sem fronteiras, ser cidadã do mundo. Não pense duas vezes. Zelarei daqui. Estarei aqui. Dando o braço a torcer. E também, depois, se quiser voltar. Não me importarei com vestígios, ou com os carimbos nas folhas do seu passaporte. Com a marca de mordida em seus lábios. Alguma virose. Se tiver que ir, por favor, vá. Se puder voltar, mais que agradeço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-4839974534283014347?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/4839974534283014347/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=4839974534283014347&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/4839974534283014347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/4839974534283014347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/10/liberdade.html' title='Liberdade.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-8454487830482759605</id><published>2011-10-25T12:56:00.002-02:00</published><updated>2011-10-25T13:42:06.016-02:00</updated><title type='text'>Ainda Existirá.</title><content type='html'>Você quer ser ninado. Quer que alguém te pegue para criar. Quer ser colocado no colo. Para que passem a mão nas suas costas dizendo que uma hora tudo fica bem. E ficará. É pior para muitos outros. Essa dor toda é só solidão. Ao menos, você pensa que sim. É muito pior para outros. Mas você não se lembra disso. Você sequer cogita essa possibilidade - tão gigantesca. Porque ainda vive na lembrança dela. Diz que perdeu a vontade. Ainda pior, o coração. Que endureceu. Mas chorou nos minutos finais da novela. Chorou quando viu o pote de margarina vazio, a cigarra morta na janela, quando não conseguiu atender o telefone antes que parasse de tocar. Chorou por respirar, porque aquilo ali doía. Como sobreviver na ausência dela? Você se pergunta. E planeja formas trágicas de fazer tudo terminar. Sangrar um pouco só para ter a atenção dela. Desmaiar no chão do banheiro. Arrumar briga no bar. Aparecer no jornal. Você só quer que alguém reconheça sua dor. Que alguém a legitime como dor gigante só sua. Só sua. Particular e singular dor sua. Mesmo assim, quer que se identifiquem. Que alguém compadeça do seu sofrimento. Que tomem e retomem suas dores. Num ciclo sem fim. Onde você morra sem deixar-se morrer. Quer que te falem sim que vai ficar tudo bem. Mas não quer que essa hora chegue. E se irrita. A gente nunca escuta o que precisa. Nunca fala o que quer. De que servem as palavras? Se o silêncio, dizem, fala muito mais. Se há, também, o olhar. O toque. A ausência. Se só é dito o que convém. E palavras vão e vêm. A imagem dela te perturba durante o sono. Antes. Depois também. Olhando uma foto, você se lembra dela. Olhando um conhaque, você se lembra dela. Olhando, a imagem permanece. Parece que cada dia perde mais um pedaço. Tanto dela, quanto seu. Não se compara dor de um com a dor de outros. Mas certas coisas podem ser tão piores. Você tenta se lembrar disso. Vai fazer trabalho voluntário na Nigéria. Salva um passarinho que caiu do ninho. Doa todas as suas economias para alguma causa. Se te segurassem no colo, não necessariamente você encontraria a calmaria. Você ainda odiaria o mundo. Odiaria, muito mais, as pessoas. O vazio em cada uma delas. Cruxificaria o vazio de achar-se o ser mais magoado do mundo. Perceberia a tênue linha entre se magoar e se amargurar. Salvar o mundo, quem sabe. Encontrar o significado de salvação. Deixar a barba crescer e peregrinar por anos. Perder o rumo. Sublimar em espírito. Encontrar o que estava perdido. Qualquer essência que tenha se adulterado. Navegar por desertos em busca de paz. Perceber que dores tão pequenas resultam em desejos tão grandes. Vezes ou outras, maliciosos. O meio faz o homem. Livrar-se das pavimentações. Abster-se do dourado dos cifrões. Ver o mundo com olhos perceptíveis às rotações. As fases da lua. Acompanhar o ritmo das cores. Todas elas. Poder ver o céu e não reclamar se está fechado ou se está aberto demais. Pensar que tem gente que não vê nada. Lembrar que cada homem, todo homem, é feito de porpurina e coágulos. De labirintos e flores. Que não há porquê se perder, há sempre um caminho. Amar. E não desistir nunca. Se não for um mesmo amor para sempre, que sejam novos e outros. Mas amores. Nunca menores, nunca mais algo, ou menos outra coisa. Mas completamente amores. E se seu amor parecer errado, então é amor de verdade. Todo mundo tem medo de perder. Mas é todo mundo orgulhoso demais para fazer o que é preciso para manter. Olhar para os lados, esquecer a marca da camiseta, o país de origem, o número de reais que foi desembolsado. Ser-humano. Ser-mais-humano. E ainda há quem ache possível viver sozinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-8454487830482759605?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/8454487830482759605/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=8454487830482759605&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/8454487830482759605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/8454487830482759605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/10/ainda-existira.html' title='Ainda Existirá.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-4318719551651798849</id><published>2011-10-17T22:39:00.001-02:00</published><updated>2011-10-17T22:39:45.173-02:00</updated><title type='text'>Sentidos do Amor.</title><content type='html'>Era ela. Eu sempre sabia quando era ela. Ela sabia como ser por somente estar neste mundo. Ser daquela forma inigualável. A imprevisível existência dela. Que, primeiro, surgiu para mim na forma de mistério. E refletiu-se, em mim, como curiosidade. Aqueles ombros preguiços, aqueles cachos caídos. Não sorria, mal abria a boca. Mas existia. Digo, existia nos mesmos ambientes que eu. Nos corredores da repartição, queimando a ponta dos dedos com o café da lanchonete, balançando os quadris para outros homens. Na verdade, quando muito inspirada, balançando-se até para outras mulheres. Tudo para ela era assim, muito simples por não precisar ser explicado. Não devo, dizia. Em voz alta, e só assim eu podia escutá-la. Berrando, com um copo em cada mão, e um cigarro, quase na ponta, pendurado nos lábios. Não por deselegância, mas é que, geralmente, ela precisava repetir várias e várias vezes tudo que dizia para poder ser ouvida. Na copa, toda manhã, às oito, os homens se reuniam para discutir a final do Brasileirão, as quedas na bolsa, o comprimento das saias que desfilariam ao decorrer do dia. Ela era sempre colocada em pauta. Diziam que era difícil escutá-la enquanto seu decote berrava. Acho que ela só podia não perceber para tentar fazer-se entender tanto. Ou ela gostava desses jogos de desejo e carne. De vez em quando ela me olhava. E eu sempre lá, olhando-a de volta. Olhando-a mesmo quando estava de olhos fechados. Não sei o diagnóstico, mas sei que bateu forte lá no fundo do coração e, ao contrário do que se espera, nunca mais voltou. Sei que naquele dia, de sol insistente, ninguém imagianava que a chuva desabaria tão repentina-e-intensa-mente. O que se seguirá depois deste imprevisto, não tem nada de previsível, daquele tipo: ficamos os dois nos protegendo da chuva na portaria e aquela umidade toda nos arrepiou mais do que pelo frio e acabamos os dois atravessando a madrugada investigando nossos corpos, não. Não há nada disso. Antes houvesse. Pois ouvi dizer que, quanto mais se tenta guardar um desejo, empurrá-lo para dentro, para que ele não transpareça, mais ele vai se ocupando de nós. E multiplicando-se também. Então desejos crescem numa progressão mais que geométrica quando tentamos nos desviar deles? Bem, não sei do resto do mundo, com ele não me importo, mas comigo foi assim. Então, quando pus minhas mãos, pela primeira vez, na pele dela, meu corpo todo entrou em ebulição. Meu coração quis sair pelos olhos. E antes ficasse só na superfície. Isto de querer e ter e, se quiser de novo, repetir. Não. Precisou me roubar a atenção, a vontade, os olhos e...veja bem, até parte dos meus colhões. No dia da tempestade, ela só quis saber meu nome. E eu quis fingir não saber o dela. Depois dali, os bons dias e boas tardes, as conversas quando nos encontrávamos, uns drinques no fim do expediente, as pernas por debaixo da mesa. Uma sinfonia de aproximação. Um dia eu não bastei mais. Mas ela nunca nem falou nada. Esteve sempre quieta, me escutando. Enquanto eu ficava sem fôlego elogiando cada uma das coisas que mais amava nela. Ela nunca sequer disse se havia algo em mim do qual ela gostava. Mas eu entendia que sim, eu precisava que sim. Até parece que foi fácil. Depois de uns meses caminhar por aqui. Tendo largado o emprego. Mas saber que era o carro dela, estacionado na vaga favorita dela. Uma marca de sola de sapato, possivelmente também dela. Umas lembranças do perfume. E o saber ser sem estar com ela. Que através de anos mantiveu-se calada. Só estando ao meu lado. Ouvi mesmo falar que o amor era cego, mas nunca que fosse mudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-4318719551651798849?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/4318719551651798849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=4318719551651798849&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/4318719551651798849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/4318719551651798849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/10/sentidos-do-amor.html' title='Sentidos do Amor.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-7085337820824437845</id><published>2011-10-13T22:55:00.000-03:00</published><updated>2011-10-13T22:56:01.751-03:00</updated><title type='text'>O Amor Morreu.</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O homem usa as palavras da forma que lhe convém.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amor. É como um dia te chamarão. Eu te chamarei. Que serei chamada. Nome que, antes de sê-lo, é conjugado. Em primeira pessoa, com a esperança de não ser apenas uma só. Só mais uma. Paixão. É aquilo que dá, mas passa. Que, na maioria das vezes, não se sustenta sozinho. Que, muitas vezes, ninguém vê acontecer. Mas que não precisa realmente ser visto. Desde que seja mútuo e, então, muito provavelmente, concretizado. Concreto é aquilo que sufoca a gente. Que transforma, molda, ergue, ou nos enterra junto aos vermes. Nos prende por lá para sempre. Sempre no sentido de eternidade e, por isso, ingenuidade. Como acreditar em santos, sem nunca ter assistido um milagre. Como ser que nem todos os outros, e alimentar em si o que há de mais indigesto: a eternidade. Eternos serão todos e tudo, desde que não vivam em nós. Qualquer ser, que for realmente humano, tende ao pessimismo. E até prova da depressão. Nada do que é belo pertence a aquele que tem a palavra. Só é o ideal se não for meu. Como se nossas próprias mãos só fossem capazes de manchar e destruir as coisas. De desvirginar as flores. Através das flores a gente diz as coisas que não sabem ser ditas sozinhas.&lt;br /&gt;Bom dia, amor. Meu amor, em carne, osso, com cheiro de lavanda, abrindo a boca perto da minha nuca. Nossa, como eu te amo...já disse isso hoje? Contei desse amor tanto? Pois se ainda não, é porque o dia só começou agora, há uns cinco minutos. Hoje eu acordei mais apaixonado do que nunca, percebe? Eu cosigo achar lindas até as remelas enfeitando os seus olhos. Se eu nos tivesse previsto, eu não teria me assustado. Se nos tivessem visto, isto não seria contado. Não teriam me acalmado. Sufocado por tanta pressa e concreto, você ainda conseguiu me apertar mais. Contra mim, contra seu corpo ossudo, suas voltas retangulares. Por todo o sempre é somente metade do tempo em que eu te quero comigo. Todo o tempo do mundo de um mundo que não tem mais tempo. Nada na vida vigora. Mas você é tudo para mim. Seu rosto de porcelana se arranha na minha barba mal feita. Eu te estrago, quase te anulo. É o medo de te perder. É um tremendo medo de te perder. Que me faz querer estar sempre contigo. Todo o tempo contigo. Eternamente só eu e você. Mas eu sei que tudo acaba. Sei que quase com certeza tudo acabará. Sei que não sou dos males, o pior. Também que não sou dos mais atraentes ou interessantes. E vivendo a gente se depara com tanta gente. Eu não te trocaria por nada neste mundo. Nem em um outro. Suas mãos miúdas, tenho certeza, são aquilo que me mantém de pé. De pé, cabeça erguida, vontade de ir adiante. Suas mãos, seus olhos, você dá cor a tudo. Bom dia, amor. Eu poderia repetir isto pelo resto desta vida, e das próximas que estejam por vir.&lt;br /&gt;Bom dia, amor. Sinto muito mas, ontem, me ocorreu que nada disso existe. Nada. Nada de amor, nenhum resquício. Não só em mim. Em mim por você. Mas no ser-humano. No mundo. Não é amor. É uma relação de interesse. Não queria te entregar assim, logo de cara, já nas primeiras palavras, a verdade. Te dizer assim, como se não me doesse, que eu nunca te amei. Que nunca foi nada disso. Troca de secreções, sensibilidade nas genvivas, lábios inchados, o atrito entre nossos corpos, o afago. Nossos troncos dormindo encaixados. Um sono que parecia nos elevar para algo muito além da realidade. Distração, amor. Mesmo tendo dito, nunca senti saudades. Achei que sim. Egoísmo é querer que alguém seja seu para sempre. E a gente se prometeu ser assim por tantas vezes, né. Encostados na sacada, uvas moscatel e seu cheiro de flores recém-colhidas, eu apertava os olhos e jurava que não seria possível existir uma vida sem você. Eu me apertava contra suas dobras e te pedia para que, por favor, não escapasse. Nunca, nunca, em hipótese alguma, me deixasse. Confundimos tanto as coisas. Deixamos que elas nos confundam. Amor é coisa que dá e passa. Que só dá quando a gente quer que algo fique. Algo fique ali conosco para suportar a existência. Porque existir pode se tornar tão doloroso ao ponto de parecer insuportável. Não, não julgo a crença dos outros. A gente faz o que for possível para nos manter sãos. Agarra com unhas e dentes. Eu achei que precisava tanto de você, só de você. A única coisa que é natural ao homem é a sobrevivência. E a gente enfeita tanto. Porque não basta beber da fonte, não basta ter a mesa farta, temos que enfeitar a existência, torná-la mais agradável aos olhos. Quando na verdade só precisamos percorrer do começo até o fim. Inventamos problemas e, para isso, sentimentos. Nunca fomos amor, nem muito menos seremos eternos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-7085337820824437845?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/7085337820824437845/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=7085337820824437845&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/7085337820824437845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/7085337820824437845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/10/o-amor-morreu.html' title='O Amor Morreu.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-3912254651259964742</id><published>2011-10-10T23:49:00.001-03:00</published><updated>2011-10-10T23:49:45.381-03:00</updated><title type='text'>Agradável.</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Nada dura para sempre porque ninguém está imune a mudanças - em si e no mundo.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não te esquecerei. Não porque foi um amor maior do que os outros - pois isto não foi. Mas porque será impossível me decidir se não sei viver sem você ou se não sei viver sozinha. Isto, é claro, num destes momentos em que a solidão parecer insuportável. Um destes momentos em que qualquer coisa parecer solidão. Coceira, dor de estômago, fome, parecer solidão. E esta "solidão" parecer saudade. E tudo ficar confuso. É verdadeira essa curiosidade sobre a cor da grama do vizinho, eu vou pensar. Vou pensar que quis sair para ver, e não mais te quis, e então te perdi. E a grama? Você iria perguntar, e eu perguntaria a mim mesma, imaginando você me perguntando. Diria: era tão esverdeada quanto a minha, quanto a nossa. E se eu me arrpendi? Você me perguntaria: e você, se arrependeu? Por enquanto, parece que sim. Porque até o som das folhas lá fora me lembra sua voz. E me dá saudade. E parece que vou me arrebentar de saudade. De tanto me sentir tão longe. Uma saudade que queima, que arde. E o pior é que, depois de um pouco, talvez depois de três horas, já quando estiver finalizando o dia, pode ser que nem seja mais saudade. Digo, eu posso descobrir que não seria, não era, não havia sido, saudade. E concluir que era só solidão, e o medo de me sentir para sem assim. Para sempre em si. Em mim. Digo, para sempre só. Não sei se não posso viver sem você, ou se não posso viver sozinho. Não sei a origem do meu medo. As raízes das quais ele brota. Nunca mais te ter ou só ter a mim mesmo. Será se daqui uns anos a gente se rencontrará? Se tudo aconteceu para terminar assim, e recomeçar mais tarde? Ainda assim, nada nos impede de escapar dos planos. De conhecer outros corpos, de tatuar novos nomes. De sentir vontade de passear de mãos dadas, de ter filhos, e comprar uma casa na praia. De sucumbir as tentações. Iremos nos afastando. E diremos que o tempo foi quem quis que desse tudo errado para nós. Mesmo pensando que, afinal, se ele quis, é porque deve estar certo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-3912254651259964742?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/3912254651259964742/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=3912254651259964742&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/3912254651259964742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/3912254651259964742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/10/agradavel.html' title='Agradável.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-7956336964119368443</id><published>2011-10-05T15:44:00.000-03:00</published><updated>2011-10-05T15:48:53.520-03:00</updated><title type='text'>Quase Infinito.</title><content type='html'>Escrever é como pincelar o retrato de uma mulher, completamente nua, de costas, sem se deixar esquecer de uma pinta ou sarda sequer. Depois, esta mesma mulher de lado, de frente, inclinada sobre um escorregador, plantando bananeira, agredindo alguém. Novamente, sem se deixar esquecer de uma pinta ou sarda sequer. Sem deixar nenhuma pincelada para trás. Nenhum traço, que alongue ou diferencie o contorno dos olhos. Sem omitir, ou disfarçar, nenhum detalhe.&lt;br /&gt;Escrever é expôr. Tornar comum – e até familiar - ao leitor aquilo que, anteriormente, era secreto ou sagrado. Seria, usando ainda o exemplo da mulher, como aproximar o rosto do leitor ao corpo dela, e abrí-la toda – desde as pálpebras, até as pernas -, para que se possa, enfim, conhecê-la tão profundamente a ponto de afirmar: não há sequer um ponto preto em seus pulmões – ou algo do tipo.&lt;br /&gt;Antes, ultrapassaria qualquer uma das minhas piores intenções, pensar em expô-la desta forma. Ultrapassaria qualquer conceito que eu havia adquirido de valor moral durante a vida. Digamos até, ético. Ultrapassaria, também, qualquer um dos meus impulsos mais tenebrosos.&lt;br /&gt;Eu precisaria pensar cento e cinquenta vezes – no mínimo – para decidir se conseguiria arregaçar, de graça, para o mundo, aquilo que eu havia de mais precioso. Ainda assim, mesmo depois de cento e cinquenta pensamentos, de listas e mais listas de prós e contras, de noites mal dormidas, de pele e olheiras arrebentadas, eu não me renderia. Eu te manteria, para sempre, como o meu segredo.&lt;br /&gt;Você era mais bonita preservada por mim.&lt;br /&gt;Os sentimentos se contradizem mais do que nós mesmos. Os sentimentos são, na verdade, a raiz de toda a contradição humana. Não dá para ignorar a forma imbecil como os ratos se mantém sempre os mesmos.&lt;br /&gt;Que óbvio.&lt;br /&gt;Liricamente, eu podia, e te chamava de segredo – fingindo ser o único conhecedor de seus sabores, ao negar qualquer passado seu. Mas este meu segredo só tinha a forma de um quando éramos apenas nós dois encarceirados por quatro paredes. Quis manter as coisas assim, mas é claro que não pude evitar que todos soubessem – o amor tem dessa dicotomia entre intimidade e exibicionismo.&lt;br /&gt;Caminhávamos durante a tarde no parque, com sorrisos maiores do que nossas próprias pernas. E, à noite, você me agredia, e vinha com suas críticas severas, com seu punho fechado. Nos atracávamos, e nos violentávamos – na comoção do sexo ou do sangue. Por mais que viver contigo fosse sempre guiado por um repertório novo ou inesperado, nós tínhamos nossos rituais.&lt;br /&gt;Não posso dizer que deixávamos de ser felizes quando estávamos sozinhos. A violência, por menos sádico que o agressor seja, tem um quê de felicidade. A alegria de controlar um outro. De ser mais forte. E tem mais, sobre nós dois, todo ritual tem sua finalização, e a nossa era jurar eterno ódio com nossas línguas rigorosamente entrelaçadas.&lt;br /&gt;Mas, afinal, o que é a felicidade? E sem sequer saber definí-la, será se conseguimos – ainda que por um instante – a proeza fazer um ao outro feliz?&lt;br /&gt;Éramos mais sensíveis a nós mesmos do que ao resto do mundo. Acho que talvez fosse isso. Mas, no final, por mais que tentássemos escapar da rotina, acabávamos sendo um casal como todos os outros. Felizes para sempre. Felizes para algo que não existe. Felizes por nada.&lt;br /&gt;Embora os sentimentos tenham mudado, e a idade nos evoque a posicionação de questionadores mais do que tudo, eu ainda consigo afirmar: você me fez feliz. Ao menos, aquele estado eufórico e taquicárdico, parecia felicidade. Nunca fui ver um médico para confirmar. Mas sei que isto só acontecia – e se repetia - quando eu estava contigo. Então são duas as opções, ou você foi a minha única experiência com a felicidade, ou você poderia, facilmente, ter me levado à morte.&lt;br /&gt;Bastava que quisesse, você bem sabe que, de verdade, poderia.&lt;br /&gt;Às três horas da manhã, quando você, sonâmbula, me acordava, era quando eu mais tinha certeza: meu amor ultrapassava os limites humanos.&lt;br /&gt;Não, não era mesmo saudável. Você deve sim ter entupido algumas das minhas artérias.&lt;br /&gt;E leve em consideração que, para os humanos, parecem não haver limites.&lt;br /&gt;Hoje, com mais fios grisalhos na cabeça e no coração, não tenho mais garantias de nada. A gente vive achando que crescerá e aprenderá. E eu acho que ainda estou engatinhando. A verdade é que eu precisaria de mais vidas para sanar minhas incertezas. O ócio deve ter sido o procriador da Filosofia.&lt;br /&gt;Quem sou?&lt;br /&gt;De onde eu vim?&lt;br /&gt;Que merda é essa?&lt;br /&gt;Do que estou falando?&lt;br /&gt;Que horas são?&lt;br /&gt;Cadê você?&lt;br /&gt;Para onde você foi?&lt;br /&gt;Será se você volta?&lt;br /&gt;Será se está com outro?&lt;br /&gt;Alguém realmente já amou?&lt;br /&gt;Ou foi tudo mesmo solidão?&lt;br /&gt;Se nossos corpos inteiros se movimentassem por, pelo menos, metade do dia sem precisarem de nossos pensamentos, sentimentos, idiotices, ou decisões, eu acho que nossas vidas seriam mais fáceis.&lt;br /&gt;E eu não teria te beijado naquela quase tarde de Dezembro.&lt;br /&gt;E nós também não seríamos humanos. Seríamos o que poderíamos chamar de semi-humanos – por funcionarmos na forma de um por apenas metade do tempo.&lt;br /&gt;Acho que seria melhor até do que ser um semi-deus.&lt;br /&gt;Se releio isto, parece que estou escrevendo como uma forma de me livrar de você. Pois juro, você já se foi. Mas, se por acaso, me engano, e você ainda está aqui, ao menos, dorme. Dorme um sono longo e profundo. E por favor, não acorde. Estou melhor assim, mais leve...&lt;br /&gt;Durante anos eu afirmei que, depois de você, nada mais faria sentido. Afirmei mil outras coisas, como se me desfragmentasse estando naquele estado febril da paixão. Eu só não afirmava minha loucura por não ter tido, tão cedo, conhecimento dela. À respeito do sentido, por enquanto, só consigo me provar que estava certo. Não há nada que, ainda, faça sentido. Mas acho que, mesmo com você, nada fazia.&lt;br /&gt;E é quando tudo perde o sentido novamente – feito houvessem graus de razão para as coisas.&lt;br /&gt;Eu realmente te amei como jurava que sim?&lt;br /&gt;Parece impossível agora. Ninguém tem o direito de agir de tal forma sobre outra pessoa.&lt;br /&gt;Deus, como você era cruel. E como me pesava.&lt;br /&gt;Eu tirei meus sapatos, me acomodei no sofá, e te dei o controle da minha vida.&lt;br /&gt;Mas, se tudo não se passou de um engano – o amor e sua dramaticidade toda -, eu não preciso me dar o trabalho de me desculpar. Sabe, eu tenho a certeza de que, para mim, ao menos, tudo que vivemos foi verdadeiro. E, por isto, valeria à pena perder algumas horas e, já de antemão, me lamentar.&lt;br /&gt;Lamento termos chegado nisto.&lt;br /&gt;Quero dizer, lamento termos vivido o que vivemos para, finalmente, chegarmos nisto. Lamento, primeiramente – e infelizmente -, por termos vivido. Pois, antes não tivéssemos, e então, agora, eu não passaria por esta crise de meia-idade - que passou uns dez anos presa no engarrafamento até chegar aqui.&lt;br /&gt;É de rasgar o peito pensar que, para você, tudo pode ter sido apenas uma brincadeira.&lt;br /&gt;Você tem que me dizer que ficará tudo bem.&lt;br /&gt;Você precisa fazer isso.&lt;br /&gt;Como sempre fiz, te imploro.&lt;br /&gt;Montei em você para, só no fim de nosso passeio, perceber que se tratava de uma montanha-russa – e eu nunca conheci uma na qual fosse possível brincar eternamente, sem intervalos. Então, se eu tivesse percebido o que você era antes de ter embarcado, eu teria palpites de que chegaríamos, logo, logo, ao fim – como toda brincadeira. Ou, logo de cara, entenderia que era tudo uma armação.&lt;br /&gt;Toda moeda tem dois lados.&lt;br /&gt;E você só pode ter planejado tudo.&lt;br /&gt;Caberia somente a mim decidir se estava disposto a me divertir – apenas me divertir – um pouco. Obviamente, tendo em mãos esta decisão, eu teria recuado. Impossível resistir ao seus olhos. Ainda mais impossível, desvencilhar-se deles.&lt;br /&gt;Você tinha cara de quem não se deixava guiar pela ordem das coisas, mas era capaz de fazer qualquer um implorar por bis.&lt;br /&gt;Enfim...&lt;br /&gt;É sabido que montanhas-russas se sustentam em cima da idéia de oscilação – uma coisa meio ying-yang, meio clímax e resto do enredo, meio ups and downs. A mesma idéia que, de certa forma, se criou em você.&lt;br /&gt;Só agora eu percebo como teria sido fácil ter escolhido te odiar.&lt;br /&gt;Achei que viveríamos um romance. Achava que vivíamos. Mas, depois que terminou, pude me virar para e perceber que se tratou de tudo, mas menos de um.&lt;br /&gt;Tudo bem, posso admitir que este foi um julgamento meio raivoso. Era sim um romance, com intervalos publicitários – você sempre foi bonita, e sempre soube disso -, uma mescla de romance com suspense, às vezes com drama, outras um romance policial. Um romance com trilha sonora de filme de terror. Um filme educativo. Um documentário sobre animais selvagens. Um pé no saco. Um berro. A maior felicidade do mundo.&lt;br /&gt;Eu gostaria de ter sido o autor da nossa história.&lt;br /&gt;Mas quando eu era pequeno eu também gostaria de ser invisível. A realidade&lt;br /&gt;é que é bom sonhar.&lt;br /&gt;Eu gostaria de ter sido o amor da sua vida.&lt;br /&gt;Olhando para trás, eu sei que foi tudo muito bonito. Mesmo quando trágico, ou desnecessariamente triste.&lt;br /&gt;Para mim, relembrar “felicidades” foi sempre algo muito duro. Ainda mais triste do que relembrar de qualquer outra coisa – outros momentos ou sensações. Relembrar, na verdade, é algo que me dói muito. Sempre fui covarde. E um dos meus maiores medos é nunca mais sentir alguma coisa que me envolveu profundamente.&lt;br /&gt;E se eu nunca mais me sentir “feliz”?&lt;br /&gt;E se eu nunca mais amar alguém da forma como eu jurei te amar para sempre?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nunca fui bom em colocar tempo nas minhas histórias. Assim sei que tudo sempre sairá alheio aos dias e horários, como se minha vida nunca tivesse seguido uma ordem cronológica. Então, por exemplo, pode parecer, em algum momento, que eu tenha te amado antes mesmo de te conhecer.&lt;br /&gt;E eu amei.&lt;br /&gt;Só não sabia.&lt;br /&gt;Mas, racionalmente, as coisas nascem – antes de poderem sentir qualquer coisa, aliás, de terem consciência -, depois crescem, aperfeiçoando o tato e a sensibilidade e, finalmente, se percebem sendo o que realmente são.&lt;br /&gt;Como eu não quero me prender muito aos fatos cronológicos – por não ter memória, nem disposição -, esta análise poderia muito bem ser como uma esquematização atemporal da minha vida. E assim, chegaríamos, rapidamente, aos fatos que importam – será que algo, nesta enrolação toda, realmente chegará a importar?&lt;br /&gt;Eu jurei que nunca mais amaria ninguém na primeira vez em que “partiram meu coração”. Fui excessivamente fraco e covarde ao afirmar uma coisa como esta, mas, ao mesmo tempo, só confirmei ser igual a todo mundo. Quem nunca acordou de ressaca jurando que nunca mais colocaria um bombom de licor na boca? Sempre juramos não poder suportar mais nenhuma dor, quando recém-casados com outra. Mas, ao menos, uma vez na vida, atingimos maturidade suficiente para entender que um coração é pouco perto do que, realmente, pode ser partido.&lt;br /&gt;Ou para entender que há uma diferença entre corações e empolgação.&lt;br /&gt;Por anos me rendi às tentações. E, doloroso mesmo, é se perder de quem te quer bem. É perder quem sempre te quis bem. Nada como uma vida partida para te ensinar que, aos 15, 16, anos, coração algum se parte. O que acontece, no máximo, é um arranhão no ego.&lt;br /&gt;A gente passa a dar valor quando tudo já foi perdido.&lt;br /&gt;A gente passa a dar valor quando já teve que dar adeus.&lt;br /&gt;Não poder voltar atrás para, quem sabe, ter a oportunidade de salvar algo que realmente importasse, talvez seja a maior forma de ter algo verdadeiramente partido.&lt;br /&gt;Engraçado como coisas pequenas podem salvar coisas tão grandes que nem sabemos dar a elas um tamanho.&lt;br /&gt;Eu lembro, ela tinha olhos verdes, e neles, umas manchas amareladas. Olhar nos olhos dela era quase como dar uma volta na praia. Mas aos 15, 16, anos, tudo que a gente menos quer é a sensação de tranquilidade. Na metade do recreio, ela disse que preferia um outro, que já tinha carro, e me deu às costas, carregando uma lata de refrigerante. E eu, com lágrimas nos olhos, permaneci parado por uns minutos. Jurando que sabia o que era amor, jurando que a amava. Jurando que sabia o que era sentir dor, jurando que estava acabado.&lt;br /&gt;Ainda bem que, alguns de nós humanos, crescem.&lt;br /&gt;Melhor ainda: ainda bem que eu fui um desses.&lt;br /&gt;No primeiro encontro você me perguntou tudo que era possível de alguém querer saber sobre a vida de uma outra pessoa. Meu nome, qual número eu calçava, meu lugar favorito na cidade, minha cidade favorita no mundo, a música que me definiria, as coisas que eu gostaria de ter feito e não fiz. Em contrapartida, você não me contou nada. É claro que, pensando bem, parecia mais um interrogatório do que uma conversa. E, se estivéssemos em um lugar mais vazio eu, com certeza, estaria fantasiando com algemas e uma arma bem aquecida entre suas coxas. E talvez uma cautelosa revista e um tipo mais delicado de tensão.&lt;br /&gt;Não ouso dizer que você era bonita quando posso dizer que você era inexplicável. Pois bonita você podia ser – e era – para qualquer um. Ninguém podia fugir disso, você era bonita, uma beleza meio esteriotipada, mas inesperadamente presenteada por alguns detalhes únicos e, só por inveja, alguém seria capaz de negar isso. Inexplicável era uma coisa que você só podia ser comigo – como é imbecil a inocência envolvida no acreditar amoroso. Pois nisto de “inexplicável” estavam envolvidos seus traços faciais, seu sorriso, seu bumbum entre minhas mãos, seu talento para as artes plásticas, nossas afinidades e, principalmente, todas aquelas coisas sobrenaturais que você despertava dentro e fora de mim.&lt;br /&gt;Quem diria que, em menos de um ano, estaríamos dividindo um apartamento de quatro quartos. Só nós dois e alguns transtornos. Quem diria que seria tão sério a ponto de não nos mudarmos nem para o seu, nem para o meu apartamento, mas sim para o lugar onde eu fui criado.&lt;br /&gt;É que, veja bem, é um sonho e tanto reinventar vidas novas nos mesmos ambientes de vidas anteriores – de mesmas pessoas. Você disse, e eu me ajoelhei no milho, e te preguei junto as estrelas, lá em um tal de céu.&lt;br /&gt;Às vezes nós nos questionamos a respeito dos nossos próprios santos, né? Ou eu nasci com defeito?&lt;br /&gt;Eu tive que me livrar de alguns mimos e de algumas lembranças materiais para que encaixássemos um ao outro, os dois à cama e, principalmente, para que aquele padrão de vida se encaixasse ao que queríamos viver.&lt;br /&gt;Por muitas vezes abri os olhos no meio da noite só para ter a certeza de que você ainda estava lá.&lt;br /&gt;Já quando eu te vi pela primeira vez, eu tive a certeza de que você daria trabalho. Você tinha nos olhos mais do que eles já tinham visto. Com isto, eu não precisei ser nenhum gênio para entender que você ainda iria querer conhecer muita coisa – só não imaginava que não seria eu a te mostrar muitas delas.&lt;br /&gt;Era o primeiro dia de chuva depois de uma seca que durava cento e sete dias. O primeiro momento depois de meses que casacos finalmente veriam o céu depois de tanto tempo de fumaça e bolor. No seu corpo eram claros os reflexos daquelas gotículas caídas do céu. O cabelo castanho-claro escurecido e despenteado. O rímel circulando e descendo pelos olhos. O sorriso aliviado. Finalmente, fez-se chuva. E fez-se dela esperança.&lt;br /&gt;Você falava demais. Rápido demais, alto demais, animada demais. Mas sua excitação descia bem. Dos ouvidos ao estômago.&lt;br /&gt;Algo havia possibilitado meus pulmões de incharem com mais folga.&lt;br /&gt;A tão esperada, e dançada, chuva. Ou tão inesperada você.&lt;br /&gt;O que você está lendo?&lt;br /&gt;Vem sempre por aqui?&lt;br /&gt;Ou está se protegendo da tempestade? Como eu...&lt;br /&gt;Como você...&lt;br /&gt;Como você eu nunca havia visto nenhuma outra.&lt;br /&gt;Reta, se inclinava para mim e me apertava contra a parede.&lt;br /&gt;Mesmo reta, e mesmo sem parede para exercer a força contrária.&lt;br /&gt;Tinha um presença que não sufocava, mas que, também, não tornava a existência dos outros mais fácil.&lt;br /&gt;Deus, como era linda de morrer...&lt;br /&gt;Deus, como eu já quis morrer por você...&lt;br /&gt;Toda vez que me olhava e eu sentia meu coração inflar.&lt;br /&gt;Minhas pernas se afastarem por mais outra inflamação.&lt;br /&gt;Meu corpo todo inflamar.&lt;br /&gt;Toda vez que descíamos a avenida e pescoços só faltavam quebrar pra te assistirem girar em volta do mundo.&lt;br /&gt;Toda vez que, nua, se estirava pela cama.&lt;br /&gt;E se retirava da cama.&lt;br /&gt;E dizia que não mais, nunca mais.&lt;br /&gt;Deus, como eu quase morria...&lt;br /&gt;Somando todo o tempo que gastei te implorando por eternidade, antecipei a chegada dela.&lt;br /&gt;Adeus.&lt;br /&gt;A gente se vê.&lt;br /&gt;Só levou parte das roupas e uns cinco livros.&lt;br /&gt;A gente se vê por aí.&lt;br /&gt;A gente se viu.&lt;br /&gt;Com ou sem vontade.&lt;br /&gt;Se viu.&lt;br /&gt;Reviu.&lt;br /&gt;Reviveu.&lt;br /&gt;Difícil largar de mão.&lt;br /&gt;Trocar os lençóis.&lt;br /&gt;Da cama em que nos deitamos tantas vezes.&lt;br /&gt;Em que deitou-se tantas vezes.&lt;br /&gt;A maioria delas comigo.&lt;br /&gt;Umas três vezes com três outros.&lt;br /&gt;E dizem que o perdão é o que nos torna humano.&lt;br /&gt;Pois eu cheguei até o limite do ser.&lt;br /&gt;E ultrapassei.&lt;br /&gt;Engraçado é que foi você quem desistiu.&lt;br /&gt;Queremos coisas diferentes.&lt;br /&gt;E serviu-se de um copo de whisky.&lt;br /&gt;E serviu para embaralhar minha vida.&lt;br /&gt;Não é você.&lt;br /&gt;Não sou eu.&lt;br /&gt;Não é um outro.&lt;br /&gt;Nem uma outra.&lt;br /&gt;É que as coisas se confundem.&lt;br /&gt;Logo mais se perdem.&lt;br /&gt;Nunca mais se encontram.&lt;br /&gt;Achei que fosse mesmo doer pra sempre.&lt;br /&gt;Agora eu sei que não.&lt;br /&gt;Mas, ainda assim, continua doendo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-7956336964119368443?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/7956336964119368443/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=7956336964119368443&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/7956336964119368443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/7956336964119368443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/10/quase-infinito.html' title='Quase Infinito.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-1736392124005878410</id><published>2011-09-28T22:14:00.002-03:00</published><updated>2011-09-28T22:59:10.993-03:00</updated><title type='text'>Mesclado.</title><content type='html'>Teus olhos atravessam oceanos. Transatlânticos. Transam comigo. Num transe tão secreto que sequer deixamos que perceba. Trançam comigo. Uns tais traços que contornam o teu rosto. Bem melhor do que fariam as pontas de meus dedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus dedos circulam tua falta de círculos. Das figuras, a menor. Das belas e esferas, um triângulo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estrangulando vou. Estragando. Estranhando. Tuas entranhas pressionadas contra meus ossos. E vice-versa. Meu corpo todo arisco. Desta vez, eu arrisco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu te vejo como são vistos os anjos. Nuances. Embriagada lucidez. Se eu te ligar na madrugada, finja não saber que é amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é amor? Diga que enlouqueci. Deixe que toque, hora ou outra, desisto. Embora eu nunca tenha, verdadeiramente, te tocado - fisico-intelectual-acidental-mente. Embora meu desejo se satisfaça em saber, ao menos, que me saiba. Saiba que estou ali, do outro lado da linha, do outro lado da rua, espiando pela janela. Sendo tanto míope quanto corajoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se teus olhos falassem, eles voariam - ainda não satisfeitos. Ainda não te satisfazendo, te encontro em todas as dimensões. Uma canção, um sonho, um sorriso. Tanto desconcerto que parece até certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece até que seremos sempre assim.&lt;br /&gt;Oras, parece até que seremos para sempre.&lt;br /&gt;Às vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda-feira, eu te avistei. Eu te avistei apontando na vista mais bela que há - toda aquela que possa ser alcançada pelos olhos. Eu te avisei. Eu te avisei que não seria brincadeira e Deus quis que não escutasse. Atravessou o viaduto, parou no sinaleiro, atravessou a avenida principal, o poste, o muro. Atravessou para um outro lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais te vi. Entrando, já no fim da tarde, pela porta de vidro espelhado. Olhando para os próprios pés. O mundo sem saber se era narcisismo ou medo. O mundo, mas qual deles? Eu te esperava ali todos os dias. Eu te esperaria, ainda, ali todos os dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se um dia eu não estiver mais aqui? Serão as rosas ainda flores? Serão os céus ainda azuis? E irá amanhecer, ainda, por todos os dias? Se um dia eu não estiver aqui, alguma coisa muda? Ou tudo continuará a falar? Eu continuarei escutando? Ou, para mim, diminuirão o volume?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas teu corpo ficava tão mais nítido coberto por lençóis brancos. Tão mais saliente quando deitados no escuro. Tão mais. Tão mais meu. Mais seu. Mais nosso. Mas não mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teu corpo não ficava bem encaixotado. Empacotado. Embalado.&lt;br /&gt;Para viagem?&lt;br /&gt;Parem a viagem. Não pode ser assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assobia, que é para ver se a dor vai embora...&lt;br /&gt;Assobia, que é para ver se a dor vale à pena...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-1736392124005878410?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/1736392124005878410/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=1736392124005878410&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/1736392124005878410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/1736392124005878410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/09/mesclado.html' title='Mesclado.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-7004790138950855017</id><published>2011-09-26T15:51:00.001-03:00</published><updated>2011-09-26T15:51:39.780-03:00</updated><title type='text'>Tango.</title><content type='html'>O clube faria cinquenta anos, desde sua inauguração, no próximo dia vinte e dois do mês que estava por vir. Há cinquenta anos encontrava-se naquela mesma esquina, sendo uma construção de madeira,de portas e janelas, desde aquele primeiro dia, amarelas, contrastando com a pintura externa vermelha. Durante os cinquenta anos, seu tamanho havia multiplicado aproximadamente  três vezes e meio. Dando espaço  para outros dois palcos, de capacidade menor do que o primeiro – e principal. E para uma sala reservada – nesta, havia também um palco que mal poderia ser chamado de palco por consistir, basicamente, em uma mesa de pernas serradas. O primeiro proprietário havia falecido quando seriam acesas trinta velas de aniversário do clube. Deixando o local para ser dividido entre milhares de brigas e seus dois filhos. Dois filhos de duas mulheres diferentes, o que trazia complicações ainda maiores na partilha de bens. Entre tapas e, apenas, tapas, o clube se manteve. “El Beso Tango”, uma placa feita à mão, numa esquina pouco movimentada do colorido Caminito. Com os anos alongou-se por quase todo o perímetro da rua. Tornando-se, claramente, o único motivo para que alguém acabasse parando por lá. Cinquenta anos antes de estarmos falando do vigésimo primeiro dia do mês que estaria por vir, o clube inaugurava com setenta cadeiras no primeiro salão, que estavam divididas em treze mesas. No palco principal, um promissor casal tremia em seus primeiros passos frente a um público maior do que o próprio espelho. Promissores, como casal, e como artistas. Dançarinos.  Bailarinos. Flutuavam com nuvens sob os pés.  Sem ser necessário o uso do ritmo para haver uma explicação, os dois se encontrariam ainda que não contornassem seus corpos. Os dois se encontraram e permaneceriam encontrando-se assim nos dias e anos seguintes. Além do gosto pela dança, os dois sentiam-se tentados por adoçar o café com doce de leite, por adoçar os dias com música, por adoçar as músicas com beijos. Se for preciso descrever o amor, melhor ficar calado para que ele não me escape. Percorrendo quarenta e cinco anos, dançaram todos os dias de mãos dadas, sem serem desgrudadas nem com a brutalidade das revoltas e recessões. Nos últimos cinco, destes quarenta, ela foi definhando até ficar apenas como a melodia da primeira música que dançaram juntos. O câncer e a dureza de mater o brilho num mundo em que tudo morre, se esvai. Embora tivessem prometido regressarem os dois para o mesmo berço, ele ficou a dançar com o vento. Já de cabelos muito mais do que grisalhos, foi perdendo um pouco do gosto pelas luzes do palco, e com a rigidez dos joelhos, foi deslocado para a cozinha. Lá ainda dava para escutar o piano, mesmo quando o barulho dos pratos causava humilhação e resmungos. O argumento era o de que havia um limite de idade para ser útil, e um dos irmãos defendia que o velhinho estivera ali desde o começo, então merecia algum resquício de misericórdia. E o outro dos irmãos atacava dizendo que velhos não servem para nada, não viu que ele quebrou mais dois pratos? Como se pratos valessem mais do que qualquer esperança. Era a lembrança dela saindo apressada do camarim que o mantinha ali. A lembrança dela sentada na bancada da cozinha fofocando e sendo enxotada por acender um cigarro. A lembrança dela rindo de um lado para o outro três minutos antes das portas abrirem. O clube faria cinquenta anos, desde sua inauguração, no próximo dia vinte e dois do mês que estava por vir. E a tradição, aparentemente, pedia por novidades. E o velhinho precisa ir embora, dizia com um talão de cheques na mão. E ele precisou ir. Olhando para trás, as janelas amarelas muito maiores em tamanho e quantidade. A rua muito melhor iluminada. A placa feita à mão intimidada pelo letreiro em neon. A figura dela apoiada ao poste, fumando um cigarro, com uma rosa no cabelo ainda preto. Ele precisou voltar para a casa de dois quartos que tinha o mesmo cheiro desde que, os dois, compraram juntos há quarenta anos atrás. Sentada à mesa, a lembrança dela. Junto à chaleira, a lembrança dela. Debruçada sobre a cama, apoiada na pia. Em todas as paredes, a lembrança dela. Duas vassouras de madeira e palha. A saudade dela. O compasso binário do tango. A lembrança dela. Binário remetendo a dois. A saudade dela. Duas vassouras bem podem acompanhar dois pés. Foi dançando com a ausência dela. Foi sobrevivendo na ausência dela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-7004790138950855017?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/7004790138950855017/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=7004790138950855017&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/7004790138950855017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/7004790138950855017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/09/tango.html' title='Tango.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-6758491154734105003</id><published>2011-09-22T11:33:00.001-03:00</published><updated>2011-09-22T11:43:23.904-03:00</updated><title type='text'>Santa Coragem.</title><content type='html'>Já era tarde quanto vi girar a maçaneta, e abrir, silenciosamente, a porta. Teu cheiro veio antes da própria presença. Já era tarde quando abriu a porta e quebrou-me as pernas. Penso que seja possível a existência de um pacto. Um cruzamento de dados que seleciona algumas pessoas e as predispõem a isso, a estarem ligadas. Ainda que, por alguns momentos, pareça não haver nada para mantê-las assim. Nenhuma música, nenhum poeta, nada em comum. Nenhum hábito ou vício. É possível que exista este pacto e ele se torne perceptível à partir do segundo em que estas pessoas predestinadas – uma a outra – se encontram. Um estalo inaudível, no lado escuro da mente. Inaudível, mas também inegável. Que mexe e remexe tudo que acontece do lado de dentro – e, assim, as consequências. Já era tarde, porque nenhum de nós dois esperava. Dentro, tão dentro, de maneira a tornar-se inevitável – pela distância torná-lo inalcançável. Aconteceu. A cor dos olhares mudou. Dos nossos, quando direcionados apenas para nós. Para outros, o mundo permaneceu o mesmo. Girando, e girando. Sem pausas, sem fim. Todas as pessoas que quis, acabei amando. Assim meio amor atropelado pela pressa. Mas nem por isso menos amor. Nem por isso menos verdadeiro. Mas eis que existiu você. Naquele momento, em minha vida, em meu coração. E foi existindo, como se nascesse de novo a cada dia, como se aumentasse a cada vez que o ponteiro se deslocava. Fui amando amores sendo completamente seu. Sem poder, nem querer, fugir. Sem precisar escapar. Sem amarrras, era mesmo todo seu. E por partes – de tempo ou de corpo – de alguns outros. Amores tortos. E eu sentia tua falta sem nem saber tua textura. E, saiba que, eu pensava em ti sem nem saber quem eras. Além dos olhos, por detrás do sorriso - que não separava o teu envelhecimento da infância. Sorriso que percorria meus dias. Como um medalhão, numa corrente, escondido pela camisa. Uma fé que se tem, mas que se esconde. Um algo além, no qual se acredita. É preciso, sempre, acreditar. O gosto que atravessava teu nome. A tua marca favorita de perfume. A gente só se sabia como dois seres pertencentes a um mesmo mundo. Num mesmo centro urbano. Um mesmo caminho pelas manhãs. Duas presenças reservadas a presenciarem-se assim. Num desconcerto mesclado com timidez e encanto. Um estalo que se reconhece, mas não se compreende. Sem que pedíssemos fizeram-nos assim. E de alguma forma negamos. Fui livrando-me das tentações, mas era sempre a cor de nossos olhares que assentava meu corpo na cama. Independendo do corpo que punha-se a deitar comigo.  Eu estava sempre a te trair, mas nunca estive contigo. Teu corpo colado ao meu era só saudade. Lembrança de um tempo que nunca existiu. Vontade de deixar claro que nos reconheceríamos até mesmo no escuro. Já era tarde quando eu quis desafiar o mundo para chegar até o seu – bem quando percebi que era nele que eu pertencia. Não fui, por muito tempo, letrado nisto de significado das coisas. De retirar camadas até enxergar o epicentro dos fenômenos – entende-se “sensações”. Com o tempo foi tornando-se cada vez mais difícil deslocar meu pensamento do pensar-em-ti. Viver-em-ti. Remoer-me-em-ti. Desejar-me-em-ti. E percebi que todo o resto, era só o resto. E que, agora, só me faltaria a coragem de te contar tudo isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-6758491154734105003?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/6758491154734105003/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=6758491154734105003&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/6758491154734105003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/6758491154734105003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/09/santa-coragem.html' title='Santa Coragem.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-8841963560377606517</id><published>2011-09-01T12:55:00.004-03:00</published><updated>2011-09-01T14:04:39.720-03:00</updated><title type='text'>Céu Estrelado.</title><content type='html'>Sexta-feira, beirando o nascer-do-sol, quando enfileirou os livros no comprimento do corredor, deitou-se no piso frio da cozinha, apontou o nariz para o céu e disse: faz tempo que não olho para o teto. Depois reclamou das marcas de bolor, e cantarolou com experiência uma das mais antigas de Bethânia - era uma mesma música que cantarolava sempre ao sentir-se encarceirada ou doída. Faz tempo que não olho para o alto, e tentou puxar-me pelos pêlos da perna, como se esperasse que, com aquele sutil toque, eu me abaixasse para escutá-la mais de perto. Não pude não estar inquieto. Nem pude deixar de passar claramente isto a ela. De um lado para o outro, a sola arrastando no chão. Um barulho repetitivo, sem pausas. Dava a mesma agonia de unhas indo e voltando na lousa. De repente senti-me tal como o moleque de treze anos que fui e precisei deixar para trás. De repente senti-me degradado pelos tempos que atravessam as fibras, dermes, virtudes, e logo mais passam. De repente senti-me acuado, como se aqueles treze anos e a lembrança deles fossem responsáveis por um tremor nos dedos na hora de apertar o gatilho. Sem palavras, ela estava a dizer-me que iria embora. Sem ouví-las, aquelas palavras foram perturbando quaisquer resquícios de sanidade. O jardim era florido, até transformar-se em deserto. Das formosas pétalas de rosa, até o ensanguentado cactus. Pouparia-me do drama, mas nunca de suas analogias e metáforas. Descarrilhou, ponteiros pararam de girar, os passarinhos têm que voar...entende? Os cachos dela espremidos entre sua cabeça e o cheiro de lavanda do produto para o piso. O filtro dos sonhos na porta da cozinha, balançando com a previsão de chuva, e eu lembrando de quando ela voltava da rua carregando uma sacola em cada dedo, trazendo um incenso para cada sentimento, uma cor para cada som, dizendo que essa parada de signos é séria mesma, o rapaz das velas me explicou. Um par de olhos desejosos de enxergar todo o mundo de uma vez só. Ou pedaço por pedaço apenas exigindo muita concentração e calma. Mas ver e absorver tudo. Sentir de tudo. A brisa, as formiguinhas fazendo cócegas nos pés, o cheiro da lama. Sexta-feira, o corredor infestado de títulos e mais títulos, clássicos contemporâneos, marginais, ensaios. Sentado à mesa eu podia ver Schopenhauer, Hagel, um livro-ilustrado sobre flores, outro sobre mapas. Estava tudo desconstruído entre os cômodos. Todas as fases dela. De quando quis ser confeiteira, folheando o caderno de receitas da falecida avó. De quando começou o curso de Filosofia e logo transferiu-se para Arquitetura, estou apaixonada pelo gótico, e me arrastou por inúmeras bibliotecas. Estava ali toda ela. Umas fileiras sobre outras, dando mais de um de mim de altura. Ventou forte e poucos resistiram naquela formação que mal pude compreender a lógica. Assim como era. Inesperadamente formada, vezes frágil e facilmente abatida. Ainda assim nunca perdia o mistério ou o encanto. Nunca deixarei-te sozinho, nunca sinta-se assim, se acaso eu estiver ou parecer longe, fora da cidade, sem celular, e à sua volta as coisas parecerem sufocantes, é só pressionar seus joelhos contra o peito, de alguma forma você saberá que eu estive ali, e ali ficarei para sempre, um ventinho frio, calmo. Abusava das doses de sobriedade, ternura. Não que não sobrasse-lhe tempo para convulsões existenciais. Tinham uma frequência quase que semanal. Remexia-se pelo escritório. Fechando e abrindo as janelas sem nunca saber se seria calor ou frio. Ou nada. A paz pertencia-lhe, e mesmo assim, incomodava-lhe. Naquela Sexta, fui dormir, depois de achar ter escalado e vencido todos os morros em volta dela. Com calma, abri caminho entre os livros, sem saber que, ao amanhecer, não estariam mais lá. E que, em seu lugar, estaria um pequenino envelope:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que tuas estrelas nunca se desgrudem do céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais a vi.&lt;br /&gt;Se não nos sonhos.&lt;br /&gt;É lá que eles moram, não é mesmo?&lt;br /&gt;No céu...&lt;br /&gt;Entre as estrelas então.&lt;br /&gt;Foi onde a vi.&lt;br /&gt;Nunca desgrudei-a de mim.&lt;br /&gt;Como foi-me pedido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-8841963560377606517?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/8841963560377606517/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=8841963560377606517&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/8841963560377606517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/8841963560377606517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/09/ceu-estrelado.html' title='Céu Estrelado.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-1298936013362094678</id><published>2011-08-12T21:24:00.004-03:00</published><updated>2011-08-12T23:05:09.513-03:00</updated><title type='text'>Ao Gosto.</title><content type='html'>Na agonia de não fazer nada, de deixar que a ferida seque, que o sangue seque depois de escorrer e escorrer do couro cabeludo até a ponta dos pés. De deixar que o tempo me limpe. Ou te limpe. Ou nos limpe. Para parecermos, se não santos, ao menos, mais puros. Menos amargurados, azedos, cruéis. Para fingirmos que não fomos medíocres o bastante para depositarmos nossa fé e nossa força em algo que não tem pé, nem cabeça, nem muito menos final feliz. Dá raiva. Saber que é tudo assim. Que tudo sempre acaba assim. Que ela segurou minha mão, depois de segurar a sua, antes dele segurar a dela e, ao mesmo tempo, a minha, e que todos ficamos girando, pulando, numa ciranda sem fim. Onde tudo vai e volta. Ou então se disfarça e depois aparece com outro nome. Estava tão seco que as lágrimas secaram antes de saírem dos olhos. E era tudo dourado. Às vezes parecia estar pegando fogo. Depois era branco. Depois era prata. Depois era cinza. E não haviam mais águas nos lagos. Era quando as pálpebras se deitavam independentes do resto. Abri uma garrafa de vinho, sentei-me na sala, as costas bem apoiadas na parede. O piso estava bem frio para dias de Agosto. Gole por gole eu fui reconstruir meu passado - acreditando ser possível não deixar passar nenhum cílio ao rememorar anos e anos. Primeiro o êxtase, depois a decepção. Decepção no sentido de saber que as coisas sempre percorrem a mesma linha. Só mudam as pedras. Que pedras? Foda-se, uma forma de demarcar do caminho. Entrelaçando forte os dedos e dizendo: por lá voltaremos. E não voltamos mais. Só afirmamos a consciência do retorno para dar segurança de que, se algo, qualquer coisa, der errado, saberemos por onde voltar para fazer tudo certo de novo. A gente se esquece dessa possibilidade de segunda terceira quarta quinta infinitas chances. É como sair para um mergulho. Ir conhecer as cachoeiras. Estrada de terra no calor de Domingo. Tão lindo, tão sol, tão belo, e caímos. Desperdiçamos os anos, estouramos os limites, riscamos os dias. No fim - quando há um - não há mais nada. Não há nada de romântico no amor. O romance está na solidão, e nas maneiras que buscamos para livrar-nos dela. A verdade é que só se é livre quando se torna possível diferenciar as coisas. Amor de solidão. Mágoa de aflição. Tontura de ideologia. Quando eu te conheci pensei que tinha os olhos mais tristes que já tinha visto. Mesmo eles sendo grandes e redondos, era como olhar para um cômodo sem quartos, algo que não quisesse ter nada que pudesse relembrar o passado. É como se carregasse um fardo que, de tão grande, acabasse fazendo o esforço ao contrário. Eram uns anões que te suspendiam e faziam com que você levitasse, para que não estivesse com os pés no chão, mas que para também não ficasse tão longe. Haviam dias em que você acordava parecendo que aceitaria viver tudo de novo, mas essa impressão logo passava. Nunca pude afirmar com certeza se seu nome era realmente seu nome. Se suas palavras foram sentimentos ou somente palavras. Não posso negar, me enlouquecia vê-la sempre desnorteada daquele jeito. Mesmo que eu amasse, sem exceção, cada um dos seus poros. Quando as coisas começavam a parecer passado, era quando você ia escapando pelas beiradas. Um jogador que simula um desmaio para sair, sem aparente culpa, do campo. Não escutei fechar a porta. Houve um momento em que sentei-me na varanda, tirei os sapatos, depois as meias, escostei os pés no chão gelado: esvaziei, como uma bexiga depois de muitas horas exposta à luz. Não importam quantas horas, nem o número de dias. Não me importa se demasiado tarde ou quase cedo. Se viram nas cartas ou se foi só um aperto no peito. Há algo que incomoda, mas que ninguém vê: é a incerteza. Com a certeza de tudo ou não. Carregados de mágoa, malas ou de nada. Nós vamos atravessar Agosto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-1298936013362094678?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/1298936013362094678/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=1298936013362094678&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/1298936013362094678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/1298936013362094678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/08/ao-gosto.html' title='Ao Gosto.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-8690236301141058911</id><published>2011-08-11T14:40:00.002-03:00</published><updated>2011-08-11T14:42:55.011-03:00</updated><title type='text'>Dentro.</title><content type='html'>Não há nada nela, nada para dintinguí-la dos protozoários, dos chipanzés, dos outros seres-humanos, dos porcos. Não há nada nela que me alegre - ou até me entristeça - de forma única. Nada de brilhante, que me faça subir pelas paredes ou implorar por mais um toque. Instintivamente, insisto. Como vivem a dizer que há sempre uma luz no fim do túnel,  procuro e procuro pelos buracos - até então sem saída - dela. Eu me canso. São nesses momentos em que a vejo como um parasita. Um intruso. Não abri a porta, mas entrou, se alojou e vive a tentar tomar conta de mim. Como se poetas pudessem ser domados. Não que eu me considere um, é claro. Seria por demais presunçoso. Mas eu tenho a certeza de que não sou um cavalo, nem um mico. Quero dizer que me rebelo, e não é um ser medíocre de pouco mais de um metro e meio que fará com que eu me finja de morto e lamba seus pés nos fins de tarde. Primeiro que seus dedos são feios, meio tortos, nada simétricos. Suas unhas também não são das mais bens cuidadas, e a verdade é que há um mal cheiro que fica impregnado bem distante. Segundo que talvez seus pés sejam lindos, ou até perfeitos, mas o que eu quero é achar dispariedades, inconsistências, para que eu possa fugir sem deixar um telefone de contato, ou endereço. É que eu cresci achando que todo sentimento deveria ser o maior do mundo. E agora estou frente e frente com uma toalha de mesa florida e contas de água e luz. Não há paixão ou euforia que resista à realidade. É que todo beijo deveria arrancar suspiros e agora durmo abraçado com um corpo que nunca imaginei, ou desejei - sem antes tê-lo. E ainda dizem que existem pessoas que não são cruéis. Mas é que se não fosse a necessidade humana, eu estaria muito bem sem ela. Todos estaríamos muito bem sozinhos. Talvez uma foda ou outra para descarregar um pouco do peso que, hoje, parece ser impossível suportar com um só par de braços. Se eu pudesse ter previsto que a vida, querendo ou não, seria sempre assim tão medíocre, eu não teria alimentado a espera por amores descontrolados e agressivos. E hoje eu aceitaria dormir só com um bicho de pelúcia ou uma garrafa de rum. A gente envelhece e vai percebendo que passou todo o tempo esperando que a vida começasse. Passou todo e tanto tempo que sequer percebeu quando ela começou. Mas isso se dá, também, porque a vida não se difere muito das outras coisas. É um mingau de aveia, sem gosto, nem cor. Uma poça de lama, que não anima, nem reflete. Uma pedrinha tão pequena no chão que ninguém nem tem a vontade de chutar. Não há nada nela que me dê força. Ou que enfraqueça meus joelhos. Nada nela que me faça ir adiante. Ou querer voltar no tempo. Nada nela que me desperte. Ou que me deixe no estado constante de quem, sábio, sonha acordado. Não há nada meu nela. Mas não consigo, também, tirá-la de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-8690236301141058911?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/8690236301141058911/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=8690236301141058911&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/8690236301141058911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/8690236301141058911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/08/dentro.html' title='Dentro.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-2391417151329941053</id><published>2011-08-03T23:24:00.002-03:00</published><updated>2011-08-04T00:08:18.532-03:00</updated><title type='text'>Dor É Isso.</title><content type='html'>Tudo estava na forma como ela me segurava. Não na forma como ela me segurava ao mundo – disso ela sequer sabia. Desinteressada em ter-me sempre por perto, ou em ter-me, simplesmente. Tudo estava na forma como ela sorria. Pela boca, e pelos olhos, sorria de corpo inteiro. A forma como me segurava, bem, refiro-me às suas mãos – com palmas estranhamente vermelhas, apesar do resto do corpo pecaminosamente moreno -, e aos seus dedos. Como eles se espremiam contra mim, e traziam-na para perto, com suas unhas pequeninas e descascadas de esmalte preto. A forma como dirigia, sem nem olhar para frente ou para os lados, com os vidros todos abertos, os limites de velocidade ignorados, o som no volume máximo. Gostava de fado, e enquanto escutava, tentava emitir os mesmos sons das palavras cantadas, e enquanto tentava me escutar, e prestar atenção, ria. Como ria...ria tão fácil. Se eu já não fosse feliz, ela poderia ter me transformado. Para atingir a doçura das coisas pequenas, e simples. Se eu, em um maço de folhas, fosse escrever minhas memórias, com certeza a colocaria entre elas. Um número não muito grande de páginas. Mas seriam todas lilás, com uma macieira vistosa no canto superior, e  maçãs caídas entre as palavras, e raízes atravessando as folhas. Se fui invadido? Deus queira nunca mais reabrir meus poros. Pelo medo de que o cheiro dela me escape. Uma vez, eu de pé lavando a louça, ela surgiu para trás e se apertou tanto contra mim que senti sair meu estômago. Murmurrou algo que não quis repetir. Interpretei como um daqueles momento em quê o que se quer dizer é algo tão denso, tão grande, que  acabamos perdendo o sentido. Um impulso. Você vê? Você entende? Algo ali me disse que era amor, ou caminhava para isso. Que não levaríamos muito tempo até deitarmos nossos temores um no outro – amor é tratamento para o medo e, ao mesmo tempo, agravante. Tínhamos uma ligação muito particular. Muito nossa. Ela só me procurava quando me queria, precisava. Eu só a procurava o tempo todo, todo dia. Mesmo não acreditando em nada disso, eu fingia que sim, para ver se a convencia do mesmo. Entrega? Isso é bem coisa de idiotas. E ela ria mesmo depois de dizer coisas como essa. Ignorava minha esperança naquilo. Dizia que sim, acreditava no amor, mas como algo pleno, que nunca pode ser encarceirado ou domado, algo independente que só funciona flutuando numa outra esfera qualquer. Depois de um tempo eu comecei a achar que ela usava demais das drogas todas. Aliás, ela gostava de tomar até o último gole, nunca deixar nem um grão, de puxar todos os fios. Era engraçada a forma como eu a cercava de todos os lados e ela, às vezes, ria, às vezes, fugia. Uma vez sumiu por quase um mês. Ela sabia como me segurar só apontando o dedo para o céu. Dentre as coisas mais gostosas, estavam as marcas de batom que ficavam no meu pescoço toda vez que nos encontrávamos. Os recadinhos que ela escondia pela minha casa. Os discos que saíamos para comprar juntos – geralmente nas Quartas, no fim de tarde, quando acontecia uma apresentação de blues no centro da cidade. E a mania de encaixar um café a todos os nossos encontros. Precisava ser quentinho. Café de garrafa. Senão não valia. Teve uma vez de sairmos correndo pela chuva atrás de algum lugar que satisfizesse esse nosso capricho. Chovia tanto que a água subiu até os joelhos. Lembro de pegá-la à força e colocá-la nas costas, não parou de se debater por um minuto, até que eu a soltasse. Reclamava tanto do couro molhado do estúpido sapato novo, que eu decidi pelo extremismo. Era tudo muito estúpido, para ser sincero, inclusive, ainda guardar estas lembranças, também é algo assim. Acho que as coisas se vão para ensinar um pouco mais sobre a saudade. A nostalgia. O passar dos anos. A saudade é a moeda que dita o valor de cada uma das coisas na vida de alguém. A importância. Tem até saudade de algo presente. Às vezes a gente está entre as pernas de uma pessoa e tudo que a gente mais deseja é estar entre os braços de uma outra. A gente sente falta de um amor, mesmo o tendo encontrado de novo. É que as formas mudam e muita coisa encontra dificuldade em se adaptar. Tudo está na forma como nos conformamos com as coisas. Sei lá, tudo estava na forma como ela se desprendia de todas as outras coisas que eu já havia visto no mundo. Uma pinta sobre os lábios, o rosto formando risquinhos toda vez que ela sorria – e cada um daqueles mil risquinhos sendo um único -, o esmalte preto descascado, os sapatos novos nos pés pequenos, uma mão no volante e a outra para fora da janela. Tudo estava na forma como ela dava graça a tudo. Se eu tivesse que reescrever nossa história – apesar de odiar essa expressão, “nossa história” para uma história que, no final, será igual a de todo mundo -, eu a pontuaria da mesma forma. Cheia de exclamações, apressada, sem vírgulas, como se tudo precisasse ser dito em um fôlego só. Quando ela pulava de cabeça na piscina à noite, e meu coração apertava com o medo de que errasse na força ou pegasse muito frio. Quando, pensando nela, meu peito ainda dói e as mãos ainda suam. Quando, relembrando das coisas, eu sei que nada foi ruim, mas que foi tudo necessário. Quando ela beijava meus lábios e tinha gosto de outros. Quando eu beijei outros lábios e não eram mais os dela. Quando eu soube que arriscaria tudo. Hoje eu sei que arriscaria de novo. Tudo está na forma como ela me empurrou para o mundo. Tirou a rodinha e me obrigou a descer a ladeira sozinho. Na forma como não durou, mas pareceu eterno. Tudo está na forma como ela sequer imagina. E, sem imaginar, liga às duas da madrugada pensando que está tudo bem me amar um pouco para me lembrar de como era me sentir assim. Tudo está na forma como ela não liga para nada, mas, mesmo assim, ainda tem gravado o meu número.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-2391417151329941053?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/2391417151329941053/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=2391417151329941053&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/2391417151329941053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/2391417151329941053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/08/dor-e-isso.html' title='Dor É Isso.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-889791514190607744</id><published>2011-08-01T12:16:00.005-03:00</published><updated>2011-08-01T17:19:50.851-03:00</updated><title type='text'>123.</title><content type='html'>Atravessou a sala de estar, empurrou a porta com o dedão do pé direito e depois foi passando a mão pela mesa que ocupa quase o próximo cômodo inteiro, mesmo que ninguém saiba o que ainda faz lá. É uma mesa gigante, sem motivos para sê-la. Não é sala de jantar, nem de jogos. É mais ignorada do qualquer outra qualidade. Nem feia, nem bonita. Empoeirada, talvez. Talvez meio que com certeza. E ao passar de um cômodo para o outro, e ao passar os finos dedos pelo verniz envelhecido, um desenho fica ali formado. E permanecerá sendo aquele mesmo desenho por dias à fio. Uns riscos tão impressionantes de deixar qualquer Van Gogh espirrando por horas. Enfim, ainda que lentamente, em um minuto já estava entrando no quarto. Bem, eu estava sentado na ponta da cama, amarrando meus cadarços, quando ela veio por trás, puxando-me pela gola da camisa até inclinar-se sobre mim - vindo de trás para frente, como uma onda a afogar-me de surpresa. Minha respiração realmente retardou quando meu nariz foi apertado entre seus seios. Ainda acredito quando dizem que o destino é responsável por tudo, embora, às vezes, ele pareça ridiculamente previsível - e por isso imponente, contornável. Se antes eu não soubesse de nada, ali eu já saberia de tudo. Seus ombros sempre foram mais largos do que qualquer outra parte de seu corpo. Funcionavam meio como uma característica a ser, instintivamente, encarada como um alerta. Melhor, um aviso. De que haviam forças mesmo abaixo de camadas tão finas de carne. Fosse frio ou fosse calor, seus pêlos sempre se eriçavam, como antenas que captassem todo e qualquer movimento no mundo. O que eu sei é que os ombros foram herdados geneticamente. Mas nada disso importa por hora. Após ter me engolido como um onda, ficou a olhar-me de cabeça para baixo, com seus cabelos negros fazendo cócegas em minhas coxas. Por um tempo, eu não pude fazer nada além de observá-la naquela intenção de, talvez, alimentar-se de mim. Eu estava sendo englobado por sua pele quente. Disfarçadamente, ri da estranha sensação de estar sendo fagocitado. É assim que o amor se apresenta quando despido de etiquetas e bons costumes? Uma cadeia alimentar na qual, como as outras, apenas os fortes sobrevivem? De qualquer forma, é bom saber que a vida é, imutavelmente, desenhada em círculos. Eu a havia conhecido há dois ou três meses. Desde o primeiro instante nada fora além de uma boa foda. Não boa. Digo, boa sim. Mas mais que isso, havia um encaixe. Não desses que se compra em alguma esquina. Enfim, o que mais importa, é que o importante nunca parece suficiente posto em palavras. Foi a primeira vez em que ela me olhou e eu pude dizer que não era do meu desejo aqueles olhos olhando para outros que não os meus. Eu pude, mas não disse. Do quê adiantam as palavras quando não existem cotonetes longos o suficiente para limpar os sentimentos emaranhados bem no fundo? Eu não disse, mesmo assim, ela esperou. Ela soube, adivinhou. É como se não houvesse mais tempo. E o vento atravessa os pequenos furos da cortina. Os mesmos olhos nunca terão a mesma cor do primeiro instante. Os lábios não terão o mesmo gosto do primeiro toque. É mais fácil esquecer do que se render. Há dois ou três meses ela sentava-se sobre meu colo e eu só conseguia pensar em como ela ficava melhor de short do que de calças. Pela primeira vez eu consegui reparar em como seus lábios ficavam mais vermelhos e vivos ao serem pressionados por meus dedos. Continuou a me olhar. Foi se ajeitando como se nós dois juntos fôssemos formar um caracol. Eu sendo a casca dela. A concha na qual encontraria abrigo. Bastam as comparações quando, enfim, percebe-se que não há nada a ser comparado com um destes momentos. Agora, com a cabeça repousando em meu colo, suas mãos esquentando as minhas. Agora, sentindo-me submerso. Mais do que sete palmos abaixo da terra. Ao mesmo tempo, voando por dimensões até então desconhecidas. Existem todas as oposições do amor, que sentam-no ao balanço e o levam pra lá, e o trazem pra cá. Na dura repetição de achar que é único, depois achar que é igual a todos, de achar que é eterno, e depois descobrir que eternidade é a primeira coisa que vai embora, e que depois volta para recolher as ervas-daninhas e principalmente os frutos. O que importa é que há um momento - com sorte, vários deles - em que tudo parece valer à pena. Jogar tudo pela janela, dar descarga, colocar tudo numa mochila e ir vender picolé na praia. Há um momento que valerá mais do que todos os outros. Um no qual respira-se só, mas inspira-se em tudo. Ela sorriu puxando minha nuca com suas mãos úmidas de nervoso - sempre suava quando percebia que o buraco era mais fundo do que nossos olhos podiam ver. E foi assim que seguiu invadindo cada fibra, foi penetrando cada poro. Houve, para mim, esta forma de me render achando estar fugindo de tudo - principalmente disso. Saiu do quarto. Mais uma vez, passou a ponta dos dedos pela mesa, aumentando a dimensão do desenho. Entrou para a sala de estar, onde sua sombra se perdeu pela pouca luz do cômodo. Escutei-a puxando uma cadeira. Logo depois, acendendo um cigarro. Da cozinha veio o barulho da chaleira. Alguma coisa abraçou-me de longe. Desamarrei os cadarços. Mesmo que o para sempre acabe, deixe que ele, ao menos, comece.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-889791514190607744?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/889791514190607744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=889791514190607744&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/889791514190607744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/889791514190607744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/08/123.html' title='123.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-2386521670618727759</id><published>2011-07-21T17:06:00.004-03:00</published><updated>2011-07-21T18:26:08.701-03:00</updated><title type='text'>Não é Amor.</title><content type='html'>Não é amor. É uma espécie de prisão. Mas eu fui vivendo com a precisão de quem não precisa de nada. Que espera mesmo é que tudo se foda. Tanto faz, meu bem, tanto faz. As janelas do carro todas abertas, 60km/h a mais do limite da via. Caetano me dizendo o que queria querer sem ter fim. Através do céu nublado, dias de sol. Para, sem que percebesse, ter o horizonte limitado por uma janela gradeada 15x30 centímetros. Não é amor. É 500 reais a menos, por mês, para pagar as consultas com o psiquiatra. Mais 300 reais de mensagens que nunca seriam enviadas pelo seu polegar, mas que acabaram deslizando através do álcool. É uma falência. Inclusive, a geral, de órgãos. Claro, é negociável. Com um bom diálogo, é possível libertar-se deixando o cachorro, mas levando umas mudas de roupas - logo depois de terem sido atiradas pela janela do apartamento, diretamente ao asfalto. Estando sob condicional, com janelas mais favorecidas e banheiros mais asseados, ainda assim, sentir-se aprisionado. Apesar da distância, as correntes que partem do tornozelo até aquele sorriso que deveria estar esquecido, mas...mas para Quinta-Feira ficou resolvido que iria com os amigos conhecer aquele novo bar. Mesmo sendo as mesmas bebidas. E pior, as mesmas pessoas. E todo mundo sabe. Mas já está tudo esquecido, deleitei-me em um corpo diferente, com um gosto diferente, a saliva escorrendo, doeu um pouco. Deletei-a. Mas tá tudo bem. Não está? De repente é Quinta-Feira, e a corrente chega se embola, pela distância, subitamente, se tornar tão menor. E para aumentar o incômodo, parece que sobe direto até o pescoço e se enrola até não ter como ser mais sufocante. A acidez de tentar esquecer. O estômago sobe até a garganta, o cigarro vira oxigênio, a gastrite se torna úlcera, o porre se torna coma. Dois carros em alta velocidade e no dia seguinte é Sexta e ninguém lembra de nada. Porque nos fins de semana o que deve ser feito é esquecer, caso não se tenha conseguido antes. Conquistado, digo. A própria liberdade, retirá-la das mãos de quem um dia você quis tão bem. E por uma série de acidentes e momentos e discussões, só quer bem longe. Ao se ver tomado por raiva. Uma raiva tão grande que poderia explodir de um lado e acabar com o mundo todo. As faces da terra. É bem possível que passem milhares de pessoa por dia ao lado de cada um de nós. Mas só uma face fica ali pregada entre a retina e o coração. Lá vem a sabedoria chinesa dizer que são muitos amores em uma vida. Mas ninguém sabe explicar o porquê de ser sempre aquela pessoa, a primeira a aparecer na cabeça quando pensamos que iremos morrer no dia seguinte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-2386521670618727759?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/2386521670618727759/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=2386521670618727759&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/2386521670618727759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/2386521670618727759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/07/nao-e-amor.html' title='Não é Amor.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-2188551934083689815</id><published>2011-07-13T00:03:00.001-03:00</published><updated>2011-07-13T00:03:37.243-03:00</updated><title type='text'>Encaixe.</title><content type='html'>Num dia a gente acorda e não está mais lá. Tudo sumiu. Escapou pelas pontas amassadas do lençol. A gente acorda e não reconhece aquela coisa que antes era tão viva e inigualável. Um balão que dá cor e voa e voa e de repente murcha, diminui, some. Um dia a gente acorda e vai dormir pensando que seria melhor ter permanecido na cama. As noites parecem ter o poder de cura. Ao mesmo tempo que também são guardiãs de insuportáveis agonias. É só dormir que a dor de cabeça sara, que o mal estar passa. É só dormir e acordar para um dia novo. E, quem sabe, um mundo novo. Olhar para o lado e notar que tudo passa. Tudo passará. De forma simples. Sem avisos. Indolor. Foi assim que te arranquei, que você escapou, que saiu correndo sem que ninguém visse. Na mudança da data de um calendário. Foi como fechar os olhos na intenção de diminuir uma tontura. Como passam as horas, como chegam os problemas, como gira o mundo e ninguém vê. Sem precedências. Um dia amanhecemos, mas não estávamos mais lá. Eu te apalpei o corpo e beijei a testa, por uma questão de poucas horas e sonhos, já não estávamos mais lá. Assim segue a tragédia. Que se dá até este momento em que resolvo redigí-la na mundana intenção de entendê-la. De digerí-la, para melhor dizer. Meu estômago nunca foi dos melhores, mas as ânsias se tornam cada vez mais frequentes. Repulsa. Negação. Acontece quando saímos do conforto de nossos umbigos e entendemos de quantas camadas é feita a pele. Ninguém tem a intenção de se perder, suponho. Ao menos, eu não tinha. Se perder no sentido de se distanciar tanto do que se é, ao ponto de se esconder no que são os outros. No que eles deixam de ser. Ninguém é tão sozinho da forma como você é sozinho. E você saiu batendo a porta, errando os degraus, acelerando o carro. A sola da sua sandália era vermelha, eu me lembro. E a lembrança daquela cor fazendo tanto estardalhaço por nada, ficou marcada na memória. Sim, é claro que eu perceberia - e percebi - que tanto barulho nunca seria causado por tão pouco. A procura por respostas é imensamente maior quando se sabe que não as terá. Quando não se sabe nem que perguntas devem ser feitas. Eu não pude olhar em seus olhos para te dizer que eu nunca saberia dizer, que eu não saberia explicar como tudo que estava justamente nos mantendo ali de repente foi embora. Não deixou um bilhete na geladeira, nem nos beijou em despedida. Se foi. E eu só pude te olhar nos olhos para ver se, por acaso, estava escondido lá dentro. Que você vá embora. Depois de engolir seco, eu te disse. Disse depois de você ter me perguntado o que eu queria que você fizesse. Depois de ter perguntado mais e mais vezes. Sem obter resposta. Nunca achei que desconfiaria tanto de uma voz. Sua voz nunca haveria de ser tão irritante. Eu poderia te explodir. Se não fosse seu jeito de manter sempre o mesmo tom de voz. De alisar meu braço mesmo que eu te arranhasse as costas. Talvez, se você tivesse sido mais severa, eu não teria me acomodado tanto. Mas não há culpa. Apesar de, vez ou outra, nos atracarmos ao ponto de não medirmos força, estávamos para o que desse e viesse. Só eu sei como rabisquei trajetos e planejei roteiros. Como ensaiei para sempre emitir as melhores frases. Como me crucifiquei por tanto mentir - mesmo depois de fazermos as pazes. Eu fui dormir ao seu lado, como fazíamos todo o dia. Eu te abraça por trás, e suas pernas encaixavam bem nas dobras da minha. Logo mais, você roubava os cobertores e saía rolando para o outro hemisfério do colchão. Eu te beijei a nuca e puxei, com os lábios, alguns fios de cabelo. Você se irritou, mas logo se virou e me deu um daqueles beijos fáceis de esquecer. No outro dia, acordamos. E não éramos o que tinha se acomodado por lá. Nunca me esqueci daquele beijo. Não foi o último de todos. Mas o último a não ser roubado. Por outras noites, ainda, dormimos daquela forma, como se ainda existisse um perfeito encaixe. Como se sonhássemos naquela esperança de sermos, novamente, encontrados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-2188551934083689815?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/2188551934083689815/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=2188551934083689815&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/2188551934083689815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/2188551934083689815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/07/encaixe.html' title='Encaixe.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-3038218157984968501</id><published>2011-07-06T23:37:00.002-03:00</published><updated>2011-07-07T01:26:20.474-03:00</updated><title type='text'>Dia Seis.</title><content type='html'>O último pensamento antes de cair no sono. Aquele que, às vezes, a gente nem se lembra quando acorda na manhã seguinte. Um flash. Um pensamento-relâmpago. Uma daquelas coisas que te ocorrem do nada e, só depois de muito tempo, você se pergunta de onde é que veio. Um último desejo, um pedido para o dia seguinte. Uma memória doce das últimas vinte quatro horas. Um sorriso que sai sem querer. É assim que eu quero que você seja. No espaço de tempo que o para sempre queira nos dar, eu quero me lembrar de você com a satisfação de uma criança que sabe que possui todos os brinquedos dos quais precisa. A liberdade de quem desabotoa o primeiro botão para desafrouxar a calça e se esticar na cadeira. O gosto de Sábados que apesar de parecerem Domingos, não te obrigam a dormir cedo. Falo de felicidades corriqueiras, molduras que não precisam de grandes detalhes ou ornamentos para arrumarem espaço na parede. Ouvi tanto falar de cavalarias e topos de torres, que esperei por paixões transbordando de agonia e calor, apressadas e insaciáveis. Uma ligação embriagada depois das duas horas da matina me pedindo pela amor de Deus só um olhar através de meu corpo nú para aquietar uma alma que vive aprisonada. Amor, pra mim, tinha que ter o mesmo exagero da arte. Ou até mais. Amor gentil. Está aí um termo que me é novo. Até mesmo amor. A-m-o-r, com quatro letras, mas sem qualquer imensidão. Amor, uma daquelas coisas que se dá para receber em troca. Ou não. Enfim. As palavras talvez saíssem mais intensas se eu dissesse que estava por aí, andando distraído, destroçado, quando, despretenciosamente, te encontrei. E você salvou minha vida. Então, meu Deus, obrigada. Amor quando é amor dispensa os exageros. Pois eu ia muito bem, tomava uma xícara de café a cada duas horas, fumava como se não houvesse amanhã - depois explicarei melhor as fobias -, me arrastava, trocava os dias pelas noites. Se era felicidade? Meu bem, eu não sei. Acho que existem graus. Mas mesmo que existam, nada disso importa. O que eu experimento agora é uma espécie de nirvana alcançável entre os intervalos dos choques de uma cadeira elétrica. Você entende? Você me soca o estômago e minutos, melhor, segundos depois, é responsável pelos passáros viajando por meus ouvidos. Um desnivelado equilíbrio entre minha loucura e a sanidade. Sinto vontade de te chutar até a alma, ao mesmo tempo que quero te esconder do mundo - experimente ter algo tão dito seu num mundo onde se perde tudo, inclusive a vida. Se eu soubesse como te dizer, provavelmente haveria dito antes. Como é reconfortante saber que, acima de tudo, haverá sempre o silêncio. Eu te busco quando quebram as ondas - e olha que por aqui não há sequer mar. Quando mergulho sozinho no meio do oceano - mantenha em segredo a forma como nunca aprendi a nadar apesar de suas pacientes tentativas. Quando eu prendo a respiração por tempo suficiente até desmaiar. Eu te encontro quando me lembro da calma. Quando me sinto só e você aparece para me resgatar. Existem jeitos de ser só sem estar sozinho. Eu vou escrevendo como se houvessem motivos. E mesmo sem encontrá-los, eu não consigo parar. Cansei de pensar em coisas para te falar. Quando se ama, não é preciso dizer nada. Mas na bobagem de ser humano, eu ainda digo. Se eu tivesse que escolher, eu te escolheria mais mil vezes. E se estas vezes acabassem, eu te escolheria outras mil. E daí em diante. Na pressa de encontrar alguém, eu encontrei coisas muito maiores do que isso. O sol já se pôs. Há muitas horas, na verdade. Cheguei correndo em casa na vontade de querer colocar para fora. Colocar para fora o quê? Aquilo que eu quero cada vez mais vivo, cada vez mais dentro. Você ri e acha tudo muito engraçado. Minhas pernas, minhas risadas. Você ri e acha tanta coisa da primeira vez que eu tenho certeza. Eu tinha medo de pensar no futuro. Agora eu tenho pânico. Mas não tenho como evitar. Não faço questão de muitos quartos, nem serei chato com a cor das paredes, só quero que a cama seja a mesma. E sem querer ser exigente, mas será se podemos providenciar um para sempre? Bem fresquinho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Obrigada por me fazer mais feliz do que a própria felicidade.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-3038218157984968501?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/3038218157984968501/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=3038218157984968501&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/3038218157984968501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/3038218157984968501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/07/dia-seis.html' title='Dia Seis.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-6071775781613573736</id><published>2011-07-05T22:21:00.004-03:00</published><updated>2011-07-06T00:07:45.230-03:00</updated><title type='text'>Saints Who Don't Wanna Be Found.</title><content type='html'>Talvez por causa do tempo frio seus lábios tenham ficado fixados à minha mente como duas semi-luas completamente roxas. Talvez seus lábios fossem realmente sempre assim. Não fiquei para esperar uma súbita mudança na temperatura. Acredito que a beleza dos amores está na pressa. Mesmo os inocentes, quero dizer, até eles sabem o que há por detrás da eternidade. Por detrás daquela bela paisagem enquadrada. Do cheiro de camomila. Não há nada. Podemos sim chamar de sonho. Um lapso do inconsciente. Um desejo oculto. Foda-se. Precisamos acreditar, mas sem a certeza do toque: inventamos. Não vou dizer que foi a coisa mais triste da minha vida, nem dramatizar dizendo que me sentirei vazio para sempre. Não arrancou nenhum pedaço. Meu coração não deixou de bombear por nenhum instante. Só me foi reforçada a única verdade irrevogável da vida: estamos todos irreparavelmente sós. Portanto, não há motivos para chorar. Mas alguma coisa monstruosa se alonga pelos quatro cantos do estômago subindo e subindo até apertar os olhos - antes, o coração. O abandono tem o mesmo gosto da bili. E do fel. Às vezes, mais duro do que ser o abandonado, só sendo o último a olhar para trás. Meu punho endureceu, meus dedos se contraíram, e não deixei sequer a brisa de um aceno. Das lembranças, a mais forte foi uma que não chegou a acontecer. Uma imagem sua que eu criei para nunca me esquecer. Uma cortina de voal branca, indo e voltando com o vento, contornando seu corpo nu, debruçado sobre a cama. Sua pele refletindo o sol. O cheiro de mar balançando com a cortina, e fazendo vibrar a ponta do lençol. Seu rosto não aparece nesta lembrança. Está virado contra mim, repousando sobre um travesseiro, também branco. Acho que foi uma forma que arranjei para nunca descobrir a verdadeira cor de seus lábios. O que importa é que, apesar de tantos outros rompimentos - de sonhos e relações -, você está entre os únicos que realmente foram capazes de esticar ou arrebentar alguma coisa. Alguma fibra, mesmo que mínima. Sem você - e outros mais raros ainda -, eu nunca perceberia que é realmente impossível tatear o futuro. A razão nunca me impediu de sonhar, mas ela sempre esteve segurando meus pés. Por três ou quatro auroras, eu quase me deixei acreditar em eternidade. E dizem que as coisas crescem como os seres - de acordo com o tempo. Mas acho que tem coisas que já nascem crescidas. Como o que nasceu em mim por você. Não precisei regar, nem dar de comer, ou levar para tomar sol. Já nasceu pesado demais para segurar entre os braços. Eu abandonei numa cesta, no meio de alguma rua, numa noite fria e, provavelmente chuvosa, como se estivesse deixando uma moeda de cinco centavos cair no chão, e ficar por lá. Vai ver dá sorte para alguém, eu devo ter pensado. Não, eu nem olhei para trás. Quer dizer, olhei, mas tanto tempo já havia passado que nem sua marca ficou no chão. Mesmo os barulhos sendo outros, e novos, eu nunca fui cínico ao ponto de acreditar que nunca teria fim. Eu continuei enxergando. Eu mesmo fechei a porta - quando achei que devia - e boom! não há mais amor aqui. Não deveria haver. Deveria, apenas, restar a silhueta de um carinho, o cheiro de bolo saído do forno, sei lá como chamam...saudade? Falta? Ausência? A lembrança de uma existência tão viril, tão visceral, mas tão terna. Aquele doce que você deseja que sobre um pedaço para mais tarde, mas que, não pouco depois, já não suporta mais seus vestígios lhe secando a garganta? Amar deveria tão estimulante como o açúcar. E, por isso, também tão enjoativo. Traria nosso tempo de volta dizer que você deu mais voltas que o próprio mundo? Não. Nada te traria de volta, nem muito menos traria o tempo. Eu posso me deitar em posição fetal por longos meses, pernoitar por anos, suar frio e gemer sem que ninguém me ouça. Ainda assim, não existem maneiras de regressar ao passado. Nem maneiras de refazer. Mesmo que eu, voltando lá atrás, mantivesse esta consciência que tenho agora - a de que mesmo sabendo do fim nada me dá o direito de trazê-lo à tona. Apesar de que muitos baldes me teriam sido úteis, abrir mão de você não foi o que já me aconteceu de mais triste. E eu sei que mesmo tudo, agora, ainda parecendo insosso, logo eu me curarei de suas reviravoltas. O único vazio que carrego, é o mesmo que me trouxe até aqui, que caminhou comigo até então, que seguirá, firme. Mesmo sem querer a gente se pergunta - ao menos na frequência de todo dia - o quê é que estamos fazendo com nossas vidas. Porra, e alguém lá sabe o que é viver? Só queria te dizer que ainda sinto saudades. Logo, logo, passará. Não me lembrarei com tanta frequência e terei dificuldade ao desenhar todas as suas linhas. E, antes que eu me esqueça, qual é a verdadeira cor dos seus lábios?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-6071775781613573736?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/6071775781613573736/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=6071775781613573736&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/6071775781613573736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/6071775781613573736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/07/saints-who-dont-wanna-be-found.html' title='Saints Who Don&apos;t Wanna Be Found.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-450546192843245306</id><published>2011-07-01T13:59:00.005-03:00</published><updated>2011-07-01T14:35:44.681-03:00</updated><title type='text'>Luv.</title><content type='html'>Inconfundivelmente tristes, assim que eu definiria os primeiros dias de Outono. Quando as folhas começavam a cair, e os rostos, já pálidos, pareciam cada vez mais mortos. Embora o céu, frequentemente, ficasse aberto, o ar que circulava dava-me a sensação de dias nublados. Percorri vivendo esta melancolia, tão rotineira quanto as estações, por anos e mais anos. Não posso contá-los porque não me lembro o exato ano em que me dei conta da real textura das coisas. Foi um pouco depois de eu ter endurecido. Sim, eu endureci. É um caminho inevitável - e irreversível - para algums homens. Digamos que, geralmente, para os bons - os outros já nascem praticamente mumificados. Parece que é preciso endurecer para prosperar. Ter a pele coberta de peles e cascos para ser, finalmente, levado a sério. Nunca tive preferência por nenhuma estação. Na verdade, eu preferia que o tempo fosse sempre o mesmo. Que um ano fosse uma mistura heterôgenea, todos os dias sempre iguais, desde que, toda noite, entrasse um brisa fria pela abertura da janela. Mas realmente me incomodavam os Outonos. Aqueles filmes embasados em amores sem pé nem cabeça e as roupas cor-de-terra. Outono, pra mim, é um nome carinhoso a ser dado aos dias sem vida. Ando muito desacreditado, com uma dor de cabeça filha da puta, e a vontade de chutar este balde que suporta o mundo. Certo de que meus dentes amarelaram do tanto de tempo que permanecem guardados. Sorrisos empoeirados. Mas sequer me incomodo em desgrudar meus finos lábios - na maioria das vezes há uma crosta tão seca que, ao desgrudá-los, sangram - para, com eles, abraçar o filtro de um cigarro. Com a dureza da própria vida, eu preferi, depois de um tempo, reservar as melhores coisas para mim. Cansei dos amuletos, as mandingas, a procura por bençãos que só acentuam meu ceticismo, e a poeira de santos. A vida mesmo deve ser uma instituição falida - depois da Igreja, do casamento, da sinceridade. Eu mal consigo me lembrar da última vez que olhei para algo que fosse inquestionavelmente verdadeiro. Como a expressão de um rosto ao se deparar com outro. Ela sempre me dizia para pensar mais positivamente. Quando, na verdade, eu estava sendo apenas realista. Ela, também, sempre me dizia para diminuir no café, poupar o dinheiro que gastaria com cigarros, procurar tratamento para a insônia. São muitos incômodos os dizeres quando nos desgarramos dos monólogos. Entende? Isto de estar sempre só, de viver só, de trocar opiniões com você e você mesmo. Quando você parece ter largado de vez da solidão, parece que você realmente se entregou a ela. A solidão - e também o abandono - nos leva a acreditar que qualquer faísca fará fogo. Ou seja, por mais que você repita que está tudo bem, qualquer um parecerá sua chance de entrar no paraíso. Você finge que não procura, mas acha que vê amor em cada olhar que recebe. Sabe quando você tem um balde cheio de fichas e aposta todas em uma máquina só? É mais ou menos assim. Foi mais ou menos assim. E só depois de um tempo e todos os porres, eu fui capaz de perceber. Não que ela não fosse digna de me tirar tudo, afinal, ela só queria cuidar de mim. E eu seria o maior dos idiotas se negasse cuidados. Eu precisava deles, ela precisava de mim. Não quero jogar a culpa em ninguém, também não quero dividí-la, aliás, por quê falar de culpa? Acho que é só a ordem natural das coisas. A eternidade encontra seu fim logo ali. Mesmo sem saber a profundidade, nós mergulhamos sabendo que, hora ou outra, nossos pés encontrarão o chão. Não quero soar demasiadamente melancólico, nem fazer parecer que alguma coisa foi especial. O roteiro é sempre o mesmo. Infelizmente, é tudo sempre igual. E depois que toda a dramaticidade acontece, todos os êxtases e os pensamentos suicidas, todos os beijos e os tapas, tudo se encontra na mesma rua sem saída. Depois de tudo, insistimos até não termos mais forças, compramos um gato, enchemos o armário de bebidas, aprendemos uma nova língua, mas a verdade é que "there's no way to forget love". Aquela coisa de amar fica impregnada no paletó, no cós da calça, nos grisalhos fios de cabelo, nas paredes - mesmo mudando de cores ou casas. O repertório é sempre o mesmo, mas não nos cansamos de repetí-lo. É engraçado. A literatura tem que ter a mesma intenção da música: a de fazer todos os músculos se movimentarem involuntariamente. E instantaneamente. Mas enquanto escrevo, me acalmo. Como se encontrasse a paz depois de tanto alvoroço. Lembrar de certas pessoas acaba comigo - ter de esquecê-las também. E ainda mais. Mas rememorar faz parte de todo um ritual de emancipação. A vida vai seguindo em ciclos. Mesmo assim, agimos como se sempre ficássemos surpresos. A gente se sente muito mais humano quando ainda acredita em eternidade, né?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-450546192843245306?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/450546192843245306/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=450546192843245306&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/450546192843245306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/450546192843245306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/07/luv.html' title='Luv.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-2546853981578043354</id><published>2011-06-21T23:50:00.004-03:00</published><updated>2011-06-22T00:00:48.186-03:00</updated><title type='text'>Boneca de Pano.</title><content type='html'>Às vezes ela me acordava mais cedo do que o esperado, só para abrir aquele pequeno - mas nem por isso menos belo - par de lábios e soltar a tão sua voz aguda me dizendo que meus olhos estavam cheios de remela e que meu corpo não tinha cheiro de nada além de suor cigarros e álcool. Reclamava, reclamava, eu jurando que não pararia nunca, e me fazia rolar para longe. Eu dava sorte quando não caía de cara no chão. O chão era muito gelado, branco - como as paredes -, feito de azulejos - eu nunca consegui achar conforto em quartos cujo os pisos não fossem de madeira. Ela sempre reclamava da casa tão sem cor, mas não tinha muitas opiniões se ainda estava morando com os pais. Quando eu caía, era muito maior o escândalo. Ela se sentava na cama e, pelo barulho, eu já sabia que seus palavrões me arranhariam os ouvidos. O problema era o barulho, ter puxado o lençol, não ser forte o suficiente para ter rolado apenas. O problema é que ela só sabia me amar com grosseria. Ao menos, era assim na maior parte do tempo. Ainda lembro - e é claro que eu me lembraria - da primeira vez em que ela conjugou amor em primeira pessoa. Era um Sábado, já era madrugada. Não sei quais foram os motivos, mas eu andava, sóbrio, de posto em posto atrás de bebida com um ex-amor e três amigos, enquanto ela estava do outro lado da cidade, heroicamente embriagada, com nenhum amor - seu saldo, neste quesito, era zero -, mil amigos, e uma porção de admiradores. Ela ligou, e mesmo com todo o entusiasmo, eu deixei que tocasse, talvez um ex-amor, naquela noite, fosse fazer bem. Aliviar algumas coisas que não devem ser aliviadas quando já se está entregue. Ligou outra vez. Na dúvida, eu atendi. Entre gargalhadas e vozes de fundo, eu escutei ela dizer que me amava. Desde a infância eu escutava dizer que o homem já havia pisado na lua. Mas sempre me mantive cético quanto a isso. Que lua o quê? Que amor o quê? Se a saia dela já havia rodado por metade da cidade, por quê logo eu? Para mim, nem lua, nem ela. Duas coisas tão impossíveis. Sabe de quantos sonhos se faz a distância? Ignorei, culpei a vodka. Permanecemos no silêncio até o fim. Às vezes olhávamos com aqueles olhos que suplicam por eternidade. Raramente trocávamos elogios. Não éramos bons em sermos apaixonados. Tinham dias nos quais passávamos reto. Explicávamos por via de uma ligação quando dava mais tarde. Era complicado admitir que sabíamos que seria aquilo desde o primeiro momento. Desde o primeiro momento em que você foi enquadrada pela porta e eu, coincidentemente, olhei. Talvez toda a tortura pudesse ter sido evitada se os olhares não tivessem convergido. A gente se encontrava em horário marcado na segunda esquina à direita. A parede de tijolos, um adesivo desbotado do Flamengo. Mesmo que chovesse, estávamos ali. Quando era fim de semana, separávamos os horários. A vida exige muito de nós. E nós exigimos muito do tempo. Todos sabiam. Ainda assim, gostávamos de separar as coisas e manter como se tudo fosse um segredo. Infelizmente, não tínhamos a grana para sustentar noites em hotéis, nem motéis. E raras foram às vezes em que você me deixou acordar no horário que eu quisesse. Estes eram os dias em que você, sem falar nada, deitava sobre minhas costas - provavelmente despidas -, e ia beijando como se nada na vida tivesse fim. Você ia me percorrendo como quem pedisse aos céus por prorrogações. Acho que, esses momentos, foram todos reflexos dos minutos em que você cogitou a possibilidade de, aquela estranheza toda, acabar nos afastando. Não conto dos repúdios, nem das exceções, como se você fosse a única culpada por isso. Fui eu que precisei da perda para admitir amar. Fui eu que, por suspeitar de você, apadrinhei todos os sete pecados. Eu estourei por tanto não saber como te amar. E foi através desse estouro que eu saí em busca de amar outras. Eu procurava seus fios dourados nos cabelos delas. Ao menos um, para que me desse cor. Se eu te perdi, foi porque eu te deixei sem outros caminhos. As pontas dos seus cabelos molhados batendo nas costas, se tem uma coisa da qual nunca esquecerei, será da primeira vez que eu te vi nua. Não pela imagem de mulher exposta, mas por ter sido a única vez em que eu te olhei com os mesmos olhos assustados desde a primeira vez em que eu te vi. Ali, supostamente, eu deveria ter entendido tudo. É como se amores, tais como este, só acontecessem duas ou três vezes na vida de uma pessoa - isto com sorte. Penso, hoje, que me bastariam as cócegas na nuca - vindas de sua respiração quando deitava-se sobre minhas costas - para que eu reencontrasse qualquer razão para viver que eu pudesse ter perdido minutos antes. E me bastaria, para o resto da vida, um quarto branco - sem janelas e estranhamente frio -, desde que houvesse você dentro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-2546853981578043354?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/2546853981578043354/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=2546853981578043354&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/2546853981578043354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/2546853981578043354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/06/boneca-de-pano.html' title='Boneca de Pano.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-2851624458602574534</id><published>2011-06-20T16:20:00.007-03:00</published><updated>2011-06-21T15:20:16.833-03:00</updated><title type='text'>Só Despedida.</title><content type='html'>Semana passada eu saí correndo da sala de medicação por não aguentar mais ver agulhas, nem encarar todo aquele branco imparável. O que aconteceu foi que, na noite anterior, bebi tanto, mas tanto, que pouco depois de me dar por satisfeito, passei cinco horas vomitando, depois dei um intervalo de duas horas para me deitar no chão do banheiro e encarar o teto. Nunca tinha percebido o quão feio e embolorado ele está. Dá uma sensação de sujeira, uma coisa que me remete a abandono. Minha mãe lavava todas as latinhas que comprávamos, eu me prometi que não faria isto quando "crescesse". Era uma coisa meio psicótica, sei lá. Enfim, durante o meu intervalo lembrei de uma mulher que me ama lá de longe. Não sei porquê, mas ela simplesmente me ama, teve uma vez, que em um surto de carência, despencou de lá só para me dar uns beijos. Foi legal, mas ela andava na ponta do pé, e eu não consegui parar de odiar isso. Às vezes eu achava até bonitinho, parecia que ela estava escalando as nuvens, mas aí eu me lembrava que ninguém nunca foi capaz de fazer isso, e aí eu tinha vontade de arrancar fora os pés dela. Ainda que, mesmo sem eles, não era, nem nunca seria ela. Quando o coração não bate mais forte, nem enfraquece, não adianta insistir. E enquanto eu estava naquilo de encarar o teto, tinha uma outra mulher dormindo parecendo morta na minha cama. Ela vive aparecendo por lá, isso já faz uns oito anos, quase nove. Já mudei a cama de posição, já mudei de cama, mas ela continua indo parar lá. Os dias, geralmente, têm o céu mais aberto quando acordo com ela ali. Não sei em que ponto quero chegar. Antes de entrar na sala de medicação, fiquei umas boas horas oscilando entre a privada do banheiro de deficientes e as cadeiras de plástico da recepção. Tudo que eu mais queria era que arrancassem fora o meu estômago. Desejar isso me levou à nostalgia dos tempos em que eu me jurava tão sofrido que dizia dispensar a maior parte das várias utilidades de um coração. Quando a gente é mais novo tudo é tão maior. Hoje fomos tomar uma cerveja, eu e ela - a mulher da cama -, como fazemos todo dia 17 de cada mês - é quando a gente se encontra, se beija, se despede e diz sem dizer que se vê quando der. Ela me contou que na semana anterior tinha ido para cama com um cara que ela conheceu na adolescência e cultivou um amor-paixão platônico por cinco anos até ele dizer que ela era gordinha demais para ele. Reclamou durante horas dos dias que passou tentando descobrir cada coisa que ele mais gostava, e cada lugar que ele frequentava, e todos as meninas com as quais ele já tinha se envolvido, e eu deixei soltar que acho esse troço de amar meio psicótico - pior, ainda, que lavar todas as latinhas. Ela só não me deu um tapa na cara porque da última vez que havia tentado uma coisa dessas, eu acabei por faltar no dia 17 do mês seguinte. É claro que discutimos, a gente sempre discute. Porque ela sonha em constituir família, e eu só espero ter dinheiro para nunca faltar bebida. Porque ela, quando bêbada, admite que devíamos nos estabelecer juntos, e eu tenho medo de perder a hora do jogo. Ela é meu amor café com leite. Quando a gente quer, a gente faz, você nunca escutou isso? Ela diz e os dizeres dela saem todos com cheiro demais de cachaça. É isso que ela me diz quando eu tento dizer que é ridículo falar que vai querer alguém para sempre. No começo, escutar isso, me dava vontade de vomitar - mas só uma vezinha só -, mas eu já me acostumei em aceitar idéias diferentes das minhas. A verdade é que eu odeio a hora que ela vai embora, porque só ela sabe me deixar seguro. Como se só ela pudesse me levar até o ponto mais alto, sem me deixar cair do balanço. Eu tenho muito medo de que, um dia, ela vá embora, e não volte no mês seguinte. É triste demais sentar para beber uma cerveja sozinho. Pode não ter sido à primeira vista, mas foi, é, será, amor. Nem teve gosto de cereja, nem tocaram os sinos. Alguma coisa voou, mas não posso garantir que foram as borboletas. Às vezes você não fica assustado pensando na possibilidade de nunca mais ser amado?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-2851624458602574534?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/2851624458602574534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=2851624458602574534&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/2851624458602574534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/2851624458602574534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/06/so-despedida.html' title='Só Despedida.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-4004206171454543135</id><published>2011-06-16T01:14:00.000-03:00</published><updated>2011-06-16T01:15:20.618-03:00</updated><title type='text'>Deitados na Banheira.</title><content type='html'>Você me dá vontade de escrever, de colocar para fora. Se eu imaginasse que você seria o único leitor, eu seria capaz de escrever um livro agora. Do tamanho de uma Íliada, ou Odisséia. Eu quero te explicar porquê, depois de tanto tempo, eu resolvi te escrever hoje. Por quê logo hoje? Se não é nem Sexta, nem Domingo, nem Segunda. Se é só Quarta-Feira e se nas Quartas-Feiras não parecem haver muitas emoções. Não é dia de estar ansioso para o fim de semana e para um porre bem dado. Nem dia de querer arrancar a cabeça por tanta ressaca. Nem de dizer: porra, de novo não. Porra, de novo não. Eu quero dizer isso hoje. E tomar um porre daqueles, depois sair cambaleando e tentar enfiar minha chave na porta do vizinho, e reclamar por não ter conseguido girar a maçaneta. E daí amanhã, quando parecer um sonho distante poder abrir os olhos, acordar de ressaca, e pensar consecutivas vezes em como seria bom arrancar minha cabeça. Só por uns dois minutinhos, talvez cinco. Só para respirar melhor. Para tudo parecer mais leve. Quantas vidas custa um coração? Com quantas vidas se paga por um coração? Digo, depois que ele parou de bater. Sabe, quando a pele já está tão branca, tão branca, que ali parece que realmente há uma "cor" mais pura. Melhor, uma paz na pigmentação. Parece que existe uma ordem natural das coisas, sobre a qual eu não paro de ouvir falar. Tipo, nascer, crescer e morrer. Uma ordem que não deveria ser revertida. Como o Pai, o Filho e o Santo. Quando o Filho vai primeiro que o Pai, parece que não há Santo que baste para apaziguar, nem acalmar. Você não acha desnecessária a forma como as pessoas se dizem familiarizadas com as dores dos outros? Como se isso fosse aliviar as coisas, esse "não se sinta só" quando, na verdade, todo mundo veio ao mundo com o intuito de respirar sozinho. Se, um dia, me for necessário, eu peço que dispensem todos os aparelhos. Eu quero ter a consciência e o direito sobre a minha respiração. Não quero viver às custas de ninguém, nem quero que prolonguem algo que já tenha fugido do meu controle. Às vezes eu queria que o Universo fosse uma barraca e o mundo fosse um balde só para eu poder ter a opção de chutá-lo para fora. Meu Deus, estamos beirando o meio de 2011 e por quê ninguém acorda? Estão todos extasiados com a emoção de, muito provavelmente, sobreviverem a mais um "fim do mundo". Estão todos anestesiados com a emoção de puta que pariu essa é a vida. Sim, essa é a vida. A sua vida. E de quantas mais você vai precisar para entender isso? Estão todos preocupados com a salvação das galinhas, uma possível ressurreição do Bin Laden, a redenção ou não da humanidade caso, em 2012, o planeta seja invadidos por alienígenas? Quando os batimentos cardíacos foram substituídos pelos alertas de novas mensagens na caixa de entrada? A gente passa tempo demais calculando quantas horas no fim de semana vamos poder dormir e não ter que escutar uma velha gorda nos dizendo como éramos rechonchudinhos e rosados parecendo porcos na infância. A gente passa muito tempo achando que cada amor vai ser o último. E mais tempo ainda se corroendo por pensar que irá morrer no segundo que aquela pessoa "x" abrir a porta e ir embora para sempre. Se brincarmos, talvez morem mais pessoas na nossa cidade hoje, do que em nosso país na época em que nossos tataravós nasceram. E a vida segue mais rápido para o esgoto do que nossas próprias fezes. Eu juro que hoje eu não aceito se me dizem que o mundo é redondo. O mundo é a porra de uma pirâmide e só quem pode está no topo. E ninguém quer saber dos problemas de ninguém. Porque a bateria do telefone vai acabar ou tem hora para voltar pra casa. Por quê apanhar por um outro se você não apanha nem por méritos próprios? Pra quê desobedecer as ordens? E perder o fim de semana? Eu acho que as coisas talvez pudessem estar mais amenas se a cerveja estivesse gelada.  Se eu não tivesse chegado e encontrado apenas três latinhas na geladeira. Se eu já não estivesse na metade da segunda. Se não fizesse um frio da porra e eu conseguisse sair de casa para comprar mais um engradado. Se a gente está mesmo na merda, por quê não aprendemos logo a nadar? Eu fui sincera quando disse que sinto falta de ler toda a sua confusão. Confesso que senti saudade dos seus amores mais do que dos meus. Que nas minhas folhas enganam na beleza, mas que perto dos seus são só atos errôneos. Se até seus amores foram mal-amados, quem dirá os meus? Tenho dado tempo ao tempo, mas ele não tem dado atenção para mim. Um dia desses, dirigindo, perto das quatro da tarde, quando o sol, aqui, não faz nada além de atrapalhar a visão, eu fui capaz de cometer a estupidez de pensar em suicídio. Não que o ato seja estúpido, por muitas vezes não é. Mas quando não se tem problemas reais, não é, nem de longe, solução. Sabe, tem gente que vira e diz: 'aconteceu por um momento de loucura'. Sendo que, às vezes, foi um momento de lucidez. Não sei se o único, mas o último. E, provavelmente, o mais importante. Eu te perguntei se você não achava desnecessária a forma como as pessoas se dizem  tão familiarizadas com as dores dos outros. Com aquela intenção ingênua mais ignorante de dizer "não se sinta só". Como alguém ousa pedir para que alguém não se sinta só? Quando se sentir acompanhado, na verdade, pode ser um dos piores sofrimentos? Não que a solidão seja remédio. Ao mesmo tempo que companhia nunca será cura. Solidão é como uma contenção de danos, um esconderijo, um porto-seguro. Companhia pode ser um alívio ou um estrago. Quando a gente vai aprender a respeitar? A não sufocar? E parar de dizer que a fraqueza era dos outros quando podemos ter sido os que afastaram o banco? Dor é, por si só, algo solitário. A comoção é a ação do coletivo frente a isso. Dó dos que se dizem equilibrados, e vivem por aí pedindo por juízo. Dó dos que vivem sentados na mesma cadeira acolchoada e nunca se inclinaram sobre um parapeito. A loucura é um dom que nasce com poucos. Saber amar, e ser amado, também. Eu queria não ter apagado seu número. Ontem eu teria te ligado de madrugada. Tem uma menina aqui que me lembra você. Ela tem tudo o que é preciso para ser um dos seus amores a serem escritos. Ao mesmo tempo, ela desperta em mim a mesma vontade  que você sempre me deu de escrever e escrever e escrever até esgotar todas as discussões e assuntos. Sinto saudades do tempo em que você me chamava de amor, e sem saber, eu te chamava de amigo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-4004206171454543135?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/4004206171454543135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=4004206171454543135&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/4004206171454543135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/4004206171454543135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/06/deitados-na-banheira.html' title='Deitados na Banheira.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-5039354767907867444</id><published>2011-06-13T22:21:00.004-03:00</published><updated>2011-06-13T23:54:35.383-03:00</updated><title type='text'>Só Pode Ser.</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;em&gt;Love is watching someone die.&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da última vez que chequei, amor era coisa de quem não dava a mínima para a felicidade. Sabe, para mim, é como decidir morrer de overdose em uma Sexta-feira à noite, enquanto todos enchem a cara, e falta tempo para, sequer, notarem que você está há mais de duas horas no banheiro. Toda aquela coisa de se entregar, de prometer, de decorar cada uma das manchas do corpo de uma outra pessoa - sem nem ser capaz de enxergar todas as suas. Amor parece coisa de quem tem bastante tempo ocioso. Porque não é possível uma pessoa, com ocupações e horários, encontrar tempo para se deitar no gramado e ver formas nas nuvens, e suspirar. Não, não é que eu tenha me amargurado ao passar dos anos. Não é que eu tenha alguma incapacidade e isto que eu estou falando seja reflexo de alguma inveja que enxergo e ignoro. É só que se a gente parar para pensar demais nessas coisas, a gente acaba se tornando cada vez mais e mais cético. Basta olhar para os lados, aumentar o volume do rádio, passar na frente de uma vitrine de livraria, ir ao cinema. O amor não faz ninguém feliz. Sim, há quem ande de mãos dadas e sorria. Mas, pessoalmente, acho que isso é mais uma questão de afinidade. Um reconhecimento mútuo. Sabe aquela coisa de olhar nos olhos? Que chamam por aí de "amor à primeira vista"? Se acontece, é quando a gente sabe, logo de cara, que passaria horas e mais horas encarando o tédio na companhia da tal pessoa. As outras formas de amor se dão por insistência. Tenho um casal de amigos que levou mais ou menos uns dois anos para que realmente se importassem um com a opinião do outro. Antes, só sabiam dialogar na cama. Ficaram casados por dez anos, assinaram os papéis do divórcio na semana passada, quando perceberam que realmente haviam desperdiçado tempo insistindo em uma coisa que não existia e que nunca havia estado lá. Eu precisaria de umas quatro reencarnações para me livrar de uma frustração dessas. Sabe, estão todos certos quando dizem que a vida é curta. Ela realmente é. Durante um almoço, você pode ter uma parada cardíaca, cair de cara no seu prato de macarrão, e ser velado na sétima capela do cemitério sem direito à uma homenagenzinha no jornal local. Eu prefiro que não sofra. Mas, se for insistir, pelo menos vá por algo que valha à pena. Sei lá, faça uma tatuagem na costela, assista Titanic, compre um pacote turístico para o Oriente Médio e simule estar perdido por um deserto. Porque o amor - o término ou a fuga dele -, tem a estranha capacidade de invadir todas as camadas que compõem uma pessoa. É por ele que um dia você sorriu e, agora, chora. Ele vai da epiderme ao karma. É feito fosse coisa de quem gosta de apanhar de graça. Faz mais frio quando se perde o amor. E as coisas que tinham vida vão perdendo o hábito de respirar. E os olhos adoecem e tudo perde a cor. Quer dizer, alguém realmente já amou? Ou foi tudo mesmo solidão? Na verdade, eu mesma não duvido de toda a energia envolvida neste processo de amar - ser amado, se desarmar, para no fim, desamar, ser desamado, derrapar, ser derramado. Começa a semana. Termina o amor. Porque, por mais que acordem juntos todas as manhãs, e troquem garfadas na hora do jantar, às vezes é preciso ficar até mais tarde, ou aumentar as horas de expediente, ou abaixar mais a cabeça para dar uma olhada em um par de pernas, e não concordar no canal e ir ler um livro no escritório. A rotina exige uma saída dela mesma. E, também, afasta uns dos outros. Os horários e os compromissos, as tarefas, o relatório atrasado, a mãe que está no hospital, o sobrinho que vai fazer aniversário. É difícil manter um amor na cidade grande. Sem contar que, eu acho que dentro de cada um vive um demônio, e dentro de cada demônio vive uma outra coisa ainda pior, mais impulsiva, e por aí vai, demônio por demônio. E é quase impossível, para qualquer um, se manter calmo quando eles vão acordando um por um. Peças de dominó enfileiradas que, em um toque, se auto-destroem. A gente vive tentando esquecer dos nossos demônios. Os desejos, tudo aquilo que for primitivo. Temos que ocultar as coisas que acordam e nos assustam. Um beijo que foi dado sem ser previsto, a vontade de mergulhar em um decote, de analisar um volume sob a calça, um arrepio que desce pela coluna. O amor exige demais de nós mesmos. Porque ele precisa de medidas e cuidados. E é preciso estar centrado, e ter tempo, e vontade. Ao mesmo tempo, é ele quem nos trai. Que, uma hora, desaparece, vai embora, e nos deixa com aquele mal-estar de saber que estamos nós dois aqui só por precisarmos, ainda, dividir as contas e acertar os papéis. Ninguém tem o que é preciso para revistar uma pessoa e perguntar: ei, você viu o amor que eu havia deixado por aqui? Não? E agradecer, e dar as costas, como se tivesse acabado de perder uma nota de dois reais. Na verdade, se eu for pensar nos meus bons dias, eu até não tenho nada contra o amor. O que eu não gosto muito é de toda a ritualização relacionada a ele. As dúzias de rosas, os bombons, o pôr-do-sol, as luzes de vela. É que, bem, eu, particularmente, não me sinto confortável em ser invadida. E nem de ter partes minhas absorvidas por outros. Por exemplo, eu sempre falei muito palavrão. De repente, eu o amo, e ele me ama, e nós dois decidimos passar todo o tempo que tivermos juntos, e aí ele começa a falar muito palavrão também. Os mesmos que eu. E tempos depois, tudo aquilo some, acaba, e nisso de superar e seguir em frente, ele vai viver com outra, e vai usando os meus palavrões. À partir disso, ele vai amá-la com meus palavrões. E ela vai achar a forma como ele diz "porra" linda - como vai acabar achando, também, todas as outras coisas pertencentes a ele. E aí, além de ter perdido o amor físico - a presença -, o amor supostamente verdadeiro, vou perder a vontade de manter meus hábitos antigos. Eu sei que é bom mudar. Mas é bom, também, manter a essência. Prefiro não escolher o amor, por enquanto, e ficar com a sanidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-5039354767907867444?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/5039354767907867444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=5039354767907867444&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/5039354767907867444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/5039354767907867444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/06/so-pode-ser.html' title='Só Pode Ser.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-581788431856924104</id><published>2011-06-08T00:12:00.003-03:00</published><updated>2011-06-08T01:46:39.840-03:00</updated><title type='text'>Verbo Intransitivo.</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;em&gt;É, Deus, parece que vai ser nós dois até o final.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma vez um apartamento distante, em um prédio distante, em uma rua distante, em uma cidade ainda mais distante, de um estado-região-país-continente-planeta ainda mais distante. É claro, em um Universo ainda mais distante que tudo. Era uma vez um menino tão distante assim de nós. Gostaria de chamá-lo por João. E então damos início a história. João um dia nasceu, meio amarelado, e parecido com um joelho recém-esfolado, e silencioso. João demorou a chorar. Naquela época, ainda usavam o método da palmada no bumbum, e foi através dele que João chorou pela primeira vez na vida. Ele sempre foi um daqueles humanos que só choram depois de uma dor insuportável. Mas é claro que, proporcionalmente, os tapas que João recebia para chorar, foram, ao decorrer do tempo, se tornando cada vez mais fortes. Por exemplo, a segunda vez em que João foi visto derramando uma lágrima - só umazinha, pois precisou se conter -, foi quando sua mãe derramou uma panela de água fervente em seu pé esquerdo. João ainda calçava 32, e parte do seu pé permaneceu neste mesmo número para sempre. Mas isto não vem ao caso. O que importa era que João tentava, a seu máximo, ser forte. Para sua infelicidade, continuava sendo humano. E como acontece de caírem os dentes de leite e depois nascerem os outros, acontece de cairmos na realidade e nascermos para algo novo. Alguns puxam o cabelo, outros acham que eram cócegas, mas João optou por dar o troco de balinhas na primeira vez em que se viu apaixonado. Ele pôde, desde a primeira vez, diferenciar "amor" das outras coisas todas. E, apesar de ficar ainda mais adorável usando uma beca - sua primeira -, João não foi capaz de, naquela idade, ter plena compreensão e entendimento de uma coisa fundamental: que certas coisas acabam. Foi quando, sentado na privada, da última cabine do banheiro, daquele auditório minúsculo e embolorado, João soltou sua terceira lágrima. Ou melhor, uma série de lágrimas, e umas miniaturas delas, e algum pouco de catarro. Repito que João era um daqueles humanos que só choram quando enfrentam uma dor insuportável. Por exemplo, João não chorou quando rasgou o queixo pulando os degraus de uma escada qualquer. Nem chorou quando seu pai se mudou para outro apartamento em outra cidade-estado-país distante. Nem quando Doutor - seu vira-lata cor-de-terra - foi atropelado bem a sua frente. João, como muitos, chorou naquele banheiro por jurar ter perdido seu amor. Mal sabia ele que amores são todos aqueles que queremos que sejam amados. Temos o dom de nos apaixonar por flores, e por unicórnios e, talvez, por passados. A gente aprende a amar qualquer coisa que nos desperte. Mas João jurou, e assim permaneceu, se remoendo por mais dias, em greve de fome, se desgarrando dos brinquedos, e juntando moedas para comprar um violão. A verdade é que, naquela época, mal soletrar a palavra "amor" ele sabia. Foi crescendo e suportando que João aumentou sua coleção de becas, aprendeu mais palavras, se encostou em mais portas de banheiros, assistiu acontecerem mais tragédias. Às vezes a vida parece mesmo um ciclo, foi o que ele pensou, quando teve aquela mesma vontade de dar seu troco de balinhas. Mais uma vez, mostrou que, desde sempre, sabia diferenciar "amor" das outras coisas todas. E já tinha pêlos corporais o suficiente para admitir que as possibilidades de amar nunca acabam. Ninguém pode negar nenhuma das oportunidades de ser despertado. O segredo é se entregar. João, forte como sempre, demorou, mas logo aumentou as balinhas para um buquê de rosas, das rosas fez um par de anéis, para eles uma chave, para a chave uma porta, para a porta um apartamento: para o frio, os dois abraçados sobre a cama. De tanto apertar, os pássaros escapam. Demorou até que ela partisse para que João entendesse que todos têm asas. Ele já tinha vestido becas demais para se sentar em qualquer privada, de qualquer cabine, de qualquer banheiro, de qualquer auditório minúsculo embolorado ou não. Desta vez acrescentou murros e gemidos ao coquetel de lágrimas. E pensou: o amor é sempre triste. O que há de alegre em se entregar? João, naquele momento, poderia ter percebido uma certa aptidão para a poesia, mas só estaria se enganando mais e mais. A quebra da linearidade da representação amorosa nos dá a vontade de nos expressar artisticamente. Fiz a poesia através do seu amor. Mas seu amor acabou. Deste fim, fiz a tragédia. Feito o bebê chorão que João não foi, e que, naquela quebra, renasceu e chorou tudo o que sempre deixou guardado. É mesmo terrível a sensação de se sentir despedaçado. De se sentir que nem um copo de vidro todo moído espalhado pelo chão. Ao mesmo tempo tão frágil e tão perigoso. Querendo ser recolhido e colado de volta, querendo ser recolhido e guardado entre papéis quentes e escuros - para depois ser descartado com o chorume e as latinhas de coca-cola -, querendo ficar caído para sempre com medo de ser cruel com as mãos que tentariam recuperá-lo. João prosseguiu - por mais que pareça difícil, sempre chega essa hora de pedir a si mesmo para que não olhe para trás. Novamente, suspeitou da idéia de ciclos. Sem saber que, já no primeiro flash de pensamento - aquele segundo em que as palavras e as idéias são tão abstratas que um pensamento pode ser facilmente confundido com um vazamento de massa encefálica -, ele estava certo. A vida é feia de ciclos. E você amou, ama, amará, alguém. E tudo sempre terminará naquele mesmo banheiro - como forma de dizer. E a cada vez parecerá ainda mais insuportável. E você, João, esteve sempre certo, chorar nunca resolve. E muitos ainda levam anos e anos pra descobrir uma coisa óbvia dessas. Se chorar resolvesse, só usaríamos lágrimas para controlar um incêndio. Eu sou você, João. E ele também. E ela também. E todos somos você, João. Por mais que sejamos orgulhos demais para admitir. Por mais que não sejamos tão fortes quanto. Ainda somos os indivíduos a passarem pelas mesmas situações, o mesmo - e egoísta - procedimento amoroso. E os mesmos ciclos da vida. Mas e a mais dura verdade, João? A verdade é que ninguém acredita no amor. Por quê alguém, em plena consciência, acreditaria? E ninguém, também, acredita em Deus. Por quê viver por algo que não podemos tocar? Não são pernas, nem terços, são coisas flutuantes, inodoras, invisíveis. Ninguém sabe a verdadeira textura que cobre toda a verbalização que é amar. Se "eu te amo" é mesmo vermelho ou em degradê, ninguém sabe. "De graça, até injeção na testa", acho que é pensando assim que tem gente que, às vezes, se apaixona. Nisto de acreditar no amor, eu prefiro mesmo é acreditar em Deus. Pelo menos dizem por aí que ele é brasileiro. Do amor eu não sei nem o nome.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-581788431856924104?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/581788431856924104/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=581788431856924104&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/581788431856924104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/581788431856924104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/06/verbo-intransitivo.html' title='Verbo Intransitivo.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-1154076322966818532</id><published>2011-06-03T18:13:00.001-03:00</published><updated>2011-06-03T18:15:18.628-03:00</updated><title type='text'>Mal Conto.</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O primeiro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Primeiro, como rebobino o tempo? Porque se a vida é filme, e viver é amar. E eu agora te amo - como já amava antes. Talvez não da mesma forma. Porque nosso amor se tornou distante. Mas falarei disso depois. Como rebobino o tempo? Querendo voltar atrás, e fazer tudo certo. Querendo o passado. De presente. Eu me pergunto: como rebobino o tempo? Falando em fazer certo, eu não sei o que realmente seria certo. Incerteza. Eu tenho alguns anos, e muita infantilidade – a qual uso como desculpa para todos os meus deslizes, que são incontáveis. Eu tenho um nome, que não vou revelar agora, porque ele cabe a somente uma parte da história. História que eu vou começar daqui a pouco – mesmo tendo começado há muito tempo atrás -, porque eu acho que relê-la e, principalmente, reescrevê-la, me transportará para a parte na qual o romance se tornou tragédia, e o mocinho virou vilão.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O que vem antes.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;Nada veio antes para mim. Eu nasci em um determinado ano, com determinado peso e indeterminados pais. Começa nessa parte minha série de abandonos – que eu chamo de vida por não saber o coletivo de solidão. A história começa e tem continuação em Brasília, a cidade dos segredos. Pensei em mudar de cenário, para tornar a jornada – chamo de jornada, pois envolve estrelas e outros astros, e outras coisas bem maiores, tão maiores que talvez não caibam nestas páginas - mais familiar a você. Mas eu não posso me distanciar de mim.&lt;br /&gt;Então estamos em Brasília, anos 80, movimentos punks, ditadura, e eu nasço. E acontece da felicidade ser tão grande que eu estou há todos esses anos tentando descobrí-la. Nasci sem pais. Apaziguado, se não fosse a etimologia e os conflitos. Sorte minha ter nascido de peles e olhos claros. Quase transparente, mas mais invisível.&lt;br /&gt;Nasço e vivo alguns meses em um lar – que mais deveria ser um hospício -, e um anjo aparece e me leva consigo. Anjo ao qual eu chamaria de mãe, tempos depois, anos depois, muitos, muito mais anos do que deveriam ter sido, quando abri a boca pela primeira vez e disse alguma coisa que fizesse sentido aos outros. Essa parte eu conto sem ter absoluta certeza, mas confiando.&lt;br /&gt;Vivo uma infância – relativamente – normal. Abstraindo o detalhe no qual eu não falava, não chorava, e só sentia. Nasci com uma sensibilidade de chocar até uma pedra. Confesso, eu falava, mas só às vezes, com economia de palavras. Pois sentia uma dor enorme ao me colocar para fora.&lt;br /&gt;Cresço sabendo que pertencia a aquele anjo, pertencia de todas as formas, menos por sangue. Transfusão de amor. A adolescência segue como de costume, com revolta e pressa. Talvez eu tenha tido mais revolta do que muitos outros, porque no fundo eu não aceitava a forma como havia vindo ao mundo. Não aceitava ter vindo ao mundo pelo caminho de outras pernas, e não aquelas que apoiavam meu colo.&lt;br /&gt;Embora tenha criado essa admiração, um amor infinito, e até, uma adoração, vivo muito mais ligado à figura paterna que me cerca e me ensina a ser um homem duro e determinado. Ainda que na verdade, as lições tenham escapado pelo ralo e eu tenha me tornado um homem sensível e perdido.&lt;br /&gt;Entendo a injustiça do mundo assim que entro na Universidade. Festejo aquela felicidade que não era minha. Exibo com orgulho a conquista – que também não era minha. E ao mesmo tempo, perco meu anjo da guarda. E fico sem rumo. E fico sem chão. E não fico, e fujo para o exterior. Escolho o exílio da dor. Que só aumenta e me torna amargurado e inquieto.&lt;br /&gt;Decido conhecer o mundo. E conheço de tudo. Menos de mim. Porque sinto uma dor enorme olhando para dentro. E vendo nada fazer sentido. E me vendo fazer nada para mudar isso. Conheço a Itália, a França, Portugal, as mulheres mais belas e imprevisíveis, as drogas – todas elas, sem exceção, inclusive a droga da vida, que é a mais difícil de largar. Conheço os primeiros amores da minha vida, e amo, e sofro, e choro, e tento voltar, e me reconstruo – nunca por inteiro. E então eu me canso e volto. Volto com poucas coisas na mala, com mais pêlos no rosto, mais raiva.&lt;br /&gt;Retomo meu curso na Universidade – não contarei qual, por enquanto, ainda não confio em você – e, sem muito sucesso, termino e me formo. E procuro um emprego, e encontro. Ganho meu dinheiro e me sinto o dono do mundo. Cultivo amizades antigas, finjo gostar das mais novas. Conheço mais mulheres, durmo com todas que me deram a chance. Encho a cara, sobrevivo.&lt;br /&gt;Vou vivendo, com muita dificuldade, com minhas tendências suicidas, com minha depressão crônica, e contida. Vivo com minhas mágoas. Não vou narrar todas, pois não temos muito tempo. O que veio antes do que realmente veio – e me levou embora -, é pequeno. São só detalhes, pequenos tijolos que me construíram para um exato momento.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;O momento.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;O momento é agora. Atravesso a rua, entro no bar, peço uma cerveja e acho tudo chato. Encontro meus amigos, encontro alguns passados, encontro um assunto, e encontro uma carteira. Jogada no chão. Viro para a mesa ao lado e pergunto se é de alguém. Não é. E o clichê continua. Ela aparece. E o verdadeiro encontro acontece. Começa com um vulto andando em minha direção, depois um par de pernas fartas e uma cintura convidativa. Logo então, um sorriso nervoso. Ela sorri. E é para mim, para a carteira em minhas mãos. De repente o mundo gira, como se nunca tivesse girado antes. E eu, então, saí de órbita.&lt;br /&gt;Não acontece como deveria acontecer e eu não pergunto seu nome. Não olho em seus olhos e nem ao menos disfarço meu encanto. Não me faço de bobo, nem peço seu telefone. Não confio em meu taco e abro mão do jogo. E eu entrego – primeiro a carteira, mais à frente, a mim. E ela se vai. Ela quase se vai. Mas a vida é feita de coincidências, e dizem por aí que existe o destino. E naquela mesa, naquela exata mesa que eu queria quebrar todas as garrafas e andar até o meu apartamento, e dormir, apenas dormir, estava meu melhor amigo – dele eu falo depois -, e naquele meu melhor amigo, estava o sangue. O sangue que nos conecta – conecta a eles e a você, não a mim – aos outros, era por acaso um sangue que o conectava a ela.&lt;br /&gt;Ela, que era prima distante. Que era estrela, astro, distante. Ele a puxa pelo braço. E toda cordialidade do mundo invade aquele quintal coberto de mesas, e cadeiras, e garrafas, e gente. E o encontro se solidifica. E eu sinto a existência de uma possibilidade surtir. E ela se senta. E sorri. Como sorri! E eu sorrio, sem nem saber do que falam. Sem nem me importar se falam. Há, nesse momento, o primeiro – e eterno – encontro.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O segundo.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Houve um segundo naquele momento do encontro, em que os olhos dela encontraram com os meus. Estou sentado, bebendo goles apressados, observando e rindo – como é saboroso o gosto do riso espontâneo. Estão todos sentados, bebendo calmamente, conversando e gargalhando. Ela está rindo, se divertindo, escutando. E ela se movimenta com muita calma, mas com muita freqüência. Finalmente, vira o rosto em minha direção, e desvia. Mas antes de desviar, encontra com meus olhos e se diminui.&lt;br /&gt;Ela se diminuiu. Lançou um olhar sem alvo. E me acertou.&lt;br /&gt;Falam das flechas e dos cupidos, mas se esquecem da dor e da ferida. Das fibras da pele que se rompem, do desmaio. Porque parece mesmo um desmaio quando, em um segundo você é um, e em outro, você é de outro.&lt;br /&gt;Ela se diminuiu e eu me sinto constrangido. A cadeira de plástico amarela parece grande demais para ela, que, então, para de sorrir. E imerge em si mesma. Eu continuo a encarar, com meus olhos curiosos, dos quais ela ainda foge. E eu procuro motivos se, naquele segundo, eles pareceram tão encontrados, o que haveria de tão perigoso para que, tão rápido, se perdessem?&lt;br /&gt;Acendo um cigarro, e ainda não sei qual é seu nome. Não me foi apresentada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-1154076322966818532?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/1154076322966818532/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=1154076322966818532&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/1154076322966818532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/1154076322966818532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/06/mal-conto.html' title='Mal Conto.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-1602792236908636439</id><published>2011-05-31T16:49:00.001-03:00</published><updated>2011-05-31T16:51:40.329-03:00</updated><title type='text'>Pupilas.</title><content type='html'>Nos humanos - e em outros seres vivos -, foi comprovado que as pupilas dilatam quando colocadas em frente a um estímulo prazeroso. Primeiro, os seres humanos, desde pequenos, são levados a irem em frente e evoluírem em razão dos estímulos - os primeiros passos e sorrisos, a repetição de palavras. Segundo, entende-se - quer dizer, é entendido por esta vulgar pessoa que vos escreve - "prazeroso" como qualquer resposta positiva a um estímulo - cuidado: aproximando-se ou não do campo do prazer sexual. Então, supostamente, bastava que ela sorrisse - ou melhor, bastava que aparecesse - para que minhas pupilas se dilatassem. As duas, instantaneamente, como se dissessem: você está, finalmente, aqui, agora posso abrir os olhos e me importar com o mundo. Digo "supostamente" pois, por hora, prefiro me manter distante das palavras que redijo aqui. As respostas aos estímulos - reações, por assim dizer -, na maioria dos casos, têm o mesmo peso que os estímulos em si. Por exemplo: a palavra que mais foi repetida por mim durante o período de aprendizagem foi "merda", que, na época, era a mesma palavra mais usada pelos meus pais. E, também, era a coisa mais feita por eles: merda. E era em volta disto que eu via minha vida girar, pois tratava-se basicamente disso: um carro alegórico feito de merda - construí esta imagem em cima do conceito de Carnaval para deixar claro que, obviamente, havia uma fantasia em volta de toda a bosta. E não preciso sequer adicionar a parte de que todo Carnaval - aliás, toda festa - acaba. E mesmo toda a merda tendo desabado em cima de mim, prefiro não me prolongar com detalhes agora. Só precisei de um exemplo. Voltando, é claro que existem estímulos que geram respostas opostas a eles: mesmo cercado daquele ambiente insalubre - para não dizer mal-cheiroso, escroto, grotesco - eu cresci para me tornar um homem de férias de fim de ano em um resort na praia - praias privadas, é claro -, cinco carros empoeirando na garagem, e todas as cartas e todos os naipes na manga. Quanto ao estímulo do meio, então acho que respondi e me desvencilhei bem - e rápido, visto que, já aos 23 anos de idade, eu ouvia dizer que tinha o mundo aos meus pés -, e o que eu tinha, por mérito próprio, era extremamente limpo e invejável. Mas do que adiantava respirar um ar tão puro sem encontrar reais motivos pelos quais, repetidas vezes, inchar os pulmões? A felicidade - aquilo que eu chamava assim - me levou à exaustão. Os tantos estímulos e as tantas áreas de reação - o corpo, a alma, os sentimentos, os ambientes - desencadeiam uma série de variadas - e mutáveis - respostas. Que se sequenciam - e, às vezes, se atropelam ou se atraem - numa espiral. Vejam, comecei a escrever aqui sem grandes prentensões, e agora percebo que desvendei toda a estrutura que sustenta a vida. Suponho assim que, deve ter sido sentado na cozinha, lambendo os dedos - ou em qualquer outro momento particular - que Shakespeare percebeu que dois amantes mortos - em razão de serem "amantes" em seu significado real -, fariam um fiel retrato do amor verdadeiro. Ou que Einstein formulou a Teoria da Relatividade. Ou que Deus decidiu criar Adão e Eva. A verdade, é que eu cambaleei do quarto para o escritório, e me sentei aqui, e cacei umas folhas utilizáveis, e forcei a caneta até que saísse tinta, para que eu pudesse encontrar maneiras de contar uma história. Tem a ver com a dilatação das pupilas, a criação do universo, os estímulos, o momvimento dos pulmões, a sobressalência da merda, as respostas: a vida, no final das contas, tudo acaba na vida. Tendo passado os primeiros estímulos, bem depois dos primeiros sorrisos, passos, da repetição de palavras, do começo do Carnaval, do cheiro de merda, da válvula de escape, das tentativas falhas, do fim do Carnaval, da revolta, seguida da fuga, e depois a reviravolta, e então branco, clareza, bom cheiro, felicidade, água quente, oceanos, coquetéis, crise de meia idade: era Fevereiro, eu deveria estar, mais uma vez, na praia. Combinando cervejas com coquetéis excessivamente coloridos e tropicais, sentindo o sal, o mar, o sol, e a areia, abrirem meus poros. Mas era Fevereiro e, pela primeira vez, eu me questionava: do que adiantava respirar um ar tão puro sem encontrar reais motivos pelos quais, repetidas vezes, inchar os pulmões? E, também pela primeira vez, eu percebia que, aquilo que eu chamava de felicidade, havia me levado à exaustão. Pois, em algum trecho do caminho entre os amontoados de bosta e as mesmas mulheres bêbadas em cima dos mesmos lençóis impecáveis, eu confundi geometria proporção cautela cuidado exatidão com felicidade. Em menos de dois minutos eu percebi que nunca havia sido, realmente, ou por mais de um momento solto no tempo, feliz. Eu estava escorregando do controle da minha própria vida quando a visão foi, certamente, a mais inesperada. Se, até então, eu jurava que meu coração havia sido destruído junto a uns outros brinquedos quando eu estava beirando os nove anos, ali eu o percebi ainda comigo. Supersônico, na velocidade da luz, tanto faz, bateu. Da forma que bateria de novo, e de novo, todas as vezes que aquela imagem apontasse no alcance de meus olhos. Não vou citar nomes. Nem dizer que, mesmo com todas as sensações teatrais incontestáveis, eu acreditei desde o primeiro momento. Nem negar que permaneci cético pelo máximo de tempo que pude. Não vou dizer que foi amor à primeira vista. Até porque, só neste momento eu dei vida à minha imagem. E ainda dou mais, aliás, devolvo: aqueles longos cabelos de uma cor que nem Deus sabe, formando pequenas ondas que desciam por pouco mais abaixo dos ombros brilhantes de sardas, o par de olhos perfeitamente encaixados sobre...provavelmente, tudo mais belo por encanto do que por verdadeira beleza. Mas eu ainda prefiro acreditar. E quando, enfim, veio o amor, eu mal podia diferenciá-la dos deuses. O amor tem esse poder de enfeitar o pouco para, no final, só nos fazer feios. Foi vivendo por ela que eu descobri o que era a vida. Assim como foi tentando escrever sobre ela, que eu pude desvendar a estrutura desta vida que ela mesma me trouxe. Ou reafirmar o que ela tantas vezes repetiu. Que eu havia me tornado um louco. Eu entendo este julgamento dela, pois meu amor tomou formas ridículas, desleixadas e compulsivas. Mas quando minha genialidade fizer de mim louco, não se preocupem, eu vou ser o primeiro a lhes alertar - até então, podem continuar medíocres. Enlouqueci por acreditar no amor. Mas ele se transforma e é difícil reconhecê-lo. Mas não quero falar da escuridão. Clichê, mas se ela nunca tivesse me salvado, eu nunca teria a chance de ter me perdido - e deliciosamente - de novo. Depois do primeiro encontro, eu não pude deixá-lá escapar - ao menos não fui capaz até nos percebermos completamente lascivos um ao outro. E não foi preciso muito para mantê-la ao lado: nenhuma extravagância, nem excesso de perfume, nem elaboração de outra perfeita e compatível personalidade. Ela soube quem eu era desde o primeiro desvio de assunto, e nunca foi preciso disfarçar. Acho que amor é isso, esse entendimento mútuo. Ela foi a única pessoa a me fazer entender que o mundo não precisa ser só redondo. Que não há um mundo que seja só meu. Ela limpou a poeira do meu Universo. E bastava que ela sorrisse - ou melhor, bastava que aparecesse - para que minhas pupilas se dilatassem. As duas, instantaneamente, para dizer de forma que só ela escutasse: você está, finalmente, aqui, agora posso abrir os olhos e me importar com o mundo. Agora que, tudo aqui, faz um pouco de sentido, eu consigo rever, nitidamente, o primeiro ato. A raiz de toda emoção. O primeiro olhar, a primeira palavra, o primeiro toque, o primeiro beijo. Estiveram, desde o começo, claros os desejos. E com o amadurecimento - e a sequência dos atos -, também claros os sentimentos e, pior, os pensamentos. Quando o amor se torna absurdamente grande, é difícil diagnosticar e controlar qualquer tipo de psicose. De repente, de amantes - hoje em dia, melhor "amores" -, nos tornamos até videntes. Foi de tanto medo que eu te fiz ir embora. Era tanto medo de te perder, te ver saindo às escondidas, de te perder de vista na multidão, ou de ser abandonado por outro, que acabei por te sugerir tudo isto. Maior era o medo de que você descobrisse que ainda era pouco amar assim. Que o mundo era maior do que podíamos imaginar - fiz uso das suas lições. Eu nunca quis que você se assustasse. Mesmo tendo enlouquecido - para você -, no final parece que eu fiquei com o "são" do "salvo" - se houve entre nós esta separação tão regrada. Até as coisas mais lindas acabam. Aliás, principalmente as coisas mais lindas acabam. A beleza tem o dom de sufocar as coisas. Era tão linda a espontânea como nos pertencíamos um ao outro. Tão lindo como parecia estar predestinado. Como parecia que éramos predispostos geneticamente a isso: sermos um par. Como parecia que não existiam, no mundo, forças suficientes para, mesmo somadas, nos separarem. A imagem que tenho de nós agora, depois do fim do último ato, é a de que havíamos tomado controle de um trem transcontinental e, depois de termos passado por longas e prósperas vegetações, depois de lagos e beira-mar, encontramos com o deserto. Entre escolher um ou outro caminho, cada um puxou mais para um lado. Você sabia que nunca teriam nos alcançado, mas teve medo. Um medo que eu te dei. E eu sabia que tudo iria explodir logo depois. Como fogos de artifício, caixas de dinamite, como um par de pupilas se explode toda vez que se ama.&lt;br /&gt;Como é natural a todos os amores que, mesmo explosivos, dilatam-se e acabam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-1602792236908636439?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/1602792236908636439/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=1602792236908636439&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/1602792236908636439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/1602792236908636439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/05/pupilas.html' title='Pupilas.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-3784102962348198351</id><published>2011-05-23T18:08:00.003-03:00</published><updated>2011-05-25T23:09:47.904-03:00</updated><title type='text'>Bordados.</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;em&gt;Vai ver era só dizer a ela assim: oi, moça, por favor, cuida bem de mim.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Ainda vemos as estrelas. Mesmo anos e anos depois de terem partido - será se estrelas, quando morrem, também vão para o céu? Ainda sentimos o amor. Mesmo anos e anos depois de termos partido - será se amores, quando morrem, também vão para ao céu? Não faz muito tempo desde que virou a esquina. Seu cheiro ainda resiste. Mas a cor dos seus lábios nunca mais foi a mesma - memórias também perdem o contraste. Nos dizem, desde pequenos que as coisas todas passam - e é verdade. Especialmente por cima de alguns. Tenho a certeza de que nunca mais fomos os mesmos - nem para nós, nem para outros. E certeza de que foi melhor assim. Mas a verdade é que sempre ficam marcas. Sempre ficam marcas. E se as minhas foram cortes, tenha certeza de que demoraram para fechar. Embora eu te desejasse infinitas felicidades, sorrisos, o mais quente dos amores. Embora eu te desejasse - ao menos te dizia que sim - as coisas mais bonitas, eu não aceitava que as recebesse longe de mim. Embora eu te desejasse, eu precisei te deixar ir. Haviam aqueles momentos em que meu amor e sua partida, somados, saltavam como raiva e violência. Haviam aqueles momentos em que a dor era tanta que qualquer outra coisa na vida perdia o sentido. Nos piores dias, a vida toda perdia o sentido - sofrer por alguém é, no mínimo, tentador, e eu me rendia. Passava horas me torturando por um retrato, uma peça de roupa que ficou esquecida, uma das milhões de frases que havia sido lida. Eu não sabia aceitar. Acho que, até hoje, ainda não aprendi. Pois ardeu tanto, e doeu sem prazo de ter fim, e eu não podia suportar a idéia de que termaria mesmo daquele jeito, naquele ponto - aliás, levaram-me anos e brutas pancadas para abandonar a inocente ilusão de eternidade. E o que adianta ser amado se você não se sente assim? Usava as palavras pra me confortar. Assim como as reações químicas são acionadas por substâncias, as reações humanas são acionadas por palavras. E eu voltava no passado e revivia os seus dias perturbados e, neles, mais uma vez você me expulsava - do quarto, da sala, do prédio, da sua vida. Para dias depois, manter do mesmo jeito. E, antes de atingir uma semana, eu me ajoelhar subindo as escadas implorando para voltar para casa. A verdade é que eu implorava por amor. Eu precisava te implorar para ser amado. No fundo, eu sei que você me amava até mesmo sem aquele dramalhão mexicano. No fundo, eu sei que você me amava e que, se não amasse, não adiantaria nada mendigar por sequer um cílio seu. Eu sabia, sabia sim. Mas perto dos vinte anos ninguém sabe diferenciar amor de serenata, nem infindável de paixão. Mas de quê adianta saber de amor se ele não explode os hormônios? Ainda que amor seja calma. Ainda que amor seja eterno - e por isto, lento. Mas de quê adianta saber que se ama, se não se sacrifica? Suas horas eram poucas para os meus dias. Seus lábios eram grandes demais para os meus sorrisos. Mas seu amor...seu amor para mim não teve tamanho, nem cheiro, nem gosto - seu amor não se libertava de seu corpo, mas ainda assim, eu o sentia levantar brevemente os pêlos. De tanto me relembrar, e repetir, alguns detalhes foram ficando gastos - nada faria completo sentido sem que eu descrevesse a estampa de suas camisetas, ou as ondas de seu cabelo. Seus fios foram perdendo o brilho, e as rosas viraram girassóis no bordado. Foi tentando me lembrar de você, que acabou que me esqueci. Primeiro de quantos graus circulavam seus olhos, depois de quantas linhas quase-rasgavam seus lábios. Finalmente, esqueci de como você fazia meu estômago reagir estranho - antes fossem borboletas, mas se tratava de vômitos. Fui te esquecendo, depois o coração foi desacelerando a cada vez que você me vinha à cabeça. Fui te esquecendo, e antes que você conseguisse fazer o mesmo, eu te deixei ir. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Sigam no Tumblr: http://comascartasnamesa.tumblr.com/&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-3784102962348198351?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/3784102962348198351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=3784102962348198351&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/3784102962348198351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/3784102962348198351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/05/bordados.html' title='Bordados.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-1310785790276388955</id><published>2011-05-16T16:42:00.002-03:00</published><updated>2011-05-16T17:52:20.996-03:00</updated><title type='text'>Para Novembro...</title><content type='html'>Era Novembro. Mas não sei dizer se fazia frio ou calor. Já me é tão falha a memória - depois de tantos aniversários, nos batem os anos. E tornou-se tão imprevisível o tempo. Eu peguei o carro, ainda meio desnorteado, tendo acabado de acordar. O céu estava aberto - o que nos daria uma pista, se não fossem os céus de Outonos para nos fazer questionar se há realmente uma ligação entre as cores e as temperaturas -, e eu descia a Avenida sem pressa. Na primeira oportunidade, estacionei. E caminhei até a padaria. Pisei no mesmo chão que, há anos, manchava com a sola dos meus sapatos - todo dia, com exceção dos Sábados e Domingos, entre às oito horas e às oito e quinze, a senhora, dona do lugar, passava um pano úmido para clarear os azulejos e, todo dia, com exceção dos Sábados e Domingos, entre às oito horas e às oito e quinze, eu pisava e quase escorregava para chegar ao balcão. Salvo os estados de espírito - que vez ou outra variavam com os hormônios, a temperatura do ambiente, o décimo terceiro, e os jogos do Brasileirão -, tudo naquelas manhãs era igual. Um expresso duplo e um cappucino para viagem, e eu era um dos poucos clientes que ainda ousava fumar sentado no balcão, enquanto esperava o pão quente sair da chapa. A soma daqueles odores todos, um cheiro que trazia conforto para mim - sabê-los lá todo dia, esperando por mim. Hoje, eu não consigo nem passar em frente de uma padaria. Os grãos de café torrados, a manteiga escorrendo pela mão, a canela dos cappucinos e rosquinhas, provavelmente um ou dois rapazes fumando na porta, o desinfetante do chão, eu fujo disso tudo. Pois, naquele dia, um outro odor se somou a aquele cheiro. E o seu corpo se alojou à minha vida. Pois bem, você entrou e o barulho dos seus saltos foi calado pela umidade que te levou ao chão. Gritou, mas depois disse que foi um riso. E então riu mesmo, depois de segurar a minha mão. Seus olhos castanho-claro e seus lábios desenhados com morangos - posso parar com a descrição, porque nem o melhor dos desenhistas conseguiria te colocar perfeitamente no papel. A primeira coisa que eu soube, é que havia sido hipnotizante - sem saber que este seria um estado constante. Pela primeira vez - seguida, depois, por uma sequência de vezes -, faltei o trabalho. Liga e diz que está doente, ou que seu tio morreu, e você me desafiou. Logo depois estávamos nós dois sentados na varanda de um bar. Não sei como, mas ficamos ali até o entardecer. Você tinha aquela coragem de bater de frente com tudo, que me dava vontade de ter coragem, ao menos alguma coragem. E você pegava dos meus cigarros e apertava meu joelho, e por um breve momento eu acreditaria se me dissessem que já nos conhecíamos há anos. Eu não podia evitar seus olhos. Nem pude evitar você. Você me aconteceu com aquele cheiro de conforto. Mas foi tomando a forma de loucura com o tempo. E mesmo sabendo, eu aceitei. Porque é gostoso sofrer por amor. Você nunca me contou seus motivos. Só disse acabou, e deixou uma nota de vinte sobre a mesa, e entrou em um táxi. Fiquei semanas sem te ver, mas te vigiava, indignado, magoado, doído, de longe. Se via um sinalzinho de vida, já ia atrás - com a distância do inseguro. E vasculhava, e imaginava tudo, e sabia de tudo, e já estava pronto, revelado, se alguém perguntassa era aquilo, claro que era aquilo. E depois outro sinalzinho aí não sabia se era mais aquilo ou se era aquilo outro e eu queria comentar com você, com alguém - não que fossem entender, ou socar alguma pessoa que aparecesse perto de ti. E me dava uma puta raiva, e eu começava a pensar que tinha algo de errado comigo, só podia, já que você estava sendo tão legal com Fulano e falando de Ciclano e parecendo que estava tudo bem na sua vida. E e eu me perguntando se só a minha vida estava uma merda. Aí eu me prendia nesse submundo, e se me perguntassem se eu estava bem, eu ia dizer que sim. Porque vai que um dia você escutasse, e você nunca poderia ter o prazer de saber que estava bem, e eu bem, bem, longe, disso. Não diga que esqueceu aquilo que ainda é latente. Eu aprendi. Não diminui, nem descolore, nem anula, nem apaga. Não muda nada. Continua ali. O amor que me levava pra longe, a saudade que nunca te traria para perto. Ou você vive, ou sobrevive, na ausência dela. Escutei de um quase amigo - não sei se quem falou foi o álcool ou o eu-lírico. E eu escolhi fazer da sua ausência, um motivo para viver. Eu já me arrastava sobrevivendo na sua ausência - uma daquelas dores que não cessam enquanto não te apagam. De superlativos fez-se a decepção amorosa. E meu maior amor do mundo foi tomado pela maior das saudades - prefiro chamar de falta, pois não me conforta mais sentir aquele cheiro. De todos os vícios que já tive que largar, você foi o mais difícil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-1310785790276388955?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/1310785790276388955/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=1310785790276388955&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/1310785790276388955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/1310785790276388955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/05/para-novembro.html' title='Para Novembro...'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-6357530075569790800</id><published>2011-05-14T19:03:00.001-03:00</published><updated>2011-05-15T13:33:21.621-03:00</updated><title type='text'>Veinte Años.</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;blockquote&gt;¿Qué te importa que te ame,&lt;br /&gt;si tú no me quieres ya?&lt;br /&gt;El amor que ya ha pasado,&lt;br /&gt;no se debe recordar.&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por quê as pessoas perdem tempo rezando se o amor não está nos céus? Se o amor é o que há de maior? E se ele realmente é o que há de maior, por quê com ele eu não te salvei? Não me entenda mal, nem me mande sair pela porta - não outra vez. Não me expulse, nem me expurgue - de ti. Não tente me socar as costas, nem cuspir no meu rosto. Eu quero ter fé. Eu quero ter tempo. Então não me dê as costas, ou aumente o volume do som. Não te digo que sou bom com as palavras. Nem que sou uma boa pessoa - por detrás de todas as impurezas incorrigivelmente humanas. Eu só tentei apartar seu choro, amenizar seu desespero, diminuir o absurdo peso que lhe tomava o fôlego. Pois um dia eu vim ao mundo - coincidiu de ser no mesmo segundo em que te vi -, e ali você ainda exalava uma beleza inebriante. E de repente, o tempo pareceu lhe roubar as cores. E mais, cada vez mais, o fôlego. O mundo pareceu lhe fazer de escrava. Não acredito em vidas passadas, mas alguma coisa você deve ter feito para merecer tantos castigos. Era noite, e portanto você chorava. Quando logo apontava a madrugada, os tiros eram certeiros, passavam por seu coração, e você chorava. Não as lágrimas que deslizariam pelas rosadas maçãs de seu rosto, mas lágrimas que escureciam seus olhos, e te faziam partir, para longe, tão longe, de mim - e de todos. Não conseguiria contar nos dedos o número de vezes em que você falou da morte - era assustadora a forma como você parecia conhecê-la tão bem. Por quê nós insistimos em amar alguém que sabemos que, eventualmente, vamos perder? E eu já tinha te perdido desde o primeiro instante. Porque, para você, as coisas nunca foram fáceis, nem mansas - e isto é parte do amor que resiste e vinga. E eu já tinha te perdido e Deus queira que isto tenha sido predestinado - porque eu não consigo entender, nem aceitar, nem vestir um sorriso e te desejar boa sorte. Por quê nós insistimos em amar alguém que sabemos que, eventualmente, vamos perder? Seja perder nos olhares distantes ou em corpo. Pior ainda quando em alma, ou perder para um outro mundo do qual não temos notícias - sou cético aos espiritualistas e alucinados que juram ter contato com o lado de lá. Por quê amar se tudo vai embora? A pequena planta que morre, os gatos e cachorros que fogem, nossos avós, e pais, a própria paz que sequer existe. Por quê amar se a única garantia é a de abandono? De dor? De sofrimento? Por quê eu te amei do fundo da minha alma se, desde o começo, eu já sabia disso tudo? Eu poderia prever - ter a certeza - de que um dia eu estaria no mesmo lugar, falando de nós dois, com uma dor no peito, o barulho dos aviões rasgando o céu, e a esperança de que você ainda se vire e me olhe. Seus braços cada vez mais finos, seus olhos cada vez mais fundos. Temo que um dia você suma - não outra vez de mim -, mas de vez, do mundo. Sei, sei que um dia você me pediu: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não desperdice sua fé comigo. &lt;br /&gt;Não insista em rezar por mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-6357530075569790800?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/6357530075569790800/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=6357530075569790800&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/6357530075569790800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/6357530075569790800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/05/veinte-anos_14.html' title='Veinte Años.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-5095223016628695608</id><published>2011-05-11T20:36:00.000-03:00</published><updated>2011-05-13T17:23:17.569-03:00</updated><title type='text'>PEDIDO.</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Hoje, em um momento de muita raiva, decepção, indiginação, eu optei por fechar meu blog, e dar autorização de leitura para apenas algumas pessoas. É complicado, muitos que merecem ler, não têm meus contatos para que possam ser incluídos, nem eu os deles. Portanto, pensando neles - depois de muitos e-mails, recados, indagações e mal-entendidos -, eu reabro agora o blog. Sei que não durou nem um dia, mas isso não é uma questão minha. Existem pessoas que realmente lêem e sabem fazer bom proveito do que está escrito aqui - mesmo que alguns aí não vejam nada de especial ou de qualidade. Enquanto outros, não sei se por má índole, ou distração, ou qualquer outro motivo, têm tomado posse de frases/textos deste blog. Atenção: não incluo, nestas pessoas, aqueles que publicam frases/textos entre aspas em Orkut, Facebook, Twitter. Mesmo sem aspas. A decepção é com aqueles que dizem-se autores do que eu escrevi, ou que criam em cima de algo que foi, anteriormente, escrito por mim. Peço, de verdade, que tentem evitar este tipo de desgaste. Não é só o que eu escrevo aqui: é o que eu sinto também.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Meu coração,&lt;br /&gt;aos que lêem, e se importam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-5095223016628695608?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/5095223016628695608/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=5095223016628695608&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/5095223016628695608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/5095223016628695608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/05/pedido.html' title='PEDIDO.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-7208138245539155028</id><published>2011-05-08T17:42:00.003-03:00</published><updated>2011-05-09T18:56:23.654-03:00</updated><title type='text'>Desconexo.</title><content type='html'>Dizem o que querem dizer - como se, dizendo, poupassem-na de todos os males do mundo. Dizem, como diríamos nós todos: tome cuidado, menina, há mais de uma face no mundo. E eu nunca teria mãos grandes o suficiente para segurá-la. E eu nunca seria mais forte que a gravidade. E ela nunca giraria em torno de mim - pois existem outros além de você -, e eu nunca giraria em torno dela - pois você preferiu orbitar em desordem. Falavam, oras, como falavam. E deixavam ecoar pelos becos - às vezes, até mesmo sem terem becos. E repetiam no rádio e nos jornais. Que é preciso tomar cuidado com tudo. Principalmente com as pessoas. Especialmente se elas parecerem boas. E ainda mais, se falarem demais. Pois eu nunca pareci ser bom, nem antes me declarei humano, e ainda me protegi entre longos silêncios e inesperadas pausas. É claro, ela não teve cuidado. Mas quem saberia que nossos corpos reagiriam assim: em desacordo com as palavras. Não preciso narrar os fatos. Como pernas subiram aos braços, e como do fundo dos olhos podia-se ver o pico das montanhas. Era para termos sido sempre nós dois, mas o tempo existe para ser desafiador. Com ou sem ela, os hábitos permaneceram os mesmos. Três cafés expressos antes do meio-dia e um maço de cigarros quando o relógio badalava às seis. Descia e subia as escadas do metrô, apoiava o caderno no joelho e rabiscava. Dali, sairia alguma coisa. Como ela sempre disse. Acreditando - com a inocência de um coelho que não sabe discernir um anjo de um porco - que, em mim, havia sim algum talento. Dali, sairia alguma coisa. Fosse um poema niilista, um retrato expressionista, um boneco de palito, ou um grito - por meio de folhas eu gritaria a dor até então desconhecida de não mais tê-la. De nunca tê-la tido. Porque fui fraco. E, ao menos isto, admito. É de uma agonia desnorteadora escrever como se não fosse para ela. Como se não fosse para você - sim, mantenho em mim as esperanças juvenis de um final feliz. Nestas esperanças você me lê agora, joga uma ou três mudas de roupa na mala, e aparece logo atrás de mim. Gritando meu nome, com seu pouco fôlego. &lt;em&gt;Bernard! Bernard!&lt;/em&gt; É claro que nestas esperanças não sou eu esperando, nem você aparecendo. Mas brilharíamos os dois no meio de Paris. Sendo outros, mas com os mesmos sonhos - isto é, se você ainda se permitisse sonhar comigo. Eu soube, assim que você partiu, que tudo que antes eu lhe disse, nunca havia sido tão verdade. Eu soube. E eu disse. E você soube. Que eu te escreveria todos os dias até que você voltasse. Escreveria mesmo na incerteza de que minhas palavras chegariam as suas mãos. Mesmo na incerteza de que minha boca sopraria os seus ouvidos. E eu te prometeria, mesmo sendo batizado em incertezas. Se fui fraco, ou desonesto. Se a culpa foi minha, ou eu não vi passar. Se sou um monstro, ou monstruosamente humano. Se haveria perdão, ou somente tempo. Algum dia, todo amor se vai. Que nem são levadas as folhas, e escoada a água. Você estava deitada sobre a cama, de bruços, os lençóis brancos e o sol invadindo a janela. A impressão de que o verão duraria para sempre. Eu não escutei - digo, eu fingi que não -, e você repetiu: algum dia, todo amor se vai. Não tendo me cutucado com aquelas palavras, talvez eu demorasse um pouco mais para perceber que, ali, já era amor. Já era amor acima de tudo. Talvez eu demorasse um pouco mais para sentir o peso. Para sentir medo. O amor está onde eu não posso tocar. E mesmo assim eu ia me atirando em você. Primeiro com muita força, depois com cara de desistência. Você tocava meu amor com seus olhinhos miúdos. Sutilmente, sem o menor esforço. Mas depois que você se foi não houveram maneiras de domá-lo. "Eu não quero me lembrar de você" seria, com certeza, muito pior do que "já te esqueci".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-7208138245539155028?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/7208138245539155028/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=7208138245539155028&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/7208138245539155028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/7208138245539155028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/05/desconexo.html' title='Desconexo.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-7424107366210352246</id><published>2011-04-30T12:31:00.002-03:00</published><updated>2011-05-02T17:02:02.169-03:00</updated><title type='text'>Descrença.</title><content type='html'>O mundo parou. Em nenhuma língua, haveria maneira tão clara de dizer o que aconteceu naquele breve momento em que ela desapareceu. Eu reabriria todas as portas, se fosse preciso, para entender o que se passou. O que passsou despercebido por mim. Achava que éramos um para o outro - creio, hoje, que acham-se assim todos os amantes. Mas naquele derradeiro segundo, o que antes eu achava, acabava de se perder para sempre. Sua primeira aparição poderia ser comparada com a de um cometa que, por sorte, meus olhos acompanharam. Ela cintilava com o neon. Dez minutos depois de meia-noite, inesperadas pancadas de chuva e ininterrupta garoa. Ela me chamou os olhos. Mas seria exagero dizer que, justo ali, eu pude sentir meu coração inchar de modo diferente. Ela não era a única que se destacava no cinzento deslizar da noite. Mas Deus - em momentos de raiva, eu a jogava até para o diabo - quis que fosse ela. E o pior, quis que fosse assim. Não sei se por vingança, ou vaidade, atirei a culpa de tudo em todos - nisto, em qualquer um que não fosse eu. Por quase um segundo, eu chegava a me sentir mais leve. Nunca ninguém disse que seria fácil lidar com a perda. Se houvessem dito, quem é que teria acreditado? O mundo é dos ignorantes, eu acho. Talvez só eles sejam capazes de viver - pois, em certos momentos, respirar é tão duro, que é impossível se desvencilhar dos sonhos de morte. Eu tinha amigos antes dela. Privacidade entre quatro paredes. Parcelas já quase quitadas de uma viagem com tudo pago para a Europa. Sonhava acordado. Sonhava dormindo. Eu ainda dormia antes dela. E, mesmo aos Sábados à noite, era quase sempre tudo calmo. Do jeito que as coisas tem que ser, eu mesmo me dizia, para não confundir a paz com monotonia. Ao reler estas linhas, percebo não esconder tão bem a raiva que ainda me resta - única forma de tê-la por perto é estando com as mãos sedentas por sua garganta. Mas eu não posso me esquecer dos níveis mais próximos da felicidade plena. Como quando eu ria da minha própria risada. E via cores até em uma tela em branco. Não me esquecia dos olhos dela. Como se neles eu enxergasse a luz. Não me esquecia do sorriso dela. Como se neles eu me acabasse em gargalhadas. A cicatriz que ela carregava desde a infância - um motivo para dormir feliz. Os pequeninos riscos em seu par de lábios - verdadeiros versos e poemas. E o meu tato tateando toda a superfície daquele corpo - tão forte, mas já tão ferido. Meu Deus, como é doentio o amor. A dependência em outro ser vivo para estar vivo também. As coisas mudam - não é preciso ser nenhum poeta para prever. O tempo passa - já diriam os deuses. Reconstruo, como posso, nossa história em minha cabeça. Desde seus fios de cabelo no ralo, aos seus pés congelados da neve. Desde o primeiro olhar - com o qual achei que seria, ainda, para sempre o mesmo - aos retalhos de um bilhete. Ela sequer se deu ao trabalho de escrever uma carta, ou me esperar chegar do trabalho, ou deixar a geladeira cheia. Nem agradeceu por eu tê-la amado sem nunca ter pedido nada de volta. Nem explicou os motivos da separação. Nem se lembrou do que havíamos vivido e voltou para a ceia de Natal. Nem nunca me ligou. Nem nunca mais a vi. Restaram as fotografias da memória, que perdem a nitidez na velocidade das coisas que se perdem assim tão rápido. Foi acreditando no amor, que eu acabei desacreditado de tudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-7424107366210352246?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/7424107366210352246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=7424107366210352246&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/7424107366210352246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/7424107366210352246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/04/descrenca.html' title='Descrença.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-9145874902128535887</id><published>2011-04-24T17:58:00.003-03:00</published><updated>2011-04-24T23:50:09.998-03:00</updated><title type='text'>Que Amor.</title><content type='html'>Quem diria, que acabaria assim, em um recomeço. Quem diria, que o quê todo mundo dizia, era verdade. Era de se esperar. E então esperamos. O que vai, volta. E a gente se foi, logo então - desmereço assim o tempo -, voltou. E eu, que sempre te amei, agora amo mais. Mais devagar, mais cuidadosamente. Amo mais, em cada parte de mim. E apesar de tudo, e de todos, e mesmo que pese, em nós e em outros. Eu te amaria se estivéssemos os dois debaixo d'água disputando por resgate. Eu te amaria se estivésssemos os dois debaixo do chuveiro, morrendo de calor no fim de tarde. Eu te amaria se os Sábados não fossem de sol. Eu te amaria se todo dia fosse Domingo. Eu te amaria se você me desse ressaca. Eu te amaria se você não me desse nada. Eu te amaria se estivesse cansado. Eu te amaria se você estivesse se cansando. E eu não preciso que você acredite. Eu não preciso que você retribua. Nem que sorria. Não preciso que me olhe. Nem que me ligue. Eu não preciso te falar. Nem preciso escutar de volta. Eu preciso que você exista. Para este amor não sair sem rumo. Pois o que voa, também se perde. E sentimentos, tais como este, não podem se perder. Pois as coisas se transformam. E amor, de repente, vira raiva. E da raiva contraem-se os punhos. E dilatam-se as pupilas. Há prazer quando há dor. Mas a dor sabe por quais veias circular. O prazer se espalha, os vasos incham, e depois tudo passa. A dor vinga, e permanece. A dor pede por vingança. Nada disso deve acontecer. Não porque eu quero, mas porque eu preciso. Eu nunca te olharia de olhos vermelhos e mãos atadas. Eu nunca desistiria de lutar. Nem te colocaria como inimigo. Eu nunca te escreveria tais palavras se elas não saltassem do meu peito. Não busco por respostas - não preciso entender a graça. Também não quero encontrar seus lábios quando terminar esta linha. Eu quero te encontrar por inteira quando colocar tudo para fora - tudo aquilo que é tão vivo aqui dentro. Eu quero te ter por inteira. Sem desmerecer, nem desperdiçar, nenhuma parte. Cada letra é um beijo que alcança cada um dos centímetros do seu corpo. Que é tão pequeno, mas que ocupa tudo - desde o espaço das raízes das árvores, as ervas daninhas, os sete mares, o contorno das nuvens, os pêlos dos meus braços. Eu não lembro da vida antes de você. Não lembro do mundo. Não lembro se já vivia. Será que com seus abraços eu acordei? Ou nasci. Ou renasci. Se a morte foi lenta ou dolorosa. Se estava aconchegado no plasma. Se levei uma pancada na cabeça e desfaleci. Minha primeira lembrança é de suas mãos alcançando minha cintura. E meu corpo sendo sugado pelo seu. Logo depois alma, e também vísceras, espírito, mágoas, subconsciente, alterego. Talvez eu tenha apagado tudo que houvera acontecido antes - e eu te amaria mesmo que não tivesse valido à pena. Talvez nada tenha realmente importado. Talvez nada importasse - se não houvesse você. E ainda com todas as desculpas, e descasos, e desconcertos. Ainda que o mundo não orbite em volta do nosso. Estamos de volta para onde tudo começou. E eu te amaria sempre como se fosse a primeira vez. Eu te amo como se tivesse te conhecido neste segundo - assim, concluímos que houve um pacto, mesmo sem saber a procedência. Eu te amaria ainda que não houvesse espaço. Eu te amaria por esta e todas as próximas vidas. Eu te amaria mesmo que você não existisse.&lt;br /&gt;Eu te amo.&lt;br /&gt;E este, seria o tão procurado infinito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-9145874902128535887?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/9145874902128535887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=9145874902128535887&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/9145874902128535887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/9145874902128535887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/04/que-amor.html' title='Que Amor.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-2305047006003098817</id><published>2011-04-24T17:34:00.001-03:00</published><updated>2011-04-24T17:34:30.485-03:00</updated><title type='text'>Sonhos.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Lá vai ele, outra vez, tentar secar as feridas que nunca viu sangrar.&lt;br /&gt;Lá vai ele, outra vez, escrever as dores que nunca sentiu.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhando, vagarosamente, pelas ruínas da cidade que eu construí com a ganância da minha mente. Caminhando, como um santo, pelas sombras, com o sangue escorrendo pelas mãos. Os glóbulos que não me pertencem escorrendo, como as gotas da chuva - que chove agora - nas janelas. E os prédios, e as calçadas, e os paralepípedos, e as placas, se destruindo atrás de mim. Meus passos alimentando o caos. Você disse, melhor que nunca tivesse existido. Mas eu não vim para falar de você. Nem dos seus dizeres. Eu tento me esquecer. Dizem que é melhor levar com calma que, devagarzinho, vai saindo do coração. Às vezes meu peito dói um pouco, e eu juro, juro mesmo, que é você fazendo os primeiros cortes, até que abra um buraco grande o suficiente para sair. Espero que você não passe em frente aos meus olhos. Mas eu não vim para falar de você. Não é como se merecesse minhas palavras - embora escassas. Nem meu choro - ah! se eu ainda chorasse. Se eu ainda desperdiçasse tempo chorando. Com muitas lágrimas eu poderia fazer dos meus olhos um par de oceanos. Das minhas íris, dois barcos. Duas grandes navegações. Onde sua imagem já navegou, boiou, flutou, habitou e, depois se foi. Uma embarcação vistosa, momentos depois, naufragada - quando cedi as lágrimas. Mas eu não vim para falar de você. Embora seja difícil. Uma das tarefas mais árduas da vida é tirar da ponta da língua aquilo que mora no coração. Caminhando, nos momentos em que eu deveria estar com você. Eu achei que seria assim. Dois oceanos que se cruzam. Oceanos, não rios ou lagos, por percorrerem infinitos alcançáveis, portanto não tão infinitos assim. Se há infinito, ele parece finito para mim. Ainda que a linha do horizonte pareça longe, é possível tocá-la com os dedos. Debruçando-se sobre o asfalto - ainda quente dos dias e mais dias de sol -, acendendo um cigarro, vendo desenhos nas nuvens, e apontando os dedos. Todos eles, tem-se a linha mais distante e mais desejável acima de seus pés. A distância seria, para todos e para tudo, a melhor saída. Se sair fosse fácil, se eu tivesse realmente entrado. Não duvido de ter estado presente em seu coração. Ninguém diria o que me foi dito só por dizer. Que era novo e, sendo assim, delicado. Que era delicado e, sendo assim, precisávamos ter cuidado. E, por isso, não me toque. Nem me olhe. Nem me beije. Vamos manter em segredo. Mas você sabe que eu guardo tudo que é sincero para você. Eu acreditaria em tudo, de novo. E você ria e sorria e tocava e não era eu. Você pedia para que não mas, ainda assim, eu olhava. Ciúmes eu teria se você tivesse se permitido. Não sei o que diabos havia de tão errado. Para você me evitar, logo depois me procurar, e então me empurrar, e despir seus ombros, e aproximar seu rosto, e roubar meus suspiros. Eles poderiam ser os últimos. E você não os merecia. Mas nada te importava. Nada te comovia. Nada te tocava - se é que havia algo sólido. Nada havia em você, senão o desespero. Um desespero que te rejuvenescia dez ou doze anos. Sorria que nem menina quando deitava a cabeça em meu peito. Mas eu não vim para falar de você. Nós nem nos falamos mais. Desde o dia em que você me pediu vá embora, e eu não quis ceder. Eu não quis, eu não quis, eu não podia! Você disse, melhor que nunca tivesse existido. Foi quando tudo em volta se desmanchou. E eu não reconhecia a boca que sibilava aquelas palavras. Não é isso que eu quero para mim. E você entrou no carro. Dois segundos até dar a partida. Dando ré, quase atropelou um pombo. Chequei, tendo desconhecido até então o meu reflexo, todos os espelhos. Você não olhou para trás. Você nunca olhou para trás. É possível ainda escutar o atrito da água com as rodas, e o volante girando com as curvas. E você nunca olhando para trás. Com os vidros abertos, seus cabelos voando com o vento. Os fios todos mais escuros. Ali, a vida perdeu um pouco do contraste. Eu acendi aquele cigarro que nos prometemos. E cantei aquela música que, tempos depois, esquecemos. Tentei, ainda, te alcançar. Caminhando, vagarosamente, pelas ruínas da cidade que eu construí com a ganância da minha mente. Imaginando se aquilo tudo havia realmente acontecido ou se haviam colocado algo na minha bebida. Eu sequer bebia, na esperança do celular tocar, e eu ter que sair correndo para te encontrar em algum outro continente. Foram cinco anos, e eu contei os centésimos de segundo. Nenhuma notícia sua. Nem debaixo da minha janela - como você fazia, quando, embriagada, precisando de alguém que soubesse te amar da forma que não sabia aceitar -, nem nos jornais. Nenhuma notícia sua, e eu voltei a caminhar. Como se o mundo ainda fosse o mesmo - apesar de sua ausência nele, ainda presente em mim. Leva-se um tempo para aceitar a verdade. O que me assustava, tendo lidado tão pacientemente com as suas mentiras.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-2305047006003098817?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/2305047006003098817/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=2305047006003098817&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/2305047006003098817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/2305047006003098817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/04/sonhos.html' title='Sonhos.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-1225692475209512508</id><published>2011-04-12T13:50:00.004-03:00</published><updated>2011-04-12T14:41:36.142-03:00</updated><title type='text'>Escrita.</title><content type='html'>Seus olhos. Seus olhos quando encontravam os meus - parece o início de um poema, mas é só uma declaração de amor. Nem todas as declarações de amor são poéticas, ou amáveis - como o próprio amor -, elas podem ser amargas, letais, infecciosas. Ou apenas declarações de amor, sem qualquer qualidade ou utilidade prevista. Eu nunca te deixei partir, mesmo quando me implorava, dizendo que doía demais viver por mim. Viver o que eu não pude, digo. Sempre tive problemas em encarar a realidade. Então melhor era me esconder nas fantasias ou sob o seu sorriso. Melhor era levar a vida como um ensaio para uma outra vida que fosse de verdade. Um dia você ainda vai morrer, você me dizia, disfarçando sua preocupação com a ordem dos talheres na mesa. Um dia você vai morrer, e até lá você sofrerá muito. Você meio que previa, e eu ria sarcástico. Não que eu não acreditasse na morte, é claro que eu acreditava, apesar da minha insuficiência psicológica e do meu ceticismo. Eu acreditava na morte como uma ponte. Eu sempre te falava das pontes, as pontes que nos levariam as coisas reais da vida. As pontes concretas e a magia de estarem tão seguramente presas ao chão, ao chão que ninguém vê, cobertos por metros e mais metros de água e nosso instinto de atirar-se delas. Você achava engraçado, e eu não entendia como. Eu levava aquilo com tanta seriedade. Talvez a única coisa na vida na qual eu realmente me segurava. Eu vivia pregado naquela idéia de atravessar por quilômetros, sentindo o vento balançar os cabelos, e de repente, chegar do outro lado e ver tudo mudar. As vistas mudam de acordo com o ponto de referência. Isto eu não precisaria dizer para ninguém. É algo sempre muito claro. E, isto seria, para mim, a verdadeira morte. Cruzar uma ponte, e ver tudo que eu antes via - e vivia - de uma outra forma. Com mais suavidade ou leveza. Ainda que os arcos balançassem durante o caminho - isto se houvessem arcos, eu não sei prever o quão simplória ou não é a arquitetura em volta deste ritual de verdadeira partida. Eu não tinha medo da morte. Nem medo de pontes. De cruzá-las ou me sentir tentado a desafiá-las em um salto. Ou desvendá-las. Voltando a você - e tudo aquilo que orbita em sua volta -, eu devo dizer que nunca conheci ninguém igual. Talvez eu tenha conhecido. Mas meu amor foi capaz de te mudar para mim. Eu te olhava com olhos diferentes daqueles que olhavam para os lados. E quando você se refletia neles, o mundo todo mudava. Mas não era o suficiente para que eu me desgarrasse dos meus instintos primários. O homem foi feito para a reprodução, todos sabem. O poeta foi feito para a decapitação. Alheia, nunca a dele. Somadas estas duas partes, eu me tornei o que sou. O que fui para você. Convencido de que todos os meus pecados deveriam ser perdoados - antes, convencido de que não eram sequer pecados -, afinal estava tudo no sangue. E, ao menos que você fosse capaz de me prover uma transfusão de sangue - e alma -, nada poderia mudar. Eu tentei, acho que você sabe. Tentei lutar contra meu desejo de carne e minha sede de morte - desta vez, como algo espiritual, com ressureições e renascimentos. Tentei ir contra minha natural busca por sentimentos. Sim, era impossível apenas vê-los de longe. Eu precisava sentí-los invadindo meu corpo. Você se cansou, e eu entendo. Cansou-se de me pedir para que parasse, para que não me destruisse, não definhasse. Cansou-se de me amar tanto enquanto eu amava a tantas. De ter que me buscar de madrugada em coma, descontrolado, violento, insandecido, insaciável. De me dar amor depois de eu ter roubado suspiros de outras.  Eu sabia exatamente quais palavras usar para te convencer de que com você era diferente. Com você realmente era diferente. E eu sabia todas as palavras, para todos os momentos. E você sempre era minha, e se aguentava com pílulas para dormir e meias para manter seus pés aquecidos. Você me resgatava dos fundos dos poços, e depois eu te agradecia com um amor desgraçado. Eu acabava contigo e, no fundo, não era só você que sabia. Você me levantava, você me erguia, e eu te beijava, mas nada do que eu te dava cabia. E você aceitava. E vez ou outra se indignava. E então tudo sempre acabava, com a cara lavada de quem não devia nada, felicidade ou repulsa ou mais vinte anos. A minha cara ingrata. Com a feição monstruosa de quem se julga melhor que qualquer um. Eu selecionava minuciosamente as palavras e, novamente, você voltava. E eu te abandonava, ia atrás de carícias. E escrevia um haikai, depois um poema, media bem as sílabas, decidia optar por um conto, quando me doía demais, eu escrevia um livro. E eu pedia para você ler. E você sorria, mesmo inconsolável. Você podia contornar claramente as pernas de cada uma delas através das minhas páginas. E sentir o meu beijo alcançando-as. E meu desejo crescendo. E o gozo final, quando você chorava. E dizia que era tudo muito lindo, mas que não aguentava. Eu te amo para além da vida, mas isso não é amor, é a própria vida. Você lia e relia em voz alta. Seus olhos lambuzados de rímel e lágrimas. Você escorria toda. E era tudo tão lindo, mas nada ali era seu. E você não se continha e permanecia chorando, isolada por horas. Relendo tudo para tentar entender porque não havia sido com você, porque não podia ter sido com você. Era tudo mesmo tão lindo. As vírgulas, os travessões, os segredos. Um deles, eu nunca te contei. Mas permanece, além de qualquer linha ou exclamação. Eu escrevo através do que você escreveu em mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-1225692475209512508?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/1225692475209512508/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=1225692475209512508&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/1225692475209512508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/1225692475209512508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/04/escrita.html' title='Escrita.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-7606204413008069235</id><published>2011-04-11T14:40:00.003-03:00</published><updated>2011-04-11T22:19:26.406-03:00</updated><title type='text'>Headlights.</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;blockquote&gt;For once I want to be the car crash,&lt;br /&gt;Not always just the traffic jam.&lt;br /&gt;Hit me hard enough to wake me,&lt;br /&gt;And lead me wild to your dark roads.&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na boca do viaduto, escondidos da saudade. Seguros. Aqui, amor, melhor deixar ir. Finja que são cinzas, encha suas mãos o bastante para escapar pelo espaço entre seus dedos. Depois as abra - se mais confortável, também abra os braços -, e deixe ir. Deixe voar. Por ser noite, e pela noite trazer, em si, pouca luz, não poderemos acompanhar os segundos em que boiarão na superfície do esgoto. Mas, ao menos, saberemos que resistirá um pouco. Eu sei, o cenário deveria ser mais bonito, mais amplo, menos asqueroso. Para fazer valer todo o tempo em que estivemos juntos. Feito fôssemos um só. Você se lembra? Eu não. Não tento recordar, melhor não insistir. Está sendo indolor, e este é o melhor dos caminhos. Mesmo te vendo chorar e se debater contra mim. Não me restaram lágrimas, nenhuma que eu possa deixar para você. Como sempre disseram, tudo chega ao fim. Até aquilo que prometemos fazer durar. Existem coisas, raras exceções, coisas que são eternas. Nós não fomos. E não por descuido ou por descaso. O motivo é simples e claro. Os corpos mudam e os encaixes se desgatam ao tentar qualquer adaptação. Nossos corpos se oxidam, e enferrujam e, de repente, um par que era perfeito, já não é mais par. Não que tenhamos atingido a perfeição. Longe disso. Estávamos mais para um desastre. Uma falta de sintonia, uma desorganização. Eu e você poderíamos estabelecer o caos no mundo. Quantos lados tem um mundo? Para saber o quão longe ficarei de você. É melhor não nos olharmos, nem nos sabermos, nem nos encontrarmos. Fingir que nada nunca aconteceu. Meu Deus, como as palavras são fáceis. Eu posso não me lembrar exatamente de como éramos quando formando um corpo só, chorando uma dor só, amando um amor só. Mas eu sei do impacto que você teve em mim. Suas mil malícias e seus furacões. Era te olhar para sofrer de desritmia, estar suscetível a ataques cardíacos, perder o chão - e também a cabeça. Você ainda diz que me ama, que é arriscado me perder de vista, que não consegue se controlar, e tenta me roubar um beijo e tenta - mais uma vez - me roubar a vida. Mas tornou-se difícil acreditar em você. Que primeiro estava aqui, e depois estava com outros. E me tinha nas mãos, e beijando seus pés. Jurando todos os amores que lhe eram possíveis. Mas dividindo seus lábios - tão meus - com outros. Eu não soube amar deste jeito. E só você sabe como tentei. Amor livre, você me dizia, não sei amar de outro jeito, você insistia. E então reviramos as explosões dos outros. Reviramos os mundos dos outros - para dar sentido ao nosso, talvez. Pois é tão perfeito e você me faz feliz - e então você lambia minha nuca, e escorregava por minhas costas, e eu me cedia a todos os seus caprichos. Nós nos sentávamos em uma rua cheia de gente e de bares. E acendíamos nossos respectivos cigarros. E você apoiava sua cabeça com as mãos, e ignorava minha presença. E depois me percebia acuado. Escolha uma explosão - e era você, era você mais e acima de tudo. Eu não me interessava por outras pernas, nem outras transas, nem outras semi-paixões. Era sempre você. E você não pôde prever, nem com seus papos espirituais, nem com seus filtros-dos-sonhos, nem com nada. Você acreditava que eu nunca iria embora. Pois bem, você mesma me expulsou. E se dói agora, foi uma escolha que você abraçou. Também dói em mim, embora eu disfarce com amnésia. Quando se abre mão de um amor assim, é sábio abrir mão da memória. De alguns bons momentos da vida. De alguns cheiros e sabores. Doerá muito mais, e a dor parecerá incurável, incessável, mas uma hora passa. Daqui alguns anos e outros beijos, talvez a gente se esqueça. Assim, se esqueça de verdade, e fique desconcertado em não mais lembrar um do nome do outro. Ou talvez a gente apenas se acostume. E substitua por alguns amassos. Eu não queria que terminasse assim. Mas você não sabe amar. E eu precisava disso. Como se fosse algo forte o suficiente para me salvar de tudo. Agora eu só espero que você se salve de si. E não se arrebente entre as quinas e calçadas. &lt;br /&gt;"Tenho muito medo de me apaixonar. Também tenho muito medo de morer. E, ambas, são coisas que eu sei que, um dia, irão acontecer."&lt;br /&gt;Eu lembro de quando você me disse, e eu acreditei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-7606204413008069235?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/7606204413008069235/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=7606204413008069235&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/7606204413008069235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/7606204413008069235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/04/headlights.html' title='Headlights.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-2545919087741255243</id><published>2011-04-06T21:54:00.002-03:00</published><updated>2011-04-08T18:39:31.623-03:00</updated><title type='text'>Tanto Quanto Maior.</title><content type='html'>É assim que eu me curo das grandes coisas na minha vida. Através da reclusa. Do confinamento. Da solitária. Quando ela foi embora, eu precisei me curar. Eu me tranquei nos quartos. Em todos eles. Em qualquer lugar. Eu atirei minha cabeça - repetidas vezes - contra a parede. Eu descasquei os pedaços sólidos de tinta em volta das rachaduras. Eu cortei a ponta dos meus dedos. Eu sangrei. Eu sangrei para caralho. E eu morri. De forma a renascer. Depois de um ano ou seis. Quando o formato do rosto dela perdeu a nitidez. E eu esqueci da cor de seus olhos. Da saliência - ou não - de suas olheiras. Quando eu a deixei ir. E não mais amava suas coxas, nem seu sorriso, nem seu pâncreas, nem seu fígado. Quando eu não fiz mais questão de sabê-la de cor ou de tê-la no coração, eu acordei para ver o sol. Era um dia quente. Provavelmente por ser verão, ou por eu ter quebrado o ar-condicionado em um chute. Ela existiu por pouco tempo na minha vida. Digo, fisicamente. Eu não recebi muitos abraços vindos dela. Nem muitos beijos. E ela não me chupou, nem me amou. Nem me pediu em casamento, nem quis ter filhos, nem veio contra meu corpo em movimentos desejosos ou horizontais. Nem ziguezagueou pela minha cama. Ela gostava de me puxar pela barba e, achando que eu gostava de volta, ria e me beijava a ponta do nariz. Sempre dizia que eu tinha cara de moleque. Se eu tivesse sido mais homem - com isso, quero dizer mais violento -, talvez ela teria achado instintivo pertencer a mim. E ficar comigo, por mais dez ou três mil noites, pela eternidado. Ficar comigo até a hora do jogo, e limpar a poça de cerveja, e reclamar das manchas nos móveis, e me trazer um guarda-copos, e morder minha orelha e se colocar para dormir em cima de mim. E ficar comigo. Por um tempo, era tudo que eu quis. Que ela tivesse ficado. Porque algo ali era diferente, e especial, e imediato, e inconsequente. Tipo de coisa na vida que é fácil de se inventar motivos para evitar. Ela evitou, entre um piscar de olhos e dois segundos tentando tirar um cílio preso na pálpebra, ela pegou a bolsa e saiu. Sequer se deu o trabalho de fechar a porta. Dois dias depois estava se enroscando e brincando de amor com um outro. Não procurei saber, mas são coisas que, sem querer, a gente sabe. A garganta aperta, o ar arranha, o coração acelera e de repente a gente pensa que alguma coisa ruim está prestes a acontecer, e conta para um amigo, que te serve uma dose de whisky e te diz que você anda muito estressado por causa do trabalho. Mal sabendo ele que você pediu as contas na semana passada porque queria arrumar uma mochila e se mudar para Toscana por um mês ou dez anos, porque tinha encontrado a pessoa certa e você merecia aqueles momentos felizes nos vinhedos no sofá no chão da cozinha sem as partes de baixo ou totalmente pelados coberto de chocolate ou sujos de lama sem se importar com nada. Eu soube. Eu senti alguém se aproximando dela, e ela sem se esquivar. E meu celular tocando, e um amigável aviso ei, amigo, eu vi a Fulana aqui na festa com Fulano num movimento estranho vocês ainda estão juntos? Nessas horas a gente só responde, e em algum momento estivemos? E finge que está tudo bem. Porque está tudo bem não está? Porque eu nunca olhei para ela e a amei sem precisar explicar como eram amáveis seus lábios como eram amáveis suas maçãs-do-rosto suas negligências suas overdoses seus rins seu nariz seus lábios sua timidez sua língua suas artérias seu fígado suas sardas suas pintas sobre os ombros seus joelhos arroxeados sua vontade de correr mundo. Porque eu nunca a olhei de olhos fechados. Nem a tive em sonhos. Nem a guardo como um tumor que a cada vez mais cresce e cresce e cresce e me definha e me tira o apetite a razão a vontade de acordar sorrindo a vontade de acordar apenas. Mas eu disse que a deixei ir e mantenho a palavra. Nunca mais liguei depois das duas da madrugada perguntando se viu a lua e pedindo para alguém rir ao fundo só para ela achar que eu não estava ligando por estar desesperado nem em crise de abstinência. Para disfarçar o amor primitivo e irracional que eu cultivava. Para disfaçar porque esconder era impossível, bastava escutar a primeira sílaba de seu nome que meu coração já acelerava e escapava do corpo e ia até onde você estava só para te observar e pensar meu Deus como eu escolhi amar o amor certo. Mas depois se arrependia, quando outro par de olhos de invadia e não era eu deitado ao seu lado assistindo televisão e comendo pipoca e sendo amado. Era difícil me amar, mas seus motivos eram outros. Não era você, era eu. Com você tudo bem, coração a mil, jovial, com um ou dois hematomas, nada muito sério, né, Doutor, eu vou conseguir amar assim de novo, né, só vai doer um pouco, mas vai ficar tudo bem, né. Ficou sim, você só não precisava dizer que o problema era contigo e me deixar angustiado, perdendo noites tentando descobrir quem diabos havia te deixado assim e arquitetando planos para acabar com o tal cara, enfiar a cara dele na privada e dar um belo chute no saco que um dia, pelo visto, você amou sem pudor algum. O problema era comigo, com o amor que você não quis me dar porque, aparentemente, eu não era digno de receber. A cor da minha pele é a mesma de quase todos os homens, a minha estatura também, meus olhos tem a mesma cor de uma poça de lama e eu não tenho nada de especial. Mas mesmo assim você preferiu se entregar a outro. Eu não representava nenhum mal. Não tinha nem charme para instigar ciúmes, nenhum músculo para aumentar o calor. Eu era o mais simples dos simples, vai ver isto te deu medo. Porque eu andava na rua e as pessoas olhavam surpresos com o meu rosto que era o mesmo que poderiam ver do outro lado do mundo. Só uma coisa me salvava de não ser mais um na multidão. E não eram minhas palavras nem meus poemas nem meus surtos psicóticos nem minha depressão nem meu umbigo para fora nem meu vinho favorito: era o amor que eu deixava explodir na minha pele por você. E era inegável, irrevogável, e todos sabiam. E quem não sabia, imaginava. Era tanto amor que eu podia distruibir à noite para os pobres, servir em um panelão e depois dar abrigo. E nunca faltaria mais, pois se multiplicava. Tigelas quentes de um amor que você negou receber. Eu devo ter te assustado, mas eu não era assim tão claro, a não ser através da minha pupila que dilatava toda vez que você surgia na frente dela. Eu te esqueci. E isso chega a aumentar a dor. Porque eu falo da boca para fora. Já tão cansado por ter permanecido anos e anos calado. É assim que eu me curo das grandes coisas na minha vida. Através da reclusa. Do confinamento. Da solitária. Quando ela foi embora, eu precisei me curar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-2545919087741255243?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/2545919087741255243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=2545919087741255243&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/2545919087741255243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/2545919087741255243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/04/tanto-quanto-maior.html' title='Tanto Quanto Maior.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-3954200295379937908</id><published>2011-04-06T19:59:00.002-03:00</published><updated>2011-04-06T22:28:25.599-03:00</updated><title type='text'>O Romance do Século.</title><content type='html'>Eu começaria falando dos seus olhos, ou da cor dos seus lábios, ou dos seus fios grossos de cabelo. Poderia começar, também, pela ponta do seu pé esquerdo, e subir por sua canela, atravessar a ponte até as coxas, descrever cuidadosamente qualquer rigidez ou umidade. Eu também poderia não falar, e apenas observar. Mantendo em segredo sua beleza oculta. Eu queria te beijar até que não faltasse nem um pedaço. Nem um mínimo pedaço. Assim eu saberia que, pelo menos neste momento, você foi completamente minha. E completamente conhecida e adorada por mim. Adoração é uma coisa que poucos conhecem. Limitam aos deuses e santos. Eu posso dizer que pude adorar algo mais concreto, palpável. Eu pude adorar seu corpo, e também suas diversas formas de dizer a mesma coisa, e suas mãos coçando os olhos toda vez que o sol entrava e eu não podia te proteger. Queria eu ter sido capaz de te proteger de tudo, sempre. Mas você tem suas pequenas cicatrizes. Cada uma com uma história, uma tragédia, uma redenção. Você sempre me diz que não se arrepende nunca de nada, e depois me pergunta se me sinto do mesmo jeito quando as coisas acontecem. Eu nunca sei o que te falar. São sempre tão ineficientes minhas palavras comparadas as suas. Talvez por você falar com tamanha consciência da vida. Como se sabendo do peso e da podridão de cada coisa. Você parece ter nascido anos-luz antes de mim. Toda sábia com sua saia-rodada fazendo cócegas em mim. Sob a sombra de uma árvore, puxando os pêlos da minha barba, e discursando sobre o imenso azul do céu. A imensidão que eu conheço vem dos seus olhos. E voa dentro de mim. Sem pressa, sem se preocupar. Desbravadora e destemida. Um desejo de viver e ser feliz. E ainda que todos falem que é errado, errado mesmo é não saber amar assim. Porque nós temos tudo. Desde que baste termos a nós mesmos. E espero que seja assim para sempre. Seus olhares mútuos de si. Foi assim que um dia nos descrevi. Quando tentei colocar em palavras todos os efeitos causas e colisões que aconteciam entre nós. Até entre os seus defeitos eu poderia morar. E dizem que se passou o tempo, e que ele ainda passará. Eu digo dane-se. Eu não tenho pressa, só desejo. Desde a primeira vez em que coloquei os olhos em você. Eu ainda me lembro. Sem nenhuma dificuldade. Meu estômago começou a bater e meu coração se ocupou da digestão. Acreditando que, na vida - assim como nos romances -, existe apenas um ponto de clímax, eu me sinto sincero o sufiente ao dizer que foi ali. Eu poderia ter culpado o álcool, ou o neon, ou as batidas altas o suficiente para me deixarem tonto, mas foi você que me sufocou. E me tirou do chão. E me tirou da terra. E me tirou de tudo. Entrei em você como se já houvesse passado pelo purgatório e, ali, em suas curvas, eu estivesse tateando o paraíso. Que bela vista de lagos e mares e prazeres. Eu te desejei como nunca, e vem sido assim desde então. Um incessante e incansável desejo que só se satisfaz quando...um desejo que nunca se satisfaz. E que, agressivo, não te permite escapar de mim, nem mesmo nos sonhos. Eu sinto você me sentindo. Um amor menor do que o meu. Eu não me desespero, nem desisto, ou tento remendar comigo. Eu vou levando, e esperando que um dia aumente. Ou que fique assim, contanto que não diminua, ou não acabe refratando para outros lados. Seu amor reflete uma miniatura do meu. Eu não quero te acordar. Você parece em paz. Não sei de onde ela vem. Mas eu gosto de te ver assim. Mesmo com a possibilidade que não seja por mim. E são o suficiente para saber que eu não sou tudo na sua vida. Vou continuar calado, como estava, antes de te perturbar - sem que você saiba - com meu amor inquieto. Continuarei lendo os maiores romances do século. São todos tão desprezíveis, insossos. Mas, apesar de tudo, são bons os autores. Só há um problema. Eles não puderam escrever o maior amor do mundo. Mas nós podemos vivê-lo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-3954200295379937908?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/3954200295379937908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=3954200295379937908&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/3954200295379937908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/3954200295379937908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/04/o-romance-do-seculo.html' title='O Romance do Século.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-2562505764089447618</id><published>2011-04-04T21:02:00.001-03:00</published><updated>2011-04-04T22:46:48.861-03:00</updated><title type='text'>Doce Realidade.</title><content type='html'>Eu só vou falar daquilo que você não quer saber. Dos olhos dela, da força de seus abraços, de como dormimos o sono dos santos. De como ela não me lembra você, nem por um minuto. De como ela te faz ir para cada vez mais longe. De como ela não é você. De como ela tem sido aquilo que você não quis, não pôde...você fugiu. Em um desencontro, eu cheguei com meia-hora de atraso, e você não estava mais lá. Depois disso passei a me questionar se, um dia, realmente esteve. Eu achei ter escutado você dizendo meu nome. Mas era o barulho do vento. Eu confundi a presença das damas-da-noite com o seu cheiro. De todo o amor que eu te dei, você só me deixou a loucura. De tudo que eu te dei, ficou, apenas, um espaço. Um vácuo entre as células. Outro bem no centro do coração. Nas paredes, e na cabeceira da cama. Você arrancou tudo, e será que percebe? Será que notou? Será que sofreu? Com mais meia-hora e dois anos de atraso, você voltou. E queria tudo do mesmo jeito. Foi de revirar o estômago. Você de pé na entrada do prédio abrindo os braços e dizendo voltei. Como se nada nunca pudesse ter mudado. Como se você tivesse feito um pacto com o diabo e parado o tempo. O meu tempo. Do seu pacto, eu não duvido. Você encobria muito bem todos os seus segredos. E se mostrou tão assustada quando viu alguém saindo do carro logo ao meu lado, segurando as mãos que um dia foram suas, e te olhando sem saber quem você era. Acho que isso foi o que mais te assustou. Descobrir que eu não te mantive viva para sempre. Não descarto a possibilidade de nosso amor ter sido apenas uma ilusão de óptica. De nada daquilo ter realmente existido. Nem nosso tempos juntos, nem o nosso reencontro - prefiro, na verdade, chamar de seu retorno, porque ali, a única coisa que eu encontrei, foi a personificação de um pesadelo. Você não demorou muito tempo até subir em cima de mim e tentar me agredir com sua ilusão de amor. Ao mesmo tempo, querendo beijar meus lábios, e querendo pendurar minha cabeça em uma praça. Você me contou, logo no nosso começo, que achava linda a cor e a densidade do sangue. Quanto eu te perguntei os motivos para tantas tatuagens. Eu gosto de ver escorrer, e se virou para a janela. Estava toda nua, mas completamente ausente. Vidrada na velocidade dos carros, ou na velocidade de nossos sentimentos. Fumando um cigarro, e prendendo suas longas mechas de cabelo em um coque. Naquele momento eu soube que era amor, e não só crises de ansiedade. Naquele momento eu te quis mais do que nunca, mais do que alguém um dia poderia te querer - era difícil para alguém te querer tão inflamável como você era. Tão volúvel. Inconsistente. Inconstante. Quando eu achava que você estava em minhas mãos, você escapava. Com o olhar preso às rachaduras do teto, aos títulos dos livros na estante, falando das asas das borboletas e dos signos astrológicos. Você nasceu que horas? Nunca me dei muito bem com escorpianos...e eu só querendo enxergar qualquer possibilidade de entrar em você. Pela boca ou pelos seus outros buracos. Eu me encantava por cada fibra de seu corpo. Por cada um dos seus suspiros. Quando você caía no sono, era quando eu nos sentia mais próximos. E eu me imaginava caminhando pelo seu inconsciente. E você vendo nós dois, bem mais velhos, sentados na varanda. Eu realmente acreditava que existia alguma paixão por mim em você. Que não fosse somente um surto ou um espasmo. Algo que, mesmo intocável, nos penetrasse de forma a nos manter ligados. No dia em que você desapareceu, eu cheguei a pensar que o mundo tinha acabado. Foi ali que ele começou. Quando eu realmente enxerguei o que era a realidade. Não era me sentindo tão preso a alguém que eu descobriria o que era estar acompanhado, ou ser amado. Eu te queria por você não precisar de mim. E, não me precisando, fazendo com que eu te precisasse mais e mais. Foi um vício, um dos mais difíceis de se largar. Se você não tivesse me largado tão desumanamente, eu nunca teria te enfrentado. Mas lá estava você, de braços abertos, fingindo que era amor de verdade, e como fingia tão bem. Não nego que quase acreditei. Mas ela estava lá para apertar meu ombro. E me lembrar que eu era humano. Portanto eu deveria viver a realidade. E não um engano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-2562505764089447618?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/2562505764089447618/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=2562505764089447618&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/2562505764089447618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/2562505764089447618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/04/doce-realidade.html' title='Doce Realidade.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-744644585814552859</id><published>2011-04-03T18:57:00.006-03:00</published><updated>2011-04-04T00:17:57.714-03:00</updated><title type='text'>Amanhã Não Pode Ser Outro Dia.</title><content type='html'>Estou sem notícias suas desde que nos despedimos mais cedo. Você entrou no carro, e eu levei alguns minutos para querer sair dali. O que construímos é secreto, portanto delicado. E ninguém nunca saberá - nem entenderá. Melhor assim. Nós dois vivendo paralelamente, por uma hora ou duas, e depois enfrentando o que há na vida. Sei que prometemos não confundir, nem idealizar. Mas me enoja somente a idéia de te imaginar encostando sua boca em uma outra. De imaginar outra língua desvendando suas palavras. Sua saliva é minha. Meu amor é seu. E seriam só encontros desgarrados de tudo. Só encontros. Um café ali e um cigarro aqui. Uma mão subindo e uma calça descendo. Coisas que acontecem entre quatro paredes e ninguém pode saber. Eu não nos contei para ninguém. Existe um pouco de medo, de me convencerem de que realmente é errado, desnecessário, insalubre. Eu não fugiria de você nem mesmo se, outra vez, me mostrasse suas garras. É preciso se machucar, você mesmo já me disse. Da primeira vez que passou por um surto e resolveu me deixar. Mesmo dizendo que não estava me deixando, porque aquilo não era nada, e não o sendo, não tinha como deixar para trás. Quando você fala, com sua voz rouca, porém suave, você não imagina como despedaça tudo. Você não sabe como é afiado. Até mesmo não falando. Somente existindo. Quando você existe no mesmo cômodo que eu, todo o resto se apaga - e nisto, incluo tudo o que mais importa na vida. Quando você existe e ainda se faz presente no mesmo mundo que eu, eu declaro feriado. Tiro férias prolongadas e o resto que se foda porque eu tenho você. Às vezes eu tenho mesmo a sensação de te ter. E me iludo pensando que poderíamos existir assim juntos para sempre. Você se vai. E eu não me espanto. Já me acostumei com a dor. E assisto, calmamente, você me dar as costas. É o momento em que tudo para, e o coração desinfla. Parece que tudo se perde. Pois eu vejo aumentarem as chances de te perder. São milhões de pessoas vagando por aí, vai que em uma delas você se encontra. Temo pelo dia que você me dirá que nada disso vale à pena. Que é melhor irmos. E só você se vá. Porque é difícil abrir mão daquilo que te mantém de pé. Não suporto a hora em que acendem as luzes dos postes. Não consigo entender como o dia virou noite e tudo pode se tornar diferente. Não consigo aceitar como isso pode acontecer com a gente. Se suas luzes se acenderem e você se tornar distante. Se tornar passado. Eu me tornar passado para você. E você tentando me explicar que tudo foi realmente nada. Não vou ser capaz de entender, nem de me livrar. Nem de você, nem das lembranças, e a vontade de querer bem e querer perto. Prevejo seu rosto intacto e o meu escorregadio de tantas lágrimas. E você indo embora. Dizendo que desta vez é pra valer. Se um dia eu te perder na multidão, não saberei onde encontrar abrigo. Você não sabe o quanto isso tudo machuca. Quando você me conta que conheceu alguém, e que por isso não poderá ficar muito tempo. Que encontrou alguém e não sabe no que vai dar. Quando você me diz - ainda sem dizer -, que não se encontrou em mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-744644585814552859?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/744644585814552859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=744644585814552859&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/744644585814552859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/744644585814552859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/04/amanha-nao-pode-ser-outro-dia.html' title='Amanhã Não Pode Ser Outro Dia.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-7182779626726665159</id><published>2011-03-31T13:30:00.002-03:00</published><updated>2011-03-31T14:07:57.444-03:00</updated><title type='text'>Destruição em Massa.</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;É difícil estar bem quando quem a gente quer bem não está também.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;Díficil tentar entender o que os grandes poetas quiseram dizer. Se natureza ou libertação. Se a natureza deveria ser liberta, ou eles de si mesmos. Se cada verso foi pensado, premetidado, ou se cada dor neles saiu em um espasmo. Eu não sou bom com versos, nem com rimas - mesmo as mais pobres. Mas tudo que escrevo sai sem estar ao alcance de minhas mãos. Talvez meus braços sejam por demais curtos. Talvez eu não tenha tentado tanto quanto eu deveria. Talvez...ah! se talvez bastasse. Estaríamos nós dois deitados sobre a grama recém cortada, ainda molhada de chuva, sentindo nossas bochechas corarem ao sol, e nossos pés se aproximarem uns dos outros - mais, cada vez mais. Eu não estaria sentado ao lado de vinte corpos estranhos, sem visita alguma de vento, com cede e carência de cafeína, escutando que poetas calculam muito mais do que, um dia, calculariam os alquimistas. A adoração responde negativamente aos mais térreos estímulos. Não acredito em Deus. Nem em um, nem em vários. Não sobrou tempo em minha vida para adorá-lo, e ancorá-lo ao peito. Não me abri para nenhuma religiosidade e, quando é preciso, encontro a calma em meu próprio ceticismo. Mas ainda insistem nisso de espírito. Eu acreditaria se pudesse tocá-lo. Ou se eu pudesse ter calculado quantos centímetros ele ocupa no meu corpo. Ou quanto ele pesa a mais toda vez que subo em uma balança. Com minha estatura e a pele mal encobrindo as formas das costelas, eu provavelmente não teria acreditado no papo de sobrepeso dos ossos. O que pesa aqui é meu espírito, é minha alma, eu diria. Empolgado por imaginar-me transcendendo com grandiosidade. E todos dentro da farmácia se assustariam, dariam um passo para o lado, mas depois pensariam que é bom mesmo nos dias de hoje ser capaz de acreditar em alguma coisa. Deve ser realmente bom se apoiar fielmente em algo. Quando digo algo, falo justamente daquilo longe do palpável, que cresce insosso, invisível, ilimitado, incolor, dentro da gente. Que nunca irá embora, nem nos decepcionará - a não ser que estrangulado pelas nossas próprias mãos e vontade. Algo mais do que as pessoas e seus mil casos conflitos surtos sumiços. Que fique sob nosso controle - e assim permaneça até que nos canse ou não nos baste mais. Se não fôssemos tão assumidamente humanos, talvez encontraríamos algo que pudesse ser realmente eterno. Mas ao decorrer dos anos, em uma provável progressão geométrica, cresce em nós a vontade de destruir tudo. Às vezes, chegando até ao extremo, de destruirmos a nós mesmos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-7182779626726665159?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/7182779626726665159/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=7182779626726665159&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/7182779626726665159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/7182779626726665159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/03/destruicao-em-massa.html' title='Destruição em Massa.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-4221930611253682857</id><published>2011-03-30T22:31:00.005-03:00</published><updated>2011-03-30T23:28:58.835-03:00</updated><title type='text'>Meu Sonho.</title><content type='html'>Não é possível que nunca tenhamos nos esbarrado, ela disse. Já tendo notado a mesmice dos traços e pêlos em meu rosto. Nunca - não nesta vida - eu havia visto o rosto dela. Se eu houvesse, falei com certeza, eu me lembraria. Porque os olhos encaixados naquela face fina e delicada, eram afiados. De forma a marcar qualquer um - que tenha, ao menos, um coração. Falo ao menos porque nunca se sabe em quantos um ser-humano pode ser desmembrado. Nem em quanto tempo cada membro pode tomar vida própria. Ela não disse muita coisa, foi como se evitasse olhar para mim. Não sei se por medo, ou qualquer outra sensação que exigisse cautela. Também não sei se aproveitava para olhar enquanto eu me distraía com as luzes. Quantas luzes em um mesmo lugar, eu pensei. E quis partilhar tal observação estúpida. Mas quando me virei, só restava uma fina linha de seu perfume no ar. Outra vez, caminhando sonolento pela rua, uma mão alcançou meu ombro. Acho que já nos esbarramos, ela disse. Relembrando a palidez dos meus lábios e a acidez de meus sorrisos. Sim - além desta vida, aliás. Combinamos um café. No momento em que nós dois sugerimos o mesmo horário, eu soube que ali não haveriam sustos. Nem formas desfiguradas nas sombras. Ela me deu carona. Seu carro cheirava o mesmo cheiro que havia ficado a flutuar em nosso primeiro esbarrão - o primeiro do qual tivemos certeza -, mas desta vez mais forte e presente. No espelho, havia pendurado um pequeno círculo de papelão - suponho -, com o desenho de um pássaro e &lt;em&gt;be free&lt;/em&gt;. Eu pude reconhecê-la dos meus mais desconexos sonhos. A vida foi feita de momentos. Mas, até então, nenhum havia sido tão claro como aquele. Que foi seguido por outros. Não houve café. Só cigarros e nove garrafas de cerveja. Ela tinha pressa, e por isto bebia numa rapidez olímpica. Não queria ir embora, acredito, ao rever tudo que passou. Mas queria saber o que viria depois. Ela tinha uma pressa infantil e cautelosa quando se tratava do futuro. Futuro, era uma palavra que eu nunca pude dizer na frente dela. Só a intenção de dizê-la já dava, nela, uma vontade de sair correndo e rolando pela grama. Ela sequer me dava a oportunidade de planejar outros encontros. Deixa acontecer, deixa vir, deixa que se for para ser, vem. Ela dizia. Meio risonha, sem conseguir esconder o que estava por trás. Eu nunca soube dizer exatamente o quê. Mas havia algo ali. Que se acentuava cada vez que, nervosa, ela coçava a nuca, e erguia os braços, e se espreguiçava, e começava a falar sobre o mochilão que havia feito pela América do Sul. Não faltou um lugar sequer, dizia em um tom orgulhoso. Eu só podia me orgulhar junto e fingir que não me importaria em nem saber por onde ela andaria nos dias seguintes. Porque não me era autorizado ligar, nem enviar cartas, nem procurá-la no trabalho - muito menos no coração. Nunca me senti assim, ela dizia, tão livre, tão leve, tão sua, e ao mesmo tempo, de ninguém. Na metade da frase, eu já sentia meus pêlos arrepiarem e meus joelhos tremerem. Acho que alimentava - mesmo ela me pedindo para que não o fizesse -, uma esperança de que só sua bastasse. Só minha. Era o que eu esperava. Coisa que ela não poderia saber. De outra forma nunca mais me ligaria, depois das dez da noite, dizendo que o centro estava muito cheio e eu devia cair para lá, porque nós dois poderíamos beber uma duas até quinze cervejas, e rir da cara de bêbado dos outros. E, quem sabe, depois poderíamos dormir juntos, com os ombros encostados e dividindo o mesmo travesseiro. Ela me ligava quando se lembrava que, do outro lado da cidade, sentado na poltrona, lendo o jornal e fumando o último cigarro do maço, estava alguém que daria tudo para tê-la. Alguém que era eu. Às vezes eu acreditava que ela queria ser de alguém. Da forma doce e carinhosa. Mas logo eu era desarmado. Por muitas vezes tive que vê-la acariciar as coxas de outros sob a mesa, e me jogar vinte reais e dizer que se desse, me ligava. E entrar no táxi, quebrando o salto, e largando os sapatos comigo. Toda vez que ela quisesse fugir, ela pensava em mim. Ela se escondia no meu medo de não tê-la - mesmo não tendo, eu temia. Tê-la sem saber, quem sabe foi assim. Pois era para mim que ela ligava toda vez que a gasolina do carro acabava e ela ficava sozinha no meio da rua. Toda vez que ela queria tomar um porre ou enfiar nos canos e ninguém se dispunha a estar lá para mantê-la sã. Missão que nunca considerei possível. Nem domá-la, nem cuidá-la. Somente estar lá para que ela não acabasse fugindo de si mesma. Para que ela não acabasse no topo de um prédio sozinha. Dizendo para o vento, e não para mim, que Freud não sabia de porra nenhuma, que se id ego superego existissem, ela estava fodida. Que nada daquilo funcionava. Que ela queria acabar com o sistema e chamar a atenção do mundo. Você não vê o que está acontecendo? Ela gritava deixando a saliva escorrer pelo canto da boca. Está tudo errado, e se debruçava no meu colo, e chorava. Eu não sabia de onde vinha aquela dor. Se era passageira ou se havia estado sempre com ela. Admito que, em algumas horas, ela me assustava. Mais que trovões e mais que a morte. Ela me assustava por ser tão perfeita e, ao mesmo tempo, tão arruinada. Era isso que ela era. Um casarão tombado, cheio de segredos, indubtavelmente instigante. Belo, do lado de fora. Com um portal que poucos ousariam entrar. E dentro, cheio de teias e rachaduras - mais aparentes e descuidadas. Abandonada, tal como o casarão. Ao contrário dele, não tinha cheiro de mofo. Mas o hipnótico odor que circunda as travessas de doces. Eu degustei de seu açúcar, mas mais de seu veneno. Com o decorrer do tempo, mais nítida foi ficando a imagem dela na minha cabeça. De óculos escuros, segurando o volante com uma mão, falhando ao tentar sintonizar o rádio com a outra. Reclamando que porra nenhuma naqueles dias - e nos de hoje - era boa de escutar. O &lt;em&gt;be free&lt;/em&gt; balançando com as curvas. Eu a reconhecendo de algum dos meus sonhos. Até então não sabia de qual. Hoje, eu já entendi. Sabe um daqueles sonhos em que você sente estar caindo e, de repente, acorda? Ela era assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-4221930611253682857?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/4221930611253682857/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=4221930611253682857&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/4221930611253682857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/4221930611253682857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/03/meu-sonho.html' title='Meu Sonho.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-6789221792416966385</id><published>2011-03-29T20:57:00.004-03:00</published><updated>2011-03-29T21:43:43.834-03:00</updated><title type='text'>Na Boca do Estômago.</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;blockquote&gt;I wanted an airplane. A first-class ticket to nowhere. An elephant. An everlasting cheesecake. Most of all, I wanted you&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reviramos as gavetas erradas. Não era você quem eu queria ter encontrado. Não era, insisto. Quem sabe assim eu acredite. Vinha andando vazio. Como se os passos fossem mecânicos e o caminho não fosse de meu interesse. Não diria que algo mudou. Porque é cedo. Meu Deus, como é cedo. Eu ainda mordo os lábios e troco suspiros com uma lembrança que não deixei ir embora. Um corpo que conhece meus toques. E espera por eles, ansiosamente. Ainda revivo as dores de feridas que não esperei secar. Vivo amordaçado. Para não largar as palavras por aí. Se me fosse permitido, eu juraria a eternidade. Para qualquer brilho. No céu ou nos olhos. Vinha andando, sem ter conhecimento do perigo que é se largar. Não digo que encontrei, porque já é de praxe estar perdido. Não digo que me apaixonei, porque só a idéia disso já me dá náuseas. Uma crise de ansiedade. Perigoso é querer sempre perto. Melhor não se entregar. Dar meia volta e seguir em frente. Mas aquele par de olhos me persegue. Nas nuances do quarto escuro. Nas silhuetas debruçadas sobre a cama. A verdade é que eu mal te conheço. Já ela me conhece tão bem. Eu poderia dizer tudo de olhos e boca fechados. E ela saberia. Eu não tenho sobre o que escrever. Voltou o vazio. Um minuto de silêncio. Nunca conheci ninguém que soubesse seguir em frente. Não assim. Quando uma mínima possibilidade se mostra capaz de repôr tudo aquilo que escapou de dentro.  Não era você. Novamente, eu insisto. Talvez assim eu me conforme. Ao saber que tudo conspira para não ser, nunca poderia ser você. Mesmo que meus lábios te chamem, e os seus respondam. Mesmo que seu abraço me puxe, e eu queira me prender nele. Nunca poderia ser você, e nós nunca poderíamos ser nós dois. Então eu ainda sobrevivo dela. Quando o desespero invade, e o silêncio faz da noite mais escura. Eu sobrevivo dela. Meu corpo dói. Desde os músculos até a alma. E dizem por aí que corpo e mente são uma coisa e alma é outra. Não que eu entenda disso. Mas meus dedos doem, e o que está por detrás deles também. É difícil me concentrar e não pensar em você. Mesmo quando dentro dela. Mesmo ao lado dela. É difícil pensar em outra coisa que não em você. Seus lábios e seus cílios, seu rosto e um sorriso. Eu daria um nome a cada uma de suas sardas. E nunca me esqueceria. Nunca, jamais, eu ousaria me esquecer. Nem de você, nem de cada mílimetro que te compõe. Alguns chamariam de amor, paixão, febre, alucinação. Eu diria que é uma puta dor bem aqui, na boca do estômago. A vontade de te ver a cada hora - para então entender que o tempo realmente existe. A vontade de que você entenda cada cigarro como um sinal de fumaça, um pedido de socorro, um solene apelo. Ainda assim, eu vivo e respiro ela. Porque não me restaram muitas outras saídas. Nem outros amores viajantes. Nem outros colos nos quais eu possa repousar com a certeza de infinita permanência. Eu, mais que tudo, viveria de você. Noite ou dia. Tristeza ou alegria. Como se houvesse feito um juramento, e enfeitado seu dedo. Se você ficasse por mais tempo, eu te escreveria até um poema. Sem métrica, sem rumo. Ou eu-humano é plural. E eu te quero para mim de uma forma singular. Se eu pudesse mudar sua cabeça, só por uma vez. Fazer tudo funcionar, como na tela do cinema. Eu coloquei o café para esquentar. Não demore não. Senão, eu servirei para mim e para ela. Assim não é meu coração. Esse não é meu coração. Não pode ser meu coração. Should be yours...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-6789221792416966385?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/6789221792416966385/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=6789221792416966385&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/6789221792416966385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/6789221792416966385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/03/na-boca-do-estomago.html' title='Na Boca do Estômago.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-475691729094946556</id><published>2011-03-27T14:48:00.006-03:00</published><updated>2011-03-27T15:38:01.426-03:00</updated><title type='text'>Mesmo Nós.</title><content type='html'>Não era Inverno. Tampouco Outono, ou Primareva. Nem muito menos Verão. Era uma estação à parte das outras. Imprevisível e desconhecida. Uma estação em que fazia sol e ao mesmo tempo trovejava. Chamam-na de inesperado. Eu sempre preferi não dar nome as coisas. Nem dar nome ao amor, nem dar nome as feridas. Deixar correr. Voar, se for leve. Deixar acontecer, e apreciar a paisagem pelo caminho. Não que eu seja só sorrisos e a vida seja o mais lindo dos mistérios. Não que seja preciso me escutar. Não que seja ou tenha sido. Mas eu queria contar. O número de pessoas que atravessam a rua, e fazem bolhas de saliva na ponta dos lábios, e inserem seus corpos na vida de outros. Eram tão pequenas as suas mãos. Tão pequenas e o mundo, já sabemos, tão grande. E me dava um medo ver você sair pela porta e, distraída com a bolha nos lábios, atravessar a rua, e cruzar seu caminho na vida de outros. Medo de que fosse embora. Que não fosse comigo. Um medo de te perder. Para outro, mais do que para outra dimensão. Muitas vezes eu te assisti pela janela. Nunca sabemos quando veremos nosso maior amor pela última vez. Tanta coisa acontece. Coisas que não saem no jornal, que não são debatidas na calçada. Se os Domingos não fossem quase todos de sol, eu não te confiaria ao mundo. Ele não seria capaz de te cuidar como eu cuido. Como eu quis. Se eu não contasse, ninguém saberia que você tem medo de grilos, morcegos, amor e escuro. Ninguém saberia que você dorme todos os dias com o mesmo par de meias. De vez em quando colocando para lavar, mas somente se com a certeza de que estarão secas ao anoitecer. Talvez só eu saiba como você adora o pôr-do-sol, as tulipas e o cheiro da noite. Como você se treme toda com o barulho dos trovões, e tem medo de morrer em um acidente de avião. Esse seu medo de ir embora e ser esquecida. De que seu corpo farto se divida em milhões de partículas. E que elas sumam. Você contou feito fosse o segredo do mundo. Mas não é tão especial querer deixar marcas, e ter suas fotos penduradas nas paredes, e seu nome pintado em um muro. A idéia de que alguém, um dia, possa te fazer mal, qualquer mal, já me embrulha o estômago. Você parece tão forte. Se me perguntassem, antes de tudo, eu diria que sim. Mas te assistindo chorar, delicadamente, depois de uma garrafa de vinho, depois de me dizer que não queria isso, depois de me contar que dormiu em outros braços, eu já não tive mais tanta certeza. Você acha que fez mal, mas isso é só o começo. O que virá depois poderá ser pesado ou transparente. E, um dia, eu poderei acordar, assistir você dormindo, esperar que você acorde e boceje uma ou duas vezes, para depois te dizer que não valeu à pena. Nem que tivéssemos tentado mais cedo ou acreditado mais cegamente. Um dia eu poderia te pedir para ir embora. Sem duvidar ou esquecer. Uma expulsão educada, sensata, certa. Porque não podemos prever. E nem perder a graça. Há dois anos atrás, quando eu te vi pela primeira vez e o tempo congelou, eu ainda cultivava uma fome maior de loucuras. Fosse o ócio ou o ópio. Fosse o que tivesse de ser. Sem pensar. Sem jamais pensar. Com você as coisas pedem por mais cautela. Como andar com um guarda-chuva e protetor solar. E te dar a mão, e te assistir entrar no ônibus. E prometer que te amarei para sempre, ainda que tudo passe. Mesmo nós, mesmo o tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-475691729094946556?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/475691729094946556/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=475691729094946556&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/475691729094946556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/475691729094946556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/03/mesmo-nos.html' title='Mesmo Nós.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-7953814571436051536</id><published>2011-03-22T21:01:00.002-03:00</published><updated>2011-03-22T21:39:32.413-03:00</updated><title type='text'>Espinhos.</title><content type='html'>Quando começou, não era algo tão cruel ou sombrio. Não ditava minhas formas de girar com o mundo. Nem me fazia mais só do que o natural. Quando eu comecei a escrever, meus olhos tinham o brilho dos olhos de um garoto, a vivacidade e a vontade de querer bem. Eu ainda tinha esperança. E algo no qual me apoiar. Princesas e cavalaria, e dias de sol e, quem sabe, um homem ruim escondido no sótão. Não falava de sangue, ou mágoas, ou vertigens. Ou o pior, eu renegava a dor. Foi crescendo, calada, em mim, a vontade de ser maior. Tão maior que um dia me chamariam de grande. E se lembrariam com certa tristeza. Eu quis ser triste, para deixar algo para trás. E não ser esquecido, ou desmembrado com o tempo. Eu quis ser triste, e foi por isso que, por tantas vezes, me entreguei. Eu precisei me apaixonar, perder, sofrer, encontrar, morrer, e renascer. Eu precisei partir. Deixar de ser aquele rapaz com olhos de garotos, e partir. Partir para longe, partir a mim, partir aos outros. Ver o oco, o coração, o ardor, o frio. Ter pressa. Eu amadureci e não deixei restar nenhuma ingenuidade, apenas dei vida a um monstro. Eu quis viver de tudo. Experimentar de todos os sabores. Tirar, deles, o sumo. E, até, a pureza. Fui mutilando a felicidade de uns, para, no papel, dar vida a outros. Pois é preciso emoção. E é preciso sentir. E por isso rasguei, não só as folhas, mas os corpos. Com arranhões e palavras tão duras. Tão desumanamente duras. Eu dizia eu te amo só para saber que olhar receberia de volta. Porque era aquela realidade que eu queria expôr. Aquele entusiasmo beirando a mutualidade. Beirando o espasmo de um beijo e o desgostoso vamos viver juntos para sempre. Eu juntava minhas coisas e fechava a porta. Nenhuma ligação, ou rodeio. Nada. Nada. Foi através de você que eu reconheci todos os meus pecados. Ultrapassando o limite dos sete. Repetidas vezes. E novas abordagens. Foi através do seu gosto que eu me encantei e depois me perdi. Você era doce, e sempre há de ser. Mesmo que o mundo pare e tudo se vá. Mesmo tomada por dores irreparáveis e hemorragias que nunca cessarão. Mesmo sendo você uma boneca faltando alguns pedaços. Mesmo sendo você um amor que eu abandonei. Alguém, um dia, ainda te encontrará. E vai te querer assim, pequeno desastre. Tenha fé, é o que repito, para continuar vivo. Mesmo você descrente de tudo e de todos. Eu te escreveria as mais belas palavras, mas o que ficou, é horrendo e mal cabe nesta folha. Não se apaixone por mim. Não me ligue de madrugada tomada pelo temor de morrer só. Não olhe para atrás. Não pule de um prédio no meio da cidade. Não me torne o homem que eu não sou. Que eu nunca poderia ser, embora tenha tentado. Não encontrei outra, nem um princípio de paixão, nem um calafrio inesperado. Não encontrei, nem em você. E foi assim que me perdi. Um dia, posso apostar, você dançava com a luz. Não foi assim que te conheci. E a culpa não é sua, nem minha. Não sei quem te atropelou, mas caberia muito bem com o pescoço entre as minhas mãos. Eu te quero bem, por mais cruel que isso, agora, pareça. Não deixei nada que te forçasse pensar em mim - por mais inevitável que isso seja. Nada de cartas, ou pares imcompletos de meias. Nos conhecemos há muito tempo, há tanto tempo que não sei como isso tudo se deu. Como você foi me confundir com seus sonhos, e eu fui te tornar esperança. Como depois disso nos deparamos com o pico, e dele, o precipício. E disso tudo, e de nós dois, ficou o impalpável - mais para você, do que para mim - recomeço. Eu lembro que te fiz feliz. Eu te dei uma certa vontade de estar feliz. De engolir as lágrimas e encarar de frente. Eu te dei amor, ao menos foi o que você entendeu. Mas agora, eu posso confessar, foi tudo um engano. Um abuso inconsequente e juvenil, de minha parte. Eu pediria perdão. Mas atingi meu ápice de insensibilidade. Não posso achar que repararia os meus espinhos assim. Eu encontrei quem me fizesse brilhar de novo. O sorriso e os olhos. Podia ter sido você. Quem mais quis isso de mim. Você. Mas não foi. E agora eu deixo escorrer o sangue causado pelos espinhos dela. Deixa escorrer, deixa. Uma hora para...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-7953814571436051536?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/7953814571436051536/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=7953814571436051536&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/7953814571436051536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/7953814571436051536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/03/espinhos.html' title='Espinhos.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-8530836254491760371</id><published>2011-03-20T23:40:00.002-03:00</published><updated>2011-03-20T23:41:01.234-03:00</updated><title type='text'>Uma Mulher.</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;blockquote&gt;"Se está de mau humor - digamos, se a irmã telefonou de Lübeck ou se ela achar gorda, embora eu jure inutilmente que vivo e morro pelas carnes dela -, ela declara que eu sou a árvore que a impede de ver a floresta. Não me afasto dela. Quando ela abre bem a boca, ááá, eu também abro a minha. Quando ela se senta, eu me aninho junto dela".&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero um amor sentado no sofá. Um amor de Domingo de sol, com gosto de ressaca e vontade de viver feliz. Eu quero um amor em plena hora do rush, debaixo do viaduto, escondido da chuva. Eu quero um amor sem previsão de desgaste. Um amor sem previsão. Eu pude prever apenas o minuto em que você atravessaria a porta, e minha cabeça giraria trezentos e sessenta graus, e daria a volta na lua, e voltaria na velocidade da luz, só para eu não perder nenhum dos seus passos. Só para não te perder. Porque a vida, e tudo, passa tão rápido. Eu não te esperava com as mesmas bochechas e os mesmos olhos com os quais você veio. Eu te esperava sem a certeza dos traços em seu rosto, com meu coração embrulhado. Porque um dia me disseram que alguma coisa haveria de vir. E um dia me disseram que não era preciso procurar. Eu procurei alguém assim, nas dobras de coxas anônimas, na ponta de um nariz. Procurei até me cansar e desistir de tudo. Mas eu descobri uma felicidade vinda de você. E me apaixonei pelos seus joelhos tortos, pelo seu sorriso sem graça, pela sua vontade de me fazer feliz - por saber sê-lo tão bem. Você está presa na minha cabeça e eu sei de cor quantos centímetros medem seus pés, e o ângulo exato das suas maçãs do rosto. Eu nunca me entreguei a nada, mas você me receberia tão bem. De braços abertos e me querendo mais perto do que perto. Você poderia viver em meus sonhos, e desenhar na areia, e me salvar do que quer que seja que tenha me tornado tão duro. Eu acreditaria em todas as palavras que você nunca ousaria dizer. Porque as coisas não são assim tão fáceis e você sequer sabe do amor de graça que nutri sem nem saber se preferia vermelho ou amarelo. As coisas tem sido brutas, na maior parte do tempo. A temperatura do ar, a queda das folhas, o céu nublado. Você não sabe dos meus segredos. Dos cadáveres que escondo no armário, do que há debaixo da minha cama. Se eu sei amar ou se é tudo um engano. Ontem eu dormi com outra pessoa, coisa que eu não queria te dizer. Você não é minha, mas eu já me considero seu. Foi veloz e sem sentido. Você não estava por perto. São tantos os compromissos e os horários e os atrasos. Eu já sinto a sua falta. Porque a lucidez que mantenho desperta me faz saber que tudo, um dia, vai. Ir embora é tão doloroso e tão triste. Não quero antecipar nada. Mas é sacrificante me manter cínico. Penso que é mais sábio ficar só na vontade, para não manchar sua imagem com o mofo da convivência. E não deixar sua magia se confundir com a dificuldade de manter a louça limpa. Você me invade como, outrora, me invadia a tristeza. Pelos poros, como um meio-segredo, uma bactéria, uma vontade de não saber de nada, e deixar fluir. Eu desconheço as dores que te tornaram humana. Não sei se chorou mesmo antes de receber a palmada. Se foi prematura ou esperou o tempo exato. Você tem pressa? Porque eu poderia ficar aqui para sempre. Enumerando todos os meus pecados. E Deus, como foram tantos. E pesados. Minha carga é tão negativa que não sei como flutuo nesse tempo-espaço. Não sei como ainda tenho forças para dizer tudo que te digo agora. Para sentir tudo que aqui dentro explode e me faz querer gritar para o mundo que meu Deus, eu achei tudo que queria e ela não sabe. Ainda bem que me afoguei senão você nunca teria me salvo. Ainda bem que me perdi senão nunca teria te encontrado. Através destas falsas linhas retas eu prevejo uma vontade incorrigível de te querer perto. Tudo que eu nunca diria agora eu te entrego sem mesmo ter a coragem. Leva-se menos de um segundo para ter a vida virada de cabeça para baixo. Fica comigo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-8530836254491760371?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/8530836254491760371/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=8530836254491760371&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/8530836254491760371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/8530836254491760371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/03/se-esta-de-mau-humor-digamos-se-irma.html' title='Uma Mulher.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-9200820175296221982</id><published>2011-03-20T22:41:00.003-03:00</published><updated>2011-03-20T22:45:38.969-03:00</updated><title type='text'>Promessa.</title><content type='html'>Eu te amo, ele disse, assim, sem ao menos ter visto os pés da garota. Eu preciso que você me ame, ela disse, sem sequer lhe contar sobre as cicatrizes nos joelhos. Meu bem, você sabe que eu não me importo em saber ou deixar de saber sobre suas quedas. Eu só não posso com elas. É como um coice no peito e já estou velho pra coices. Me dá um cigarro? Eu te daria o mundo. Mas, por agora, só um trago. Temo pelos seus pulmões, mais do que por nossos corações. Eu menti pra você e abri seus cadernos. E eu vi aquelas frases e os textos e você bem sabe que só as palavras é que me ferem tanto. Faça silêncio com eles que meu coração aguenta firme. tô sem isqueiro também. Eu escrevi tudo aquilo para que você lesse. Gosto das feridas, muito mais do que de cicatrizes. Mas eu te prometo que só vai doer mais um pouco. Eu só tenho fósforo. Será que eu posso ficar sozinho, 10 minutos, será que é te pedir muito? Na verdade, eu preferia que você fosse embora. Não consigo fechar a janela, não consigo te levar comigo, não consigo me fechar para você. Vou te contar um segredo, talvez dois, talvez todos eles. Talvez eu te conte o que veio no meu biscoito da sorte, ou te chame para sair. Só nós dois, um maço e luz de velas. Você sabe que talvez eu não aceite. É o que dizem de mim. Se fosse difícil, talvez eu aparecesse. Se houvesse luta, e coagulos no corpo. Eu posso me esconder e te mandar telegramas. Assim você vai achar que eu sou seu tesouro, e me chamar de amor. Não, eu nem te conheço. Pois já passou do tempo, faça as malas e venha viver comigo. Pois esqueça isso tudo, estou falando sozinha. Com uma parte obscura de mim. Eu te inventei nos meus mais absurdos sonhos. E te dei corpo de homem distraído, a barriga e as olheiras, depois de tanta cerveja, a barba por fazer, e o sorriso torto. Meu amor imaginário. Nas sombras do meu eu infantil. E solitário. Eu me apaixonei ontem e não foi por você. Se fosse, nos seria proibido. Era alguém de carne e osso? Ou foi um suspiro? Foi alguém de carne, osso e meus suspiros. Alguém distante, que já havia visto. Talvez nos sonhos. Foi atrás? Fui na frente, antecipei o tempo, nos imaginei casados catando conchas. Na lua-de-mel? Todo dia, morávamos na praia. Era para ser comigo. Ainda não foi. Pede outro café, minha garganta está seca. Você vai me abandonar? Eu nunca estive contigo, senão em palavras. Nós dois caberíamos em um livro. Você coube em meu coração. Vamos escrever um romance deitados na banheira. O romance do século. Você já me fez este convite. Nossas palavras e meu coração. Nossos corações e minhas palavras. Eu mal te conheço. Mas eu me lembro dos tempos que não vivemos juntos. E eu sinto sua falta, quando distante. Nunca estive por perto. Mas eu imagino seu perfume. Ele era bonito? Que nem o vento. Não vá embora. Eu preciso de você aqui. Dividindo a janela e a vida em um trago. Eu não consegui saber seu nome. Meu amor imenso durou uma noite só. E se eu nunca mais vê-lo na vida? Aí eu terei dado sorte, e você ficará para sempre comigo. Eu não quero ficar para sempre com ninguém. Então não se apaixone. Eu preciso de algo que me mova. Não faz bem para o seu fígado. A verdade é que não faz bem para o seu coração. Você não quer ir embora. Você quer que eu fique. Eu quero o mundo, com você nele. Eu quero outro cigarro. Daqui a pouco vamos dormir. Você não tem medo de acordar? Eu tenho medo de perder muita coisa, fica mais aqui. Se você sonhar com ele, está tudo perdido. Mesmo tudo que já perdi? Eu tenho medo dos sonhos e da verdade neles. Eu tenho medo de você e o que acontecerá comigo. Eu me sentia vazia. Não faz bem para a literatura. A gente ainda vai se encontrar. E vai ser mais do que um encontro casual? Destino. Promete?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;P.s.: Diego, você também está aqui.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-9200820175296221982?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/9200820175296221982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=9200820175296221982&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/9200820175296221982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/9200820175296221982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/03/promessa_20.html' title='Promessa.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-9012774107719110720</id><published>2011-03-15T14:05:00.002-03:00</published><updated>2011-03-15T14:55:36.879-03:00</updated><title type='text'>Minha, Só Minha.</title><content type='html'>Minha, só minha,&lt;br /&gt;há tempos não te direciono nada. Nem cartas, nem beijos, nem fotos, ou suspiros. Nunca mais esbocei seu rosto nas linhas tortas do céu. Mal me lembro de seus joelhos - eram tortos mesmo ou estes eram de outra? Tenho sofrido pela falta. Falta de algo que, ainda, não soube definir. Mesmo concentrando todas as minhas forças na busca. Ainda me procuram para saber o quê é que se deu de você. Qual foi seu rumo, se casou, se teve filhos, se virou modelo ou viciada em pó. Eu digo que nunca procurei saber, que deixei você ir, sem tentar impedir ou morrer de arrependimento. Só não minto por se tratar de uma meia-verdade. Que completei com uma dose de soro, de mesma composição que as lágrimas. Que completei meio sofrido, estando ciente de que sua partida já havia sido previsão com cara de certeza. E profetizei, naquele dia, que choveria, e logo mais sua visão seria apenas uma imagem turva perdendo cada vez mais o contraste ao longo do horizonte. Se chorei, se chorei não foi como choram as crianças. Não tive a certeza de estar logo sobre o seu peito, recebendo carinho e me sentindo amado. Não houve tempo para o amor. E se houvesse uma culpa, ela não seria nossa. O mundo é formado de mundos, às vezes, tão distantes. E eu vivo escondido de um lado, sabendo claramente de você em um outro. Escutei uma canção um dia desses, não me lembro dos versos, ou do refrão, mas sei que dela surgiu uma saudade. Daquele tempo que inventamos, um amor que criamos. Pela pura e singela vontade de estar. Estou sozinho. Coisa que, imagino, você não esteja. Embora cercado de tantos, ombros e amigos, vive em mim a vontade de viver só, para ser só, e não depender de mais nada. As coisas doem mais quando escapam. E para escaparem, precisam existir com a gente. Eu existo sem elas. Às vezes, coexisto na existência que elas já tem em si. E sumo. Sem deixar nem rastros, nem resquícios. Assim não há sofrimento. Só uma lembrança aquecida de algo que ficou. Feito um lençol que guarda o calor de um corpo mesmo após sua partida. O que, para mim, fica, não volta mais. É uma maneira sensata de encarar a vida. Ou de fugir. De qualquer forma, está tudo bem. Espero que também esteja contigo. Da última vez em que nos falamos, foi para reclamar do tanto que fazia sol - aí e aqui -, e do tanto que nada valia. Tínhamos em comum as decepções, mesmo que distintas. Você já morreu de amores, e eu também. Nas curvas de seu corpo eu podia sentir a frieza que foi deixada. Os olhos miúdos e a boca descascada. Eu queria ter anotado todos os pensamentos que criaram raízes em mim. Para poder partilhar contigo tudo aquilo que não partilhei com ninguém. Pior do que sentir falta, é querer sentí-la. Coisas que os anos e as rugas trazem à tona. Um dia, no parque, eu dividi minha língua com uma outra. Não digo por livre e espontânea vontade, mas sim pela necessidade de fazer barulho. E fez. Nada de sinos ou estralos. Foram intensos os dias em que vivi morando em diferentes bocas. Se não podíamos dividir o teto, dividíamos o céu. E era mais do que suficiente. Algumas vezes limpo, todas as vezes sem estrela. Algumas vezes úmido, outras seco e ríspido. Coisas que eu teria te contado com a certeza de que gargalharíamos e esqueceríamos de terminar nossos cigarros. Contigo eu poderia dividir de tudo. Desde as noites resgatando a boêmia até a solidão de voltar - quase - sempre para um apartamento de apenas um quarto há três quarteirões da avenida beira-mar. Seria mesmo melancólico se eu realmente morasse em Ipanema. Seria bonito se tudo fosse verdade. Mas essa vida é foda e não tem cheiro de mar. No máximo, de esgoto, quando venta forte e se esquecem do real significado de saneamento público. Quando eu mando todos à merda pensam que é piada e abrem seus sorrisos amarelados. Eu queria saber qual é o gosto de um céu de verdade. Deve ser parecido com o seu. Se ao menos eu tivesse te tocado, se ao menos meu toque tivesse te despertado, talvez o amor vingasse. E não se vingasse de mim. Foi por amar tanto que, hoje, eu sou odiado. E que quando a chuva é para mim, só caem garrafas - abertas ou não -, pedaços de torta, restos de comida, tapas e alguns chutes. Ninguém nunca foi capaz de entender o tipo de amor que me dispus a dar. Talvez eu pudesse ter te explicado. Falam de amor livre, mas só se preocupam com o sexo. Se transamos, se transei, se transaram ou não. Tudo sempre acaba em foda. E depois o fodido aqui sou eu. Quando me oferecem amor, eu não quero dar. Quando eu quero amar, só querem dar para mim. Eu deveria te dizer que a vida é mais complicada do que parece. Não sei para você. Talvez você viva escondida para que ninguém, nem eu, te ache. Ou viva expondo suas partes íntimas no ápice de suas madrugadas. Ou viva quieta, tomando um chá todo dia às cinco, e chorando baixinho porque nada deu certo. Acho que me preocupo com seu rumo. Mais do que teria me preocupado com o meu caso, um dia, eu sumisse de vista. Sua vida deve ser feliz. Sendo promíscua, ilegal, destrutiva, morna, sossegada, ou não. Eu queria te dizer e, ainda pior, eu queria que me escutasse. Não uso exclamações para não parecer animado com o que está para vir. O pior é que estou. Se nada me toca é porque nada eu sinto. E estar leve pode ser o maior segredo para estar bem. Pareço um autor de um livro de auto-ajuda, mas a verdade é que eu mandei tudo para você. Que cuide dos meus problemas, já que tudo meu é seu. Na verdade, aquilo não foi nosso. E o que foi nosso nunca aconteceu.&lt;br /&gt;Seu, só seu.&lt;br /&gt;Como eu quis um dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-9012774107719110720?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/9012774107719110720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=9012774107719110720&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/9012774107719110720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/9012774107719110720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/03/minha-so-minha.html' title='Minha, Só Minha.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-2121279274660919590</id><published>2011-03-15T13:16:00.002-03:00</published><updated>2011-03-15T13:47:28.522-03:00</updated><title type='text'>Lirismo Egoísta.</title><content type='html'>Impossível saber a medida exata. E alguns dizem que sabem. Como no Domingo passado, foi molho demais para pouco macarrão. Como ontem, quando eu planejava terminar, ao menos, a primeira garrafa. Mas pouco depois da metade, eu já estava trepando - não da maneira prazerosa ou delicada. Estava trepando as árvores que plantei na minha própria cabeça. Vieram me dizer se cuida, mas para quê mesmo o cuidado? São tantos os amigos e tantos os nomes, e são tantos os pecados e são poucos os perdões. E são tão duras as verdades, e são tão saciantes as mentiras. Não digo estar frustrado, mas admito estar ocioso. Vivo em tempos onde não há nada. Nem um pingo de respeito ou felicidade. Até mesmo o estômago reclama. Tudo que, um dia, foi cheio, agora nos escapa. É tão mais fácil falar, tão mais fácil que sentir, e viver. E viver se tornou uma obrigação. Os anos de estudo, os filhos voltando antes das cinco do parquinho. O mundo girando, o tamanho da lua aumentando. Os tsunamis de água e receios. E de forma egoísta meus problemas pareceram maiores do que todos os outros. Não perdi nenhum ente querido, nem vi o teto de minha casa desabar, nem fui levado. Sofro por não ter motivos. O ópio, o ócio, a vontade de ter algo mais para falar. E reclamar. Reclamo do que não vivo. Porque um dia eu decidi que iria ser assim e foi. Eu escrevo como forma de inventar as dores. Uma transfusão de sangue, de mim para você. Ou vice-versa. Provavelmente seu sangue seja mais puro que o meu, mais vermelho, mais pulsante, mais saudável. Provavelmente você chorou ao se cortar. Se me cortei foi para me provocar. Nenhuma reação, nada além de apatia. Estou morrendo de sede. Morrendo, enfim. Não me sinto, ao menos, culpado pelo que assisto acontecer no mundo. Não me sinto em mim. Nada se desperta além da vontade de ser notado. E poder dizer que estamos perdendo tanto tempo sentados em frente a televisão. Que estamos perdendo tanto tempo que daqui a pouco teremos perdido tudo. Eu sei do tamanho da minha barriga e da minha vontade de engolir o mundo. Sei de você também. Sei que nada se resolveria em um abraço, mas certas feridas saram. E está tudo desabando, dentro ou fora. Sem que ninguém esteja pronto para se despedir. Tenho pensado muito nas coisas que deixei para pensar depois. Eu poderia estar aqui te jurando amores, mas se nada mais restar, não é esse meu amor por você que vai perdurar. Talvez voando pelas estrelas, ou entre os graus de valência. Talvez na memória, se eu contar para o mundo e alguém ficar para explicar. Embalado pelos agudos e graves do meu próprio egoísmo, eu não quero que nada se acabe. Porque ainda não acabei com você. Pensando de forma mais humanista, meus sinceros desejos de que tudo fique bem. Porque tudo que causamos é apenas reflexo de tudo e muito mais que criamos. Eu nunca pude salvar nada. Nem as mudas de plantas que morreram. Nem os gatinhos que atravessaram a rua em plena hora do rush. Nem eu mesmo. Eu nunca pude salvar nada e, de certa forma, eu desejava. Eu ainda desejo. Pois mesmo perdendo tempo, ainda não é tarde demais. Ao menos não para mim. Eu poderia te jurar amores, mas juro que estou com medo. Se você estivesse naquele avião, naquela beira-mar, naquelas torres, em qualquer lugar. Se algo para você representasse qualquer perigo, o mínimo perigo, eu arcaria com as forças e os riscos de quem segura o mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-2121279274660919590?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/2121279274660919590/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=2121279274660919590&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/2121279274660919590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/2121279274660919590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/03/lirismo-egoista.html' title='Lirismo Egoísta.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-5982265509634108437</id><published>2011-03-14T19:59:00.002-03:00</published><updated>2011-03-14T22:24:22.375-03:00</updated><title type='text'>A Velocidade dos Sentimentos.</title><content type='html'>Conversar contigo é como conversar com todos os meus segredos de uma vez só. Você não sabe quem eu sou, nem o formato que meu rosto toma quando abro um sorriso, nem como meus pêlos se eriçam ao mínimo contato. Eu te escreveria todos os dias, se não fosse enjoativa minha mania de falar sobre a falta de flores na minha pele. Hoje choveu o dia inteiro, mas eu me enganei ao colocar um casaco. Não estava frio, a não ser visceralmente e mentalmente falando. Saí com alguém para tomar um café - me recuso a contar os detalhes, como o momento em que minha perna tremeu e a boca dela se confundiu com a cor do arranjo de rosas sobre a mesa. Ligeiramente sem emoções. Tudo se tratou de um leve - e confuso - espasmo, no qual eu pude ver nela tudo aquilo que - em segredo - eu desejo ver em alguém. Existe uma dualidade na memória, nos sentidos. Às vezes sinto algo que queria sentir, e me lembro da saliência causada na pele. Sem ser profundamente tocado, nem por corações, nem pelas pontas de dedos. Às vezes eu me lembro de um amor que nunca cheguei a ter. Uma esperança pobre, sujeita a mutilações da alma. Quando eu me despedi, segui pelo caminho dos desnorteados. Nada havia, senão a falsa lembrança de uma paixão desconexa. Mais tarde, a aparição de outro provável amor - como é possível notar, venho depositado esperança e falsas emoções em todo e qualquer sorriso que recebo. Ela se vestia de forma a mostrar-se nua. Pela ponta de seu nariz, eu já poderia saber tudo que se passava ali por dentro dela. Era uma explosão de sons e cores, e tudo mais que poderia haver de belo ou gritante no mundo. Era uma explosão que eu queria ter sentido explodir dentro de mim. Mas algo me fez perceber que eu estava lacrado. Eu reclamava da falta de circulação - no sangue, entre os poros, de gente, coisas a mais -, mas eu não permitia a entrada. Eu pude, em um momento entre o que ela passou pela porta e o que ela se levantou pegando a bolsa para sair, notar que ali havia algo. Algo que poderia sim crescer e, de fato, existir. Sem ser na imaginação de um homem desfeito. Mas na realidade de um rapaz apaixonado. Ela me fez acordar e, então, lembrei-me da última possibilidade que deixei esvair. Um dia ela veio - assim começa o impacto e durará até o encerramento da história -, e eu não esperava. Quando veio, já estava aqui uma outra. Entre as duas, eu escolhi a opção mais sossegada. Neste momento da escolha - pelo que percebo agora -, renunciei toda a minha habilidade para paixões inflamáveis e inconsequentes. Ela era o brilho de um sol até então desconhecido. O luar sem lua, e o começo do fim para o enfim começo de tudo que eu deveria ter esperado - não em sã consciência. Ela faria com que eu perdesse todos os sentidos - e ainda mais, a razão que já havia se desencontrado há tanto. Ela faria o que eu espero agora, e renunciei antes. Se eu não houvesse renunciado - penso -, estaria mais suscetível a perdas como essa. Eu evitei, pelo mundano medo de nunca mais me reencontrar. Em seus olhos, estaria, talvez, seguro. Mas com o abandono de suas íris, nem sentido, nem razão, nem eu, nem amor, nem nada, nada me pertenceria. Dispensei a loucura que dela provinha. Dispensei a insanidade. Foi quando eu enlouqueci e declarei o estado. Estive com a outra, tomando chá morno, com pouco açúcar, comendo sem sal e amando sem motivos. Eu nunca a perdi, pois grudou em em mim feito um tumor. Benigno. Trouxe-me coisas gostosas, como o saber estar sempre junto e o corpo aquecido em plena madrugada de inverno. Mas nunca esqueci aquela cor de mel, aquela malemolência de quem não devia nada a ninguém - por dar sempre tudo. A que me fez acordar...você ainda se lembra de quando falei dela? Tudo que, aqui, falo - mais do que escrevo -, parece se perder com a facilidade de uma brisa. A que me fez acordar me parece um sonho distante, tomado pela vontade de que ela me queira tanto como, um dia, eu tive medo de querer. Que ela me queira tanto como eu quis ser querido. Como eu quis, um dia. Eu cansei de amar, eu cansei de amar, eu cansei de amar. Eu cansei. Eu queria viver um sonho. Mas vivê-la, por enquanto, não me parece tão fácil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-5982265509634108437?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/5982265509634108437/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=5982265509634108437&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/5982265509634108437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/5982265509634108437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/03/velocidade-dos-sentimentos.html' title='A Velocidade dos Sentimentos.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-3356250860589298349</id><published>2011-03-13T19:12:00.002-03:00</published><updated>2011-03-13T19:42:57.313-03:00</updated><title type='text'>Our Blueberry Nights.</title><content type='html'>Se destruir deveria ser prazeroso? Eu venho tentado descobrir. Parece coisa dos grandes, os semi-deuses sem poder algum - além das palavras, mas que poderes elas exercem além das catarses e epifanias e juras e promessas e desgostos? Li, um dia desses, que Tolstói morreu assumindo a barba e a loucura pegajosa de um profeta e, pouco antes de sua morte, questionou a profundidade dos sentimentos expostos por Shakespeare. Ele foi assassinado pela própria loucura ou foi tentando matá-la que acabou sendo apunhalado pelas costas em um golpe certeiro? Impossível questionar a profundidade sentimental de um homem que acreditou no amor infinito. Pura loucura, questionar a profundidade do poço de insanidade que o levou a acreditar nisto. E escapou pelas beiradas e se derramou no tinteiro e na caneta de pena. Foi com pena que os maiores amores foram escritos. Compreende? Ontem eu saí. Todos saem. Vão e voltam. Eu saí com a certeza de que iria me embriagar o suficiente para não me lembrar de nada, de absolutamente nada, e acordar com um zumbido no ouvido e o peso do mundo sobre a testa. Não há nada mais denso do que abraçar a loucura genética ou natural ou demolidora com uma loucura sintética ou com alto teor alcólico ou esfumaçada. Se bem me lembro, eu caía pelos cantos, e aos pedaços. Nada está batendo aqui dentro, isso eu queria te contar. Queria contar a você, que eu nem conheço. Nada eu conheço em você além de umas linhas tortas, e as jogadas favoritas no poker. Você ganhou as últimas partidas? Enriqueceu? Lembrou-se de mim e pensou que, um dia, eu poderia ser o amor da sua vida? E se eu já sou e você não percebeu? E se percebesse, será que iria me dizer? E vir aqui me buscar, de um outro lado, de um outro mundo, em uma outra dimensão. Quanta lucidez. Tamanha lucidez um dia eu tive. Agora só a vontade de te ligar, e perturbar seu sono infantil. E procurar saber quando foi que eu deixei você me invadir de forma tão violenta. E a vontade de querer saber onde foi parar o amor. Aonde foi parar o amor? Aquele que apareceu de relance, e nós dois pensamos que pudesse vingar. Agora você vem me dizer que eu não sei de nada. Eu não sei de você. Começo a te confundir com um amor antigo, meio querendo dividir o choro, mas sem soltar nenhuma lágrima. Não percebi quando curou, se foi cura ou esquecimento. Eu queria te contar como dói mais do que queria te contar sobre meu dia. Você me disse não vá pela dor, vá pelo amor. Eu queria tanto acreditar em você. Tanto que, às vezes, me convenço de que acredito. Você parece saber mais do que eu. E esses caminhos são diferentes? Há uma bifurcação? Das vezes que tentei, doeu tanto. É por isso que vivo engatinhando e fingindo estar de pé, usando um perfume caro e escondendo sob a maquiagem a imensidão das olheiras que amar me deixou. Um amor me deixou. Vários amores me deixaram. Eu os deixei em vingança. Sem cru, sem crueldade, nem frieza. Deixei por viver nessa incontrolável busca por algo que precise dos meus cuidados. Você me disse não bata a cabeça e não morra, e preserve seus lábios intactos - eu preciso encontrar alguma coisa que valha a pena, e pode ser você. E eu senti algo me segurar pelo mesmo braço que estava sendo puxado por um lado obscuro de loucura. Eu me senti cuidada. Foi quando eu percebi que eu preciso de alguém, e poderia ser você. Ou qualquer um. Ou qualquer rosto, ou corpo quente. Eu te escrevo como quem conseguiria dizer amor, mas eu não te amo. Eu te escrevo como se escrevesse para alguém capaz de me entregar amor - amor de um outro. É como se você soubesse todos os caminhos, inclusive o meu. Ontem eu saí desesperada, tropecei no tapete, mas mantive todos os meus fios de cabelo no lugar. Como você teria me pedido se, naquela hora, eu te contasse que estava prestes a vomitar, mas fui tomada pela precisão de um olhar trocado no meio de uma multidão de outros olhares ao avesso. Tenho aversão a tudo que me sugue. Mas em meio aquela confusão latente de tudo que pulsava do coração às artérias e movia rapidamente as minhas pernas, eu achei que tivesse encontrado alguém. Talvez eu tenha. Mas o temor falou mais alto, e eu me escondi. Depois fiquei me remoendo pensando na vontade de dizer coisas que ninguém nunca diria. Que ninguém nunca responderia de forma precisa. Imaginei que, se aquela corrida, tivesse dado certo, e não houvesse tropeço, eu teria alcançado o clímax de toda a minha história, o êxtase, o ápice de minha entrega. Por isso falei da minha aversão, repulsa, fobia, tudo. Ali eu fui sugada. Por carência ou desejo? Por desejo de não ser mais carente ou por carecer daquele olhar mais próximo ao meu? Eu imaginei eu e ele. Já havia imaginado antes, pois houveram tantos outros olhares trocados. Ele com sua camiseta vermelha, e seu cavanhaque emoldurando um sorriso tímido. Nós dois sentados na calçada imunda. E a vida sendo leve feito música. Me diz como era sua vida antes de me conhecer? Sã. E agora? Salva. Tenho mais medo de morrer amado, do que morrer louco. Tenho mais medo de morrer por amor, do que por loucura. Quando você vem me visitar?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-3356250860589298349?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/3356250860589298349/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=3356250860589298349&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/3356250860589298349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/3356250860589298349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/03/our-blueberry-nights.html' title='Our Blueberry Nights.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-3606601306913894274</id><published>2011-03-02T12:36:00.002-03:00</published><updated>2011-03-02T19:23:17.072-03:00</updated><title type='text'>Tesouras.</title><content type='html'>&lt;em&gt;It hurts to say "i miss you". But I do, and hope you're okay. Hope you are, 'cause I'm not. And I'm not that strong to see both you and me damaged.&lt;br /&gt;I wish we were us still. I wish we were still together. I wish you were here. But mostly, I wish you were with me, no matter where.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me dei conta, senti sua falta. E saber disso me doeu como um soco na boca do estômago. Quando percebi, já não era mais eu. Porque sem você, as coisas foram feitas para não fazerem sentido. Mas estou são. E só isso basta. Porque eu poderia ter te perdido e me perdido junto. Mas só você se foi, se disfarçou no meio da multidão. Ficou comigo uma saudade razoável, a memória do seu olhar sorridente, os souvenirs de sua passagem na minha vida. Não guardo nenhum rancor, nenhuma memória desmembrada por raiva. Você ficou intacta em mim. E eu te amo sem fim. Sem previsão de mudar. Sei, como todos, que os anos passam, as pessoas também. Você não passará, mas isso não me fará sofrer. Somente irei te guardar. Numa caixinha, escondida sob a cama, tomada por poeira. Eu nunca te esqueceria, nem que me pedissem. O que você me deu foi mais do que eu poderia, um dia, receber. E ficou esse amor-carinho, que se transformou pela falta de sintonia no querer. Um dia você foi meu amor e minha amante. Hoje você é amor e lembrança. Queria que você soubesse tudo que eu não deixei você saber. Fiz uma lista, com todos os momentos, os principais, em que o coração bateu mais forte e você fez brisa no meu estômago. Aquele dia, que fazia mais ou menos sol, e me sentei na sombra de uma árvore para te esperar. E você se atrasou. Era a segunda ou terceira vez que nos encontrávamos e, ali, eu já sabia quase tudo que viria nos dias seguintes. Elogiar a sua saia florida e rodada, era só uma forma de te fazer entender que até a loucura te caía bem. Para os outros, você podia não ter nada de deslumbrante, ou excepcional, mas você me puxava de uma forma que me era estranha. Era leve, ao mesmo tempo pesado. Era doce, ao mesmo tempo amargo. E era bom, sem se tornar viciante, nem lascivo. Havia sim um certo perigo em te querer, em me querer seu. Mas comum a todos os amores. Eu tive, eu tive alguns amores, meio-amores, paixões, antes de você. Terei outros depois. Terei o mundo, se for de meu agrado. Mas nem por isso as coisas se tornam fáceis. Ficam as meias, os presentes, as gírias. Ficará sempre um pedaço seu comigo. E vice-versa. E pensando, e escrevendo, vou percebendo como nós dois não tivemos nada de anormal. Um romance como qualquer outro, e meu amor nunca será maior do que de ninguém. Foi sim o maior de todos que já tive.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-3606601306913894274?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/3606601306913894274/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=3606601306913894274&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/3606601306913894274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/3606601306913894274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/03/tesouras.html' title='Tesouras.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-6890154128866174844</id><published>2011-03-01T11:31:00.000-03:00</published><updated>2011-03-01T11:32:25.230-03:00</updated><title type='text'>Dor de Cabeça.</title><content type='html'>Eu queria ter o romantismo dos suicidas. O êxtase do último pulo. O controle sobre o último pulsar. E o poder de decidir o fim. Eu queria ter o romantismo de um ser mundano. O buquê desajeitado de flores. O toque desconcertado de mãos. Eu queria ter um romantismo qualquer. Não quis que envelhecesse. Mas eu, antes, também não quis que acontecesse. Agora, sendo ácaro e pó. Impossível de resgatar. Sua lembrança permanece firme, no fundo falso das gavetas da memória. Guardada como um segredo. Que ninguém sabe como aconteceu. Em uma noite você me olhou, e depois dela eu só pude te olhar de volta. Uma duas três vezes. Sem que ninguém notasse. Minha insincera procura por algo verdadeiro. Outros dedos se entrelaçavam aos meus quando houve a troca. A troca de olhares, que dias depois se transformou em troca de suspiros e confissões. Você me pediu para que eu largasse tudo, eu me lembro. Um dia, quando apareceu sem avisar. Um livro por debaixo dos braços e havia encontrado as respostas no eu-lírico de alguém. Nada nos era proibido, me disse. E quis me salvar da monotonia da rotina amorosa. Eu amo, ele me ama, e estamos bem assim. Sem paixão ou disritmia cardíaca. Versos simples, nenhum mistério. Mas você não escutava. Atordoado ao saber que o meu amor era para ele, não por você. Em um passo arriscado, inesperado, você conheceu uma das minhas poucas amigas. Havia acabado de sofrer um acidente de carro, e eu teria estado com ela, se não estivesse na cama com você. Você não desgrudava. Com medo de que o destino ainda tivesse preparado um acidente para mim. Às duas da manhã, nós dois sendo desconhecidos no hospital. Ela já te conhecia, se bem lembro, e te chamou de anjo. Ao ver seu par de olhos cor-de-mel. E te disse que você era dela. Certa de que você nunca seria meu. Mas já era. Meu anjo caído, seguro apenas se em meus braços. Eu não abriria mão de tudo para poder me chamar de meu. Eu não abriria mão de nada. Mas, ainda assim, te dava esperanças. E repousava minha cabeça no seu peito, e te pedia carinho. Como se já não recebesse carinho demais. Eu fui feliz te tendo por perto. E, em um momento em que eu não quis nada, eu decidi por te deixar ir. E você se foi. Não me lembro o que passou por minha cabeça no momento em que decidi por ele, e não por você. Mas ocorreu depois uma série de momentos mais tristes do que a sua ida. Infinitamente mais tristes. Porque você sumiu do cuidado dos meus olhos, e eu fiquei caminhando a esmo. Se não for amor, melhor deixar para depois. Mas eu vivia na incerteza de seu retorno. Eu não quis que acontecesse e que, um dia, você me deixasse assim. Sentindo sua falta de um lado, e impossibilitada de sentir qualquer coisa do outro. Eu enganava um amor, antes tão sadio. Ele sabia de nós, me disse. Pelo brilho que eu deixava escapar dos olhos. Ao te ver passar, ou ao ouvir seu nome. Ele invejou esse brilho, eu não disse. Pois por sua revolta, não era de se assustar que um dia eu acabasse com a garganta aberta. Você não voltou, nem nunca mais me procurou. Desacreditei em todas as suas formas de amor. Desacreditei em você e em tudo mais. E por novos e calmos anos permaneci ao lado dele. Até que entendemos o real significado do amor, e ele me deixou ir. E não estando presa, te reencontrei. Em um espasmo, um beijo. E por tanta embriaguez, a sensação de completude. Você não sai da minha cabeça e, surpreso, quer saber dos meus sonhos. Tenho te tido neles todo dia. E em todos os instantes. Pois sonhar é algo que se faz desde que se esteja vivo. E descobri que estou. Eu queria não saber que eu gosto-mais-ou-menos de você.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-6890154128866174844?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/6890154128866174844/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=6890154128866174844&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/6890154128866174844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/6890154128866174844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/03/dor-de-cabeca.html' title='Dor de Cabeça.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-1138415961209375623</id><published>2011-02-27T12:17:00.003-03:00</published><updated>2011-02-27T14:17:19.848-03:00</updated><title type='text'>Amor Feliz.</title><content type='html'>Estava te devendo um amor feliz. Para você emoldurar e pendurar em alguma das paredes da sala. Não sei como começar um amor feliz. Era uma vez...não, era uma vez não serve. Um dia...não, a progressão de todos os dias depois daquele. Em uma vida...não, amor feliz é &lt;em&gt;post mortem&lt;/em&gt; também. Haviam duas pessoas. Uma mais triste, outra mais ligeira. Aconteceu de um dia elas se encontrarem. E aconteceu de, depois daquele dia, elas se acontecerem. Uma aconteceu para a outra, como um câncer que tomou conta, e passou a circular no sangue, partindo do peito. Ao se acontecerem, se perceberam intimamente ligadas. Mais do que gêmeas, almas siamesas. Que, inconscientemente, estavam escritas nas estrelas. E mesmo o mundo se partindo ao meio, se encontrariam. Quando fosse conveniente para o destino. O destino delas era o mesmo, se encontrarem em um nó na espiral da vida. Aconteceu. E não houveram surpresas. Além dos buquês e caixas de chocolate, e pernas acariciadas sob a mesa. Quando se encontraram, passaram a viver juntas. Na dimensão física. Pois mal sabiam que já viviam uma com a outra antes mesmo de sussurrarem, envergonhadas, seus nomes. Viveram por anos, muitos deles, todos eles. O máximo de anos que seus pulmões puderam aguentar. Mesmo com a poluição, a nicotina, e a imprecisão com a qual o tórax se movimenta em tempos de paixão, duraram. Indo contra todas as leis dos homens, e dos deuses. Indo contra tudo, porque precisavam de um desafio para que se segurrassem um ao outro de forma assim, tão forte. Mesmo amor tão grande, a vida se mostrou presente roubando seus últimos suspiros. No leito de um hospital, paredes pintadas de branco, visão turva, e o sossegar dos batimentos cardíacos. Enfim em paz. Como quiseram dizer quando se perceberam juntos. De mãos dadas, forçando os últimos músculos para um pequeno espasmo de força, partiram em um mesmo trem. Um dia se foram. Com a chance de se despedirem com uma quase-lágrima escapando pelo canto dos olhos. Ficaram devendo um amor feliz para você. E uma coleção de contas no banco. Quando acordaram, seus corpos dispostos lado a lado. Uma lembrança pouco nítida da noite anterior. Quando se conheceram, em meio ao som e o neon da noite, mãos ocupadas dificultando o primeiro contato. Dentes amarelados, impossibilitando a compreensão de seus nomes. O extrato marcando um drink seguido do outro, e umas cervejas no meio, para dar a impressão de leveza. Dois estranhos seguindo para o quarto. Nada de feliz ou duradouro ou predestinado. Sem encontro de almas, um aliciamento de corpos. O desejo carnal tomando conta no anonimato dos beijos. Sem troca de telefones ou informações sinceras. Um gari que virou médico no primeiro sorriso. Uma vadia que virou santa no primeiro toque de lábios. Mas ninguém precisaria saber. As mãos entrando pelas calças e saindo do controle. A necessidade de um lugar mais calmo e discreto. Dois estranhos, um montado em cima do outro. Os dois montados na necessidade de não viver só. Mas nada além. Sem beijos ternos ou carícias em volta do umbigo. Ou um abraço para selar o pacto de silêncio. E de sangue, pois tinham pressa. E a pressa é inimiga da razão. E os lábios inchados uma hora estouram, uma falha na calçada. Um pequeno e contornável tropeço. Cada um virado para o seu lado. A única ligação entre eles sendo o lençol. Um sonho esperançoso de um amor feliz, também compartilhado. Um invadindo o sonho do outro, e os dois estranhando aquela situação. Em que aquele nada era só nada, mas no sonho as coisas tomando formas diferentes. No sonho os dois pagando o amor feliz que se deviam. Acontecendo um para o outro, como um câncer terminal. E tudo terminando com o despertar de um novo dia. Continuo te devendo um amor feliz. Mesmo nós todos sabendo que esse tipo de amor não existe. E não resiste fora dos sonhos. Os dois acordam e partem. Mas isso não quer dizer que foi triste. Pelo menos foi amor. E se não foi, melhor ainda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-1138415961209375623?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/1138415961209375623/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=1138415961209375623&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/1138415961209375623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/1138415961209375623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/02/amor-feliz.html' title='Amor Feliz.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-3877941961055113132</id><published>2011-02-26T01:06:00.004-03:00</published><updated>2011-02-27T11:12:41.910-03:00</updated><title type='text'>Boneca.</title><content type='html'>Eu tenho dito meu Deus, como se acreditasse nisso - nisso de ter algo meu, e de existir algo bem maior do que tudo isso que eu possa tocar. Eu tenho dito meu Deus e é como se eu tivesse pedindo para que alguma coisa viesse até aqui me salvar. Eu sei que estou procurando uma fuga, mas não sei do que tanto corro. E ao mesmo tempo procuro motivos para ficar, mas não vejo correntes, nem laços, nem porta-retratos com sorrisos que eu não poderia largar. De repente é como se eu não tivessa nada. Como se eu nunca tivesse tido. Mas não há vazio. Algo em mim insiste em não querer dormir. Foi quando me descobri desperto. De um sono inesperado, um coma induzido. Pela falta do que fazer. Não sei se ócio, ou ópio, não sei o que estou pensando. Não estou achando minhas palavras, devo ter esquecido no bolso da calça que coloquei para lavar. Quando eu me sirvo uma xícara de café, e acendo um cigarro, e puxo como se sugasse a alma do fundo do corpo de alguém, sinto estar vivo. Mas antes não me sentia morto. Ou não sei como seria me sentir assim. Eu vim para falar de amor. Mas estão todos cansados, de falar, falar, falar e não sentir. Nós estamos todos ligados. Nós somos tão ligados que estamos todos perdidos. Eu querendo uma coisa. Ele querendo qualquer coisa. Você querendo querer. Ela querendo nada. A outra querendo ela. E todo mundo sem saber no que vai dar, se vai dar. No final, todos perdidos. Como se fosse da nossa natureza. Mais ainda, como se fosse da natureza humana. Querer escapar de todos os rumos, fingindo estar satisfeito com o encontro deles. E procurando desculpas, mais e mais, e mais uma, e mais outra, para escapar.  Não há nada a se dizer quando se repara mais nas sardas das bochechas de alguém do que na intensidade do sol. Ninguém foi feito para ninguém, e a verdade é que não há verdade. Você me aparece, e eu te perco. Distraído com os pontinhos dando cor às linhas do seu rosto. Nada se firmou para que ficássemos juntos. Nenhum encontro de galáxias, divisão de oceanos, intervenção divina. O que eu achei foi puro acaso. Querendo acreditar em alguma coisa. Depositei tudo em você. Essa vontade desesperada de possuir alguma coisa. De ser possuído por algo que me sequestre os sentidos. De me enlouquecer por um bom motivo. De sentir. De acreditar que o peito não serve apenas para ecoar o barulho. Foi ensurdecedor ter te conhecido. Ao ponto de desnivelar meu equilíbrio. De me desequilibrar de forma, aparentemente, sadia. Doses lascivas são aquelas que levam a morte. Nenhum corpo para ser tateado à procura de rastros, nem respingos de sangue. Doses lascivas de algo terno e abstrato. Amar você é como tentar voltar a superfície por ar. Descobri com o tempo. Desnecessário o uso de relógios, o barulho perturbador dos ponteiros. Só a sensação de, a cada vez que entrasse no seu corpo, estar me afogando em um oceano de nada. Um singelo vazio caminhando com dois pés tamanho trinta e cinco, apoiado em um par de joelhos convidando para um passeio montanhoso pelo resto do corpo, uma caverna como porta de entrada, umidade e silêncio. Nada de paz, só vazio. E as feridas em seus braços, o sangue coagulado, a descrença viral na vida. A vontade de atar fogo em tudo à sua volta. O descaso contagioso, a desesperança. Pessoas assim nos sugam para as próprias bolhas, e nos espetam, para verem até que ponto chegamos. Eu não durei muito. Nem você, até ser tomada pelos próprios demônios, aquelas vozes das quais você tanto falava. Que passaram despercebidas pelos meus olhos, até você se afundar, em poços ainda mais fundos do que aqueles que já havia visitado. E começar a se bater contra as paredes, e puxar os seus - e os meus - cabelos, e a falar sobre um amor que nunca foi seu - eu fui, mas amor, nunca houve amor vindo de você. Eu quis te machucar no final, por todo aquele inferno que você havia construído com as próprias mãos. Aparentemente tão delicadas. Mãos e rosto de boneca. Uma bela boneca russsa, daquelas feitas de gesso, com cabelos avermelhados, olhos sem expressão, hipnóticos. Uma boneca que se desfez com o impacto ao chão. Mil e um pedaços. Sem cola, nenhuma gota de cola restante para te trazer de volta à vida. Aquela cola com a qual fomos todos minuciosamente construídos, para sermos belos enganos, e nos aceitar como somos, ou para sermos belos enganos, e nos entregar falsamente reparados para os outros. Não haviam formas de te reparar, não mais, depois de tantas tentativas, só te sobravam buracos, e furos, e mais buracos. Sem ninguém para caber neles.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-3877941961055113132?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/3877941961055113132/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=3877941961055113132&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/3877941961055113132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/3877941961055113132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/02/boneca.html' title='Boneca.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-8489444257195791117</id><published>2011-02-21T17:07:00.003-03:00</published><updated>2011-02-21T18:14:25.182-03:00</updated><title type='text'>Ligação.</title><content type='html'>Fiquei esperando você me ligar. Por dez minutos. Duas horas. Cinco anos. Uma década. Nunca tive a coragem de mudar meu número, nem de aparelho - com o medo de que o cosmos conspirasse contra nós. Fiquei esperando você aparecer, com uma absurda compreensão sobre a demora - pois os grandes astros, eu li, demoram anos, até centenas deles, para reaparecerem. Você demorou bem metade da minha vida para aparecer - calculei que, ao dobrar os trinta, eu já estaria preparado para me desfazer em pó. Não me lembro da feição daquele dia em que rompemos nosso contrato de amor eterno. Não sei dizer se fazia sol, ou se chovia uma chuva incessável e afiada. Nem se já estava a anoitecer, nem se eu havia tido sorte e ganhado alguns trocados com a raspadinha. Sei da sua feição apreensiva, ao colocar a bolsa perto da porta, ao notar uma fina fita de suor escorrer por seu pescoço, ao notar que eu estava notando tudo que acontecia em seu ondular corpo. Tinha uma escavação em progresso contornando os olhos, dois belos buracos que pareciam aumentar a cada titubear do relógio. Com o potencial de sugar tudo em volta. Dois olhos negros. Dois buracos negros. Você não pôde me poupar da dor enquanto, para você, tudo parecia estar sendo tão fácil. Tudo, suas mãos úmidas no meu trapézio, seu esmalte rubi desviando minha atenção, o barulho do seu salto na madeira, seus passos desesperados, sua exatidão em acender um cigarro logo seguido de outro. Meu desespero em me esconder na fumaça. Ou em me afastar dela. A imprecisão de meus pensamentos, e movimentos. A queda das cinzas fora do cinzeiro, diretamente no chão, que havíamos limpado - juntos - no dia anterior. A ciência - mútua - de que presenciávamos uma crise. A indecência - minha - de achar ser só mais uma. E seu olhar me fuzilando no desencontro de palavras. E, se bem me recordo, uma Piaf cantando sobre &lt;em&gt;l'effet que tu me fais&lt;/em&gt;. Recordação que não sei se concreta ou criada, se existente ou se desejada. Mas a canção bem saberia falar de tudo - aquilo tudo que se prendeu na traquéia, que se afogou no pulmão, que se escondeu na ponta da língua, aquilo tudo que me sufocaria por anos, e mais anos, depois. Naquele dia, você saciou um dos meus desejos, o de poder falar tudo sem usar nenhuma palavra, de nenhuma língua. Bastou me olhar, e segurar nas mãos um maço de Marlboro Light - você que sempre fumou o vermelho, dizendo que só mudaria quando fosse mudar a si mesma -, para que eu soubesse. Você queria mudar e, parte daquela mudança, consistia em se mudar de mim. Naquele momento eu poderia jurar que o chão estava se abrindo, ainda que meus pés continuassem firmes, eu poderia jurar que estava no meio de uma queda, vendo, no fundo, nada. Não vendo. De repente, perdi todos os sentidos. E perdi a razão, no momento em que você se tornou ausente - ausente na forma de corpo, não posso negar que ainda te sinto. Comecei dizendo que esperei você me ligar. Preciso delinear os momentos, não só a forma perfeita e amendoada de seus olhos. Houveram momentos em que você exitou. Atendia minhas ligações de madrugada, respeitando meu bafo de whisky, escutando, risonha - aquele seu riso sem jeito, difícil de esquecer -, meus desabafos, meus discursos, meus meio-poemas com dois cubos de gelo, seguidos de náuseas. No dia seguinte você me ligava, querendo saber quantos remédios eu já havia tomado para dor de cabeça, a quantas andava minha úlcera e, depois de passar minutos reclamando sobre os dois reais que havia investido em uma xícara de café aguado, sutilmente me perguntava se eu havia dormido com alguém e, na sua voz eu sabia. Na sua voz eu sabia que não era só interesse, que era medo, e desejo, e ciúme, e dúvida. E eu sabia, e você mesma sabia que eu saberia, que você já não estava mais tão certa, que já devia ter até voltado para o filtro vermelho, e ter pensado várias vezes em aparecer na minha porta pedindo por açúcar - pois foi assim que nos conhecemos, e sempre nos gabávamos da graça clichê de nosso encontro. E, ao me perguntar, você temia a resposta e inventava uma outra ligação na espera, um cheiro estranho vindo do forno, uma visita inesperada de seus amigos metidos a artistas. E desligava, e eu ficava anos-luz escutando aquele barulho repetitivo das ligações cortadas. E ainda assim me sentia infinitamente ligado a você. Um dia, repetindo as doses masoquistas de saudade imediata, eu te liguei no mesmo estado em que ligava - trocando os pés, os sentimentos, e as palavras - e você me falou. Você me falou e eu não pude acreditar. Que havia me trocado por outro, até aí tudo bem. Mas que me amava, ainda e eternamente, de forma densa e insensata. Como gotas de petróleo despejadas no mar. Em seguida, eu caí para trás. E nossa ligação também, caiu, se rompeu. E eu esperei aquele barulho parar, não sei nem por quanto tempo, acompanhando, com ele, as batidas no meu peito. Na hora que o barulho parou, sei que eu parei de respirar. E fiquei esperando você me ligar. Por dez minutos. Duas horas. Cinco anos. Uma década. E, por enquanto, nada. Você nunca me atendeu de novo. Mesmo quando sóbrio e humilde, às duas da tarde de uma Quarta-feira. Mesmo com recados ansiosos, e pedidos desesperados. O tempo vem passando, desde então. Estou esperando você me ligar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-8489444257195791117?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/8489444257195791117/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=8489444257195791117&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/8489444257195791117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/8489444257195791117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/02/ligacao.html' title='Ligação.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-661761890612402679</id><published>2011-02-20T09:45:00.002-03:00</published><updated>2011-02-20T10:38:40.310-03:00</updated><title type='text'>Semântica.</title><content type='html'>Acordou, olhou para os lados. Meio atordoado por não saber, assim tão cedo, diferenciar a realidade dos pesadelos. Os olhos pregados, as bochechas amassadas, a linha de saliva puxando seu rosto de volta para o travesseiro. Levantou, indiferente ao pé que pôs primeiro no chão. Sentiu a frieza da cerâmica subindo pelos calcanhares, frieza a qual também foi indiferente. Descobriu-se nú. Como havia estado no dia em que chegou ao mundo. Dia, aquele, em que foi abandonado. Contava, com certo heroísmo, que havia sido encontrado boiando no raso do mar. Para que não descobrissem, não logo, que havia nascido numa cidade quase interiorona, no meio, bem no meio, do país. Sem praia e sem heroísmo, levado pelo serviço social, para um lar - que mais parecia um inferno -, onde ficaria por mais três ou quatro anos. Até que seus olhos esverdeados chamassem atenção suficiente para que fosse, finalmente, levado por braços calorosos e amáveis. Muitos anos haviam passado, mas lá estava do mesmo jeito que veio. Nú e abandonado. Largado no mundo recém-descoberto. Feito um recém-nascido, levou uma palmada - desta vez da quina da mesa -, para ver se vivia. E vivia, meio que pelas beiras. Vida percebida pelo choro. Desta vez, sem escândalos e quase sufocamento. Choro sentido todo da pequena dimensão de uma lágrima, que escorreu discretamente pelo canto do olho esquerdo. Revivia, ali, a sensação que havia sentido antes. Mas que não se lembrava, a não ser pelas memórias construídas, as falsas memórias que criamos para dar razão e sentido as coisas. Memória que não lembrada, porém sentida, no vazio que batia em seu peito. Faziam anos desde aquele dia. Anos, também, desde o dia em que aqueles braços amáveis e calorosos, abraçaram uma outra vida, e se foram. Rumo à morte que, como de praxe, não assassina somente quem se vai. Vivia só, desde então. Como era de seu gosto e de sua natureza. Vivia aquela solidão, inerente aos homens. Disfarçável, mas nunca contornável. Fumava, desde os doze anos, como demonstração de revolta. Primeiro, fingindo querer esconder. Depois, no meio da sala de jantar, durante a ceia, assoprando a fumaça no rosto de todos, e rindo, sarcasticamente, daquilo tudo. Que não aceitava, por não ter o mesmo sangue, nem o mesmo nariz, nem a mesma força. Ao se levantar, cambalear, e bater a perna na quina da mesa, parou para acender um cigarro, teria sido cômico se não tivesse queimado parte dos lábios acendendo pelo filtro. Mal conseguia abrir os olhos, mal conseguia tentar reparar nas duas dores - a da perna ferida e a dos lábios ardendo. Já havia aberto mão da terceira - aquela eterna visitante no peito. Não havia como negar, era Domingo e seu estômago doía como se tivesse arrebentado. Sua cabeça doía como se tivesse arrebentado. Estar acordado doía como se nada nunca pudesse ser segurado. Era isso que pensava, desde que presenciou os últimos suspiros em um leito de hospital, o último afago na cabeça, o último calor e o eterno amor daqueles braços de repente tão frios e esvaziados. Pois um dia desejou ser, no outro já não queria mais. Pois um dia jurava pertencer, e no outro já não aguentava mais. E vivia oscilando entre a rebeldia e a gratidão. Entre o amor materno e a insatisfação de não saber de quem havia saído. Ali, pertencia, descobriu. Pouco depois de descobrir que tudo se vai. Como já sabia, mas ignorava. Doeu, como finas lâminas rasgando as costas e arrebentando a coluna. Antes, sabendo ser tão só. E subitamente percebendo sua solitude. Seu impulso depressivo de se querer assim. Pela pobre escolha de não se entregar. Eram muitos os cortes, que nunca viu crescer. Mas que deixou que o tomassem, e o tornassem repulsivo. Difícil se aceitar tão medíocre. Acendeu mais outro três cigarros para disfarçar o erro do filtro. Olhou para os lados, ainda com os olhos pregados. E, pelo canto, viu um corpo repousando, também nú, na mesma cama da qual havia saído. Soube-se acompanhado sem perceber. Não tinha olhos para nada mais. Vivia naquilo de achar que ordenava as rotações dos planetas. A vida nos revela para nós mesmos das maneiras mais humilhantes. Caçou uma roupa, uma entre todas dispostas ao chão. Beijou aquele corpo do qual não se lembrava, e nunca mais se lembraria. Percebeu que aquele apartamento, com dois quartos e paredes coloridas, com fotos e longas estantes, não era o mesmo em que morava. E se era, havia perdido a memória. Dormido e acordado sendo outro. Sem saber se era realidade ou pesadelo. Talvez sonho, com um olhar menos violentador, reparando no sono angelical refletido no rosto, nos lábios, nos cílios, daquele corpo. Sem saber se havia acordado, sem saber se havia se encontrado ou, mais outra vez, se perdido. Sem saber quem era, e se tudo aquilo que contou era verdade. Se contou aquilo tudo em um sonho, e nasceu de calorosos e amáveis braços que nunca o abandonaram. Sem saber se realmente conhecia a dor de uma morte, a palidez de um corpo cuja alma foi levada. Sem saber se era o que era. Quem era, sem saber. Na dúvida de que aquele corpo pudesse ser parte do corpo dele. Confuso, por não saber cuidar de nada, nem ninguém. E pensando que, aquele vazio, era, inesperadamente, uma alucinação. E aquilo tudo era dele: o corpo, a paz angelical, o sono, a confusão. Talvez se voltasse a dormir, talvez acordasse sabendo de tudo. Ou novamente sem saber de nada. Passavam das seis da tarde, e nunca havia dormido tanto. Se havia, não sabia, não se lembrava. E nada entendia. Vestiu a roupa e caminhou até a porta. Ouviu um barulho vindo do quarto. E, por impulso, rodou a chave, girou a maçaneta e saiu. Cambaleando, descendo as escadas. Dando de cara com a rua, que não era tão familiar. Caminhou, caminhou, caminhou. E viu umas mesas sob a sombra de umas árvores. E lá mesmo se firmou. Era calmo, um lugar neutro, longe daquilo tudo que já não sabia mais. Bebeu, bebeu, bebeu, e numa tentativa - falha -, nada de amor. Chegou a achar que amor não existia. Que o inventou quando embriagado. Só pegou a palavra emprestada. Mesma palavra que era usada para definir a soma de um desconforto estomacal à uma indisposição física. E naquela confusão semântica e sentimental, achou que fosse algo a mais. Amor é só indigestão. Pensou, sem saber porque pensava naquilo tudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-661761890612402679?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/661761890612402679/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=661761890612402679&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/661761890612402679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/661761890612402679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/02/semantica.html' title='Semântica.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-6856260060593008724</id><published>2011-02-17T10:39:00.004-02:00</published><updated>2011-02-19T23:38:35.618-02:00</updated><title type='text'>Anis.</title><content type='html'>O cheiro de anis tomava os quatro cantos do quarto. Cada um dos cantos tomado por mudas e mais mudas de roupas sujas e amassadas. Cada uma das peças de roupa retomava um cheiro. Cheiros que não eram fortes como o de anis, tampouco tão doces, ou singulares. Eram cheiros de corpos. Da presença seguida de ausência. Da imprecisão do tempo de permanência. Da certeza do impermanente, do efêmero - posto que os próprios cheiros entregavam que nada havia se mantido muito tempo por lá. Era um quarto de porte pequeno, quatro quadros em uma parede, que se repetiam nas outras, sem que ninguém soubesse qual delas havia começado, e quais outras haviam repetido. Era branco, branco como deve ser a visão do sufocamento segundos antes de se tornar desmaio, batimentos antes de ser levado a morte. Algumas estantes e, nelas, uns bocados de livros. Literatura francesa do final do século XIX, auto-ajuda, James Joyce, almanaques, romantismo, Nietzsche. E poeira, uma nuvem de poeira, cobrindo dois ou três porta-retratos e, também, o começo de uma escrivaninha. Com folhas de papel abandonadas sobre ela, e uma ensurdecedora vista para o oceano posta na janela à sua frente. Vista posta, como uma farta mesa de jantar, como o sol, no final de um belo dia, abrindo caminho para a noite. Nos papéis sobre a mesa, uns rabiscos finos e trêmulos, manchados de café, com resquícios de cinzas, sopros mortíferos, restos de cigarros. O oceano, que banhava a entrada da casa - inundava a varanda, os vasos com orquídeas e samambaias -, que refrescava o ar - umidecia a madeira, as pedras, todo o piso. O oceano de céu azul, e gramado verde, imóvel no horizonte, sem ondas, só, sem areia, nem mar. E eu. Eu, como um ser pequeno, um ponto no meio do universo, flutuante. Uma pequena sujeira, faltando mão para limpar. O prefácio da depressão, da solidão, da ferida, dos punhos entreabertos pregados de sangue. Eu sendo o desespero. E nada mais. É que venho pensando. E são nesses pensamentos que as coisas se encaixam - ou se perdem de vez. Como, uma vez, eu te perdi. Nunca tendo te tido, não de forma concreta. Tive como uma figura abstrata, um fruto de minha imaginação doente. Você estando do outro lado do oceano, e eu com minha vista limitada à leve aparição de um rio paralelo ao jardim. A umidade, aqui, é de matar. O que nos segurava eram as palavras. Mas palavras não seguram nada, nem ninguém. E então você se foi. Sem nunca ter estado aqui. A não ser por visitas ocasionais e beijos descabidos de sanidade. Não há nada de tão doce que não se torne amargo. Repito, todos dias, todos amores, antes de acreditar. Foi o que me restou. De tudo que falamos e escrevemos, e confidenciamos. O que me restou foi a lembrança de um sabor, que se amargou, que me amargurou - e a você também. E apodrecemos. Gangrenamos, caímos, despedaçados. E eu não sei, antes, também, sem saber, que rumos a gente tomou. Mas aconteceu de serem opostos - mais opostos do que já eram nossos continentes secretos. Colocaram, agora, uma música para tocar. A sensação que tenho é a de estar desacompanhado. Mas estou sozinho, na companhia de outros, que pisam forte na madeira, de um lado para o outro, chamando meu nome. Eu não consigo os escutar. Nem a eles, nem aos pássaros que, lá fora, sei que cantam. Ela me puxa pelo pescoço. Mas ainda não te esqueci, e te sinto, ainda, presente no meu corpo - em cada buraco dele, principalmente, no que ficou no coração. Ela me puxa e me beija. E sinto cometer um crime, com ela, contigo, comigo, conosco. Porque eu não te esqueci, e ela tenta te ocupar em mim. Tenta te tirar dos buracos, mas só te enfia mais para dentro. O cheiro de anis, que invade o cômodo, o cheiro de suor, que invade meu corpo. Outro corpo invadindo este corpo que, ainda, é seu. Todos sabem quando é chegada a hora de se despedir. De encher as malas e esvaziar os olhos. É chegada a hora de te deixar ir. Existe sempre o tempo, circulando com o sangue. O tempo vai te levar, em um avião branco, sumindo céu afora. Quando eu estiver sentado no saguão do aeroporto, aquele mesmo no qual te esperei. Dessa vez, sem previsão - nem de volta, nem de chuva, nem de corações. Nenhum incômodo sentirei na minha barriga. Só o oco. Haverá, não o cheiro de anis, mas o seu perfume, como em um filme, e só eu poderei sentir, sendo só eu personagem da tragédia. E todos assistirão quando, de repente, meu tamanho se tornar metade, e eu me encolher na cadeira, me apoiando na estrutura de alumínio, sentindo o frio entrar pela ponta dos meus dedos, e a dor da partida tomando conta dos meus ossos. E você partindo do mundo que eu planejei para você, para nós. E esse mundo se desfazendo. E eu sem saber onde morar. O cheiro de anis, por enquanto, continua.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-6856260060593008724?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/6856260060593008724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=6856260060593008724&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/6856260060593008724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/6856260060593008724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/02/anis.html' title='Anis.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-8102973832582871738</id><published>2011-02-08T14:02:00.002-02:00</published><updated>2011-02-08T17:45:55.384-02:00</updated><title type='text'>Fênix.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"A felicidade tem a ver com o que nos falta ou não na vida que nos calhou. Devo dizer-te que não me falta nada, ou quase nada".&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você irá embora, eu ficarei, tudo ficará. Tudo começou com um sorriso embriagado, uma troca de palavras tontas, e um beijo, seguido de outro, e mais outro, até que não pudéssemos mais parar. E fomos parar na cama. Não fazia calor, também não se tratava de um dia frio. Não iria chover, mas o céu exibia uma porção acolhedora de nuvens. Você usava uma saia rodada, os cabelos presos por uma fita, ensaiava algumas falas, porém as guardava para si mesma. Eu? Eu não importava, nem me importava. Estava focado nas dores de um outro amor que, há pouco, havia se tornado vazio. Você era a minha mais nova distração. Um porre para fazer arder as feridas do lado de dentro. As coisas tomam dimensões inesperadas, e nem tudo corre como planejado. De repente era eu apaixonado por você, e não o contrário. Eu sendo seu maior delírio, e você sendo meu maior erro. Porque eu poderia jurar que não havia nada de espetacular ou hipnotizante em você. Nem seus olhos, nem suas mãos, nem suas palavras. Naqueles dias em que me vi encurralado, não haviam noites. Nem noites. O dia era um prolongar sereno da inquietação do desconhecimento. Eu desconhecia o que quer que fosse que havia conseguido me tornar seu. E não o contrário. A luz do sol me cegava, junto a uma outra luz que saía de você. Um show de luzes disparadas do céu. Era lá mesmo onde você se encontrava. No inalcançável infinito perante meus olhos. Você irá embora, e nada eu poderei fazer a respeito. Estou aqui, parado no meio da rua, assistindo os carros passarem, tentando decifrar a história dentro de cada um deles. Atordoado com a minha. A minha história que tentei dividir contigo. Ciente da disparidade de vontades. O que eu preciso para conseguir uma bebida nesse lugar? Sentado, de frente ao balcão, encarando as garrafas de vidro, com a camisa suada por debaixo dos braços, o bafo quente de cansaço e cigarro. Eu não teria visto se não me contassem que eu estava acabado. Você aconteceu como um furacão, e sem que eu previsse, eu estava devastado. Nada de tão grandioso havia acontecido na minha vida até então. Nenhum outro clímax, ou êxtase, nenhum ápice de alegria, ou queda. Falam das flechas e dos cupidos, mas se esquecem da dor e da ferida. Das fibras da pele que se rompem, do desmaio. Porque parece mesmo um desmaio quando, em um segundo você é um, e em outro, você é de outro. Eu era de alguém, antes de você. Era, como um filhote treinado para seguir o dono, mesmo sem coleira. Que urinava e defecava nos lugares certos, que estava lá para dar amor sem fim, para levar bronca sem começo. Esse amor anterior foi embora, como vão todos os outros. Como logo você irá. Carregando suas tralhas no caminhão de mudança, olhando para trás para ver se não esqueceu de nada - ainda assim, se esquecendo de mim -, seguindo para um novo apartamento, frio, branco, vazio, com cheiro de mofo, sem nenhum outro corpo - por um bom tempo, espero. E eu ficarei neste mesmo bar, a tentar ignorar nossa separação, a tentar não me lembrar de você a cada vez que um segundo passa - porque tudo me leva a você -, a tentar aceitar e seguir em frente, sem me mover. Sem nenhum movimento. Porque, quem sabe, uma hora, você não volta, e me diz que foi só um susto, que eu posso voltar para a superfície, e respirar. É como se alguém estivesse apertando meu pescoço com os polegares, batendo minha cabeça na parede, com a intenção de me desacordar, até que, tempos depois, eu renasça, como uma fênix, direto das cinzas, como se nada tivesse acontecido e, tudo tivera sido, somente, um pesadelo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-8102973832582871738?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/8102973832582871738/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=8102973832582871738&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/8102973832582871738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/8102973832582871738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/02/fenix.html' title='Fênix.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-6164755684516063108</id><published>2011-02-07T19:00:00.003-02:00</published><updated>2011-02-07T21:44:22.354-02:00</updated><title type='text'>O Porto.</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Um.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Pensei em você. No dia em que atravessamos de mãos dadas o Eixão, durante a madrugada, tremendo de frio, descobertos pelos faróis, pelos pneus acelerados. Pensei em você, o resgate de um afogado no oceano da memória. Um pensamento dos tempos em que sonhávamos e, ainda, acreditávamos. Seu perfume persiste no lençol. E ainda sinto a sua barba fazendo cócegas no meu queixo. Dizem que está chegando o fim do mundo. Estou preparada, há tempos, desde o fim de tudo. Era verão, quando desfilávamos nossos corpos pelas calçadas e, pouco depois, dividíamos o calor de nossas mãos. Era claro, e sereno. E você era bonito, com seus olhos amendoados me fitando, com suas mãos, e coração, me segurando. Mas eu queria ir embora. Todas as vezes. Sempre que disse que te amava e que aquilo duraria para sempre. Eu sempre quis ir embora. E nunca foi meu desejo te encontrar. Eu guardo tantos segredos, e a verdade é que você nunca me conheceu. Então eu nunca fui sua. Não sei porquê ainda me escreve, se eu nunca te dei uma resposta. Nem nunca darei. Você sente a minha falta, mas ela é só sua. E espero que guarde com carinho, todas as vezes em que te aninhei, e que te chamei para perto, e tentei te ensinar palavras do meu espanhol falho, e dividimos a cama, e o primeiro cigarro do dia. Doeu me apoiar em você de tal forma, de tal forma que seu peso passou a existir somente somado ao meu. Começou com um desencontro. Eu procurava por uma fuga, você só queria um amor eterno. Eu vivia para o mundo, para os outros, você só queria se sentar o sofá, enconstar seu corpo no meu, e assistir televisão. &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dois.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Andei pensando em você, de forma a nunca te tirar da cabeça - muito menos do coração. Lembrei daquela viagem que fizemos para o litoral, daquele fim de tarde que passamos à beira-mar, seu cabelo se confundindo com a areia, e sua cabeça se deitando no meu ombro como deitava o sol. Andei pensando em você, como o céu encoberto de nuvens, em dias de verão. Um pensamento preso no breve decorrer daqueles dias, em que amávamos sem limites. Sua presença persiste nos cômodos, ao ar-livre, em todos os cantos, e quinas. Eu ainda sinto seu corpo dando sentido ao meu. Dizem que este é o ápice da loucura. Tenho, há tempos, estado louco, desde o começo de tudo. Era triste, quando eu caminhava sozinho por debaixo de sol um incendiário e, pouco depois, uma brisa veio contigo. Era o que nada nunca havia sido. E você era uma visão do impossível, com seus traços perfeitos e inconsequentes. Com sua vontade de escapar, pelos menores buracos. De escapar de tudo, para sempre. Eu queria que você não tivesse um coração tão inquieto. E não tivesse sua sede de tudo. E que tivesse ficado. Eu esperei por vidas até te encontrar. Eu guardei tanto amor, e a verdade é que você nunca aceitou. Você foi feita para ser minha. Não sei porquê não me responde, tentando desafiar o destino. Não sei porquê ainda te escrevo, só aumentando minha pressa. Eu sinto sua falta e, é nela, que perco a razão. Não sei se guarda as minhas cartas, mas espero que sim. Nelas, está tudo reescrito, em uma tentativa de nos reconstruir. No final, todo mundo só quer ser amado. Mas você era diferente... &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Três.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Um par é a junção de duas peças que se encaixam. De duas peças que se encaixam perfeitamente. Quando não há o encaixe perfeito, não há par. Quando não é par, é dor. Da dor vem o romance - um corpo dolorido e encharcado de sangue, procura por outro corpo na mesma condição. Um par - ou a síndrome da procura pelo encaixe - quando desfeito, consiste em dois corpos abandonados. Cada corpo vai atrás de um outro, que sirva na cama ou no coração. À princípio, há um desencontro. Pois o desencaixe das partes é justamente a abertura viral do desejo, da impressão de saciedade na procura. O ímpar é o atraente, a disposição do contraste entre a água e o vinho, entre um ferido e um sobrevivente intacto. Do desencontro, nasce a probabilidade. Em que dois corpos se encontram calculando. O número de vezes que encontrarão defeitos, que beijarão as cicatrizes, que amarão os erros, que discutirão na porta do cinema, que transarão com raiva, que pedirão perdão, que partirão, e voltarão, até que a partida seja para sempre, o desencaixe seja inconsolável. O ímpar é o mais belo engano, o par é o mais doce erro. No final, todo mundo só quer ser amado. Mas as formas de encaixe são diferentes...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não vi a necessidade de prolongar seu engano, de financiar seu estrago. Se parti, foi porque teria sido pior ter ficado. Se te parti, foi porque você gostou de ser enganado. Não fui sincera, também não menti. Apenas fiquei lá, sem falar nada. Enquanto você circulava à minha volta com seu corpo malemolente, e me beijava a nunca, e dizia que deveríamos ser o que éramos para sempre. Não fomos nada. Não para mim. Nada que eu tenha visto, percebido, ou sentido. &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dois.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nunca entendi o seu silêncio. Nunca te questionei de onde ele vinha. Achei melhor me manter distante, apesar de presente. Não entendia suas, súbitas, vontades de se exilar pelos cantos. Preferi te assistir de longe, e imaginar cada um dos seus pensamentos - que, às vezes, eram tão misteriosos que me davam medo. Às vezes eu poderia apostar que você acabaria pulando da janela, a qualquer momento. Ou que me abandonaria. Eu teria acertado apostando na segunda.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Três.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Existe a partida, que demarca o encontro. Existe o choro, que demarca a perda. Existe o amor, que traça caminhos pela areia. Caminhos que se apagam na visita da mais breve maré. É possível perder o amor de vista, como é possível desaprender o caminho de volta. Quando amor se vai, fica a confusão, o atordoamento de não saber para onde ir, de não saber se deve ficar. &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu consigo te ver, outra vez entrando no mar. Molhando os cabelos e, logo, desconcertado por ter quase se afogado com uma onda. Eu consigo te ver, como se estivesse comigo agora. Abrindo uma garrafa de vinho e me dizendo &lt;em&gt;cariño, não sei como te dizer&lt;/em&gt;. Não era porquê não sabia falar as tais palavras. Era por não entender aquela língua. Você sabia amar e dizer, e demonstrar, melhor do que qualquer outro. Você falava a língua dos anjos, eu me limitava a um espanhol fodido.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dois.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu te imaginei, agora. Sentada perto do mar, tomando uma cerveja, imersa na profundez do seu próprio oceano. Fiquei me perguntando se a maré estava cheia por lá. Se você estaria precisando de alguém para inundar. Eu deveria ter me mostrado seu porto-seguro. Mas era tão difícil encontrar as palavras certas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Três.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não há nada a ser dito, pois o querer não se concretiza com o falar. Não que não se queira escutar. Até porque, amor, se confundido com o silêncio, se confunde o próprio corpo. E o corpo, quando solitário, não sabe em qual porto se firmar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-6164755684516063108?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/6164755684516063108/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=6164755684516063108&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/6164755684516063108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/6164755684516063108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/02/o-porto.html' title='O Porto.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-7294189422158492066</id><published>2011-02-05T13:26:00.002-02:00</published><updated>2011-02-05T14:18:27.125-02:00</updated><title type='text'>Finito.</title><content type='html'>Sofremos, como é de costume a todos os amantes. Sobrevivemos, como era de se esperar. Houve uma despedida, seguida de um choro, depois um silêncio, depois outras bocas e, de novo, nossos beijos. Porque era difícil ir, assim tão rápido. E fingir que nunca houvera acontecido nada. Nem nós, nem nada. Quando nos tornamos sós, surgiu uma saudade, uma indecisão. Depois, bem depois, uma indiferença. Foi quando passamos a frequentar os mesmos lugares, mas delimitar muito bem nossos próprios espaços. Se havia um aceno, era um dia de sorte. Se escapava um sorriso, era morte. Porque ainda desejávamos, e o alongamento dos lábios excitava os impulsos. De novo, os beijos. E tudo voltava. Mas logo partíamos, outra vez. Para nossas casas, sofrendo sob nossos próprios tetos. Sozinhos, porque era tão difícil se esquecer. Não me recordo de nenhum outro momento em que eu tenha sido tão profundamente triste. Ou ferido. Com carne-viva e o medo de qualquer toque. Não houve um abandono, nem uma quebra, somente um acordo. Não aguentávamos mais negar que tudo era pequeno demais para nós, e que não haviam formas de sobreviver ao mundo. Não me recordo do seu rosto no momento em que sussurramos o adeus. Mas tenho a certeza de que ficou vazio. No momento em que eu saí de você. Tudo esvaziou, tornou-se oco. Em mim, e em você. Empacotamos tudo, e eu mudei para um lado da cidade, e você para outro. Por um tempo, não nos esbarrávamos, era arriscado. Mal saíamos de casa. Mas acontece da cidade ser pequena, e houve um reencontro, seguido de muitos outros. E seguíamos para o meu quarto, e relembrávamos a textura de nossas peles, e partíamos. Porque, por mais que tentássemos, sabiamos que não pertencíamos mais. Nem ao amor que restava, nem aos braços que se encontravam. Eu me encontrava sozinho, na maior parte das noites. Quando eu não estava acompanhado por outro par de coxas, ou outro cálice de vinho. Eu nunca me encontrava sozinho, não do lado de fora, não quando dentro de alguém. Dentro de mim, bolas de feno rolavam, e a melodia triste do amor vadio tocava. Eu vejo uma noite escura, uma escada de ferro apontando para os trilhos, o barulho veloz do trem, um par de amores caminhando de mãos dadas, um pingo de chuva caindo do céu. O frio, e um gorro esquentando minha cabeça. O coração congelado, uma lágrima caindo do céu dos meus olhos. O céu refletido, escuro e anuviado. A lembrança dos seus cílios, da sua boca, de cada um dos seus traços. A sua raiva me dizendo que te levaria embora. Você indo. A eternidade escapando como fumaça. Um cigarro temendo apagar. O fim de uma era. Um aborto. Nós dois em um lugar desconhecido, nos encontrando depois de anos. Ou até mesmo agora. Ou antes. Um amor abortado, morrendo antes de nascer, escapando pela virilha. Sem dar luz. Sem nenhum de nós dar a luz. E a noite persistindo, escura. E sua lembrança na minha. Sem previsão de sol. Noite eterna. Com previsão de falta. Uma falta irracional. Que doeria em todos. Pois ninguém aguentaria nos ver assim. Antes, sendo tão sorridente e joviais. Depois, não sendo, se arrastando. E nossa história se esvaindo, sendo um amor como qualquer outro: finito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-7294189422158492066?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/7294189422158492066/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=7294189422158492066&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/7294189422158492066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/7294189422158492066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/02/finito.html' title='Finito.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-341690006428271667</id><published>2011-02-04T11:36:00.002-02:00</published><updated>2011-02-04T12:36:47.078-02:00</updated><title type='text'>Pétalas do Amor.</title><content type='html'>Enchi um copo de vidro com café, queimei a ponta dos dedos, assoprei com força, a fumaça subiu. É Segunda-feira, com cheiro de Domingo, e de chuva. No céu, restam resquícios de um sol de Sábado. É Segunda-feira, e o Domingo passou atropelado. Hibernei pelas últimas horas. Um sono iquieto, irritadiço. Mas sonhei, como fazem os imundos e os medíocres. Sonhei um sonho que, na verdade, era só mais um. Um sonho com você. No qual você ia embora, se misturava com as cores das paredes de um corredor imenso. Se misturava, e ia embora. Sem que restassem rastros, ou lembranças. Acordei abraçado por gotas de um suor frio, um choro solitário libertado pelos poros. Foi há muito tempo atrás a última vez em que toquei em uma folha de papel. Mal me lembrava da textura. Ou da agonia de ser encarado por um infinito em branco. Foi há muito tempo atrás que escrevia poemas de amor, e punha meu peito frente aos canhões, e pulava de pontes, e enfrentava o mundo, e era forte, e grande, e completo. Os anos passam rápido, dizem. E, agora, eu concordo. Aconteceu do tempo passar supersônico, e hoje sermos outros, sem sequer percebermos. O rumo que tomei foi frio e escuro. À procura de qualquer sinal de calor ou toque. E existiu a perdição, pelas curvas. Dos corpos morenos de verão. Dos olhos desejosos de carinho. Dos lábios carnudos. Explosão, uma explosão de cores, pêlos, saliva, cheiros, secreções, anseios, desejos. Cheiro de corpo, de contato, de sangue, de estrago. E doses lascivas de paixões passageiras, de transas indiferentes, de beijos salgados de lágrimas, de agulhas, e perfurações. E morte, e convulsão, e desejo, e overdose. Estou sobrevivendo. Não lamento sua partida, foi quando me encontrei inteiro. Mas tenho umas confissões a fazer. As pétalas do amor nascem e caem. Envolto no odor restante de vodka e perfume e fumaça, tentei resgatar. E imerso em pensamentos e resgaste eu já não mais sabia o que era memória ou imaginação. Se as coxas que toquei e arranhei ainda eram as suas ou de uma outra que passou por minha frente de repente e mais de repente ainda estávamos deitados no banco de trás de um carro de alguém que eu sequer conhecia jurando juras de um amor imaginário e cobiçado. Porque hoje em dia dá vontade de ser amado de novo. Se é que um dia fui, porque suas palavras no final não eram mais do que nada, um grande teatro e eu deveria ter te aplaudido de pé. Falo como quem ainda estivesse com a ferida aberta e não soubesse como estancar o sangue, e esse sangue que sangra já não é mais puro, mesclado com qualquer coisa, qualquer coisa que entrasse pelos canos ou pela boca ou por qualquer buraco e se não existisse algum eu inventava, só para que alguma coisa entrasse e diminuísse o peso e eu flutuasse. O maior sonho do homem é voar. E eu voei com as mais belas asas por cima de tudo e de todos por cima de mim e de você e eu tento me lembrar, mas é vaga a lembrança. Feito um trauma eu não te lembro mais, e ninguém toca nessa parte que pertenceu a você. Um tal de coração ninguém toca nem se aproxima ninguém chega perto, todos fogem. Porque minha reação é violenta e ninguém entra tanto assim. E quanto eu digo que já te esqueci todos acreditam porque eu disfarço também lambendo outras costas e chupando mais uma e mais outra parte e me arrebentando fraturando ossos ferindo os tendões envelhecendo e me desgastando, à procura. De mim porque eu me perdi, de mim mesmo. Assustei ao ter me encontrado porque eu antes era um herói e agora sou fúnebre esquelético. Era outro corpo comigo. Não era você que um dia foi. Foi meu corpo e depois fantasma lembrança saudade falta. Sentir sua falta é sentir que não sou mais o mesmo nem sei mais quem fui. Quem foi foi você pela porta da sala para nunca mais. E eu me entrego à mais sutil possibilidade de ser grande de novo. E eu aumento de tamanho dentro de outros corpos. E me gostam e me gozam e me curtem e me amam e eu encolho. E tudo acontece novamente, em um outro corpo, uma outra madrugada, um outro espaço, uns outros beijos, e afagos e desejos. E tudo vai acontecendo e eu mal consigo acompanhar. Acendo um cigarro e uma chama em alguém e em mim que ninguém apaga, porque a fome é de você. Deito, respiro, bebo, fumo, transo, suspiro, gemo, fodo, tudo fode, tudo acaba. Você não volta e eu vivo esperando. Não consigo mais esperar, nem respirar. Nem qualquer coisa. O céu parece estar pegando fogo. As folhas das árvores se movimentam brutalmente. Uma sombra invade a janela. Não tenho aguentado viver assim e fujo, da luz, qualquer luz. Fujo e me escondo nos buracos. Eu não entendo o que essa folha está querendo me dizer, toda rabiscada. Eu querendo te dizer tanta coisa, com minha voz rouca, de tanto fumar e gritar e soluçar. Está acabando meu fôlego e a tinta da caneta. Você nunca lerá isso, eu nunca deixaria. Confissei feito um pagão, e você não tem nada de santo. Eu não tenho nada de nada e vamos acabar logo com isso. Eu só quero amar enlouquecidamente de novo, e poder olhar em outros olhos e dizer que são meus, porque quero e não porque se entregaram. Sua presença vive me assombrando. É dela que eu fujo. Eu não quero fugir mais, você precisa me deixar ir. Eu não te quero mais e nem você quer a mim. Não me deixe preso nem sozinho nem aqui. Não aguento te enxergar em tudo nem em todos, em todo corpo que eu toco o toque é seu. Por favor, se vá. De verdade ou então me deixe ir. Não quero mais amar um amor que virou loucura. Eu quero amar um amor que seja meu. Eu preciso que você vá eu preciso me entregar para alguém. Não me prenda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-341690006428271667?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/341690006428271667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=341690006428271667&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/341690006428271667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/341690006428271667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/02/petalas-do-amor.html' title='Pétalas do Amor.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-7965932646784529750</id><published>2011-02-01T23:13:00.002-02:00</published><updated>2011-02-02T00:08:33.811-02:00</updated><title type='text'>Amar Amor.</title><content type='html'>Era tarde da noite, beirando a madrugada, quando uma esperança - louva-Deus, que seja -, entrou pela janela do escritório. Nunca recebi visita de nenhum outro ser que não fosse você. Nem pernilongos, nem amantes, nem espíritos. Eu teria me assustado, se não estivesse com os olhos vidrados em uma foto antiga. Na qual estávamos nós dois, neste mesmo cômodo, cortando figuras de revistas, para que você fizesse o que chamaria, mais à frente, de obra-prima. Enfim, só notei a presença do intruso quando ele se prendeu aos fios de meu cabelo, que logo logo eu alisaria com a ponta dos dedos. Não hove susto, ou espanto, ou o impuso de tirá-lo de lá. Ficou, por um minuto ou dois. Antes de voar até a lâmpada e ficar por lá, por mais dez minutos ou vinte. Eu sabia que iria morrer se continuasse rodando em volta da luz. Ele, provavelmente, também. Não sei se esse tipo de bicho sabe ou sente as coisas. Foi mais ou menos assim que aconteceu conosco. Eu estava na mesma situação, caminhando pela sombra, sozinho, vidrado em alguma memória, pensativo, e sozinho, de novo. Quando entrei, de surpresa. E havia um homem sentado à mesa, encarando os próprios problemas ou fugindo deles. O homem que estava com você. E você, era a lâmpada, a única companhia. Toda a luz e, de repente, eu estava girando à sua volta. E você sabia que esse seria o mais claro caminho para minha morte. E eu não sei se sabia, ou sentia, essas coisas. Mas eu orbitei à sua volta, por dez ou vinte anos. Que se passaram, suavemente, sem que nenhum de nós notasse. Você era o encanto da luz, impossível de não ser hipnotizado. Eu era a esperança, e você me alimentava. Tinha seu par de olhos que só faltavam brilhar no escuro - de tão claros e chamativos que eram. Seu par de lábios, cor de fruta ou de vida. Seu par de pernas, agitadas. Seu par, que era eu. Que fui, por muito tempo. Mas perdemos o compasso da música, e os passos da dança. Quando nos perdemos, ficou tudo mais claro. Um clarão que me cegou, e o que lembro de ter vindo depois, foi o acordar de um desmaio. Foi quando eu voltei ao mesmo cenário, e eu era o homem abandonado, com a lâmpada acesa, e a visita de um louva-Deus. Nunca louvei ninguém, que não a mim mesmo. Pois eu era o homem, e você, minha mulher. E naquele tempo, esteve tudo bem. Porque eu te tinha, então tudo era calmo, e sincero, e bonito. Digo mais, era perfeito. Porque eu te tinha e, à partir disso, o mundo era outro. Pois éramos só eu e você. E nada mais importava. Não haviam motivos para nada mais importar. Desde que fôssemos, amantes, e confidentes, e enamorados. Desde que fôssemos um par. Como eu soube que meu visitante iria morrer com a força da luz, você soube que eu iria morrer com a sua força sobre mim. Mas ele foi mais ambicioso, atravessou a janela e foi desvendar outros mundos. Talvez até mais iluminados. Não digo que me arrependo. Pois te prometi que nunca iria mentir. Não enquanto eu ainda estivesse ao seu lado. Pois ainda estou, ao menos na minha imaginação. Eu não teria escapado de sua força, nem que você mesma me alertasse. Pois houveram alertas, e eu me mantive surdo. O momento do clarão foi o momento da morte, na qual você se foi, e a vida foi junto. Pois restou uma esperança faminta. Sem você para alimentar. Esperança de que aquele mundo sincronizado fosse perfeito e eterno. Como soubemos ser por tanto, mas tanto, tempo. A insaciedade mata, como mata, ainda mais, a saudade. Tenho morrido pelos cantos. Como é de praxe para um aspirante à poeta. O louva-Deus se foi, foi também a esperança. Que seria eu, no caso. Mas me mantive na espera. Depois da sua partida, eternamente espero. Ainda que me arrastando pelos becos, à procura de alguém que me clareie como, um dia, você fez. Ele foi desvendar o mundo, disso eu sinto inveja. Pois há tanta coisa que eu queria ter visto antes de ter te encontrado. Porque ainda havia, em mim, uma outra concepção do que é belo. Que hoje, se resume a você. Você aconteceu naquele momento, e eu não me arriscaria a escapar. Você era minha última chance, minha última esperança - visto que depositei tudo de mim em você. Eu ainda consigo te sentir, aquecendo meu par de asas. Que pouco voavam perante todo o seu céu. Tudo na vida, pelo menos na minha, é seu. Eu sinto sua falta. Como também sinto frio, quando encaro a realidade de sua partida. Eu era pequeno demais para você, ainda que me julgasse tão grande. Penso que nunca queria ter crescido, para não ter me empodrecido. O mundo é extremamente cruel - falo como se você nunca tivesse vivido. Com ele, me espanto mais do que com qualquer ser. Estou me sentindo só, mais só do que antes, quando não me restava nenhuma companhia. Eu preciso te olhar sorrindo na foto, para te sentir sorrindo de mim. Era tudo tão mais precioso quando não inundado em lágrimas. Você chorou, antes de ir. O tipo de choro que fica gravado. Dele não me esqueço, como não te esqueci. Mal sei como terminar essa carta, mal sei como consegui. Cheguei tão longe, que mal me vejo, sentado ali sozinho, fumando um cigarro, um último suspiro, um atraso. Eu faria de tudo, agora, para que você tivesse ficado. Eu não tinha forças, era tão pequeno, e você tão grande. Amar um amor assim, tão grande, às vezes diminui a gente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-7965932646784529750?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/7965932646784529750/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=7965932646784529750&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/7965932646784529750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/7965932646784529750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/02/amar-amor.html' title='Amar Amor.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-2837423448894597721</id><published>2011-02-01T01:52:00.002-02:00</published><updated>2011-02-01T02:48:29.941-02:00</updated><title type='text'>Xis.</title><content type='html'>I.&lt;br /&gt;E hoje, hoje que não é amanhã. E que não será tão cedo. Embora ainda seja cedo o hoje. E que amanhã já será tarde. Não vou te deixar ir. Por mais que queira, e eu saiba, e você repita, e isso me doa. Não quero que se passem as horas. E o sol acorde. E eu me levante. E você se vá.&lt;br /&gt;II.&lt;br /&gt;Eu tenho que ir, é como se houvesse chegado a hora. E acabou nosso tempo. E foi tudo um sonho. Que vivemos com todo o cuidado. Mas acordamos do sono. Os fios se romperam, os laços também. Preciso me afastar de você. Precisamos estar longe. Tente me fazer ficar. Tente me impedir. Eu quero ir, mas não sei. Eu quero que você vá comigo, mas não dá. Eu vou.&lt;br /&gt;I.&lt;br /&gt;Estou sofrendo, passam os dias e eu já não te vejo mais. Já não me vejo mais. Você se foi e me levou contigo. Virei um corpo, que não sabe mais nem dizer se está vivo. Dizem que estou ficando louco. Digo que você me levou à loucura. Desde o primeiro momento e, desde então, eu permaneci. Continuo a te esperar. Sei que você não volta, mas eu me engano. Preciso disso. Não sei o que fazer. Não sei se te espero calmo, ou se te procuro desesperado. O que você me diria? Por onde tens andando? Quem tens amado?&lt;br /&gt;II.&lt;br /&gt;Não sei onde estou. Sei, mas não posso te dizer. Eu não quero que você me encontre. Eu quero que você me sinta, me fareje, e apareça. Como apareceu da primeira vez, um cometa descendo do céu. Coisas como essas acontecem a cada milênio. Está difícil esperar. Antes a vida vai me levar embora. Se é que já não me levou. A vida me levou de você. Estou existindo. Uma flor quase murcha no meio do deserto. Você deveria ter me salvado.&lt;br /&gt;I.&lt;br /&gt;Era um transtorno, e me recuso quando dizem que de bipolaridade. Estávamos transtornados porque nosso amor não cabia nos metros e centímetros de nossos corpos, ainda que somados. Nosso amor merecia o mundo, ou até o universo. Tenho te esperado, mas o tempo corre. Tenho medo de ser arrastado. Tenho te procurado pelas ruas, feito um cão faminto em busca de carne. Sua carne faz falta na minha. Não me toco, não me aceito. Meu corpo me recusa, em busca do seu.&lt;br /&gt;II.&lt;br /&gt;Não sei se você já está ficando grisalho, mas meu rosto já se encheu de rugas. Por muito tempo, chorei muito. Ainda choro, quando me lembro. Eu não te esqueço. Tive que ir, ainda não sei para onde. Estou tentando encontrar meu lugar. Não tenho pertencido a ninguém, desde que me emancipei de você. Diria que sinto sua falta, mas tudo que eu sinto é dor.&lt;br /&gt;I.&lt;br /&gt;Eu deveria ter te puxado pelos cabelos, ter prendido seus braços na cama, ter grudado seus lábios aos meus. Pois era sim que pertencíamos: juntos. Nem tudo está perdido. Mas agora eu sou um nada. E não sei por onde ando, se respiro, se eu como, quem eu como. Perdi o tato, a visão, todos os sentidos. Sofro que nem uma cria desmamada. Não tenho mãe, pai, nem destino. Abandonei tudo, ou fui abandonado. Desde que você se foi, estou sendo o que posso, estando aqui, parado.&lt;br /&gt;II.&lt;br /&gt;Ontem conheci um homem, que me lembrou de você. Tem sido assim, te vejo em todos os lugares, todos os seres, inclusive os inanimados. Fomos para a cama, não houve nada de especial. Só um choro finalizando o ato. Fim da ópera, sem aplausos. Eu fugi. Foi de você ou de mim?&lt;br /&gt;I.&lt;br /&gt;Até hoje não entendo porquê você se foi. Procuro respostas. Ainda assim não me movo. Tomei uma decisão, vou desafiar o mundo. Você se exilou de mim, agora me resta te procurar em todo o resto. Tenho me envolvido com tudo que machuca. Escrever é de uma dor enorme, e eu grito. Tenho escrito para colocar para fora. Estou te exorcizando de mim. Mentira, isso seria tentativa de suicídio.&lt;br /&gt;II.&lt;br /&gt;Eu quero voltar, mas me mantenho firme. Você nunca me aceitaria de volta. Você nunca correu atrás. Mal sei se ainda se lembra do meu rosto, e de como ele soltava alguns sorrisos. Meus dentes, agora, ficam guardados por detrás de um par de lábios finos e sem cor. Tenho sido beijada, e mais parece um atropelamento. &lt;br /&gt;I.&lt;br /&gt;Quantos anos se passaram desde que você encheu suas malas e me deixou vazio? Abandonei os relógios. Estou vivendo com outra mulher. Somos dois fantasmas. Ela ainda sofre por um outro homem. Eu ainda sofro pelo meu único amor. O único momento em que estamos juntos é durante o sono, porque nos encontramos em um mesmo planeta, o dos sonhos.&lt;br /&gt;II.&lt;br /&gt;Estou voltando para a cidade, queria te encontrar. Mas não sei se mudou de endereço. Bem provável que tenha mudado de mim. Vou passar na frente do seu prédio, e se ainda houver alguma luz acesa, talvez eu toque o interfone. Você não me procurou, mas isso não me impede. Se o amor que eu tenho seja mesmo só meu, com ele eu faço o que quiser, até te obrigar a aceitá-lo.&lt;br /&gt;I.&lt;br /&gt;Larguei a tal mulher. Ou ela me largou. Não sei. Também enchi algumas malas, e deixei que ela ficasse naquele mesmo apartamento em que você me deixou. Passei muito tempo sendo sufocado pelas mesmas paredes. Nunca mudei a pintura, nem sequer um móvel de lugar. Estou pensando em viajar, talvez Veneza, talvez algum lugar aonde eu te encontre. Nunca te perdi. Aqui de dentro, você nunca saiu.&lt;br /&gt;II.&lt;br /&gt;Passei em frente ao prédio. As luzes estavam todas apagadas, mas eu vi que as cortinas não eram as mesmas. É uma outra pessoa vivendo lá. Ou outras duas. Alguma história que nunca chegará aos pés da nossa. Nossa história se perdeu, eu te perdi, você me perdeu. A gente se partiu, eu parti, e nunca mais voltei. &lt;br /&gt;I.&lt;br /&gt;Eu somente te encontrei porque tudo me levava a você. As gôndolas, boiando nas ruelas banhadas de água. Água que sobe não sei quantos centímetros por ano. Não consigo me ver morrendo afogado aqui. Mas me afogo, ainda, em lágrimas, e em garrafas de vinho tinto. Porque me lembram da cor do sangue, dos seus lábios jovens, do amor. Continua doendo.&lt;br /&gt;II.&lt;br /&gt;A cidade continua a mesma, e sinto saudades suas. Voltei a fumar, acho que pelo frio. Ou porque sei que você se orgulharia de poder dividir seus maços comigo. Haviam sempre aqueles momentos de fumaça e melancolia. Ou fumaça e sossego. Ou eu e você nos fazendo companhia. Preciso viver, e te esquecer. Não consigo.&lt;br /&gt;I.&lt;br /&gt;Eu deixaria você voltar. Para me partir. E não partir sozinha. Que levasse um pedaço maior. Que esse pedaço estivesse vivo, contigo. Tenho vivido de você. Eu tento, elas tentam, me abraçam, me beijam, mas eu não quero te esquecer.&lt;br /&gt;II.&lt;br /&gt;Cansei de te procurar, não sobrou nenhum rastro. Ninguém sabe que rumo você tomou. Ou se você ainda está vivo. Sua morte seria uma espécie de cura. Sem esperas ou procuras. Se você se foi, tudo acaba. Até mesmo eu. Está na hora de voltar para a Itália. Sempre sonhei em estar contigo lá. Mas estive sozinha em todo tempo que vivi naquele país. Eu te vejo vivo em todos lugares. É chegada a hora de você morrer em mim também.&lt;br /&gt;I.&lt;br /&gt;Rodei do Sul ao Norte. Tudo tão bonito, como as coisas deveriam ser. Mas eu encarei de um modo triste, não tirei fotos, ocupei a mente, está na hora de te deixar ir. Estou voltando para o Brasil. Alguma coisa deve me esperar por lá. Você não esperou tempo o suficiente para que eu te encontrasse. Você não quis, você se foi. Eu preciso aceitar que você me matou em si. E que eu preciso recomeçar a viver em mim.&lt;br /&gt;X.&lt;br /&gt;Quando o fim, chega ao fim, não há recomeço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-2837423448894597721?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/2837423448894597721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=2837423448894597721&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/2837423448894597721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/2837423448894597721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/02/xis.html' title='Xis.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-796089277922042359</id><published>2011-01-31T23:11:00.004-02:00</published><updated>2011-02-01T00:35:00.926-02:00</updated><title type='text'>Liberté.</title><content type='html'>Eu quero que você siga em frente. Como se não fosse tão difícil. E não precisa olhar para trás. Alguém ainda vai aparecer. Mesmo que eu não queira. Algo não nos quis juntos. Mesmo nós ainda querendo. Algo nos afastou. Então não é de se assustar que, de repente, alguém apareça. Bem na sua frente, e logo depois, ao seu lado. Nas fotos que você pendurará nas paredes da sala. E exibirá para seus filhos, e netos. Alguém que saiba ser o que você precisa. Que eu nunca soube. Então foi tudo um engano, um equívoco. E nós não fomos o que pensamos. Porque não cabíamos. E haviam os outros. Muitos além de nós mesmos. E houveram os encantos, os esbarrões. Então não era de se assustar que, de repente, alguém acontecesse. Eu não mais escrevo, não consigo escrever. É como se não me restassem lágrimas. Como se eu nunca tivesse sabido como chorar. Por aqui, tudo indolor, incolor. Foi assim sua partida. Depois de já ter partido. Eu me olhei, e estava sofrendo. Eu me virei de costas, olhei de novo, e você não estava mais marcada em mim. Eu não pude mais sofrer, nem mais um pouco. Eu não estava preparado, mas aconteceu. Eu não te vi indo embora de mim. Mas sei que, antes, doeu tanto. Doeu sem fim. Pareceu até que eu rumava à morte. Tudo tão trágico, e desesperador. Em nenhum lugar eu cabia sem você encaixada em mim. Não sabiam me consolar. Eu não queria consolo. Eu só queria você de volta. Eu quem fui embora. Quando estive cansado. Desisti de lutar por você, por nós. E passei a lutar comigo mesmo. Foi duro, grosseiro. Estive desorientado, mesmo estando no mesmo lugar. Eu esperava que você voltasse. Eu esperei, por muitas noites, sentado na poltrona próxima a porta, fumando meus cigarros. Eu tinha te prometido que iria parar. Mas eu queria que, mesmo assim, você me aceitasse. Porque assim saberíamos o que havíamos achado saber por tanto tempo: que éramos, éramos um do outro. Você nunca voltou. Muito pelo contrário, foi para ainda mais longe. Não restaram nem sombras, nem uma sombra sequer. Eu te escrevo agora, depois de ter parado por muito tempo. Porque eu queria me lembrar. Queria reconstruir tudo, até encontrar o segundo exato em que você fez as malas e partiu de mim. Se partiu em mim, em micromoléculas de amor e saudade, que foram expelidas pelos meus poros, muito depois de serem expulsas por minhas lágrimas, muito depois de você ter se tornado ausente. Sei do dia em que te conheci, ainda que eu misture com muitos outros rostos. Teria sido um dia como qualquer outro, mas não foi. Você apareceu na minha frente e, logo depois, ao meu lado. Nas fotos que nós penduramos nas paredes da sala. E exibiríamos para nossos filhos, e netos. Um dia, todo o nosso castelo-sonho de futuro se desmoronou. Não quero voltar a falar nisso. Apagaria a lembrança de felicidade que restou. Um dia, você se foi. E ficamos nisso, por enquanto. Enquanto ainda éramos dois seres existindo juntos, era bonito. Funcionava bem, eu sendo inquieto, você sendo brisa. Nós sendo o perfeito incompleto. Sendo juntos, e tudo ficando bem. Você não tinha nada de magnífico, só quando estava em mim. Porque me dava uma calma que não era de minha natureza. Era impossível não gostar de você. Não olhar para você e querer ser seu. Ainda mais quando você olhava com aqueles olhos que não eram de ninguém, mas que precisavam ser. E eu os quis. Foi como aprender a andar de bicicleta. Levou um tempo, foi mudando um pouco a forma, a gente foi tirando as rodinhas, e o negócio foi ficando mais emocionante, mais arriscado, suscetível a quedas. Pareceu, inclusive, a parte em que a gente nunca esquece como pedalar, porque eu tinha a certeza de que nunca me esqueceria de como era ser com você. As certezas se perdem com o tempo. É o que acho, agora. Não sei mais como era. Não sei mais como seria agora. Não consigo pensar. Ao mesmo tempo que quero. Você se foi, é a última coisa da qual me lembro. Sem ter uma visão clara da situação. Você se foi e eu não pude, sequer, insistir mais uma vez para que voltasse. E eu não sofri. Não poderia, porque não percebi. Estava imerso, em algo que eu talvez não saiba o quê. E quando fui sentir sua falta, ela já não estava mais lá. Foi embora junto com você. Em uma tarde quente de verão. Ou não. Em mais uma noite de profunda solidão. Na qual eu percebi que não me sentia mais só, mas sim, liberto. Ainda penso em você, como uma memória turva, uma imagem prestes a ser apagada. Ainda penso em você, como pensarei por vários anos. Como algo que foi embora sem que eu pudesse perceber. Pensarei um pensamento que perdurará por toda a eternidade. Eternidade esta que acabará um dia. Um dia, quando eu me for, você se for, quando nós formos. Ficará uma saudade, que será guardada em segredo. Porque ninguém soube quando você se foi, muito menos eu. Eu ainda te sinto aqui, como um corpo que esquentou a cama, e se pôs a dormir entre outros braços. Eu ainda te sinto aqui como falta. Aquilo que foi, e não voltará mais. Aquilo que foi, e foi apenas. Porque não sobraram formas de definir a perda, nem muito menos a partida. Eu não mais te amo, mas ficou um carinho. Só peço que o deixe comigo. É tudo que me resta de nós.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-796089277922042359?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/796089277922042359/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=796089277922042359&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/796089277922042359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/796089277922042359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/01/liberte.html' title='Liberté.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-8336185410907383715</id><published>2011-01-30T18:35:00.002-02:00</published><updated>2011-01-30T18:50:45.240-02:00</updated><title type='text'>Que Saudade.</title><content type='html'>Cabelos cor de fogo. Chama, me chamando, com o risco de queimar, pegar fogo. Se um dia todo dia fosse como um dia qualquer, talvez eu confessasse todos os meus segredos. Os poucos que tenho, que guardam neles muitos outros. Que vão se emendando feito uma teia. Aquela que sustenta a vida. Não vamos falar dela. Um dia eu nasci. Em um outro você também. E estamos no mesmo cenário - que nem de longe é bonito. Mas estamos em um lugar, que por enquanto ainda é o mesmo. Eu depositaria em você toda a minha loucura. Mas está cedo. E ainda faz sol. Mais tarde, talvez veremos chover. E eu seguro, em uma mão, um cigarro. E em outra, uma das suas. A outra, sua também, vai escapolindo, para outros lados. Que eu não enxergo, porque não quero ver, nem saber, nem escutar. Porque tem sido bonito. E seria bom manter assim. Bonito e distante, nada arisco. Ou arriscado. E de nada eu sei. E dizem, melhor assim. No sossego dos beijos desesperados. Mas do coração calmo. Porque não é de ninguém. Já foi, mas aí é passado. E como presente, passou. E eu deveria te contar. Mas é melhor assim, sendo somente silêncio. Eu e você, alguns suspiros. Mas tudo calmo. Porque não há pressa. Então não se apresse, não estou indo embora. Nem você, eu espero. Desesperado, desesperançoso, esperando. É o que temos para hoje. E o resto dos dias. Uma espera constante, desgastante. Mas sabemos, ainda há resquícios. Mas disfarçamos. E vemos os outros. Que não sabem quem somos. E nem nós mesmos sabemos. Ao som de um samba, com uma cerveja, na mesa de um bar. Estamos eu, você e uns outros. E mais, e tanto. Ainda é pouco. Aguentamos. Seguindo em frente. Eu e você. E é cedo, talvez não chova. Os dias têm sido quentes. A gente aguenta. Eu não te conheço. Você não me conhece. A gente se estranha - é isso que faz o novo. A gente se arranha - é preciso deixar marcas. A gente vai indo, com a maré. Aqui não tem mar. Mas a gente vai, daqui para algum lugar. Não sabemos onde, mas um dia encontramos. Estamos sentados, nos olhando, e não sabemos, e evitamos. Mas fingimos que serve, é o que temos. Poderia ser mais. Não sei se ambos queremos. Seu sorriso sorri aqui dentro. Você me lembra dela. Ela não me esquece. A gente vai levando. Eu sinto falta. Mas você faz bem. E bem é só bem. E nada mais. O que poderia ser, a gente vai vendo, sentindo, vivendo. Que saudade de ser amado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-8336185410907383715?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/8336185410907383715/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=8336185410907383715&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/8336185410907383715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/8336185410907383715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/01/que-saudade.html' title='Que Saudade.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-71487698082732130</id><published>2011-01-25T11:31:00.002-02:00</published><updated>2011-01-25T12:01:19.539-02:00</updated><title type='text'>Reminescente.</title><content type='html'>O que houve antes do término foi uma série de episódios envolvendo medo, crueldade, e incerteza. Eu sabia o que era certo. Você negava. Eu não sabia mais se era tão certo. Você tentava me convencer de que não. Se tratava de uma noite assombrosa, com poucos corpos navegando pelas avenidas, com poucas estrelas nos vigiando do céu. Uns amigos me esperavam na mesa de um bar, confiantes de que eu tomaria a melhor decisão. Tomei. Não tomamos, porque você não concordou. E foi dolorido, sentir suas lágrimas escorrendo pelo ombro que eu te ofereci. E, ainda mais, sentir as minhas escorrendo junto. E as nossas se tornando um choro só. Um canto sofrido, acompanhado do som dos pneus, e da televisão da casa de alguém. O que viria depois era o de se esperar, minha mão enxugando seu rosto. Meus olhos fingindo estarem secos. Meus passos fazendo barulho no gramado carente de chuva. Você ficando para trás. Eu me segurando para não te olhar. Porque, olhando, eu não teria coragem. Mesmo assim, olhei. Olhei e você precisava de mim. Que eu esperasse você ter forças. Eu não pude esperar. Para não salientar meu coração fraco. O que precedeu o término foi amargo. Pois eram recorrentes os pensamentos de que aquilo podia não ser o certo. De que fiz a escolha errada. De que você não soube me impedir. De que, vai ver, você não quisesse. De que fosse realmente seu desejo chegar ao fim. São coisas que eu nunca saberia. E nunca perguntaria. Porque melhor distantes, do que qualquer coisa. A angústia perdurou por muitos dias. Enquanto eu ficava sabendo dos seus sorrisos, e você, da minha fome. Meu coração estava vazio, e eu me alimentei da completude alheia. Uma hora, as coisas haviam de mudar, e foi quando eu percebi que não precisávamos mais um do outro. E enfim, esteve tudo bem. Não, não esteve. Porque eu não podia aceitar a idéia de você sendo outra. Com outros. E, especialmente, a idéia de você sendo feliz. Porque, no momento do término, sua tristeza foi tão profunda que eu poderia jurar que seria eterna. E cruelmente, eu quis que fosse. Que você vivesse de luto, por minha morte em você. Passado esse tempo de te desejar a infelicidade, você não era mais nada. E mesmo que eu quisesse me lembrar de tudo, tudo havia sumido. E eu caminhava por aí, com a certeza de, talvez, te encontrar caminhando também. Mas nossos caminhos se destoaram tanto que eu nunca mais te vi. E não sei mais dizer se você era loira, ou morena. Se era minha, ou se foi só acaso. Se tinha os lábios frutados, ou demasiadamente finos. Não sei nem dizer se te achavas bela. Carrego a certeza de que um dia eu te amei. Talvez em um campo de girassóis, ou no meio de uma guerra civil. Ou eu te amei sem ter cenário, porque nosso amor não foi merecedor de atos heróicos, ou foi inodoro, incolor, insosso. Não sei que amor foi nosso. Mas um dia ele foi. Foi embora. E o processo, embora lento, não foi dolorido. Não tanto quanto esperava. Foi como uma alma saindo de um corpo morto. Seu amor saindo de mim, foi assim. Eu não senti nada. Não estava lá para ver. Mas quem esteve em volta, sentiu. Sentiu as dores e a funebridade da partida. Você deve ter sentido também. Ao ter me procurado e visto que eu já não estava mais lá. Que eu havia me tornado, para você, apenas um corpo hemorrágico. Não sei por onde tem andado. Nunca procurei saber. Se te olhasse agora, talvez perdesse toda a magia do mistério. De não saber quem amei, se foi amor de verdade - posto que dizem que fim de amor é sofrido. Eu não saberia sequer te reconhecer, eu acho. É um jogo da mente para poupar o coração. Ou o coração nunca se ocupou muito contigo. O que importa é saber se está bem. Coisa que eu não sei. Então, talvez, não seja mais tão importante assim. Eu estou bem, caso queira saber. Vi nos olhos de uma mulher, um caminho, uma rua, um mar, um mundo. Estou desvendando o lugar. Depois que me emancipei de você, tive momentos de desacreditar em tudo. O que eu realmente precisava era que acreditassem em mim, e você não foi capaz! Hoje vivo com a certeza de que as escolhas foram certas, e eu não voltaria atrás para corrigir nada. Nada, nem meus piores erros. Se eu voltasse, e fizesse tudo como esperado, talvez eu não fosse capaz de te esquecer de novo. Então está tudo bom como está, e a vida vai indo como tem que ir, e eu não sinto sua falta. Eu nunca senti nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-71487698082732130?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/71487698082732130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=71487698082732130&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/71487698082732130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/71487698082732130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/01/reminescente.html' title='Reminescente.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-1112528745350072392</id><published>2011-01-24T13:12:00.002-02:00</published><updated>2011-01-24T13:53:00.408-02:00</updated><title type='text'>C'est La Vie.</title><content type='html'>Estamos com tanta raiva, que nunca mais nos olharemos olho no olho. Nunca mais face à face. Nunca mais boca à boca. Nunca mais nos salvaremos. Nos deixaremos morrer. Como morrem as flores, ao decorrer das estações. Seremos cruéis, unha por unha. Olho por olho. Porque tudo que fomos antes, uma hora se transformou. E não faz muito tempo. Então ainda ardemos, ferozes, querendo sangue. Visto que tudo endureceu. E se endureceu tanto, não há mais solução. Solução nenhuma se não nos trocarmos por lapsos de violência e agressividade. Já fomos muito felizes. Em um tempo no qual nossos defeitos ainda eram charmosos, e nossos problemas ainda eram contornáveis. Quando sabíamos perdoar. Quando fingíamos saber, pelo medo de perder. Tanta coisa ficou guardada, tantas palavra que prefirimos não falar. A explosão não foi conjunta, foi individual. Porque as mágoas minhas eram minhas. E os rancores seus eram seus. E nós não sabíamos o que o outro sentia. E já sentíamos coisa demais para saber. No começo, tudo fluiu ao som das mais belas canções. Com direito a flores, e beijos, muitos beijos. E tudo era completamente amor - ao menos caminhávamos para isso. E foi. Foi só amor. Foi amor e desejo. Foi amor e desejo e paixão. Foi amor e desejo e paixão e ciúme. Foi virando uma coisa negativa. Um amor embalado aos sons do desgosto. Dançávamos no ritmo das músicas. Outras vezes, no nosso próprio ritmo. Deixamos levar. Eu sendo levado por outras. Você sendo levada pelo tempo. Houve uma desritmia na forma como concordamos amar. Sem limites. Nem para o amor, nem para nós. Eu ainda lembro do dia em te vi pela primeira vez. Por acaso, você apareceu perante meus olhos. Que olhavam em busca de outros. Mas acabou por serem os seus. Os seus que me acompanharam crescer por anos, que repousaram sobre os meus, que me acalmaram, que me enlouqueceram. Não dávamos certo, era o que diziam. Desde o começo, desde a primeira troca de saliva. E não escutamos. O que hoje, é reconhecido como um erro. E, na época, como um desafio. Que não conseguimos enfrentar, não até o final. Pois hoje estamos separados, vivendo outras aventuras - para não confessar que estamos estagnados na memória de quando éramos dois, e dois somente. Ninguém teve culpa, só nós mesmos. Que deixamos outros entrarem, nos deixando escapar. No simples espaço que separam os dedos - mesmo juntos -, espaço em que sempre cabe mais um. Não há forma fixa para um par de mãos dadas. E ainda que houvesse, são muito tentadores os riscos. O risco que era ela, o risco que era uma outra, o risco que eram todas. Todas pelas quais eu te troquei, ainda que por uma noite só. Para completar minha solitude. Minha existência tão só, que não dependia só de você. Que, na verdade, não dependia sequer delas. Era uma dependência minha em mim. Mas fazia bem sentir o calor de outro corpo. Mais bem ainda, me sentir em outro corpo. Ainda mais em tempos em que você se esquecia do meu. Quando você não via nada mais de belo, nem de terno, nem de seu. Perdemos a ternura, e por isso, perdemos o amor. Ou nunca sequer o tivemos, e foi tudo um engano. E nós dois caímos. Hoje, eu tenho raiva. E sei que você também. Não pelo que passou. Mas pelo que está passando agora: nós. Nós estamos passando um para o outro. E não há nada que possamos fazer. Já tentamos de tudo para nos manter juntos. E agora estamos passando. Como se nada nunca tivesse acontecido. E você está com alguém. E eu também. Mas não parece certo. Não parece porque essa idéia me inquieta. Não que eu não esteja feliz, não que de vez em quando eu não seja convidada para jantar, não que os braços que me confortam não sejam o suficiente. É só que eu e você, eu e você éramos nós. Apesar de tudo, acima de tudo, éramos, e sabíamos como ser. Sabíamos tão bem. Eu me apaixonei por outra. Despretenciosamente, sem achar ter uma chance. Tudo muito sossegado, no tempo certo. Ainda somos eu e ela, sem nos excluirmos em uma palavra. Estamos quase lá. Mas a idéia me assusta. Eu já estava tão acostumado a nós, e levamos tanto para sermos, que tenho medo do caminho. Eu sei que estamos com raiva, e que, por agora, ela talvez seja nossa melhor companhia. Devemos mesmo nos manter afastados. E somente nos presentear com faíscas. Mas existem muitas coisas que eu deveria te dizer. Não são essas que eu te disse agora. Elas virão depois. Depois, quando tudo já estiver curado. E eu puder te olhar nos olhos sem querer te matar. Às vezes penso que melhor morto, se não seu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-1112528745350072392?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/1112528745350072392/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=1112528745350072392&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/1112528745350072392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/1112528745350072392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/01/cest-la-vie.html' title='C&apos;est La Vie.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-7274400070814390993</id><published>2011-01-22T10:39:00.004-02:00</published><updated>2011-01-22T13:33:59.287-02:00</updated><title type='text'>Que Dia?</title><content type='html'>Os berros de uma criança, o incansável latido de um cachorro, os pneus cortando as poças d'água, &lt;em&gt;&lt;blockquote&gt;Hoje fará sol a maior parte do dia, com chance de pancadas de chuva no fim de tarde em algumas áreas da cidade.&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Acordei, rosto inchado, costas doloridas. Sala, e casa, vazia. Mais um dia.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Mais um dia, e o que haverá de especial?&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Andei até o banheiro, dando de cara com o espelho, nele o rosto deformado, resultante de um sono, há tanto, acumulado.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;E a casa vazia.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;O coração vazio. O gosto do esquecimento, do abandono. O frescor da calma. Da falta de alma. Que deixa passar o vento.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;O vento.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Que invade pelas janelas, e levanta os papéis na mesa, e os carrega para longe.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;A distância.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Não te enxergo de onde estou. Mas sei que aí você está. Pensando em mim, no que aconteceu comigo, no monstro que você acredita que me tornei.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;As figuras disformes.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Sombras no escuro das cortinas. Assustadoras. Sombras da solidão.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Foi.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Foi escolha minha. Ter deitado com outro homem. Ter desistido de você, de mim, de tudo. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;A consequência.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Um dia eu acordei e já não éramos mais os mesmos. Não existia mais na gente aquele desejo de fazer companhia, carinho, amor. Deixamos que tudo se esgotasse, e não restou mais nada. Mais ninguém para contar nossa história. Não restou uma história. Foi apagada, transferida para outros corpos. Nós, que um dia amamos tanto, viramos nós, que um dia se soltaram. E fomos embora. Você e seu ciúme doentio. Eu e minha sede de mundo. Uma hora já não nos saciávamos mais. Insistimos. Porque é isso que fazem os verdadeiros amores. Lutam, inclusive a pau e pedra, quando acabam os instrumentos de destruição em massa. Não digo que, hoje, sinto sua falta. Não a mesma falta que senti quando te percebi ir embora. Quando isso aconteceu, ainda dormíamos e acordávamos juntos. Mas não estávamos mais lá. Os pensamentos, os desejos, as tentações, tudo nos levava para longe. Nos transportava para outro lugar. Na qual novos braços esperavam abertos. Foi triste e, também, doloroso. Porque apostamos tanto naquilo. Nos achando maiores e especiais. Porque ninguém entendia nosso amor - nem nós mesmos. Se é que aquilo foi amor. Às vezes penso que foi carência, uma dependência, um vício. Era difícil estar perto, mas tão mais difícil estar longe. Lembro das tantas vezes em que nos dispersamos e juramos que iríamos seguir nossos próprios caminhos, sozinhos. Tentativas inúteis de nos afastar. Sempre voltávamos, sendo os portos mais seguros. Fazíamos amor, para apartar as discussões sem fim. Para disfarçar o cheiro de outros, a falta de sintonia nos beijos. Você voltava acostumado a mim, eu voltava acostumada a outro. E era um recomeço. Outra vez, outra chance. Mas não disfarçávamos as mágoas. Porque um dia você me abandonou, e eu te abandonei em resposta. Eu pisei nos seus calos, em todos eles, porque um dia você se esqueceu do meu. Eu te culpava por tudo. Como ainda devo te culpar, mas tento não pensar nisso. Já não posso te guardar com carinho, então te guardo como um pensamento vago, abstrato, distante. Não posso te guardar com carinho ou estarei resgatando tudo. Aquele amor que não deu certo porque não cabia em nós. Porque não cabia a nós dois amar aquele amor imenso que extrapolava os limites da sanidade e do perdão. Perdemos o controle. O tal amor tomou dimensões monstruosas, e vivia na tênue linha que o separava do ódio e da violência. Era grande demais para dois corpos miúdos. Que se agonizavam em posição fetal. Um amor com falência completa de órgãos. Que nos matava mais do que nos deixava vivos. Que deveria ter perdurado por toda a eternidada, mas nós não soubemos dosar. Uma overdose de amor. Tendo como resultado dois corpos separados e mortos. Épico, heróico, morremos juntos de nosso próprio amor. E você seguiu adiante. E eu também. Com meus mortos, pelos meus caminhos tortos. Ou não. Você ainda espera que eu volte. Sendo outra. Eu não te espero mais. Cansei de te esperar. Resolvi pisar fundo na realidade, e você com os dois pés no freio, para ter a certeza de que não se moveria um milímetro sequer. Porque um dia eu poderia voltar, e você ter mudado de lugar, e então nós dois não estaríamos lá. Então estaria sim tudo perdido. Mas tudo se perdeu tão antes. Bem no começo. E o resto foi só persistência. Porque era tão bonito, então não haviam motivos suficientes para o fim. Um erro. O que veio depois foi sempre muito feio, só disfarçava. Eu disfarçando com minhas palavras, e você com seu sorriso santo e compreensivo. Foi tudo uma mentira. Mas nós dois acreditávamos, porque existia o amor. Só não a estabilidade daquilo que o segura. Não tínhamos forças, o que era, às vezes, até bonito. Ver o nosso esforço para fazer daquilo alguma coisa grande, única. Sabíamos, tínhamos ciência, de nossa capacidade - que era pouca perante aquilo tudo. E mesmo assim tentávamos, tentávamos, tentávamos. Mas acabou. Acabou, assim. Em uma palavra só. Eu diria fim. Mas é melhor começo, porque nos dá esperança. De que um dia, um dia, haverá algo de especial.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Que dia é hoje?&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-7274400070814390993?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/7274400070814390993/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=7274400070814390993&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/7274400070814390993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/7274400070814390993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/01/os-berros-de-uma-crianca-o-incansavel.html' title='Que Dia?'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-8503652570598731586</id><published>2011-01-19T20:16:00.007-02:00</published><updated>2011-01-20T17:46:00.406-02:00</updated><title type='text'>Nome da Saudade.</title><content type='html'>Se eu pudesse dar outro nome pra saudade, sem que fosse nome de flor - mesmo que esta tenha cheiro de uma -, ou nome de estrela - mesmo que esta brilhe mais que qualquer outra. Se eu pudesse dar outro nome para a saudade, eu daria nome de mulher. Um nome que eu não revelo agora, porque seria como abrir minha vida inteira para as metades que me lêem. E eu não vivo de metades, ninguém vive. Nem de leituras, é preciso cavar mais fundo. Naufrágio. É disso que eu preciso, de alguém que naufrague, de alguém que se afunde, comigo. Porque a realidade é grotesca. E de nada adiantam os enganos. De nada adianta se enganar com uma moça bonitinha que exiba um sorriso de lado. De nada adiantariam as moças, nem mesmo as moças! À noite quem cobre é o escuro. Não há nenhum calor ou odor corporal. Só uma superfície macia para ser tateada pela cegueira da noite. Não te vejo há muito tempo, e é esse tempo que mata. Que dilacera. Que é cortado e estrangulado pela saudade. Tentei me enganar com uma moça sorridente, e bela. Tentei, como tentei. Mas eu menti. Não havia um traço de sorriso sequer. Era apática, indiferente. Poderia jurar que estava morta. Mas não, não estava. Pois um dia eu a vi sorrir com outro. Isso mesmo antes de termos nos acabado. Nós nos acabamos sem nem mesmo ter durado. Foi breve, nada intenso, nada marcante, nada inesquecível. Passou, supersônica. Se me doeu? Bem mais do que deveria, como uma rasteira. E eu bati com a cabeça no chão. Estava tentando me enganar, tentando te esquecer. Eu tinha me esquecido de como se encantar é bom. A gente sempre se esquece das melhores coisas da vida. Eu quase me esqueci de você. Quando vi esse fim trágico, eu estava sendo a maior piada. Dei de cara comigo mesmo. Um talentoso criador de fantasias. Estive tão ocupado tentando viver. Viver para poder anotar cada traço, gravar cada imagem, e enfim colocá-los aqui. Somente para ter algo para narrar, contar, acusar. Se sofri foi por escolha. Por solidão. É deveras triste depender do sofrimento para viver. Pior ainda, é admitir tal vazio. É esse vazio que carrego. Feito um fardo, que veio desde a infância. Desde aquele momento distante em que meu avô me pôs de frente à máquina de escrever e me pediu para inventar uma história. Ali, eu contei a história de um cachorro que viveu sozinho até não aguentar mais, e se jogar na frente de um carro, na Avenida Paulista, com os faróis já acesos, na hora rush. Eu nunca contei minha história. A do rapaz por detrás dos óculos de hastes pretas, do sorriso alinhado, e com o charme tentador dos perdidos. É muito fácil cair nos meus enganos, nas minhas palavras e nos meus romances. Tão agridoces e misteriosos. Não há mistério. Está tudo escrito. Todos os acentos e acenos. Principalmente os adeus. Tudo que foi embora, principalmente o que ficou. Pois revelo agora que não houve drama, nem lágrimas, nem flores ou amores para anteceder. Se trata de uma bela atuação. Na qual eu sou autor, causa, consequência e personagem, de todas as histórias. Todas medidas com antecipação, para haver o devido preparo, a tamanha cautela com a qual eu calculo qualquer gesto. Não existem impulsos. E as paixões não foram violentas, nem degradantes. Todas eram mulheres, devastadas pelo meu egoísta desejo de torná-las musas. Musas de um pintor sem tela, de um músico sem ritmo. Pediram-me sinceridade e eu a entrego enfeitada. Em letra cursiva, com minha assinatura ao final. E um beijo doce e longíquo. E, também, indiferente. Aqui estou eu, fumando um cigarro, completamente despido. Não há luz do luar invadindo as frestas da cortina, nem uma mulher nua na cama. Só tenho comigo uma ressaca desumana e uma reflexão à respeito da vida. Que eu nunca vivi, satisfeito em desenhar cenários de perdas e encontros. Eu sou o homem dos encontros. Extremamente desencontrado e que, nem homem mais é. Pois perdeu toda a virilidade e todo o encanto da pele macia e das palavras ousadas. Eu falava da saudade quando resolvi falar de mim. Pois é dela que eu vivo, me alimento, me aqueço. Saudade daquilo que não foi pelo simples fato de que eu não quis. Pois saudade para mim tem nome, de flor, de estrela, de amor - o verdadeiro e não o rabiscado aqui -, tem nome de mulher. Porque ela seria, para mim, tudo isso em uma coisa só. Um ser pequeno, quase minúsculo. De cabelos quase longos. E sorrisos quase duros. De outra cidade. Talvez de outro mundo. Um ser real, de carne, osso e de mim. Às vezes eu me pego pensando que talvez ela não exista. Que ela seja mais uma das projeções da minha imaginação que surgem na cabeça e descem até a ponta da caneta. Talvez ela seja alguma coisa entre tudo isso que eu escrevi aqui. E talvez eu esteja sofrendo de tantos males que me peguei apaixonado por uma das minhas personagens. E ela seria a mais bela e mais humana de todas elas. No fundo, eu sei que ela existe. Quase em outro continente, mas existe. Numa ilha de dimensões mínimas. Cercada por oceanos e outros. Muitos outros. Menos pecaminosos que eu. Que não tentam se enganar por pequenas moças de saias rodadas, com cheiro de frutas e de ervas. Que não se alucinam com qualquer troca de olhares que poderá se tornar fruto de uma obra prima. Minha saudade tem o mesmo nome que ela, e origem, e endereço. Minha saudade é toda ela. E ela é toda minha. Ou quase.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-8503652570598731586?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/8503652570598731586/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=8503652570598731586&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/8503652570598731586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/8503652570598731586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/01/nome-da-saudade.html' title='Nome da Saudade.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-7327342958597873321</id><published>2011-01-19T20:16:00.006-02:00</published><updated>2011-01-20T14:27:20.841-02:00</updated><title type='text'>Jasmim.</title><content type='html'>Acordei e segui como seguem os mortais. E quis te escrever pois, há tempo, não te escrevo. Eu tentei recordar do seu rosto, mas só me restaram as sombras e alguns contornos. E a cor de seus cabelos. Sua cor de fogo. Acordei atrasado, como de costume. Só tomei um café, um resquício de café que havia restado da semana passada. Quando eu ainda tinha alguém para me servir de quitutes e amores. Apalpei a cama, coberta por morros de edredons, em busca de algum corpo que eu pudesse ter esquecido por lá. Não havia corpo algum. Conquistei, com a pressa, uma dor de cabeça de deixar tonto. E por muito tempo eu ainda caminhei exalando o cheiro de ressaca. O sol estava aos berros do lado de fora de meu apartamento. E de repente, eu percebi que havia escolhido o traje errado. Da última vez que nos falamos, eu estava vivendo com uma mulher mais velha, e você queria combinar uma ida ao cinema. Eu não pude, e senti muito. Porque não inventei uma desculpa esfarrapada, muito pelo contrário, eu fui o mais sincero que pude. Você ou ela, simples assim. Foi a escolha que ela me impôs. E você, retrato em preto e branco do passado, ainda que fosse capaz de me puxar sem levantar um dedo sequer, já era uma intrusa conhecida por meus anticorpos. E ela era o novo, com alguns fios de cabelo grisalhos, mas o novo. A aventura com ela durou, mais do que a minha com você. Não foram muitos os anos, mas foram muitos os momentos. Lembro-me dela com mais clareza, não pela pouca distância de tempo. Mas porque foi céu aberto, sem pancadas de chuva - ou pancadas de outra natureza. Você sempre foi o inesperado. O meu inesperado. Minha bonequinha russa que se abria e tomava diferentes formas e tamanhos. Eu peguei o carro e dirigi até o trabalho. Da maneira mais simples que poderia ser. Eu não tenho que te contar dos detalhes, como o pneu furado e as barras da calça sujas de lama. Também não tenho que te contar que cheguei no escritório e a primeira coisa que abri foi o zíper da saia de uma mulher. Na verdade, eu não tenho que te contar nada. Mas te escrevo, porque você é meu único segredo. Eu nunca te contei para ninguém. Você dizia que fazia bem, afastar os olhares invejosos. E eu sei que todos nos invejariam. Porque tudo parecia uma maravilha. E foi maravilhoso. Na hora do almoço eu parti sozinho. Acho que eu queria que sentissem pena de mim. Pois lá estava eu, calado, enquanto todos conversavam e gesticulavam em demasia. Lembrei-me dela, a que não você. De uma tarde que passamos no parque. Não lembro o que fizemos, mas foi algo compatível ao nada. E foi um dos nossos melhores momentos. E eu consigo lembrar exatamente do rosto dela. Que brilhava mais com a luz do sol. Dos olhos dela, que ficavam menores a cada vez que diminuía a sombra. Eu quis que vocês se conhecessem. Mas ela tinha medo. Ela tinha medo porque achava que você exercia sobre mim um poder inagualável. E, até hoje, eu não sei se ela estava realmente certa. Um poder ou um encanto. Qualquer coisa assim, diferente. Ela morria de ciúmes toda vez que eu citava seu nome. Vinha me dizer que meus olhos tomavam um brilho único, e que meu corpo parecia mais resistente. Ela sempre soube que eu te amei de verdade. Coisa que eu só deixei que você soubesse tempos depois de ter partido. Quando eu, mesmo sem fôlego, corri atrás de você. Persegui sua sombra. É de um espanto enorme saber que faz tanto tempo. E que se nos cruzássemos na rua, as chances de reconhecimento seriam mínimas. Eu voltei para o trabalho, e mesmo não movendo um milímetro, eu me sentia tão cansado. Mas o dia estava bonito. Dava para ver da janela uns mil gramados. Todos bem verdes. Tem chovido por aqui. Pelo menos uma vez ao dia. E a água cai com tamanha vontade que não dá para se esconder dela. Eu preciso te contar, conheci uma mulher que me lembra muito de você. Mas uma versão mais esclarecida. Mas juro, a voz é a mesma. E também o sorriso. Eu enlouqueci de amores por ela, no primeiro minuto. E pensei em largar tudo. Era minha segunda chance de te ter. Nunca me senti tão egoísta. Ela não era você. E apesar da semelhança, eu não tinha motivos o suficiente para dar meu amor a ela. Amá-la por ser quem ela não era. Saímos umas vezes depois. E eu descobri, por detrás de um semblante que eu jurava ser seu, um amor só dela. Mas era um amor platônico. Que não tinha futuro, nada além dos minutos que passássemos juntos, e as juras que sussurrássemos através do telefone. Ela vivia com outro homem. No qual eu não vi nada de muito especial. Ela me enlouqueceu, me adoeceu. Vivemos um romance secreto. Que não durou muito, porque, para ela, não era nada tão grande. Era só um adultério, um crime com armas vermelhas - a cor da paixão, não do sangue. Ainda nos encontramos, de vez em quando. Para partilharmos nosso suor. E para que eu possa sofrer mais um pouco. Visto que é a única maneira de manter nós dois vivos no meu coração. Eu penso nela com frequência, como penso na outra, e em você. Eu já tive muitas mulheres nessa vida. Muitas que hoje são só uma vaga lembrança. Eu tenho um apreço doentio pela perda, pelo sofrimento. Você foi apenas a primeira a reparar nisso. A vivenciar minha loucura. Minha sede de conquistas. Minha coleção de abandonos. Eu amadureci muito. Percebi quando fui tomar um café, no meio do expediente e me peguei, pela primeira vez, não invejando os homens que reconquistaram todas vocês. Eu tive meus dias de sorte. Minhas pétalas de ouro. Meus tão enormes amores que puderam correr soltos. Eu sinto saudades. De uma forma inocente. Santificada. Eu as tornei inalcançáveis, distantes, mágicas, para sanar minha procura de motivos para não tê-las mais. Nunca mais. Nenhuma. Voltei para casa, em meio a despedida do sol. Misturei um café com um maço de cigarros. Café que eu mesmo fiz, se tornou imprescindível e urgente aprender a me virar sozinho. Darei conta, eu acho. Logo, logo, irei dormir. Estou meio embriagado. Começo a me preocupar, o café não deu muito certo, faltou água. Troquei por uma garrafa antiga de whisky. Uma que você mesma me deu. Eu nunca havia tido coragem para abrir, até hoje. Eu precisava te escrever porque sinto falta de conversar contigo. Por enquanto, digo ser só isso. Você não precisa de mais de mim. Você sequer precisa de mim. Enquanto eu, eu te encontro nos lugares mais improváveis, como nos botões das flores de jasmim, nos olhos de outra amada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-7327342958597873321?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/7327342958597873321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=7327342958597873321&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/7327342958597873321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/7327342958597873321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/01/jasmim.html' title='Jasmim.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-2537137262939284694</id><published>2011-01-19T16:51:00.004-02:00</published><updated>2011-01-19T18:12:00.376-02:00</updated><title type='text'>Inconsistência.</title><content type='html'>A melodia começa lenta. E algumas batidas mais fortes vão entrando pelos ouvidos. Tentamos não concentrar em cada fragmento da música, pois não entendemos os acordes. E como dois seres dissonantes e discordantes, destoamos. Destoamos do quadro no qual estamos pintados. Duas figuras caricatas. No ofício de dois amantes. Que não mais se amam, mas ainda se embolam e se enrolam no chiar do disco. Nos agudos das vozes cantantes. E no grave, no gravíssimo tom, do viver. Porque estamos setenciados um ao outro. Feito pagássemos pena de prisão perpétua. Pelo crime que cometemos ao estendermos aos mãos e nos entregarmos. Não faz muito tempo desde que te conheci. E vice-versa. Ao avesso, sabemos muito bem quem somos. Ainda nos perdemos na confusão das mutações corriqueiras do cotidiano. Na qual um de nós sai de casa bem-humorado, e volta sedento por desgosto. Nós passamos a nos desgostar tanto com o passar das horas. Porque o tempo que sobra, falta para cuidarmos de nós. E se tornam cada vez mais mal-feitas as declarações, as transas, as barbas. E enquanto fumamos o último cigarro do dia, prolongamos a noite para devastar cada mais o que restou. O que antes era um campo verde e florido, e que agora é uma área de risco, prestes a um soterramento. Temos tanta coisa para derrubar, desmanchar, desabar. Desabamos em lágrimas, porque os gritos ecoam e fogem. E nada cura. Já que não há nada para ser curado. São pequenas frestas de dor, que marcam nossos rostos iluminados, pela luz do poste que atravessa a janela. Nas noites escuras em que nem uma alma viva sequer caminha pela rua. Que nem uma alma sequer se aproxima do estado de transe que atingimos. Ficamos vermelhos, à ponto de explodir, à ponto de ebulição, à ponto de violência, mas nos contemos. Nos contemos porque eu não ousaria colocar minha mão no seu rosto a não ser que fosse para um carinho. Não ousaria passar minha mão em seu contorno a não ser que fosse para tatear nosso amor. Ele, que deve ainda estar escondido por aí. Em algum espaço entre as suas curvas. Em algum espaço de tempo que se perdeu. Porque ninguém acreditaria se disséssemos que acabou assim. Que ninguém viu quando, nem como, mas que sumiu. Feito um fantasma. Um amor invisível e fugitivo. Com a habilidade de um samurai. E ninguém acreditaria se ouvisse quando eu te digo que penso em outras. Que penso em outra. Uma em especial. Que ficou no passado, antes de você. Você que foi a maior de todas. Ela, que me deixou com a sede de mais. Mesmo que amores não se misturem. Amores não se misturam. Mesmo qualquer coisa. Eu tenho pensado nela, talvez pelo desgaste em nós. Talvez porque ela fosse menos abalo sísmico, como você é. Talvez porque ela me apresentasse um colo quente e a certeza de mesa posta, independente do cheiro que eu carregasse na gola da minha camisa. Você me confunde demais, você é por demais intensa e inesperada. E, até, desesperada. Esse seu desespero para encontrar respostas. Coisa que nunca fiz questão. Pois tudo começou como uma aventura, pois você era a mais bela e inconsequente, e tínhamos tudo para viver a boêmia juntos de mão dadas. E de repente você virou uma neurótica, quase psicótica, com tendências homicidas. E eu fui enlouquecendo junto com sua loucura. E eu tenho pensado mesmo nela. Que me ligou na semana passada, para elogiar a crítica que escrevi para um jornal. Para dizer que eu pareço muito mais amadurecido, e que ela adoraria me encontrar qualquer hora dessas para dividir uma garrafa de cerveja. Mal sabe ela que eu regredi na minha maturidade e hoje sou um menininho assustado. Porque não sabia que uma mulher só poderia tomar forma de tantas outras, hora doces, hora maquiavélicas. Uma mulher que não gosta de cerveja, e que resiste, resiste mesmo, ainda que uma provinha só fosse me fazer mais feliz. Ou menos indigesto em ter que seguir, em ter que seguir uma linha que não me avisaram que viria. Você tem pensado em outros também. Por ser um vuracão avassalador que rouba todos os olhares que saem pelas ruas. Que te seguem. Você dita as rotas, e todos seguem. E eu não sei como logo eu te consegui. Vai ver só eu te aguentei. Porque parece tão calma e, ao mesmo tempo, tão forte. E mesmo que intimide, isso atrai. E mesmo que atraia, também repele. Porque ninguém se julga capaz de carregar a responsabilidade de ser seu. O preço é muito mais alto do que o estipulado. Estou pensando nela, e você está pensando em outros. Eu pensando na que perdi para te ter. E você pensando nos que está perdendo para estar comigo. E nós dois pensando até onde isso vale à pena. Eu tenho lido muitos livros de auto-ajuda, parecendo cada vez mais incapaz de andar com meus próprios pés. A maior chance que a vida tem de vingar se concentra na aceitação de que é possível viver sozinho. Você sabia disso? Nem eu. Eu cheguei à essa conclusão por pensamentos próprios. A gente pensa que é indispensável apoiar a vida na de outra pessoa para seguirmos vivendo. Mas não é isso, não é nada disso. É preciso entender que estamos sós, apesar de qualquer companhia. Porque é a única certeza que temos: de termos sempre a si mesmos. Não levando em conta os acessos de loucura no qual não sabemos mais quem somos e não sabemos para onde fomos. Eu sei, agora, que eu preciso me aceitar como sou: sozinho. E que, também, preciso de um amor azul, para que seja sereno. Eu sempre soube que seria muito fácil te amar, pois você era o mais amável dos seres. Mais que os coelhinhos e os recém-nascidos. Você era dona de um encanto de desencontrar qualquer um. Mas a vida nos surpreende das maneiras mais violentas e obscuras. Eu não te procurava quando te encontrei. Aliás, eu não procurava por nada, estava me dando por satisfeito vivendo em uma panela morna com uma mulher que poderia muito bem ser a mãe de todos os meus filhos - isso se um dia eu resolvesse os ter. Mas acasos por acasos e estantes desorganizadas, você esteve ali. Bem na minha frente, em um momento em que, se eu mesmo pudesse, não estaria. E ali se deu o encontro que resultou nessa história de amor caótica que vivemos. Um romance que perdeu toda a feição apaixonada e histérica. Os suspiros e os gemidos. Um romance que preferiu seguir por linhas trêmulas escritas por um autor que não se sabe se sofre de Parkinson ou de Alzheimer. Porque foram tantos os detalhes esquecidos. Visto que o esquecimento, dado certo momento, pareceu a mais sábia de todas as escolhas. Porque era dolorido nos rever passando na televisão. Nos escrever com todos os acentos, e travessões, e travessuras. Travessos, isso que éramos. Como dois moleques se aventurando na mata ciliar de um rio, seguindo até uma cachoeira, até o alto dela, e pulando. Pulando como se não houvesse amanhã, com uma inconsequência majestosa. Pelo puro sabor da beleza já não tão pura assim. Porque havia o passado, e dele, ainda restavam os resquícios. E nunca nos perguntamos até que ponto aqueles resquícios, aquelas pequenas cinzas, estavam acesas para queimarmos um ao outro. Nunca nos perguntamos nada, por preferir o silêncio a qualquer crise de ciúme. Eu fumo meu cigarro com a sensatez de um homem transparente, incolor. Chegada certa idade, e certo nível de sufocamento, já não temos motivos para esconder mais nada. E eu, que me escondi por detrás da sua loucura e de seus espasmos, agora me sinto livre para te dizer. Dizer que te amei percorrendo todos os traços de sua loucura, que sempre me foi clara e sincera, até chegar na parte mais frágil de ti. E te amo, ainda mais, agora. Certo de que um dia nos reencontraremos. Não para sermos enfim feitos um para o outro. Mas para sermos mais fortes e não nos arrastarmos com uma brisa qualquer que levante um pedaço de roupa qualquer. Para sermos adultos o suficiente e conseguirmos nos olhar nos olhos dizendo limpo e claramente: eu aguento viver sozinho, e flutuar contigo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/739514322136740108-2537137262939284694?l=comascartasnamesa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/feeds/2537137262939284694/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=739514322136740108&amp;postID=2537137262939284694&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/2537137262939284694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/739514322136740108/posts/default/2537137262939284694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comascartasnamesa.blogspot.com/2011/01/inconsistencia.html' title='Inconsistência.'/><author><name>Julianna Motter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02564339943704808792</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-HyBrNmhpliA/TpeZ4ncEWAI/AAAAAAAAALM/_EV_1fuiH6o/s220/DSC03282.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-739514322136740108.post-4831465185504445555</id><published>2011-01-17T20:20:00.003-02:00</published><updated>2011-01-17T21:13:14.052-02:00</updated><title type='text'>Cor-de-Sol.</title><content type='html'>O filme da nossa vida. Ele começa assim, com um narrador ao fundo, algum ator fingindo ser eu, e dizendo: o filme da nossa vida. E eu começo andando sozinho, pelas avenidas e ruelas de uma cidade qualquer - que não aquela. Porque para aquela cidade, eu não volto nunca mais. Cada traço no asfalto, cada pedra no chão, cada árvore - sobretudo as árvores -, me lembra você. E sua lembrança me fere - porque da sua ausência eu não me esqueço. Então estou eu, embriagado, na presença dos meus melhores amigos. Onipresente, para ser sincero. Pois estava em um daqueles momentos em que um homem foge de tudo - inclusive de si, incluindo o próprio corpo. Então está meu corpo embriagado caminhando com os amigos. Todos falando sobre as delícias da vida. E eu degustando o silêncio - que sabor amargo ele tem. Então estamos todos levando a vida - principalmente sobre os ombros. E eu caminho sentindo um peso enorme querendo me empurrar para o chão. Piso cada passo sem rumo. E vamos caminhando, por essa noite e por outras próximas. E em um dia eu te vejo passar pela porta do escritório. Seus cabelos dourados, mais do que dourados, reluzentes. Seus passos leves, tão leves que eu só consigo te imaginar vestida de branco. E eu acordo naquele momento, de um sono que eu não tinha conhecimento. Achava que aquilo ali era a vida mesmo. Mas não era. Então você passa e eu vejo as folhas despencarem da mesa, eu tremo na cadeira, e o mundo vira outro. O narrador diz não acreditar em amor à primeira vista. E eu diria o mesmo. Os dias passam, e a gente se reencontra. Seus olhos encontram os meus e aí sim temos o começo de tudo. Não me recordo dos detalhes. Não me recordo de muitas coisas. Mas eu lembro do seu sorriso presente pelos corredores - junto à sua risada doce. E eu te encaro, eu te encaro sem parar, por jurar que você era o que havia de mais belo em todas as faces de todas as terras de todos os mundos e universos: nada existia como você existiu. E ainda existe, mas isso fica para depois. Você me olha, e eu te olho. E ficamos entreolhares olhando cada detalhe sem nos aproximarmos. Porque eu era um grande babaca. E você era a realeza. E eu andando com umas pessoas insignificantes. E você parada, porque tudo ia até você. Você tinha um poder de sugar tudo. De uma forma prazerosa, não destruidora. Eu não consigo me lembrar do que veio depois dos nossos primeiros olhares. Então passemos por essa parte - até porque passar muito tempo tentanto lembrar me dá uma angústia desumana. Um dia meu celular toca, e eu te escuto do outro lado da linha. E eu reconheço sua voz. A voz que eu nunca ouvi, mas que anseei por duros invernos, por todos os infernos que vivi. E você me chama para sair, mas eu não posso. Não posso porque muitos dependem de mim. E você não acredita, porque eu sou um ser tão magro e tão desfeito. E por umas horas ficamos nisso. Mas eu tento resgatar seu convite e eu tento resgatar aquela mínima chance que você me apresentou: a chance de me fazer feliz. Mas as horas passam, e um ou dois dias também. E então nos reencontramos. Desta vez eu sei o seu nome e sei a sua voz. Mas não me aproximo. Por me sentir tão pequeno, eu não consigo ainda te ter por perto. Mas você insiste, e eu sem saber o que você viu em mim. E acho mesmo que não viu nada. E foi esse nada que te deu vontade de fazer alguma coisa. Seguem os epsiódios de desconcerto e uma oportunidade de viagem. Nós dois conversando em segredo, e eu te conto. E milhares de falas fofas e pedidos. E eu arrumo minha mala, apenas uma semana, talvez duas, estou indo atrás do meu futuro. E você aparece minutos antes do avião partir. E nos escondemos em um corredor escuro. E nossos olhos se encaram. E nossos lábios se beijam. E meu corpo todo treme em cima do seu. E ali eu me apaixono perdidamente, e conto para todo mundo. E todo mundo fica tão feliz, porque você era tão impossível para mim, que não tinha nada de especial. E eu vou. E o tempo se arrasta - tudo em segredo. E eu retorno. E mais outro reencontro. Em segredo, perto das latas de lixo, onde você me beija e eu te desejo. Mas sinto medo. Porque você é tudo que seria demais para mim. Nos olhares curiosos vemos os outros pensando que nada em nós fazia sentido. E eu me sinto mal, quase acuado. Mas você me diz que tudo bem, e então fica tudo bem mesmo. E nós frequentamos lugares diferentes. Sempre desejando a presença do outro. E você vai começando a me amar, e eu já perdido de amores. Um dia, em lados opostos da cidade, bêbada, você me liga, e jura amores, e fala "amor", e fala que ama. E eu caio, meu Deus! naquele momento eu me despedaço! E não consigo acreditar, porque ninguém acreditaria se eu contasse. E tudo acontece tão rápido. E nós dois namorando, enamorados. E eu incrédulo. Depois, impiedoso. Porque não entendo sua embriaguez e sua necessidade de contato - ingênuo - com partes dos outros, e me jogo numa aventura passada. Retomo minha origem cretina e, até, maléfica. E, de repente, nas noites em que nos afastamos, começo a dormir em outros braços. E pensar que são outros amores. E pensar que você me engana. E pensar que eu não te mereço. E escutar tudo que me diziam, sobre suas viroses, sobre seus amantes, sobres seus amores e, especialmente, sobre sua falta de amores por mim. E eu acredito naquilo tudo. E me afasto, vou para tão longe que chega ser difícil que você conquiste um alcance. Mas você consegue, de vez em quando. E me puxa, e eu acredito 
